Foram encontradas 840 questões.
A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem
cientistas
Narciso acha feio o que não é espelho, canta Caetano
Veloso em Sampa. Contudo, não foi em São Paulo, mas em
Londres, na década de 1960, que o psicólogo Peter Wason
deu o nome de “viés de confirmação” para o mecanismo que
induz a mente a aceitar as informações que sustentam as
próprias crenças, em vez de questionar e ter abertura para
analisar outros tipos de informação.
A ideia de uma mente racional, a serviço de apreender
a realidade tal qual ela é, seguiu sendo desacreditada na década seguinte. Em 1979, foi realizado um estudo na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, com estudantes universitários que tinham opiniões opostas sobre a pena de morte.
Com base em dois artigos falsos – um que argumentava a
favor e outro contra a pena de morte –, os estudantes apoiaram justamente aquele artigo que confirmava sua crença
original. O estudo mostrou que ter as certezas contestadas
serviu apenas como reforço para as próprias convicções.
“Cada vez mais o monitor do nosso computador é uma
espécie de espelho que reflete nossos próprios interesses, baseando-se na análise de nossos cliques feita por observadores
algorítmicos”, escreve o ativista Eli Pariser no livro “O Filtro
Invisível: O Que a Internet Está Escondendo de Você”.
Ao mapear as preferências do usuário, o algoritmo forma
as chamadas bolhas, delimitando as respostas de acordo com
seus gostos. Isso gera uma autossatisfação viciante que pode
isolar o indivíduo num sistema de conhecimento unilateral,
reforçando sua visão em vez de expandi-la, assim como acontece com o viés de confirmação.
Mais do que as bolhas, existem ainda as câmaras de eco,
que recebem a contribuição dos usuários para manter o alinhamento das crenças. “Quando recebe algum posicionamento diferente, além de ser ferrenhamente contrário a ele, o usuário exclui pessoas e conteúdos que divergem de si”, explica
Sérgio. “Não é apenas o algoritmo que está criando a bolha,
mas os usuários ativamente estão construindo esses espaços
fechados.” O constante reforço da própria opinião, evitando
ter valores e crenças questionados, é abertura para a desinformação e para as fake news.
“O mundo é extremamente complexo hoje em dia. Nós
temos muita dificuldade de enxergar e compreender a dimensão das várias camadas das coisas que acontecem e, de certo
modo, na câmara de eco há uma simplificação do mundo a
partir do que previamente eu já entendo, compreendo e creio.
Eu faço o mundo caber na minha crença”, considera Sérgio.
A neurocientista Claudia Feitosa-Santana traz um contraponto, lembrando que fazemos parte de grupos diversos,
como veganos ou petlovers. “Nós não estamos todos exatamente dentro das mesmas bolhas. Nós temos muitos grupos e
é isso que confere estabilidade para a nossa sociedade.”
A falta de tempo, de conhecimento e de fontes confiáveis
para filtrar a enxurrada de informações que recebemos pode
colocar também a ciência no balaio do descrédito. Amanda
Moura de Sousa, pesquisadora na Universidade Federal do Rio
de Janeiro, vem estudando a desinformação na área da saúde
e a infodemia, o enorme fluxo de informações que invade a
internet, diante da pandemia de Covid-19. “Para economizar o
esforço de tentar lidar com algum fato, às vezes a gente precisa recorrer às nossas crenças, só que essas crenças podem
levar para um caminho não muito saudável, que é eliminar a
dúvida e se focar na certeza que você já tem”, diz a especialista
em ciência da informação.
Ela lembra de mensagens que circulavam no início da
pandemia, dizendo que os laboratórios não tinham avançado
suficientemente em seus estudos e usavam as pessoas como
cobaias na aplicação de vacinas. Mais de 71% das mensagens
falsas naquele período circulavam pelo WhatsApp, segundo
análise do aplicativo “Eu Fiscalizo”, desenvolvido por pesquisadoras da Fiocruz. “Pela relação de desconfiança que as pessoas muitas vezes têm com os cientistas ou com o próprio
fazer da ciência, que às vezes escapa à compreensão delas,
elas acabam aderindo à desinformação sem buscar outra
fonte”, afirma Amanda. Segundo a autora, é tendência da
mente enfatizar um pequeno risco, fortalecendo, assim, as
próprias crenças. “Recusar-se a vacinar uma criança é um
exemplo disso: aqueles que têm medo da imunização exageram o pequeno risco de um efeito colateral e subestimam a
devastação que ocorre durante uma epidemia de sarampo ou
apenas o quão letal a coqueluche pode ser”, escreve.
Se a ciência é vista muitas vezes de forma distorcida, o
próprio fazer científico não está imune ao viés de confirmação
– simplesmente porque cientistas são também humanos. O
antídoto para o problema seria, segundo os próprios cientistas, ter uma boa formação acadêmica, buscar fontes diversificadas, manter o espírito aberto para pontos de vista diferentes, desenvolver o pensamento crítico e a criatividade.
Charles Peirce, filósofo e pedagogo americano nascido
em 1839, afirmava que só a dúvida leva ao conhecimento e,
para chegar a ele, passamos por uma alternância entre o
desconforto da dúvida e a segurança da crença. Os métodos
de fixação da crença listados por Peirce incluem apego,
imposição, gostos e também, mas não apenas, o método
científico.
Apesar das bolhas, grupos, e algoritmos, não há o que
unifique a experiência humana. “A maneira como nos sentimos nunca se repete no tempo e jamais é igual à forma como
outra pessoa se sente”, escreve Claudia Feitosa-Santana no
livro “Eu Controlo Como Me Sinto”. “E os filósofos já sabiam
disso havia muito tempo. Na Grécia Antiga, Heráclito, um dos
pensadores mais antigos que conhecemos, afirmou o seguinte: ‘Não podemos nos banhar no mesmo rio duas vezes’.”
(ZANON, Sibélia. A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem
cientistas. Estadão, 2023. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/alias/a-mente-aceita-so-aquilo-em-queacredita-dizem-cientistas/ Acesso em: 25/01/2023. Adaptado.)
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A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem
cientistas
Narciso acha feio o que não é espelho, canta Caetano
Veloso em Sampa. Contudo, não foi em São Paulo, mas em
Londres, na década de 1960, que o psicólogo Peter Wason
deu o nome de “viés de confirmação” para o mecanismo que
induz a mente a aceitar as informações que sustentam as
próprias crenças, em vez de questionar e ter abertura para
analisar outros tipos de informação.
A ideia de uma mente racional, a serviço de apreender
a realidade tal qual ela é, seguiu sendo desacreditada na década seguinte. Em 1979, foi realizado um estudo na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, com estudantes universitários que tinham opiniões opostas sobre a pena de morte.
Com base em dois artigos falsos – um que argumentava a
favor e outro contra a pena de morte –, os estudantes apoiaram justamente aquele artigo que confirmava sua crença
original. O estudo mostrou que ter as certezas contestadas
serviu apenas como reforço para as próprias convicções.
“Cada vez mais o monitor do nosso computador é uma
espécie de espelho que reflete nossos próprios interesses, baseando-se na análise de nossos cliques feita por observadores
algorítmicos”, escreve o ativista Eli Pariser no livro “O Filtro
Invisível: O Que a Internet Está Escondendo de Você”.
Ao mapear as preferências do usuário, o algoritmo forma
as chamadas bolhas, delimitando as respostas de acordo com
seus gostos. Isso gera uma autossatisfação viciante que pode
isolar o indivíduo num sistema de conhecimento unilateral,
reforçando sua visão em vez de expandi-la, assim como acontece com o viés de confirmação.
Mais do que as bolhas, existem ainda as câmaras de eco,
que recebem a contribuição dos usuários para manter o alinhamento das crenças. “Quando recebe algum posicionamento diferente, além de ser ferrenhamente contrário a ele, o usuário exclui pessoas e conteúdos que divergem de si”, explica
Sérgio. “Não é apenas o algoritmo que está criando a bolha,
mas os usuários ativamente estão construindo esses espaços
fechados.” O constante reforço da própria opinião, evitando
ter valores e crenças questionados, é abertura para a desinformação e para as fake news.
“O mundo é extremamente complexo hoje em dia. Nós
temos muita dificuldade de enxergar e compreender a dimensão das várias camadas das coisas que acontecem e, de certo
modo, na câmara de eco há uma simplificação do mundo a
partir do que previamente eu já entendo, compreendo e creio.
Eu faço o mundo caber na minha crença”, considera Sérgio.
A neurocientista Claudia Feitosa-Santana traz um contraponto, lembrando que fazemos parte de grupos diversos,
como veganos ou petlovers. “Nós não estamos todos exatamente dentro das mesmas bolhas. Nós temos muitos grupos e
é isso que confere estabilidade para a nossa sociedade.”
A falta de tempo, de conhecimento e de fontes confiáveis
para filtrar a enxurrada de informações que recebemos pode
colocar também a ciência no balaio do descrédito. Amanda
Moura de Sousa, pesquisadora na Universidade Federal do Rio
de Janeiro, vem estudando a desinformação na área da saúde
e a infodemia, o enorme fluxo de informações que invade a
internet, diante da pandemia de Covid-19. “Para economizar o
esforço de tentar lidar com algum fato, às vezes a gente precisa recorrer às nossas crenças, só que essas crenças podem
levar para um caminho não muito saudável, que é eliminar a
dúvida e se focar na certeza que você já tem”, diz a especialista
em ciência da informação.
Ela lembra de mensagens que circulavam no início da
pandemia, dizendo que os laboratórios não tinham avançado
suficientemente em seus estudos e usavam as pessoas como
cobaias na aplicação de vacinas. Mais de 71% das mensagens
falsas naquele período circulavam pelo WhatsApp, segundo
análise do aplicativo “Eu Fiscalizo”, desenvolvido por pesquisadoras da Fiocruz. “Pela relação de desconfiança que as pessoas muitas vezes têm com os cientistas ou com o próprio
fazer da ciência, que às vezes escapa à compreensão delas,
elas acabam aderindo à desinformação sem buscar outra
fonte”, afirma Amanda. Segundo a autora, é tendência da
mente enfatizar um pequeno risco, fortalecendo, assim, as
próprias crenças. “Recusar-se a vacinar uma criança é um
exemplo disso: aqueles que têm medo da imunização exageram o pequeno risco de um efeito colateral e subestimam a
devastação que ocorre durante uma epidemia de sarampo ou
apenas o quão letal a coqueluche pode ser”, escreve.
Se a ciência é vista muitas vezes de forma distorcida, o
próprio fazer científico não está imune ao viés de confirmação
– simplesmente porque cientistas são também humanos. O
antídoto para o problema seria, segundo os próprios cientistas, ter uma boa formação acadêmica, buscar fontes diversificadas, manter o espírito aberto para pontos de vista diferentes, desenvolver o pensamento crítico e a criatividade.
Charles Peirce, filósofo e pedagogo americano nascido
em 1839, afirmava que só a dúvida leva ao conhecimento e,
para chegar a ele, passamos por uma alternância entre o
desconforto da dúvida e a segurança da crença. Os métodos
de fixação da crença listados por Peirce incluem apego,
imposição, gostos e também, mas não apenas, o método
científico.
Apesar das bolhas, grupos, e algoritmos, não há o que
unifique a experiência humana. “A maneira como nos sentimos nunca se repete no tempo e jamais é igual à forma como
outra pessoa se sente”, escreve Claudia Feitosa-Santana no
livro “Eu Controlo Como Me Sinto”. “E os filósofos já sabiam
disso havia muito tempo. Na Grécia Antiga, Heráclito, um dos
pensadores mais antigos que conhecemos, afirmou o seguinte: ‘Não podemos nos banhar no mesmo rio duas vezes’.”
(ZANON, Sibélia. A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem
cientistas. Estadão, 2023. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/alias/a-mente-aceita-so-aquilo-em-queacredita-dizem-cientistas/ Acesso em: 25/01/2023. Adaptado.)
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Narciso acha feio o que não é espelho, canta Caetano
Veloso em Sampa. Contudo, não foi em São Paulo, mas em
Londres, na década de 1960, que o psicólogo Peter Wason
deu o nome de “viés de confirmação” para o mecanismo que
induz a mente a aceitar as informações que sustentam as
próprias crenças, em vez de questionar e ter abertura para
analisar outros tipos de informação.
A ideia de uma mente racional, a serviço de apreender
a realidade tal qual ela é, seguiu sendo desacreditada na década seguinte. Em 1979, foi realizado um estudo na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, com estudantes universitários que tinham opiniões opostas sobre a pena de morte.
Com base em dois artigos falsos – um que argumentava a
favor e outro contra a pena de morte –, os estudantes apoiaram justamente aquele artigo que confirmava sua crença
original. O estudo mostrou que ter as certezas contestadas
serviu apenas como reforço para as próprias convicções.
“Cada vez mais o monitor do nosso computador é uma
espécie de espelho que reflete nossos próprios interesses, baseando-se na análise de nossos cliques feita por observadores
algorítmicos”, escreve o ativista Eli Pariser no livro “O Filtro
Invisível: O Que a Internet Está Escondendo de Você”.
Ao mapear as preferências do usuário, o algoritmo forma
as chamadas bolhas, delimitando as respostas de acordo com
seus gostos. Isso gera uma autossatisfação viciante que pode
isolar o indivíduo num sistema de conhecimento unilateral,
reforçando sua visão em vez de expandi-la, assim como acontece com o viés de confirmação.
Mais do que as bolhas, existem ainda as câmaras de eco,
que recebem a contribuição dos usuários para manter o alinhamento das crenças. “Quando recebe algum posicionamento diferente, além de ser ferrenhamente contrário a ele, o usuário exclui pessoas e conteúdos que divergem de si”, explica
Sérgio. “Não é apenas o algoritmo que está criando a bolha,
mas os usuários ativamente estão construindo esses espaços
fechados.” O constante reforço da própria opinião, evitando
ter valores e crenças questionados, é abertura para a desinformação e para as fake news.
“O mundo é extremamente complexo hoje em dia. Nós
temos muita dificuldade de enxergar e compreender a dimensão das várias camadas das coisas que acontecem e, de certo
modo, na câmara de eco há uma simplificação do mundo a
partir do que previamente eu já entendo, compreendo e creio.
Eu faço o mundo caber na minha crença”, considera Sérgio.
A neurocientista Claudia Feitosa-Santana traz um contraponto, lembrando que fazemos parte de grupos diversos,
como veganos ou petlovers. “Nós não estamos todos exatamente dentro das mesmas bolhas. Nós temos muitos grupos e
é isso que confere estabilidade para a nossa sociedade.”
A falta de tempo, de conhecimento e de fontes confiáveis
para filtrar a enxurrada de informações que recebemos pode
colocar também a ciência no balaio do descrédito. Amanda
Moura de Sousa, pesquisadora na Universidade Federal do Rio
de Janeiro, vem estudando a desinformação na área da saúde
e a infodemia, o enorme fluxo de informações que invade a
internet, diante da pandemia de Covid-19. “Para economizar o
esforço de tentar lidar com algum fato, às vezes a gente precisa recorrer às nossas crenças, só que essas crenças podem
levar para um caminho não muito saudável, que é eliminar a
dúvida e se focar na certeza que você já tem”, diz a especialista
em ciência da informação.
Ela lembra de mensagens que circulavam no início da
pandemia, dizendo que os laboratórios não tinham avançado
suficientemente em seus estudos e usavam as pessoas como
cobaias na aplicação de vacinas. Mais de 71% das mensagens
falsas naquele período circulavam pelo WhatsApp, segundo
análise do aplicativo “Eu Fiscalizo”, desenvolvido por pesquisadoras da Fiocruz. “Pela relação de desconfiança que as pessoas muitas vezes têm com os cientistas ou com o próprio
fazer da ciência, que às vezes escapa à compreensão delas,
elas acabam aderindo à desinformação sem buscar outra
fonte”, afirma Amanda. Segundo a autora, é tendência da
mente enfatizar um pequeno risco, fortalecendo, assim, as
próprias crenças. “Recusar-se a vacinar uma criança é um
exemplo disso: aqueles que têm medo da imunização exageram o pequeno risco de um efeito colateral e subestimam a
devastação que ocorre durante uma epidemia de sarampo ou
apenas o quão letal a coqueluche pode ser”, escreve.
Se a ciência é vista muitas vezes de forma distorcida, o
próprio fazer científico não está imune ao viés de confirmação
– simplesmente porque cientistas são também humanos. O
antídoto para o problema seria, segundo os próprios cientistas, ter uma boa formação acadêmica, buscar fontes diversificadas, manter o espírito aberto para pontos de vista diferentes, desenvolver o pensamento crítico e a criatividade.
Charles Peirce, filósofo e pedagogo americano nascido
em 1839, afirmava que só a dúvida leva ao conhecimento e,
para chegar a ele, passamos por uma alternância entre o
desconforto da dúvida e a segurança da crença. Os métodos
de fixação da crença listados por Peirce incluem apego,
imposição, gostos e também, mas não apenas, o método
científico.
Apesar das bolhas, grupos, e algoritmos, não há o que
unifique a experiência humana. “A maneira como nos sentimos nunca se repete no tempo e jamais é igual à forma como
outra pessoa se sente”, escreve Claudia Feitosa-Santana no
livro “Eu Controlo Como Me Sinto”. “E os filósofos já sabiam
disso havia muito tempo. Na Grécia Antiga, Heráclito, um dos
pensadores mais antigos que conhecemos, afirmou o seguinte: ‘Não podemos nos banhar no mesmo rio duas vezes’.”
(ZANON, Sibélia. A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem
cientistas. Estadão, 2023. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/alias/a-mente-aceita-so-aquilo-em-queacredita-dizem-cientistas/ Acesso em: 25/01/2023. Adaptado.)
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A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem
cientistas
Narciso acha feio o que não é espelho, canta Caetano
Veloso em Sampa. Contudo, não foi em São Paulo, mas em
Londres, na década de 1960, que o psicólogo Peter Wason
deu o nome de “viés de confirmação” para o mecanismo que
induz a mente a aceitar as informações que sustentam as
próprias crenças, em vez de questionar e ter abertura para
analisar outros tipos de informação.
A ideia de uma mente racional, a serviço de apreender
a realidade tal qual ela é, seguiu sendo desacreditada na década seguinte. Em 1979, foi realizado um estudo na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, com estudantes universitários que tinham opiniões opostas sobre a pena de morte.
Com base em dois artigos falsos – um que argumentava a
favor e outro contra a pena de morte –, os estudantes apoiaram justamente aquele artigo que confirmava sua crença
original. O estudo mostrou que ter as certezas contestadas
serviu apenas como reforço para as próprias convicções.
“Cada vez mais o monitor do nosso computador é uma
espécie de espelho que reflete nossos próprios interesses, baseando-se na análise de nossos cliques feita por observadores
algorítmicos”, escreve o ativista Eli Pariser no livro “O Filtro
Invisível: O Que a Internet Está Escondendo de Você”.
Ao mapear as preferências do usuário, o algoritmo forma
as chamadas bolhas, delimitando as respostas de acordo com
seus gostos. Isso gera uma autossatisfação viciante que pode
isolar o indivíduo num sistema de conhecimento unilateral,
reforçando sua visão em vez de expandi-la, assim como acontece com o viés de confirmação.
Mais do que as bolhas, existem ainda as câmaras de eco,
que recebem a contribuição dos usuários para manter o alinhamento das crenças. “Quando recebe algum posicionamento diferente, além de ser ferrenhamente contrário a ele, o usuário exclui pessoas e conteúdos que divergem de si”, explica
Sérgio. “Não é apenas o algoritmo que está criando a bolha,
mas os usuários ativamente estão construindo esses espaços
fechados.” O constante reforço da própria opinião, evitando
ter valores e crenças questionados, é abertura para a desinformação e para as fake news.
“O mundo é extremamente complexo hoje em dia. Nós
temos muita dificuldade de enxergar e compreender a dimensão das várias camadas das coisas que acontecem e, de certo
modo, na câmara de eco há uma simplificação do mundo a
partir do que previamente eu já entendo, compreendo e creio.
Eu faço o mundo caber na minha crença”, considera Sérgio.
A neurocientista Claudia Feitosa-Santana traz um contraponto, lembrando que fazemos parte de grupos diversos,
como veganos ou petlovers. “Nós não estamos todos exatamente dentro das mesmas bolhas. Nós temos muitos grupos e
é isso que confere estabilidade para a nossa sociedade.”
A falta de tempo, de conhecimento e de fontes confiáveis
para filtrar a enxurrada de informações que recebemos pode
colocar também a ciência no balaio do descrédito. Amanda
Moura de Sousa, pesquisadora na Universidade Federal do Rio
de Janeiro, vem estudando a desinformação na área da saúde
e a infodemia, o enorme fluxo de informações que invade a
internet, diante da pandemia de Covid-19. “Para economizar o
esforço de tentar lidar com algum fato, às vezes a gente precisa recorrer às nossas crenças, só que essas crenças podem
levar para um caminho não muito saudável, que é eliminar a
dúvida e se focar na certeza que você já tem”, diz a especialista
em ciência da informação.
Ela lembra de mensagens que circulavam no início da
pandemia, dizendo que os laboratórios não tinham avançado
suficientemente em seus estudos e usavam as pessoas como
cobaias na aplicação de vacinas. Mais de 71% das mensagens
falsas naquele período circulavam pelo WhatsApp, segundo
análise do aplicativo “Eu Fiscalizo”, desenvolvido por pesquisadoras da Fiocruz. “Pela relação de desconfiança que as pessoas muitas vezes têm com os cientistas ou com o próprio
fazer da ciência, que às vezes escapa à compreensão delas,
elas acabam aderindo à desinformação sem buscar outra
fonte”, afirma Amanda. Segundo a autora, é tendência da
mente enfatizar um pequeno risco, fortalecendo, assim, as
próprias crenças. “Recusar-se a vacinar uma criança é um
exemplo disso: aqueles que têm medo da imunização exageram o pequeno risco de um efeito colateral e subestimam a
devastação que ocorre durante uma epidemia de sarampo ou
apenas o quão letal a coqueluche pode ser”, escreve.
Se a ciência é vista muitas vezes de forma distorcida, o
próprio fazer científico não está imune ao viés de confirmação
– simplesmente porque cientistas são também humanos. O
antídoto para o problema seria, segundo os próprios cientistas, ter uma boa formação acadêmica, buscar fontes diversificadas, manter o espírito aberto para pontos de vista diferentes, desenvolver o pensamento crítico e a criatividade.
Charles Peirce, filósofo e pedagogo americano nascido
em 1839, afirmava que só a dúvida leva ao conhecimento e,
para chegar a ele, passamos por uma alternância entre o
desconforto da dúvida e a segurança da crença. Os métodos
de fixação da crença listados por Peirce incluem apego,
imposição, gostos e também, mas não apenas, o método
científico.
Apesar das bolhas, grupos, e algoritmos, não há o que
unifique a experiência humana. “A maneira como nos sentimos nunca se repete no tempo e jamais é igual à forma como
outra pessoa se sente”, escreve Claudia Feitosa-Santana no
livro “Eu Controlo Como Me Sinto”. “E os filósofos já sabiam
disso havia muito tempo. Na Grécia Antiga, Heráclito, um dos
pensadores mais antigos que conhecemos, afirmou o seguinte: ‘Não podemos nos banhar no mesmo rio duas vezes’.”
(ZANON, Sibélia. A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem
cientistas. Estadão, 2023. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/alias/a-mente-aceita-so-aquilo-em-queacredita-dizem-cientistas/ Acesso em: 25/01/2023. Adaptado.)
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A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem
cientistas
Narciso acha feio o que não é espelho, canta Caetano
Veloso em Sampa. Contudo, não foi em São Paulo, mas em
Londres, na década de 1960, que o psicólogo Peter Wason
deu o nome de “viés de confirmação” para o mecanismo que
induz a mente a aceitar as informações que sustentam as
próprias crenças, em vez de questionar e ter abertura para
analisar outros tipos de informação.
A ideia de uma mente racional, a serviço de apreender
a realidade tal qual ela é, seguiu sendo desacreditada na década seguinte. Em 1979, foi realizado um estudo na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, com estudantes universitários que tinham opiniões opostas sobre a pena de morte.
Com base em dois artigos falsos – um que argumentava a
favor e outro contra a pena de morte –, os estudantes apoiaram justamente aquele artigo que confirmava sua crença
original. O estudo mostrou que ter as certezas contestadas
serviu apenas como reforço para as próprias convicções.
“Cada vez mais o monitor do nosso computador é uma
espécie de espelho que reflete nossos próprios interesses, baseando-se na análise de nossos cliques feita por observadores
algorítmicos”, escreve o ativista Eli Pariser no livro “O Filtro
Invisível: O Que a Internet Está Escondendo de Você”.
Ao mapear as preferências do usuário, o algoritmo forma
as chamadas bolhas, delimitando as respostas de acordo com
seus gostos. Isso gera uma autossatisfação viciante que pode
isolar o indivíduo num sistema de conhecimento unilateral,
reforçando sua visão em vez de expandi-la, assim como acontece com o viés de confirmação.
Mais do que as bolhas, existem ainda as câmaras de eco,
que recebem a contribuição dos usuários para manter o alinhamento das crenças. “Quando recebe algum posicionamento diferente, além de ser ferrenhamente contrário a ele, o usuário exclui pessoas e conteúdos que divergem de si”, explica
Sérgio. “Não é apenas o algoritmo que está criando a bolha,
mas os usuários ativamente estão construindo esses espaços
fechados.” O constante reforço da própria opinião, evitando
ter valores e crenças questionados, é abertura para a desinformação e para as fake news.
“O mundo é extremamente complexo hoje em dia. Nós
temos muita dificuldade de enxergar e compreender a dimensão das várias camadas das coisas que acontecem e, de certo
modo, na câmara de eco há uma simplificação do mundo a
partir do que previamente eu já entendo, compreendo e creio.
Eu faço o mundo caber na minha crença”, considera Sérgio.
A neurocientista Claudia Feitosa-Santana traz um contraponto, lembrando que fazemos parte de grupos diversos,
como veganos ou petlovers. “Nós não estamos todos exatamente dentro das mesmas bolhas. Nós temos muitos grupos e
é isso que confere estabilidade para a nossa sociedade.”
A falta de tempo, de conhecimento e de fontes confiáveis
para filtrar a enxurrada de informações que recebemos pode
colocar também a ciência no balaio do descrédito. Amanda
Moura de Sousa, pesquisadora na Universidade Federal do Rio
de Janeiro, vem estudando a desinformação na área da saúde
e a infodemia, o enorme fluxo de informações que invade a
internet, diante da pandemia de Covid-19. “Para economizar o
esforço de tentar lidar com algum fato, às vezes a gente precisa recorrer às nossas crenças, só que essas crenças podem
levar para um caminho não muito saudável, que é eliminar a
dúvida e se focar na certeza que você já tem”, diz a especialista
em ciência da informação.
Ela lembra de mensagens que circulavam no início da
pandemia, dizendo que os laboratórios não tinham avançado
suficientemente em seus estudos e usavam as pessoas como
cobaias na aplicação de vacinas. Mais de 71% das mensagens
falsas naquele período circulavam pelo WhatsApp, segundo
análise do aplicativo “Eu Fiscalizo”, desenvolvido por pesquisadoras da Fiocruz. “Pela relação de desconfiança que as pessoas muitas vezes têm com os cientistas ou com o próprio
fazer da ciência, que às vezes escapa à compreensão delas,
elas acabam aderindo à desinformação sem buscar outra
fonte”, afirma Amanda. Segundo a autora, é tendência da
mente enfatizar um pequeno risco, fortalecendo, assim, as
próprias crenças. “Recusar-se a vacinar uma criança é um
exemplo disso: aqueles que têm medo da imunização exageram o pequeno risco de um efeito colateral e subestimam a
devastação que ocorre durante uma epidemia de sarampo ou
apenas o quão letal a coqueluche pode ser”, escreve.
Se a ciência é vista muitas vezes de forma distorcida, o
próprio fazer científico não está imune ao viés de confirmação
– simplesmente porque cientistas são também humanos. O
antídoto para o problema seria, segundo os próprios cientistas, ter uma boa formação acadêmica, buscar fontes diversificadas, manter o espírito aberto para pontos de vista diferentes, desenvolver o pensamento crítico e a criatividade.
Charles Peirce, filósofo e pedagogo americano nascido
em 1839, afirmava que só a dúvida leva ao conhecimento e,
para chegar a ele, passamos por uma alternância entre o
desconforto da dúvida e a segurança da crença. Os métodos
de fixação da crença listados por Peirce incluem apego,
imposição, gostos e também, mas não apenas, o método
científico.
Apesar das bolhas, grupos, e algoritmos, não há o que
unifique a experiência humana. “A maneira como nos sentimos nunca se repete no tempo e jamais é igual à forma como
outra pessoa se sente”, escreve Claudia Feitosa-Santana no
livro “Eu Controlo Como Me Sinto”. “E os filósofos já sabiam
disso havia muito tempo. Na Grécia Antiga, Heráclito, um dos
pensadores mais antigos que conhecemos, afirmou o seguinte: ‘Não podemos nos banhar no mesmo rio duas vezes’.”
(ZANON, Sibélia. A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem
cientistas. Estadão, 2023. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/alias/a-mente-aceita-so-aquilo-em-queacredita-dizem-cientistas/ Acesso em: 25/01/2023. Adaptado.)
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Questão presente nas seguintes provas
A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem
cientistas
Narciso acha feio o que não é espelho, canta Caetano
Veloso em Sampa. Contudo, não foi em São Paulo, mas em
Londres, na década de 1960, que o psicólogo Peter Wason
deu o nome de “viés de confirmação” para o mecanismo que
induz a mente a aceitar as informações que sustentam as
próprias crenças, em vez de questionar e ter abertura para
analisar outros tipos de informação.
A ideia de uma mente racional, a serviço de apreender
a realidade tal qual ela é, seguiu sendo desacreditada na década seguinte. Em 1979, foi realizado um estudo na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, com estudantes universitários que tinham opiniões opostas sobre a pena de morte.
Com base em dois artigos falsos – um que argumentava a
favor e outro contra a pena de morte –, os estudantes apoiaram justamente aquele artigo que confirmava sua crença
original. O estudo mostrou que ter as certezas contestadas
serviu apenas como reforço para as próprias convicções.
“Cada vez mais o monitor do nosso computador é uma
espécie de espelho que reflete nossos próprios interesses, baseando-se na análise de nossos cliques feita por observadores
algorítmicos”, escreve o ativista Eli Pariser no livro “O Filtro
Invisível: O Que a Internet Está Escondendo de Você”.
Ao mapear as preferências do usuário, o algoritmo forma
as chamadas bolhas, delimitando as respostas de acordo com
seus gostos. Isso gera uma autossatisfação viciante que pode
isolar o indivíduo num sistema de conhecimento unilateral,
reforçando sua visão em vez de expandi-la, assim como acontece com o viés de confirmação.
Mais do que as bolhas, existem ainda as câmaras de eco,
que recebem a contribuição dos usuários para manter o alinhamento das crenças. “Quando recebe algum posicionamento diferente, além de ser ferrenhamente contrário a ele, o usuário exclui pessoas e conteúdos que divergem de si”, explica
Sérgio. “Não é apenas o algoritmo que está criando a bolha,
mas os usuários ativamente estão construindo esses espaços
fechados.” O constante reforço da própria opinião, evitando
ter valores e crenças questionados, é abertura para a desinformação e para as fake news.
“O mundo é extremamente complexo hoje em dia. Nós
temos muita dificuldade de enxergar e compreender a dimensão das várias camadas das coisas que acontecem e, de certo
modo, na câmara de eco há uma simplificação do mundo a
partir do que previamente eu já entendo, compreendo e creio.
Eu faço o mundo caber na minha crença”, considera Sérgio.
A neurocientista Claudia Feitosa-Santana traz um contraponto, lembrando que fazemos parte de grupos diversos,
como veganos ou petlovers. “Nós não estamos todos exatamente dentro das mesmas bolhas. Nós temos muitos grupos e
é isso que confere estabilidade para a nossa sociedade.”
A falta de tempo, de conhecimento e de fontes confiáveis
para filtrar a enxurrada de informações que recebemos pode
colocar também a ciência no balaio do descrédito. Amanda
Moura de Sousa, pesquisadora na Universidade Federal do Rio
de Janeiro, vem estudando a desinformação na área da saúde
e a infodemia, o enorme fluxo de informações que invade a
internet, diante da pandemia de Covid-19. “Para economizar o
esforço de tentar lidar com algum fato, às vezes a gente precisa recorrer às nossas crenças, só que essas crenças podem
levar para um caminho não muito saudável, que é eliminar a
dúvida e se focar na certeza que você já tem”, diz a especialista
em ciência da informação.
Ela lembra de mensagens que circulavam no início da
pandemia, dizendo que os laboratórios não tinham avançado
suficientemente em seus estudos e usavam as pessoas como
cobaias na aplicação de vacinas. Mais de 71% das mensagens
falsas naquele período circulavam pelo WhatsApp, segundo
análise do aplicativo “Eu Fiscalizo”, desenvolvido por pesquisadoras da Fiocruz. “Pela relação de desconfiança que as pessoas muitas vezes têm com os cientistas ou com o próprio
fazer da ciência, que às vezes escapa à compreensão delas,
elas acabam aderindo à desinformação sem buscar outra
fonte”, afirma Amanda. Segundo a autora, é tendência da
mente enfatizar um pequeno risco, fortalecendo, assim, as
próprias crenças. “Recusar-se a vacinar uma criança é um
exemplo disso: aqueles que têm medo da imunização exageram o pequeno risco de um efeito colateral e subestimam a
devastação que ocorre durante uma epidemia de sarampo ou
apenas o quão letal a coqueluche pode ser”, escreve.
Se a ciência é vista muitas vezes de forma distorcida, o
próprio fazer científico não está imune ao viés de confirmação
– simplesmente porque cientistas são também humanos. O
antídoto para o problema seria, segundo os próprios cientistas, ter uma boa formação acadêmica, buscar fontes diversificadas, manter o espírito aberto para pontos de vista diferentes, desenvolver o pensamento crítico e a criatividade.
Charles Peirce, filósofo e pedagogo americano nascido
em 1839, afirmava que só a dúvida leva ao conhecimento e,
para chegar a ele, passamos por uma alternância entre o
desconforto da dúvida e a segurança da crença. Os métodos
de fixação da crença listados por Peirce incluem apego,
imposição, gostos e também, mas não apenas, o método
científico.
Apesar das bolhas, grupos, e algoritmos, não há o que
unifique a experiência humana. “A maneira como nos sentimos nunca se repete no tempo e jamais é igual à forma como
outra pessoa se sente”, escreve Claudia Feitosa-Santana no
livro “Eu Controlo Como Me Sinto”. “E os filósofos já sabiam
disso havia muito tempo. Na Grécia Antiga, Heráclito, um dos
pensadores mais antigos que conhecemos, afirmou o seguinte: ‘Não podemos nos banhar no mesmo rio duas vezes’.”
(ZANON, Sibélia. A mente aceita só aquilo em que acredita, dizem
cientistas. Estadão, 2023. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/alias/a-mente-aceita-so-aquilo-em-queacredita-dizem-cientistas/ Acesso em: 25/01/2023. Adaptado.)
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Leia o texto a seguir para responder a questão.
Por que você não deve acalmar seu filho com o celular?
Quando uma criança está inquieta ou fazendo muita
bagunça, colocá-la na frente de um celular com joguinhos ou
vídeos pode parecer a solução ideal. Mas, se usada constantemente, essa técnica pode ter seus reveses.
Pesquisadores analisaram o uso de dispositivos digitais
como ferramentas para acalmar crianças com idade entre 3
e 5 anos. O estudo envolveu 422 pais e 422 crianças. Ele foi
realizado entre agosto de 2018 e janeiro de 2020, antes da
pandemia de Covid-19.
Os cientistas descobriram que o aumento do uso de
aparelhos eletrônicos como método para acalmar crianças
estava ligado a uma maior reatividade emocional ao longo
dos meses.
As crianças do estudo mudavam de humor rapidamente e
ficaram mais impulsivas – relação particularmente forte em
meninos e em crianças que já tinham sinais de hiperatividade,
impulsividade e temperamento forte, o que os torna mais propensos a reagir intensamente a sentimentos como raiva, frustração e tristeza.
“Usar dispositivos móveis para acalmar uma criança
pequena pode parecer uma ferramenta inofensiva e temporária para reduzir o estresse em casa, mas pode haver consequências a longo prazo se for uma estratégia regular”, afirma Jenny Radesky, principal autora do estudo e mãe de dois
filhos. “Esses dispositivos podem comprometer as oportunidades de desenvolvimento de métodos independentes e
alternativos de autorregulação – particularmente durante os
seis primeiros anos de vida”.
Crianças nessa faixa etária costumam apresentar comportamentos difíceis com maior frequência. Acessos de raiva, ataques de birra ou emoções muito intensas podem ser facilmente
controlados com um tablet ou um smartphone. A solução funciona, mas o alívio de curto prazo pode comprometer o desenvolvimento emocional da criança.
O estudo chama a atenção para o uso exagerado e
constante desse método simples. Se aplicado com moderação, pode ser útil – mas não deve ser a principal forma de
lidar com situações difíceis.
Para não desamparar pais que abusavam desse método,
os pesquisadores também apresentaram algumas outras opções
para acalmar as crianças.
Fornecer experiências sensoriais ou estimular exercícios, por exemplo, pode ajudar. Isso pode incluir balançar,
abraçar, pular em um trampolim, ouvir música ou olhar para
figuras de um livro.
Ao tentar nomear o que seu filho está sentindo, os pais
ajudam a conectar a linguagem aos estados emocionais; além
de mostrar à criança que ela é compreendida pelos adultos.
Os pesquisadores também promovem alternativas para os
comportamentos particularmente negativos de quando estão
chateadas. Ao tentar comunicar suas emoções, as crianças podem
recorrer a impulsos violentos ou exagerados. Os pais podem
ensiná-las comportamentos substitutos mais seguros – como
descontar a raiva em um travesseiro ao invés de um colega, ou
comunicar-se claramente quando gostaria de atenção ao invés
de abrir um berreiro.
“Todas essas soluções ajudam as crianças a se entenderem melhor e a se sentirem mais competentes para administrar seus sentimentos”, afirma Radesky. “O cuidador também
precisa tentar manter a calma e não reagir exageradamente às
emoções da criança. Esses cuidados ajudam a desenvolver habilidades de regulação emocional que duram a vida toda.”
“Por outro lado, usar um dispositivo móvel não ensina
uma habilidade – apenas distrai a criança de como ela está
se sentindo. Crianças que não desenvolvem essas habilidades na primeira infância são mais propensas a ter dificuldades quando estressadas na escola ou com colegas à medida
que envelhecem.”
(CAPARROZ, Leo. Por que você não deve acalmar seu filho com o
celular? Revista Superinteressante, 2022. Disponível em: https://super.
abril.com.br/ciencia/por-que-voce-nao-deve-acalmar-seu-filho-com-ocelular-segundo-este-estudo/ Acesso em: 22/12/22. Adaptado.)
( ) Em “Se aplicado com moderação, pode ser útil” (7º§), se estabelece relação semântica de concessão e pode ser substituído por desde que.
( ) Em “uso de aparelhos eletrônicos como método para acalmar crianças” (3º§), para introduz ideia de finalidade e pode ser substituído por a fim de.
( ) Em “o que os torna mais propensos a reagir intensamente a sentimentos” (4º§), o os é um pronome anafórico e retoma os termos meninos e crianças.
( ) Em “Esses cuidados ajudam a desenvolver habilidades de regulação emocional que duram a vida toda.” (12º§), que é um pronome relativo anafórico e retoma esses cuidados.
( ) Em “ter dificuldades quando estressadas na escola ou com colegas à medida que envelhecem.” (13º§), à medida que é uma locução conjuntiva proporcional e pode ser substituída por de modo que.
A sequência está correta em
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Leia o texto a seguir para responder a questão.
Por que você não deve acalmar seu filho com o celular?
Quando uma criança está inquieta ou fazendo muita
bagunça, colocá-la na frente de um celular com joguinhos ou
vídeos pode parecer a solução ideal. Mas, se usada constantemente, essa técnica pode ter seus reveses.
Pesquisadores analisaram o uso de dispositivos digitais
como ferramentas para acalmar crianças com idade entre 3
e 5 anos. O estudo envolveu 422 pais e 422 crianças. Ele foi
realizado entre agosto de 2018 e janeiro de 2020, antes da
pandemia de Covid-19.
Os cientistas descobriram que o aumento do uso de
aparelhos eletrônicos como método para acalmar crianças
estava ligado a uma maior reatividade emocional ao longo
dos meses.
As crianças do estudo mudavam de humor rapidamente e
ficaram mais impulsivas – relação particularmente forte em
meninos e em crianças que já tinham sinais de hiperatividade,
impulsividade e temperamento forte, o que os torna mais propensos a reagir intensamente a sentimentos como raiva, frustração e tristeza.
“Usar dispositivos móveis para acalmar uma criança
pequena pode parecer uma ferramenta inofensiva e temporária para reduzir o estresse em casa, mas pode haver consequências a longo prazo se for uma estratégia regular”, afirma Jenny Radesky, principal autora do estudo e mãe de dois
filhos. “Esses dispositivos podem comprometer as oportunidades de desenvolvimento de métodos independentes e
alternativos de autorregulação – particularmente durante os
seis primeiros anos de vida”.
Crianças nessa faixa etária costumam apresentar comportamentos difíceis com maior frequência. Acessos de raiva, ataques de birra ou emoções muito intensas podem ser facilmente
controlados com um tablet ou um smartphone. A solução funciona, mas o alívio de curto prazo pode comprometer o desenvolvimento emocional da criança.
O estudo chama a atenção para o uso exagerado e
constante desse método simples. Se aplicado com moderação, pode ser útil – mas não deve ser a principal forma de
lidar com situações difíceis.
Para não desamparar pais que abusavam desse método,
os pesquisadores também apresentaram algumas outras opções
para acalmar as crianças.
Fornecer experiências sensoriais ou estimular exercícios, por exemplo, pode ajudar. Isso pode incluir balançar,
abraçar, pular em um trampolim, ouvir música ou olhar para
figuras de um livro.
Ao tentar nomear o que seu filho está sentindo, os pais
ajudam a conectar a linguagem aos estados emocionais; além
de mostrar à criança que ela é compreendida pelos adultos.
Os pesquisadores também promovem alternativas para os
comportamentos particularmente negativos de quando estão
chateadas. Ao tentar comunicar suas emoções, as crianças podem
recorrer a impulsos violentos ou exagerados. Os pais podem
ensiná-las comportamentos substitutos mais seguros – como
descontar a raiva em um travesseiro ao invés de um colega, ou
comunicar-se claramente quando gostaria de atenção ao invés
de abrir um berreiro.
“Todas essas soluções ajudam as crianças a se entenderem melhor e a se sentirem mais competentes para administrar seus sentimentos”, afirma Radesky. “O cuidador também
precisa tentar manter a calma e não reagir exageradamente às
emoções da criança. Esses cuidados ajudam a desenvolver habilidades de regulação emocional que duram a vida toda.”
“Por outro lado, usar um dispositivo móvel não ensina
uma habilidade – apenas distrai a criança de como ela está
se sentindo. Crianças que não desenvolvem essas habilidades na primeira infância são mais propensas a ter dificuldades quando estressadas na escola ou com colegas à medida
que envelhecem.”
(CAPARROZ, Leo. Por que você não deve acalmar seu filho com o
celular? Revista Superinteressante, 2022. Disponível em: https://super.
abril.com.br/ciencia/por-que-voce-nao-deve-acalmar-seu-filho-com-ocelular-segundo-este-estudo/ Acesso em: 22/12/22. Adaptado.)
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Por que você não deve acalmar seu filho com o celular?
Quando uma criança está inquieta ou fazendo muita
bagunça, colocá-la na frente de um celular com joguinhos ou
vídeos pode parecer a solução ideal. Mas, se usada constantemente, essa técnica pode ter seus reveses.
Pesquisadores analisaram o uso de dispositivos digitais
como ferramentas para acalmar crianças com idade entre 3
e 5 anos. O estudo envolveu 422 pais e 422 crianças. Ele foi
realizado entre agosto de 2018 e janeiro de 2020, antes da
pandemia de Covid-19.
Os cientistas descobriram que o aumento do uso de
aparelhos eletrônicos como método para acalmar crianças
estava ligado a uma maior reatividade emocional ao longo
dos meses.
As crianças do estudo mudavam de humor rapidamente e
ficaram mais impulsivas – relação particularmente forte em
meninos e em crianças que já tinham sinais de hiperatividade,
impulsividade e temperamento forte, o que os torna mais propensos a reagir intensamente a sentimentos como raiva, frustração e tristeza.
“Usar dispositivos móveis para acalmar uma criança
pequena pode parecer uma ferramenta inofensiva e temporária para reduzir o estresse em casa, mas pode haver consequências a longo prazo se for uma estratégia regular”, afirma Jenny Radesky, principal autora do estudo e mãe de dois
filhos. “Esses dispositivos podem comprometer as oportunidades de desenvolvimento de métodos independentes e
alternativos de autorregulação – particularmente durante os
seis primeiros anos de vida”.
Crianças nessa faixa etária costumam apresentar comportamentos difíceis com maior frequência. Acessos de raiva, ataques de birra ou emoções muito intensas podem ser facilmente
controlados com um tablet ou um smartphone. A solução funciona, mas o alívio de curto prazo pode comprometer o desenvolvimento emocional da criança.
O estudo chama a atenção para o uso exagerado e
constante desse método simples. Se aplicado com moderação, pode ser útil – mas não deve ser a principal forma de
lidar com situações difíceis.
Para não desamparar pais que abusavam desse método,
os pesquisadores também apresentaram algumas outras opções
para acalmar as crianças.
Fornecer experiências sensoriais ou estimular exercícios, por exemplo, pode ajudar. Isso pode incluir balançar,
abraçar, pular em um trampolim, ouvir música ou olhar para
figuras de um livro.
Ao tentar nomear o que seu filho está sentindo, os pais
ajudam a conectar a linguagem aos estados emocionais; além
de mostrar à criança que ela é compreendida pelos adultos.
Os pesquisadores também promovem alternativas para os
comportamentos particularmente negativos de quando estão
chateadas. Ao tentar comunicar suas emoções, as crianças podem
recorrer a impulsos violentos ou exagerados. Os pais podem
ensiná-las comportamentos substitutos mais seguros – como
descontar a raiva em um travesseiro ao invés de um colega, ou
comunicar-se claramente quando gostaria de atenção ao invés
de abrir um berreiro.
“Todas essas soluções ajudam as crianças a se entenderem melhor e a se sentirem mais competentes para administrar seus sentimentos”, afirma Radesky. “O cuidador também
precisa tentar manter a calma e não reagir exageradamente às
emoções da criança. Esses cuidados ajudam a desenvolver habilidades de regulação emocional que duram a vida toda.”
“Por outro lado, usar um dispositivo móvel não ensina
uma habilidade – apenas distrai a criança de como ela está
se sentindo. Crianças que não desenvolvem essas habilidades na primeira infância são mais propensas a ter dificuldades quando estressadas na escola ou com colegas à medida
que envelhecem.”
(CAPARROZ, Leo. Por que você não deve acalmar seu filho com o
celular? Revista Superinteressante, 2022. Disponível em: https://super.
abril.com.br/ciencia/por-que-voce-nao-deve-acalmar-seu-filho-com-ocelular-segundo-este-estudo/ Acesso em: 22/12/22. Adaptado.)
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Por que você não deve acalmar seu filho com o celular?
Quando uma criança está inquieta ou fazendo muita
bagunça, colocá-la na frente de um celular com joguinhos ou
vídeos pode parecer a solução ideal. Mas, se usada constantemente, essa técnica pode ter seus reveses.
Pesquisadores analisaram o uso de dispositivos digitais
como ferramentas para acalmar crianças com idade entre 3
e 5 anos. O estudo envolveu 422 pais e 422 crianças. Ele foi
realizado entre agosto de 2018 e janeiro de 2020, antes da
pandemia de Covid-19.
Os cientistas descobriram que o aumento do uso de
aparelhos eletrônicos como método para acalmar crianças
estava ligado a uma maior reatividade emocional ao longo
dos meses.
As crianças do estudo mudavam de humor rapidamente e
ficaram mais impulsivas – relação particularmente forte em
meninos e em crianças que já tinham sinais de hiperatividade,
impulsividade e temperamento forte, o que os torna mais propensos a reagir intensamente a sentimentos como raiva, frustração e tristeza.
“Usar dispositivos móveis para acalmar uma criança
pequena pode parecer uma ferramenta inofensiva e temporária para reduzir o estresse em casa, mas pode haver consequências a longo prazo se for uma estratégia regular”, afirma Jenny Radesky, principal autora do estudo e mãe de dois
filhos. “Esses dispositivos podem comprometer as oportunidades de desenvolvimento de métodos independentes e
alternativos de autorregulação – particularmente durante os
seis primeiros anos de vida”.
Crianças nessa faixa etária costumam apresentar comportamentos difíceis com maior frequência. Acessos de raiva, ataques de birra ou emoções muito intensas podem ser facilmente
controlados com um tablet ou um smartphone. A solução funciona, mas o alívio de curto prazo pode comprometer o desenvolvimento emocional da criança.
O estudo chama a atenção para o uso exagerado e
constante desse método simples. Se aplicado com moderação, pode ser útil – mas não deve ser a principal forma de
lidar com situações difíceis.
Para não desamparar pais que abusavam desse método,
os pesquisadores também apresentaram algumas outras opções
para acalmar as crianças.
Fornecer experiências sensoriais ou estimular exercícios, por exemplo, pode ajudar. Isso pode incluir balançar,
abraçar, pular em um trampolim, ouvir música ou olhar para
figuras de um livro.
Ao tentar nomear o que seu filho está sentindo, os pais
ajudam a conectar a linguagem aos estados emocionais; além
de mostrar à criança que ela é compreendida pelos adultos.
Os pesquisadores também promovem alternativas para os
comportamentos particularmente negativos de quando estão
chateadas. Ao tentar comunicar suas emoções, as crianças podem
recorrer a impulsos violentos ou exagerados. Os pais podem
ensiná-las comportamentos substitutos mais seguros – como
descontar a raiva em um travesseiro ao invés de um colega, ou
comunicar-se claramente quando gostaria de atenção ao invés
de abrir um berreiro.
“Todas essas soluções ajudam as crianças a se entenderem melhor e a se sentirem mais competentes para administrar seus sentimentos”, afirma Radesky. “O cuidador também
precisa tentar manter a calma e não reagir exageradamente às
emoções da criança. Esses cuidados ajudam a desenvolver habilidades de regulação emocional que duram a vida toda.”
“Por outro lado, usar um dispositivo móvel não ensina
uma habilidade – apenas distrai a criança de como ela está
se sentindo. Crianças que não desenvolvem essas habilidades na primeira infância são mais propensas a ter dificuldades quando estressadas na escola ou com colegas à medida
que envelhecem.”
(CAPARROZ, Leo. Por que você não deve acalmar seu filho com o
celular? Revista Superinteressante, 2022. Disponível em: https://super.
abril.com.br/ciencia/por-que-voce-nao-deve-acalmar-seu-filho-com-ocelular-segundo-este-estudo/ Acesso em: 22/12/22. Adaptado.)
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