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O trecho a seguir, retirado da obra de Ana Lúcia Souza Silva, trata dos pressupostos bakhtinianos da linguagem.
“Tomando como base a concepção da linguagem, que, em última instância, postula que não há linguagem sem sujeitos, sujeitos , que impregnam a linguagem com suas e práticas sociais, a linguagem pode ser compreendida apenas nas instâncias sociais de uso, o que implica necessariamente o conteúdo ideológico nas enunciações. Sob tal perspectiva, até o pensamento individual, que resulta da ideologia do cotidiano, entendido como ‘a totalidade da atividade mental centrada sobre a vida cotidiana’ (Bakhtin / Volóshinov, 1995 [1929], p. 118), influencia e é influenciado pelos ‘sistemas ideológicos constituídos’ que cercam o sujeito em sociedade. A palavra, que se dá na medida do encontro como o outro e com a situação , intervém nos enunciados.”
(SOUZA: 2011, p, 53)
Assinale a alternativa que completa correta e respectivamente as lacunas anteriores.
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Leia o trecho a seguir, retirado da obra de Ana Lúcia Souza Silva.
“O rap é um dos gêneros no qual podemos observar a brincadeira com a linguagem que sustenta um dizer que é autônomo, contestador, contra-hegemônico e promotor de um conhecimento mobilizador. Mesmo quando um rap é lido, a sonoridade está presente de forma tão fundamental que é possível ‘ouvi-lo’. A subversão da escrita por meio da oralização confere ao rap uma originalidade e uma autonomia perante a escrita escolarizada que mostra a inventividade e a agência de sujeitos que querem expressar as peculiaridades da vida marginalizada por meio de uma escrita também ‘marginal’.”
SOUZA, Ana Lúcia Silva. Letramentos de reexistência,
2011, p. 119.
Nesse fragmento, defende-se a
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Explicando Hamlet aos primitivos
Affonso Romano de Sant’Anna
Uma antropóloga americana chamada Laura Bohannan resolveu testar se uma tribo primitiva na África (os Tiv) podia compreender Shakespeare. Ela partia de um pressuposto: que o gênio inglês tratava de sentimentos universais nos seus textos dramáticos, portanto, todos deveriam entendê-lo. E, assim, dispôs-se a verificar os limites de sua teoria, que era também uma maneira de estudar antropologicamente as diferenças culturais.
Rumou para o oeste da África e foi viver com os Tiv. Adotou uma estratégia que foi ficar lendo sozinha, na sua cabana, o Hamlet. Ficava de propósito lá entretida esperando que eles se interessassem pelo que estava lendo. E tão entretida estava que os primitivos começaram a ficar intrigados, afinal, o que acontecia com ela quando ficava com aquele livro na mão? Pediram, então, que lhes contasse a história que estava lendo.
Laura chamou-os para ouvi-la. Estavam eles ali já sentadinhos em torno dela e mal ela iniciou a narrar, começaram os problemas de interpretação. Quando descreve aquela cena inicial em que o rei e pai de Hamlet, depois de assassinado, aparece vagando na torre do castelo, um dos homens da tribo disse que aquilo era impossível. Ele não podia ser o “chefe”, mas outra pessoa, apenas um representante dele. E a coisa tornou-se mais complicada porque não podiam entender a palavra “fantasma”. Para eles só podia ser um “zumbi”, uma entidade maléfica qualquer. Além do mais, diziam, os mortos não andam, que coisa era aquela de ficar zanzando noite adentro?
A antropóloga tentou explicar uma coisa e outra, e tentando passar por cima das divergências, continuou. Quando lhes foi dito que o tal fantasma do rei havia confidenciado a Hamlet que só ele, seu próprio filho, poderia resolver o problema de sua morte, ou seja, de vingá-lo, de novo os primitivos acharam estranho. Na tribo deles, não é tarefa dos jovens resolverem os problemas. Quem tem que assumir a responsabilidade é o ancião. E o ancião na estória de Hamlet era Cláudio, tio de Hamlet. Só que este é que havia assassinado o rei com o beneplácito da própria mãe de Hamlet.
Os africanos já deviam estar achando os brancos para lá de malucos, e mais intrigados ficaram quando a narradora lhes deu outra informação da estória. Ou seja, que Gertrudes, a mãe de Hamlet, se casou rapidamente com Cláudio, ou seja, não havia sequer deixado o cadáver do marido esfriar.
Isso era, de novo, inaceitável. Segundo o costume daquela tribo, a viúva tinha que ficar pelo menos dois anos de luto. Claro que as mulheres nem sempre concordavam com isso, pois durante a narrativa da antropóloga, uma esposa que ouvia a estória reclamava que quando o marido morria, era necessário rapidamente outro homem para cuidar do campo e das cabras.
Enfim, a tarefa a que se propôs a antropóloga americana foi se frustrando. A cada informação que dava, vinha uma divergência cultural e simbólica. Ela teve até que saltar o famoso monólogo. Essa coisa de “ser” e “estar” só os metafísicos ocidentais entendem.
É possível que você como eu nunca tenha tentado explicar Hamlet aos gentios. Mas é certamente provável que, sem ir à África e sem ter o Hamlet nas mãos, você e eu tenhamos tido experiências semelhantes dentro da nossa própria tribo tentando explicar o inexplicável. Em relação a outras tribos, piora.
SANT’ANNA, Affonso Romano de. Ler o mundo.
São Paulo: Global, 2011.
Assinale a alternativa em que a expressão destacada tem função sintática diferente das demais, também destacadas.
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Explicando Hamlet aos primitivos
Affonso Romano de Sant’Anna
Uma antropóloga americana chamada Laura Bohannan resolveu testar se uma tribo primitiva na África (os Tiv) podia compreender Shakespeare. Ela partia de um pressuposto: que o gênio inglês tratava de sentimentos universais nos seus textos dramáticos, portanto, todos deveriam entendê-lo. E, assim, dispôs-se a verificar os limites de sua teoria, que era também uma maneira de estudar antropologicamente as diferenças culturais.
Rumou para o oeste da África e foi viver com os Tiv. Adotou uma estratégia que foi ficar lendo sozinha, na sua cabana, o Hamlet. Ficava de propósito lá entretida esperando que eles se interessassem pelo que estava lendo. E tão entretida estava que os primitivos começaram a ficar intrigados, afinal, o que acontecia com ela quando ficava com aquele livro na mão? Pediram, então, que lhes contasse a história que estava lendo.
Laura chamou-os para ouvi-la. Estavam eles ali já sentadinhos em torno dela e mal ela iniciou a narrar, começaram os problemas de interpretação. Quando descreve aquela cena inicial em que o rei e pai de Hamlet, depois de assassinado, aparece vagando na torre do castelo, um dos homens da tribo disse que aquilo era impossível. Ele não podia ser o “chefe”, mas outra pessoa, apenas um representante dele. E a coisa tornou-se mais complicada porque não podiam entender a palavra “fantasma”. Para eles só podia ser um “zumbi”, uma entidade maléfica qualquer. Além do mais, diziam, os mortos não andam, que coisa era aquela de ficar zanzando noite adentro?
A antropóloga tentou explicar uma coisa e outra, e tentando passar por cima das divergências, continuou. Quando lhes foi dito que o tal fantasma do rei havia confidenciado a Hamlet que só ele, seu próprio filho, poderia resolver o problema de sua morte, ou seja, de vingá-lo, de novo os primitivos acharam estranho. Na tribo deles, não é tarefa dos jovens resolverem os problemas. Quem tem que assumir a responsabilidade é o ancião. E o ancião na estória de Hamlet era Cláudio, tio de Hamlet. Só que este é que havia assassinado o rei com o beneplácito da própria mãe de Hamlet.
Os africanos já deviam estar achando os brancos para lá de malucos, e mais intrigados ficaram quando a narradora lhes deu outra informação da estória. Ou seja, que Gertrudes, a mãe de Hamlet, se casou rapidamente com Cláudio, ou seja, não havia sequer deixado o cadáver do marido esfriar.
Isso era, de novo, inaceitável. Segundo o costume daquela tribo, a viúva tinha que ficar pelo menos dois anos de luto. Claro que as mulheres nem sempre concordavam com isso, pois durante a narrativa da antropóloga, uma esposa que ouvia a estória reclamava que quando o marido morria, era necessário rapidamente outro homem para cuidar do campo e das cabras.
Enfim, a tarefa a que se propôs a antropóloga americana foi se frustrando. A cada informação que dava, vinha uma divergência cultural e simbólica. Ela teve até que saltar o famoso monólogo. Essa coisa de “ser” e “estar” só os metafísicos ocidentais entendem.
É possível que você como eu nunca tenha tentado explicar Hamlet aos gentios. Mas é certamente provável que, sem ir à África e sem ter o Hamlet nas mãos, você e eu tenhamos tido experiências semelhantes dentro da nossa própria tribo tentando explicar o inexplicável. Em relação a outras tribos, piora.
SANT’ANNA, Affonso Romano de. Ler o mundo.
São Paulo: Global, 2011.
Assinale a alternativa em que o deslocamento da palavra destacada acarretou mudança de sentido na frase.
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Explicando Hamlet aos primitivos
Affonso Romano de Sant’Anna
Uma antropóloga americana chamada Laura Bohannan resolveu testar se uma tribo primitiva na África (os Tiv) podia compreender Shakespeare. Ela partia de um pressuposto: que o gênio inglês tratava de sentimentos universais nos seus textos dramáticos, portanto, todos deveriam entendê-lo. E, assim, dispôs-se a verificar os limites de sua teoria, que era também uma maneira de estudar antropologicamente as diferenças culturais.
Rumou para o oeste da África e foi viver com os Tiv. Adotou uma estratégia que foi ficar lendo sozinha, na sua cabana, o Hamlet. Ficava de propósito lá entretida esperando que eles se interessassem pelo que estava lendo. E tão entretida estava que os primitivos começaram a ficar intrigados, afinal, o que acontecia com ela quando ficava com aquele livro na mão? Pediram, então, que lhes contasse a história que estava lendo.
Laura chamou-os para ouvi-la. Estavam eles ali já sentadinhos em torno dela e mal ela iniciou a narrar, começaram os problemas de interpretação. Quando descreve aquela cena inicial em que o rei e pai de Hamlet, depois de assassinado, aparece vagando na torre do castelo, um dos homens da tribo disse que aquilo era impossível. Ele não podia ser o “chefe”, mas outra pessoa, apenas um representante dele. E a coisa tornou-se mais complicada porque não podiam entender a palavra “fantasma”. Para eles só podia ser um “zumbi”, uma entidade maléfica qualquer. Além do mais, diziam, os mortos não andam, que coisa era aquela de ficar zanzando noite adentro?
A antropóloga tentou explicar uma coisa e outra, e tentando passar por cima das divergências, continuou. Quando lhes foi dito que o tal fantasma do rei havia confidenciado a Hamlet que só ele, seu próprio filho, poderia resolver o problema de sua morte, ou seja, de vingá-lo, de novo os primitivos acharam estranho. Na tribo deles, não é tarefa dos jovens resolverem os problemas. Quem tem que assumir a responsabilidade é o ancião. E o ancião na estória de Hamlet era Cláudio, tio de Hamlet. Só que este é que havia assassinado o rei com o beneplácito da própria mãe de Hamlet.
Os africanos já deviam estar achando os brancos para lá de malucos, e mais intrigados ficaram quando a narradora lhes deu outra informação da estória. Ou seja, que Gertrudes, a mãe de Hamlet, se casou rapidamente com Cláudio, ou seja, não havia sequer deixado o cadáver do marido esfriar.
Isso era, de novo, inaceitável. Segundo o costume daquela tribo, a viúva tinha que ficar pelo menos dois anos de luto. Claro que as mulheres nem sempre concordavam com isso, pois durante a narrativa da antropóloga, uma esposa que ouvia a estória reclamava que quando o marido morria, era necessário rapidamente outro homem para cuidar do campo e das cabras.
Enfim, a tarefa a que se propôs a antropóloga americana foi se frustrando. A cada informação que dava, vinha uma divergência cultural e simbólica. Ela teve até que saltar o famoso monólogo. Essa coisa de “ser” e “estar” só os metafísicos ocidentais entendem.
É possível que você como eu nunca tenha tentado explicar Hamlet aos gentios. Mas é certamente provável que, sem ir à África e sem ter o Hamlet nas mãos, você e eu tenhamos tido experiências semelhantes dentro da nossa própria tribo tentando explicar o inexplicável. Em relação a outras tribos, piora.
SANT’ANNA, Affonso Romano de. Ler o mundo.
São Paulo: Global, 2011.
Releia o trecho a seguir.
“Só que este é que havia assassinado o rei com o beneplácito da própria mãe de Hamlet.”
A palavra destacada tem o mesmo sentido de
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Explicando Hamlet aos primitivos
Affonso Romano de Sant’Anna
Uma antropóloga americana chamada Laura Bohannan resolveu testar se uma tribo primitiva na África (os Tiv) podia compreender Shakespeare. Ela partia de um pressuposto: que o gênio inglês tratava de sentimentos universais nos seus textos dramáticos, portanto, todos deveriam entendê-lo. E, assim, dispôs-se a verificar os limites de sua teoria, que era também uma maneira de estudar antropologicamente as diferenças culturais.
Rumou para o oeste da África e foi viver com os Tiv. Adotou uma estratégia que foi ficar lendo sozinha, na sua cabana, o Hamlet. Ficava de propósito lá entretida esperando que eles se interessassem pelo que estava lendo. E tão entretida estava que os primitivos começaram a ficar intrigados, afinal, o que acontecia com ela quando ficava com aquele livro na mão? Pediram, então, que lhes contasse a história que estava lendo.
Laura chamou-os para ouvi-la. Estavam eles ali já sentadinhos em torno dela e mal ela iniciou a narrar, começaram os problemas de interpretação. Quando descreve aquela cena inicial em que o rei e pai de Hamlet, depois de assassinado, aparece vagando na torre do castelo, um dos homens da tribo disse que aquilo era impossível. Ele não podia ser o “chefe”, mas outra pessoa, apenas um representante dele. E a coisa tornou-se mais complicada porque não podiam entender a palavra “fantasma”. Para eles só podia ser um “zumbi”, uma entidade maléfica qualquer. Além do mais, diziam, os mortos não andam, que coisa era aquela de ficar zanzando noite adentro?
A antropóloga tentou explicar uma coisa e outra, e tentando passar por cima das divergências, continuou. Quando lhes foi dito que o tal fantasma do rei havia confidenciado a Hamlet que só ele, seu próprio filho, poderia resolver o problema de sua morte, ou seja, de vingá-lo, de novo os primitivos acharam estranho. Na tribo deles, não é tarefa dos jovens resolverem os problemas. Quem tem que assumir a responsabilidade é o ancião. E o ancião na estória de Hamlet era Cláudio, tio de Hamlet. Só que este é que havia assassinado o rei com o beneplácito da própria mãe de Hamlet.
Os africanos já deviam estar achando os brancos para lá de malucos, e mais intrigados ficaram quando a narradora lhes deu outra informação da estória. Ou seja, que Gertrudes, a mãe de Hamlet, se casou rapidamente com Cláudio, ou seja, não havia sequer deixado o cadáver do marido esfriar.
Isso era, de novo, inaceitável. Segundo o costume daquela tribo, a viúva tinha que ficar pelo menos dois anos de luto. Claro que as mulheres nem sempre concordavam com isso, pois durante a narrativa da antropóloga, uma esposa que ouvia a estória reclamava que quando o marido morria, era necessário rapidamente outro homem para cuidar do campo e das cabras.
Enfim, a tarefa a que se propôs a antropóloga americana foi se frustrando. A cada informação que dava, vinha uma divergência cultural e simbólica. Ela teve até que saltar o famoso monólogo. Essa coisa de “ser” e “estar” só os metafísicos ocidentais entendem.
É possível que você como eu nunca tenha tentado explicar Hamlet aos gentios. Mas é certamente provável que, sem ir à África e sem ter o Hamlet nas mãos, você e eu tenhamos tido experiências semelhantes dentro da nossa própria tribo tentando explicar o inexplicável. Em relação a outras tribos, piora.
SANT’ANNA, Affonso Romano de. Ler o mundo.
São Paulo: Global, 2011.
São palavras empregadas, no texto, como sinônimas, exceto:
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Rumou para o oeste da África e foi viver com os Tiv. Adotou uma estratégia que foi ficar lendo sozinha, na sua cabana, o Hamlet. Ficava de propósito lá entretida esperando que eles se interessassem pelo que estava lendo. E tão entretida estava que os primitivos começaram a ficar intrigados, afinal, o que acontecia com ela quando ficava com aquele livro na mão? Pediram, então, que lhes contasse a história que estava lendo.
Laura chamou-os para ouvi-la. Estavam eles ali já sentadinhos em torno dela e mal ela iniciou a narrar, começaram os problemas de interpretação. Quando descreve aquela cena inicial em que o rei e pai de Hamlet, depois de assassinado, aparece vagando na torre do castelo, um dos homens da tribo disse que aquilo era impossível. Ele não podia ser o “chefe”, mas outra pessoa, apenas um representante dele. E a coisa tornou-se mais complicada porque não podiam entender a palavra “fantasma”. Para eles só podia ser um “zumbi”, uma entidade maléfica qualquer. Além do mais, diziam, os mortos não andam, que coisa era aquela de ficar zanzando noite adentro?
A antropóloga tentou explicar uma coisa e outra, e tentando passar por cima das divergências, continuou. Quando lhes foi dito que o tal fantasma do rei havia confidenciado a Hamlet que só ele, seu próprio filho, poderia resolver o problema de sua morte, ou seja, de vingá-lo, de novo os primitivos acharam estranho. Na tribo deles, não é tarefa dos jovens resolverem os problemas. Quem tem que assumir a responsabilidade é o ancião. E o ancião na estória de Hamlet era Cláudio, tio de Hamlet. Só que este é que havia assassinado o rei com o beneplácito da própria mãe de Hamlet.
Os africanos já deviam estar achando os brancos para lá de malucos, e mais intrigados ficaram quando a narradora lhes deu outra informação da estória. Ou seja, que Gertrudes, a mãe de Hamlet, se casou rapidamente com Cláudio, ou seja, não havia sequer deixado o cadáver do marido esfriar.
Isso era, de novo, inaceitável. Segundo o costume daquela tribo, a viúva tinha que ficar pelo menos dois anos de luto. Claro que as mulheres nem sempre concordavam com isso, pois durante a narrativa da antropóloga, uma esposa que ouvia a estória reclamava que quando o marido morria, era necessário rapidamente outro homem para cuidar do campo e das cabras.
Enfim, a tarefa a que se propôs a antropóloga americana foi se frustrando. A cada informação que dava, vinha uma divergência cultural e simbólica. Ela teve até que saltar o famoso monólogo. Essa coisa de “ser” e “estar” só os metafísicos ocidentais entendem.
É possível que você como eu nunca tenha tentado explicar Hamlet aos gentios. Mas é certamente provável que, sem ir à África e sem ter o Hamlet nas mãos, você e eu tenhamos tido experiências semelhantes dentro da nossa própria tribo tentando explicar o inexplicável. Em relação a outras tribos, piora.
SANT’ANNA, Affonso Romano de. Ler o mundo.
São Paulo: Global, 2011.
Considere as afirmativas a seguir.
I. A frustração atribuída à tarefa da antropóloga pode ser interpretada como parcial, haja vista que ela, apesar de não ter confirmado sua hipótese inicial, teve a oportunidade de estudar diferenças culturais.
II. Os membros da tribo Tiv decepcionaram a antropóloga, já que não quiseram conhecer a história que ela pretendia lhes contar.
III. No texto, a palavra “primitivo” é usada na acepção de “bruto”, “estúpido”, “impulsivo”.
IV. O texto sugere que existem críticas aos hábitos dos Tiv feitas por membros de sua própria tribo.
Estão corretas, de acordo com o texto, as afirmativas
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Rumou para o oeste da África e foi viver com os Tiv. Adotou uma estratégia que foi ficar lendo sozinha, na sua cabana, o Hamlet. Ficava de propósito lá entretida esperando que eles se interessassem pelo que estava lendo. E tão entretida estava que os primitivos começaram a ficar intrigados, afinal, o que acontecia com ela quando ficava com aquele livro na mão? Pediram, então, que lhes contasse a história que estava lendo.
Laura chamou-os para ouvi-la. Estavam eles ali já sentadinhos em torno dela e mal ela iniciou a narrar, começaram os problemas de interpretação. Quando descreve aquela cena inicial em que o rei e pai de Hamlet, depois de assassinado, aparece vagando na torre do castelo, um dos homens da tribo disse que aquilo era impossível. Ele não podia ser o “chefe”, mas outra pessoa, apenas um representante dele. E a coisa tornou-se mais complicada porque não podiam entender a palavra “fantasma”. Para eles só podia ser um “zumbi”, uma entidade maléfica qualquer. Além do mais, diziam, os mortos não andam, que coisa era aquela de ficar zanzando noite adentro?
A antropóloga tentou explicar uma coisa e outra, e tentando passar por cima das divergências, continuou. Quando lhes foi dito que o tal fantasma do rei havia confidenciado a Hamlet que só ele, seu próprio filho, poderia resolver o problema de sua morte, ou seja, de vingá-lo, de novo os primitivos acharam estranho. Na tribo deles, não é tarefa dos jovens resolverem os problemas. Quem tem que assumir a responsabilidade é o ancião. E o ancião na estória de Hamlet era Cláudio, tio de Hamlet. Só que este é que havia assassinado o rei com o beneplácito da própria mãe de Hamlet.
Os africanos já deviam estar achando os brancos para lá de malucos, e mais intrigados ficaram quando a narradora lhes deu outra informação da estória. Ou seja, que Gertrudes, a mãe de Hamlet, se casou rapidamente com Cláudio, ou seja, não havia sequer deixado o cadáver do marido esfriar.
Isso era, de novo, inaceitável. Segundo o costume daquela tribo, a viúva tinha que ficar pelo menos dois anos de luto. Claro que as mulheres nem sempre concordavam com isso, pois durante a narrativa da antropóloga, uma esposa que ouvia a estória reclamava que quando o marido morria, era necessário rapidamente outro homem para cuidar do campo e das cabras.
Enfim, a tarefa a que se propôs a antropóloga americana foi se frustrando. A cada informação que dava, vinha uma divergência cultural e simbólica. Ela teve até que saltar o famoso monólogo. Essa coisa de “ser” e “estar” só os metafísicos ocidentais entendem.
É possível que você como eu nunca tenha tentado explicar Hamlet aos gentios. Mas é certamente provável que, sem ir à África e sem ter o Hamlet nas mãos, você e eu tenhamos tido experiências semelhantes dentro da nossa própria tribo tentando explicar o inexplicável. Em relação a outras tribos, piora.
SANT’ANNA, Affonso Romano de. Ler o mundo.
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A leitura do texto permite atestar a tese implícita de que
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De acordo com o Conselho Internacional de Museus (ICOM), analise as seguintes atividades.
I. Contabilidade, controle de gestão de pessoas e finanças.
II. Preservação, pesquisa e conservação.
III. Concepção, montagem e avaliação de exposições.
IV. Segurança e manutenção dos espaços.
Pode-se afirmar que apresentam atividades que fazem parte da administração de museus / gestão museológica, direta ou indiretamente,
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A respeito do processo de musealização, assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F as falsas.
( ) Confere ao objeto um estatuto de objeto de museu.
( ) Tem início com uma etapa de separação ou seleção do objeto.
( ) Pode ser entendido como um processo científico.
( ) Nos anos 1970, foi proposto o termo Museália para designar as coisas que passam pela operação de musealização.
Assinale a sequência correta.
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