Magna Concursos

Foram encontradas 200 questões.

99365 Ano: 2004
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TCU
Provas:

A recente divulgação pelo IBGE dos dados recolhidos nas Estatísticas do Século XX serviu para melhor balizar, daqui para a frente, as recorrentes discussões acadêmicas sobre a realidade brasileira.

No século passado, na economia brasileira, o Produto Interno Bruto (PIB) multiplicou-se cem vezes , o que transformou o Brasil no país que mais cresceu naquele período, destaca, na abertura da publicação, o economista Celso Furtado.

O ritmo mais intenso de crescimento ocorreu entre 1920 e 1980, quando o PIB praticamente dobrava a cada duas décadas

Mas, ao lado daquelas inegáveis conquistas, descobriu-se que a desigualdade entre os brasileiros de maior e menor renda, que sempre foi considerável , aprofundou-se ainda mais. Em 1960, os 10% mais ricos da população embolsavam uma renda que correspondia a 34 vezes a renda reunida dos 10% mais pobres. Quarenta anos depois, a diferença tinha subido para 46 vezes.

Um dos fatores que mais concorreu para a concentração da renda brasileira foi a inflação, que chegou, nos cem anos do século XX, à astronômica cifra de um quintilhão. A média anual da inflação no período foi de 45%.

O estudo do IBGE mostra que o Brasil sofreu mudanças profundas em poucas décadas, em especial entre os anos 40 e 70. A industrialização acelerada - processo que ficou conhecido como substituição de importações - desencadeou, em uma ponta, a formalização do emprego e, na outra, o êxodo rural, além de favorecer o surgimento dos sindicatos. O mais importante meio de arrecadação do governo, nos ano s 4 0 e 50, era justamente o imposto de importação. Em 1949, a agricultura tinha uma participação de 44% no PIB. Trinta anos depois, em 1980, sua parcela tinha caído para 9,8%, patamar no qual se manteve estável pelo resto do século XX. Essa mudança levou a um êxodo rural de bíblicas proporções. Os moradores das cidades, que, em 1940, correspondiam a apenas 31% dos brasileiros, chegaram, ao final do século XX, a 81%. Enquanto isso, a população brasileira praticamente se decuplicou, saltando de 17,4 milhões, em 1900, para 169

milhões no ano 2000.

Enunciado 3156009-1

Lourenço Cazarré. In: UnB Revista, ano IV, n.º 9, dez./2003 - mar./2004 (com adaptações)

Considerando as informações e os dados estatísticos apresentados no texto II, julgue os itens que se seguem.

Nos últimos cem anos, a população brasileira multiplicou-se por dez e a economia cresceu 100%, embora a concentração de renda tenha-se acentuado, provocada pela inflação, que, ao final do século, chegou a 45%.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
99364 Ano: 2004
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TCU
Provas:

Considerando as prescrições gramaticais, julgue os fragmentos de texto contidos nos seguintes itens, extraídos e adaptados de uma notícia divulgada no sítio http://www.tcu.gov.br.

A Resolução n.º 168/2004 do TCU, que entre os cem novos cargos que serão providos neste ano, destinou vinte, para a Área de Apoio Técnico Administrativo, dá suporte ao programa formativo dos analistas concursados.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
99363 Ano: 2004
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TCU
Provas:

A polidez

É também a mais pobre, a mais superficial, a mais discutível. A polidez faz pouco caso da moral, e a moral, da polidez. Um nazista polido em que alteraria o nazismo? Em que altera o horror? Em nada, é claro, e a polidez está bem caracterizada por esse "nada". Virtude puramente formal, virtude de etiqueta, virtude de aparato! A aparência, pois, de uma virtude, e somente a aparência.

Se a polidez é um valor, o que não se pode negar, é um valor ambíguo, em si insuficiente - pode encobrir tanto o melhor, como o pior - e, como tal, quase suspeito. Esse trabalho sobre a forma deve ocultar alguma coisa, mas o quê? É um artifício, e desconfiamos dos artifícios. É um enfeite, e desconfiamos dos enfeites. Diderot evoca, em algum lugar, a "polidez insultante" dos grandes, e também deveríamos evocar aquela, obsequiosa ou servil, de muitos pequenos. Seriam preferíveis o desprezo sem frases e a obediência sem mesuras.

Um canalha polido não é menos ignóbil que outro, talvez seja até mais. Por causa da hipocrisia? É duvidoso, porque a polidez não tem pretensões morais. O canalha polido poderia facilmente ser cínico, aliás, sem por isso faltar nem com a polidez nem com a maldade. Mas, então, porque ele choca? Pelo contraste? Sem dúvida. O canalha polido é o contrário de uma fera, e ninguém quer mal às feras . É o contrário de um selvagem, e os selvagens são desculpados. É o contrário de um bruto crasso, grosseiro, inculto, que, decerto, é assustador, mas cuja violência nativa e bitolada pelo menos poderia ser explicada pela incultura.

André Comte-Sponvil le. Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 1999 (com adaptações).

Julgue os fragmentos contidos nos itens subseqüentes, quanto à manutenção do sentido do trecho do terceiro parágrafo do texto III, indicado entre aspas, e quanto à pontuação e à regência.

"É duvidoso (...) pretensões morais." : É duvidoso, talvez seja até mais ignóbil, que à polidez não tenha intenções morais!

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
99362 Ano: 2004
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TCU
Provas:

Considerando as prescrições gramaticais, julgue os fragmentos de texto contidos nos seguintes itens, extraídos e adaptados de uma notícia divulgada no sítio http://www.tcu.gov.br.

O curso, cuja aula inaugural foi ministrada pelo diretor-geral do ISC, tem duração fixada em sessenta horas de atividade e consta de três disciplinas: "Licitações e contratos", "Fontes de informação para controle externo" e "Estrutura e funcionamento da tecnologia da informação no TCU".

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
99361 Ano: 2004
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TCU
Provas:

A polidez

É também a mais pobre, a mais superficial, a mais discutível. A polidez faz pouco caso da moral, e a moral, da polidez. Um nazista polido em que alteraria o nazismo? Em que altera o horror? Em nada, é claro, e a polidez está bem caracterizada por esse "nada". Virtude puramente formal, virtude de etiqueta, virtude de aparato! A aparência, pois, de uma virtude, e somente a aparência.

Se a polidez é um valor, o que não se pode negar, é um valor ambíguo, em si insuficiente - pode encobrir tanto o melhor, como o pior - e, como tal, quase suspeito. Esse trabalho sobre a forma deve ocultar alguma coisa, mas o quê? É um artifício, e desconfiamos dos artifícios. É um enfeite, e desconfiamos dos enfeites. Diderot evoca, em algum lugar, a "polidez insultante" dos grandes, e também deveríamos evocar aquela, obsequiosa ou servil, de muitos pequenos. Seriam preferíveis o desprezo sem frases e a obediência sem mesuras.

Um canalha polido não é menos ignóbil que outro, talvez seja até mais. Por causa da hipocrisia? É duvidoso, porque a polidez não tem pretensões morais. O canalha polido poderia facilmente ser cínico, aliás, sem por isso faltar nem com a polidez nem com a maldade. Mas, então, porque ele choca? Pelo contraste? Sem dúvida. O canalha polido é o contrário de uma fera, e ninguém quer mal às feras . É o contrário de um selvagem, e os selvagens são desculpados. É o contrário de um bruto crasso, grosseiro, inculto, que, decerto, é assustador, mas cuja violência nativa e bitolada pelo menos poderia ser explicada pela incultura.

André Comte-Sponvil le. Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 1999 (com adaptações).

Julgue os fragmentos contidos nos itens subseqüentes, quanto à manutenção do sentido do trecho do terceiro parágrafo do texto III, indicado entre aspas, e quanto à pontuação e à regência.

"O canalha (...) pela incultura.": O canalha polido opõe-se à uma fera, e ninguém quer mal às feras; é o oposto de um selvagem, e os selvagens são desocupados; contraria uma besta crassa, grosseira, inculta que, com certeza, é assustadora, porém cuja violência nativa pelo menos pode ser explicada.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
99360 Ano: 2004
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TCU
Provas:

Mal-estar civilizatório

A ausência de um Estado que cumpra seu papel mediador das vidas humanas e dos bens a elas relacionados vem contribuindo para o aumento, no Brasil, do que a psicanálise chama de mal-estar civilizatório. O conceito é relativo ao homem do mundo moderno e às angústias que ele vive. Aplica-se a uma cultura firmada em torno dos valores da razão científica e tecnológica, na qual inexiste a figura de um legislador central que concentre o poder e concilie os interesses do corpo social de uma forma democrática. A ausência dessa figura gera mal-estar ao criar um impasse permanente para cada indivíduo/sujeito: como conciliar as aspirações próprias de prazer e satisfação - o gozo, para a psicanálise - com os desejos dos outros?

Como o Estado e o conjunto de entidades a ele ligado - os responsáveis por essa mediação na atualidade - são incapazes de fazer essa conciliação entre as diferentes partes da sociedade, o mal-estar se instaura, trazendo, junto com a desigualdade, suas conseqüências: a possessão absoluta de bens por uma pequena parcela da população e a carência massiva da maior parte dela.

A falta de mecanismos de proteção para o último grupo, deixado ao léu pelo Estado, é, para Birman, prova de que estamos diante de uma instituição que promove o genocídio. Esse descaso a carreta o aumento da criminalidade, da violência e da delinqüência, não apenas nas classes populares, mas também nas dominantes. Como exemplo, o psicanalista aponta a corrupção que invade o meio político nos seus mais altos níveis hierárquicos.

Assim, enquanto instituições mediadoras - como as de previdência, assistência e bem-estar social - são progressivamente desarticuladas, " a economia vai ganhando uma espécie de autonomia". Essa carência na população vai levando, por um lado, ao aumento da barbárie que sustenta esse crescente grupo e, por outro, à privatização dos sistemas de segurança para proteger as classes mais privilegiadas dessa mesma barbárie.

Júlia Dias Carneiro. In: Ciência Hoje, vol. 30, p. 54 (com adaptações).

Com relação às idéias do texto I, julgue os itens a seguir.

O genocídio, a criminalidade e a delinqüência, indicadores da ausência da gestão do Estado como instituição voltada para os interesses coletivos, são causas do mal-estar civilizatório.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
99359 Ano: 2004
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TCU
Provas:

Mal-estar civilizatório

A ausência de um Estado que cumpra seu papel mediador das vidas humanas e dos bens a elas relacionados vem contribuindo para o aumento, no Brasil, do que a psicanálise chama de mal-estar civilizatório. O conceito é relativo ao homem do mundo moderno e às angústias que ele vive. Aplica-se a uma cultura firmada em torno dos valores da razão científica e tecnológica, na qual inexiste a figura de um legislador central que concentre o poder e concilie os interesses do corpo social de uma forma democrática. A ausência dessa figura gera mal-estar ao criar um impasse permanente para cada indivíduo/sujeito: como conciliar as aspirações próprias de prazer e satisfação - o gozo, para a psicanálise - com os desejos dos outros?

Como o Estado e o conjunto de entidades a ele ligado - os responsáveis por essa mediação na atualidade - são incapazes de fazer essa conciliação entre as diferentes partes da sociedade, o mal-estar se instaura, trazendo, junto com a desigualdade, suas conseqüências: a possessão absoluta de bens por uma pequena parcela da população e a carência massiva da maior parte dela.

A falta de mecanismos de proteção para o último grupo, deixado ao léu pelo Estado, é, para Birman, prova de que estamos diante de uma instituição que promove o genocídio. Esse descaso a carreta o aumento da criminalidade, da violência e da delinqüência, não apenas nas classes populares, mas também nas dominantes. Como exemplo, o psicanalista aponta a corrupção que invade o meio político nos seus mais altos níveis hierárquicos.

Assim, enquanto instituições mediadoras - como as de previdência, assistência e bem-estar social - são progressivamente desarticuladas, " a economia vai ganhando uma espécie de autonomia". Essa carência na população vai levando, por um lado, ao aumento da barbárie que sustenta esse crescente grupo e, por outro, à privatização dos sistemas de segurança para proteger as classes mais privilegiadas dessa mesma barbárie.

Júlia Dias Carneiro. In: Ciência Hoje, vol. 30, p. 54 (com adaptações).

Com relação às idéias do texto I, julgue os itens a seguir.

A autora do texto assume que a falência do modelo vigente de Estado é evidenciada pela prevalência de uma economia que, fundada na má distribuição de renda na sociedade, promove a privatização da assistência e da previdência social.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
99358 Ano: 2004
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TCU
Provas:

A recente divulgação pelo IBGE dos dados recolhidos nas Estatísticas do Século XX serviu para melhor balizar, daqui para a frente, as recorrentes discussões acadêmicas sobre a realidade brasileira.

No século passado, na economia brasileira, o Produto Interno Bruto (PIB) multiplicou-se cem vezes , o que transformou o Brasil no país que mais cresceu naquele período, destaca, na abertura da publicação, o economista Celso Furtado.

O ritmo mais intenso de crescimento ocorreu entre 1920 e 1980, quando o PIB praticamente dobrava a cada duas décadas.

Mas, ao lado daquelas inegáveis conquistas, descobriu-se que a desigualdade entre os brasileiros de maior e menor renda, que sempre foi considerável , aprofundou-se ainda mais. Em 1960, os 10% mais ricos da população embolsavam uma renda que correspondia a 34 vezes a renda reunida dos 10% mais pobres. Quarenta anos depois, a diferença tinha subido para 46 vezes.

Um dos fatores que mais concorreu para a concentração da renda brasileira foi a inflação, que chegou, nos cem anos do século XX, à astronômica cifra de um quintilhão. A média anual da inflação no período foi de 45%.

O estudo do IBGE mostra que o Brasil sofreu mudanças profundas em poucas décadas, em especial entre os anos 40 e 70. A industrialização acelerada - processo que ficou conhecido como substituição de importações - desencadeou, em uma ponta, a formalização do emprego e, na outra, o êxodo rural, além de favorecer o surgimento dos sindicatos. O mais importante meio de arrecadação do governo, nos ano s 4 0 e 50, era justamente o imposto de importação. Em 1949, a agricultura tinha uma participação de 44% no PIB. Trinta anos depois, em 1980, sua parcela tinha caído para 9,8%, patamar no qual se manteve estável pelo resto do século XX. Essa mudança levou a um êxodo rural de bíblicas proporções. Os moradores das cidades, que, em 1940, correspondiam a apenas 31% dos brasileiros, chegaram, ao final do século XX, a 81%. Enquanto isso, a população brasileira praticamente se decuplicou, saltando de 17,4 milhões, em 1900, para 169

milhões no ano 2000.

Enunciado 3130824-1

Lourenço Cazarré. In: UnB Revista, ano IV, n.º 9, dez./2003 - mar./2004 (com adaptações)

Considerando as informações e os dados estatísticos apresentados no texto II, julgue os itens que se seguem.

No século passado, a substituição de importações, que, por um lado, incentivou o emprego formal - trabalhadores com carteira assinada -, por outro, promoveu o êxodo rural, fator determinante da queda na arrecadação e da diminuição da participação da agricultura no PIB brasileiro.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
99357 Ano: 2004
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TCU
Provas:

A recente divulgação pelo IBGE dos dados recolhidos nas Estatísticas do Século XX serviu para melhor balizar, daqui para a frente, as recorrentes discussões acadêmicas sobre a realidade brasileira.

No século passado, na economia brasileira, o Produto Interno Bruto (PIB) multiplicou-se cem vezes , o que transformou o Brasil no país que mais cresceu naquele período, destaca, na abertura da publicação, o economista Celso Furtado.

O ritmo mais intenso de crescimento ocorreu entre 1920 e 1980, quando o PIB praticamente dobrava a cada duas décadas

Mas, ao lado daquelas inegáveis conquistas, descobriuse que a desigualdade entre os brasileiros de maior e menor renda, que sempre foi considerável , aprofundou-se ainda mais. Em 1960, os 10% mais ricos da população embolsavam uma renda que correspondia a 34 vezes a renda reunida dos 10% mais pobres. Quarenta anos depois, a diferença tinha subido para 46 vezes.

Um dos fatores que mais concorreu para a concentração da renda brasileira foi a inflação, que chegou, nos cem anos do século XX, à astronômica cifra de um quintilhão. A média anual da inflação no período foi de 45%.

O estudo do IBGE mostra que o Brasil sofreu mudanças profundas em poucas décadas, em especial entre os anos 40 e 70. A industrialização acelerada - processo que ficou conhecido como substituição de importações - desencadeou, em uma ponta, a formalização do emprego e, na outra, o êxodo rural, além de favorecer o surgimento dos sindicatos. O mais importante meio de arrecadação do governo, nos ano s 4 0 e 50, era justamente o imposto de importação. Em 1949, a agricultura tinha uma participação de 44% no PIB. Trinta anos depois, em 1980, sua parcela tinha caído para 9,8%, patamar no qual se manteve estável pelo resto do século XX. Essa mudança levou a um êxodo rural de bíblicas proporções. Os moradores das cidades, que, em 1940, correspondiam a apenas 31% dos brasileiros, chegaram, ao final do século XX, a 81%. Enquanto isso, a população brasileira praticamente se decuplicou, saltando de 17,4 milhões, em 1900, para 169

milhões no ano 2000.

Enunciado 3127212-1

Lourenço Cazarré. In: UnB Revista, ano IV, n.º 9, dez./2003 - mar./2004 (com adaptações)

Considerando as informações e os dados estatísticos apresentados no texto II, julgue os itens que se seguem.

A inflação, que vinha sofrendo pequenas oscilações na primeira metade do século passado, manteve-se estável na década seguinte.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
99356 Ano: 2004
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TCU
Provas:

A polidez

É também a mais pobre, a mais superficial, a mais discutível. A polidez faz pouco caso da moral, e a moral, da polidez. Um nazista polido em que alteraria o nazismo? Em que altera o horror? Em nada, é claro, e a polidez está bem caracterizada por esse "nada". Virtude puramente formal, virtude de etiqueta, virtude de aparato! A aparência, pois, de uma virtude, e somente a aparência.

Se a polidez é um valor, o que não se pode negar, é um valor ambíguo, em si insuficiente - pode encobrir tanto o melhor, como o pior - e, como tal, quase suspeito. Esse trabalho sobre a forma deve ocultar alguma coisa, mas o quê? É um artifício, e desconfiamos dos artifícios. É um enfeite, e desconfiamos dos enfeites. Diderot evoca, em algum lugar, a "polidez insultante" dos grandes, e também deveríamos evocar aquela, obsequiosa ou servil, de muitos pequenos. Seriam preferíveis o desprezo sem frases e a obediência sem mesuras.

Um canalha polido não é menos ignóbil que outro, talvez seja até mais. Por causa da hipocrisia? É duvidoso, porque a polidez não tem pretensões morais. O canalha polido poderia facilmente ser cínico, aliás, sem por isso faltar nem com a polidez nem com a maldade. Mas, então, porque ele choca? Pelo contraste? Sem dúvida. O canalha polido é o contrário de uma fera, e ninguém quer mal às feras . É o contrário de um selvagem, e os selvagens são desculpados. É o contrário de um bruto crasso, grosseiro, inculto, que, decerto, é assustador, mas cuja violência nativa e bitolada pelo menos poderia ser explicada pela incultura.

André Comte-Sponvil le. Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 1999 (com adaptações).

Julgue os fragmentos contidos nos itens subseqüentes, quanto à manutenção do sentido do trecho do terceiro parágrafo do texto III, indicado entre aspas, e quanto à pontuação e à regência.

"O canalha (...) a maldade.": O canalha polido, aliás, facilmente cínico, pode, por isso, aumentar-lhe a maldade.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas