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Gimeno Sacristán, no livro “Compreender e transformar o ensino”, analisa o currículo como processo com base em cinco eixos: currículo prescrito e regulamentado; currículo planejado para os professores e alunos; currículo organizado no contexto de uma escola; currículo em ação; currículo avaliado (SACRISTÁN e GÓMEZ, 1998).
Considerando essa reflexão proposta pelo autor, analise as afirmativas a seguir.
I → O currículo é um processo social baseado na interação social de todos os contextos práticos. É um elemento articulador e organizador das atividades educativas, expressando tanto conteúdos quanto finalidades pedagógicas.
II → O currículo em ação é reelaborado na prática, tendo em vista a transformação do pensamento dos professores. O currículo planejado está no âmbito das decisões político-administrativas, dos materiais didáticos e no conjunto de tarefas de aprendizagem que os estudantes realizam e registram nas atividades de estudo.
III → Na perspectiva da gestão democrática, o professor deve ser incentivado a participar do processo de elaboração e reelaboração do currículo, resultando em movimentos de reflexão autênticos. Assim, assume-se uma perspectiva processual de currículo relacionada com a visão sobre as relações entre a instituição de ensino e a sociedade em geral.
IV → O currículo tem um propósito de organização dos projetos educativos nas instituições de ensino de acordo com princípios pedagógicos específicos. Por isso, os ciclos de planejamento, implementação e avaliação envolvem pressupostos, concepções, valores e diferentes visões de realidade.
Estão corretas
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A gestão democrática surge no Brasil por meio do movimento de redemocratização da sociedade brasileira, como consequência das reivindicações dos movimentos sociais, que exigiam participar de maneira mais efetiva na gestão das políticas públicas. Nas últimas décadas, temos construído uma história de gestão democrática baseada em movimentos de fortalecimento da autonomia coletiva, priorizando elementos como o acesso de todos à escola e ao conhecimento, a permanência no contexto escolar e a democratização dos saberes que dão ingresso ao mundo do trabalho, buscando, assim, superar as heranças autoritárias de nossa história, no sentido de avançar na democratização da educação.
Em relação à gestão democrática, assinale a alternativa correta.
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Antônio Joaquim Severino, professor de filosofia da USP, em seu livro “Educação, sujeito e história”, escreve:
É necessário discutir a questão epistemológica de sustentação da prática educacional. Ver como se dá a construção do conhecimento da educação e como participam dele as ciências e a filosofia.”
Pensando na realidade educacional e nas contribuições do autor, é correto afirmar que
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Para responder a questão, considere a frase do escritor português José Saramago e parte de um artigo sobre cidades publicado em uma revista acadêmica brasileira.
“No interior da grande cidade de todos está a cidade pequena em que realmente vivemos.”
(José Saramago)
Apesar de concentrar características execradas pelos seus habitantes, a cidade continua exercendo um grande poder de atração, avalia o professor João Júlio Vitral Amaro, do Departamento de Urbanismo da Escola de Arquitetura da UFMG. Curiosamente, na venda de casas e apartamentos construídos fora da área urbanizada, um dos itens que mais valorizam os imóveis é a vista que eles proporcionam da própria cidade.
“Parece paradoxal, mas não é”, afirma Vitral Amaro. Trata-se, segundo ele, de um certo recuo, mas nunca um abandono da cidade. “A cidade tem esse poder de atração porque é onde melhor administramos o tempo de encontro e o de recuo, uma coisa da própria natureza humana: somos mamíferos, gregários, animais de rebanho, e todo mamífero necessita de uma certa modulação do território, escolhendo as horas de maior ou menor proximidade”, avalia.
A atração exercida pela cidade põe para a sociedade o desafio de encontrar soluções para problemas que crescem junto com a mancha urbana. “O desafio de uma cidade do futuro não é tanto uma reflexão científica, pelo menos não é uma questão de volume de informação ou de conhecimento sobre a cidade”, opina Vitral. Para ele, a cidade que conseguirmos pensar “tem a ver com o tipo de futuro que estamos esperando”. E comenta: “Estamos tão pobres ao pensar o tema cidade, que deixamos a discussão se reduzir ao dilema murar ou não murar favela”. Em sua opinião, a pergunta deveria ser: nós, brasileiros, queremos ter favelas daqui a 50 anos?
Segundo Vitral Amaro, cada povo define para si um futuro, a exemplo do que fez o Brasil na década de 1960, ao construir Brasília. “Naquele momento, enviamos uma mensagem para o futuro.
Hoje é como se o país tivesse se recolhido, e a própria incapacidade de vislumbrar a cidade do futuro reflete essa falta de perspectiva de pensar o próprio futuro como nação”, diz.
Ao refletir sobre os limites da cidade e a construção de muros em favelas no Rio de Janeiro, o professor Cássio Eduardo Viana Hissa, do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da UFMG, afirma que não há e não poderá haver, sobretudo no capitalismo, uma cidade inteira. Segundo ele, a ideia de inteireza não é recortada apenas pelas topografias, edificações e circulação, mas pelas práticas sociais e pelas relações de identidade e de conflito. “Isso significa que há limites nos interiores da cidade. Há cidades na cidade. Para o
cidadão, também, não há uma cidade inteira: há a cidade para ele, que é feita nas relações que estabelece com o mundo urbano, com as pessoas, e através de um experimentar a cidade que ele próprio desenha.”
Hissa afirma que os habitantes interpretam a cidade a partir de paradigmas que lhes interessam porque se referem à história com a qual se identificam. “A interpretação que fazemos da cidade é a de nós mesmos, feita por nós e para o outro. Mas a ciência moderna ainda confia na fidelidade cartesiana das cartografias”, reflete. E diz que a edificação de uma muralha, por exemplo, poderá fazer as pessoas descobrirem que tal recorte existe nelas sem que se deem conta disso. “Desde as cidades medievais até as modernas, as muralhas, os sinais de grafite nos muros, as tintas no asfalto podem mostrar onde começa, termina e para onde segue a nossa cidade e a dos outros. Talvez ainda mais, tal desenho poderá nos dizer algo acerca de nós mesmos no mundo”, sugere.
Aproximando as ideias defendidas pelos professores da UFMG e o teor da citação do escritor português, percebe-se que a interpretação feita por ___________________ evidencia uma leitura da cidade a partir da ótica de que práticas e vivências sociais criam cidades dentro da cidade, ao passo que a análise de ___________________ dá visibilidade à cidade e sua relação com as políticas públicas. Por outro lado, a ideia defendida por _____________________ mostra que as cidades são também concebidas como construções individuais cujos limites são estabelecidos com sinais físicos, os quais, além de desenhar para os habitantes a sua cidade e a dos outros, são uma forma de interpretação de si próprios.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas.
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Para responder a questão, considere a frase do escritor português José Saramago e parte de um artigo sobre cidades publicado em uma revista acadêmica brasileira.
“No interior da grande cidade de todos está a cidade pequena em que realmente vivemos.”
(José Saramago)
Apesar de concentrar características execradas pelos seus habitantes, a cidade continua exercendo um grande poder de atração, avalia o professor João Júlio Vitral Amaro, do Departamento de Urbanismo da Escola de Arquitetura da UFMG. Curiosamente, na venda de casas e apartamentos construídos fora da área urbanizada, um dos itens que mais valorizam os imóveis é a vista que eles proporcionam da própria cidade.
“Parece paradoxal, mas não é”, afirma Vitral Amaro. Trata-se, segundo ele, de um certo recuo, mas nunca um abandono da cidade. “A cidade tem esse poder de atração porque é onde melhor administramos o tempo de encontro e o de recuo, uma coisa da própria natureza humana: somos mamíferos, gregários, animais de rebanho, e todo mamífero necessita de uma certa modulação do território, escolhendo as horas de maior ou menor proximidade”, avalia.
A atração exercida pela cidade põe para a sociedade o desafio de encontrar soluções para problemas que crescem junto com a mancha urbana. “O desafio de uma cidade do futuro não é tanto uma reflexão científica, pelo menos não é uma questão de volume de informação ou de conhecimento sobre a cidade”, opina Vitral. Para ele, a cidade que conseguirmos pensar “tem a ver com o tipo de futuro que estamos esperando”. E comenta: “Estamos tão pobres ao pensar o tema cidade, que deixamos a discussão se reduzir ao dilema murar ou não murar favela”. Em sua opinião, a pergunta deveria ser: nós, brasileiros, queremos ter favelas daqui a 50 anos?
Segundo Vitral Amaro, cada povo define para si um futuro, a exemplo do que fez o Brasil na década de 1960, ao construir Brasília. “Naquele momento, enviamos uma mensagem para o futuro.
Hoje é como se o país tivesse se recolhido, e a própria incapacidade de vislumbrar a cidade do futuro reflete essa falta de perspectiva de pensar o próprio futuro como nação”, diz.
Ao refletir sobre os limites da cidade e a construção de muros em favelas no Rio de Janeiro, o professor Cássio Eduardo Viana Hissa, do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da UFMG, afirma que não há e não poderá haver, sobretudo no capitalismo, uma cidade inteira. Segundo ele, a ideia de inteireza não é recortada apenas pelas topografias, edificações e circulação, mas pelas práticas sociais e pelas relações de identidade e de conflito. “Isso significa que há limites nos interiores da cidade. Há cidades na cidade. Para o
cidadão, também, não há uma cidade inteira: há a cidade para ele, que é feita nas relações que estabelece com o mundo urbano, com as pessoas, e através de um experimentar a cidade que ele próprio desenha.”
Hissa afirma que os habitantes interpretam a cidade a partir de paradigmas que lhes interessam porque se referem à história com a qual se identificam. “A interpretação que fazemos da cidade é a de nós mesmos, feita por nós e para o outro. Mas a ciência moderna ainda confia na fidelidade cartesiana das cartografias”, reflete. E diz que a edificação de uma muralha, por exemplo, poderá fazer as pessoas descobrirem que tal recorte existe nelas sem que se deem conta disso. “Desde as cidades medievais até as modernas, as muralhas, os sinais de grafite nos muros, as tintas no asfalto podem mostrar onde começa, termina e para onde segue a nossa cidade e a dos outros. Talvez ainda mais, tal desenho poderá nos dizer algo acerca de nós mesmos no mundo”, sugere.
O fragmento destacado a seguir serve de base para responder a questão.
A atração exercida pela cidade põe para a sociedade o desafio de encontrar soluções para problemas que crescem junto com a mancha urbana.
No contexto, a expressão mancha urbana é entendida como
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Para responder a questão, considere a frase do escritor português José Saramago e parte de um artigo sobre cidades publicado em uma revista acadêmica brasileira.
“No interior da grande cidade de todos está a cidade pequena em que realmente vivemos.”
(José Saramago)
Apesar de concentrar características execradas pelos seus habitantes, a cidade continua exercendo um grande poder de atração, avalia o professor João Júlio Vitral Amaro, do Departamento de Urbanismo da Escola de Arquitetura da UFMG. Curiosamente, na venda de casas e apartamentos construídos fora da área urbanizada, um dos itens que mais valorizam os imóveis é a vista que eles proporcionam da própria cidade.
“Parece paradoxal, mas não é”, afirma Vitral Amaro. Trata-se, segundo ele, de um certo recuo, mas nunca um abandono da cidade. “A cidade tem esse poder de atração porque é onde melhor administramos o tempo de encontro e o de recuo, uma coisa da própria natureza humana: somos mamíferos, gregários, animais de rebanho, e todo mamífero necessita de uma certa modulação do território, escolhendo as horas de maior ou menor proximidade”, avalia.
A atração exercida pela cidade põe para a sociedade o desafio de encontrar soluções para problemas que crescem junto com a mancha urbana. “O desafio de uma cidade do futuro não é tanto uma reflexão científica, pelo menos não é uma questão de volume de informação ou de conhecimento sobre a cidade”, opina Vitral. Para ele, a cidade que conseguirmos pensar “tem a ver com o tipo de futuro que estamos esperando”. E comenta: “Estamos tão pobres ao pensar o tema cidade, que deixamos a discussão se reduzir ao dilema murar ou não murar favela”. Em sua opinião, a pergunta deveria ser: nós, brasileiros, queremos ter favelas daqui a 50 anos?
Segundo Vitral Amaro, cada povo define para si um futuro, a exemplo do que fez o Brasil na década de 1960, ao construir Brasília. “Naquele momento, enviamos uma mensagem para o futuro.
Hoje é como se o país tivesse se recolhido, e a própria incapacidade de vislumbrar a cidade do futuro reflete essa falta de perspectiva de pensar o próprio futuro como nação”, diz.
Ao refletir sobre os limites da cidade e a construção de muros em favelas no Rio de Janeiro, o professor Cássio Eduardo Viana Hissa, do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da UFMG, afirma que não há e não poderá haver, sobretudo no capitalismo, uma cidade inteira. Segundo ele, a ideia de inteireza não é recortada apenas pelas topografias, edificações e circulação, mas pelas práticas sociais e pelas relações de identidade e de conflito. “Isso significa que há limites nos interiores da cidade. Há cidades na cidade. Para o
cidadão, também, não há uma cidade inteira: há a cidade para ele, que é feita nas relações que estabelece com o mundo urbano, com as pessoas, e através de um experimentar a cidade que ele próprio desenha.”
Hissa afirma que os habitantes interpretam a cidade a partir de paradigmas que lhes interessam porque se referem à história com a qual se identificam. “A interpretação que fazemos da cidade é a de nós mesmos, feita por nós e para o outro. Mas a ciência moderna ainda confia na fidelidade cartesiana das cartografias”, reflete. E diz que a edificação de uma muralha, por exemplo, poderá fazer as pessoas descobrirem que tal recorte existe nelas sem que se deem conta disso. “Desde as cidades medievais até as modernas, as muralhas, os sinais de grafite nos muros, as tintas no asfalto podem mostrar onde começa, termina e para onde segue a nossa cidade e a dos outros. Talvez ainda mais, tal desenho poderá nos dizer algo acerca de nós mesmos no mundo”, sugere.
Na frase de José Saramago, o segmento realmente contribui para destacar a oposição entre a cidade de todos e a cidade na qual vivemos
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O Ministério da Educação (MEC) tem passado por constantes reformulações. Tendo em vista as políticas públicas vigentes para a educação no Brasil, como a Constituição de 1988, o Plano Nacional de Educação (PNE), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Básica (DCNEB) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), atualmente, o MEC é composto por sete secretarias.
Considerando as atribuições de cada uma das secretarias frente às demandas das políticas educacionais vigentes, numere os parênteses de acordo com a 1ª coluna.
1→Secretaria Executiva (SE).
2→Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino (SASE).
3→Secretaria de Educação Básica (SEB).
4 → Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI).
5 →Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC).
6→Secretaria de Educação Superior (SESu).
7 → Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (SERES).
( ) Zela pela educação infantil, pelo ensino fundamental e pelo ensino médio. As ações são orientadas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Básica (DCNEB).
( ) Promove ações de fomento ao fortalecimento, expansão e melhoria da qualidade da Educação Profissional e Tecnológica.
( ) Contribui para o desenvolvimento inclusivo dos sistemas de ensino, voltado à valorização das diferenças e da diversidade, promoção da educação inclusiva, direitos humanos e da sustentabilidade socioambiental, visando a efetivação de políticas públicas transversais e intersetoriais.
( ) Responsável pela regulação e supervisão das Instituições de Educação Superior públicas e privadas pertencentes ao Sistema Federal de Educação Superior. Também é responsável pelos cursos superiores de graduação do tipo bacharelado, licenciaturas e tecnológico e pósgraduação lato sensu, todos tanto nas modalidades presencial quanto a distância.
( ) Tem como função o desenvolvimento de ações para criação de um Sistema Nacional de Educação - SNE. Contribui para fortalecer o caminho de construção de consensos ou acordos em torno de temas relativos ao Sistema Nacional de Educação conforme prevê a legislação vigente.
( ) Responsável por planejar, orientar, coordenar e supervisionar o processo de formulação e implementação da Política Nacional de Educação Superior. Também é responsável pela manutenção, supervisão e desenvolvimento das Instituições públicas federais de ensino superior (Ifes) e supervisão das instituições privadas de educação superior, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
( ) Compete assistir ao ministro na supervisão e coordenação das atividades das secretarias integrantes da estrutura do ministério e entidades a ele vinculadas; auxiliar o ministro na definição de diretrizes e na implementação das ações em educação; supervisionar e coordenar as atividades relacionadas aos sistemas federais de planejamento e orçamento, organização e modernização administrativa, recursos da informação e informática, recursos humanos e de serviços gerais, no âmbito do ministério. As ações estão em conformidade com a Constituição de 1988 e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
A sequência correta é
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A Meta 1 do Plano Nacional de Educação (PNE 2014) objetiva universalizar e ampliar o atendimento de crianças na Educação Infantil.
Meta 1 - Educação Infantil
Universalizar, até 2016, a Educação Infantil na préescola para as crianças de 4 a 5 anos de idade e ampliar a oferta de Educação Infantil em Creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos até o final da vigência deste PNE.
Em uma análise das políticas públicas para a Educação Infantil - das quais o PNE (2014) faz parte - e do contexto de implementação dessas políticas, a ideia de expansão e universalização do atendimento pode ser considerada:
I → Questionável, tendo em vista que temos mais Programas de Governo do que Políticas de Estado que não resolvem problemáticas do atendimento com qualidade da Educação Infantil no Brasil.
II→Coerente comas produções teóricas que consideram as crianças como sujeitos históricos e de direitos, mas inviáveis do ponto de vista econômico, pois cabe aos municípios o investimento na Educação Infantil e essa nem sempre é uma opção política nas gestões municipais.
III → Contraditória, pois, ao atender o maior número de crianças, podemos deixar de garantir o direito de todas as crianças estarem nas escolas em tempo integral.
Está(ão) correta(s)
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Para responder a questão, considere a frase do escritor português José Saramago e parte de um artigo sobre cidades publicado em uma revista acadêmica brasileira.
“No interior da grande cidade de todos está a cidade pequena em que realmente vivemos.”
(José Saramago)
Apesar de concentrar características execradas pelos seus habitantes, a cidade continua exercendo um grande poder de atração, avalia o professor João Júlio Vitral Amaro, do Departamento de Urbanismo da Escola de Arquitetura da UFMG. Curiosamente, na venda de casas e apartamentos construídos fora da área urbanizada, um dos itens que mais valorizam os imóveis é a vista que eles proporcionam da própria cidade.
“Parece paradoxal, mas não é”, afirma Vitral Amaro. Trata-se, segundo ele, de um certo recuo, mas nunca um abandono da cidade. “A cidade tem esse poder de atração porque é onde melhor administramos o tempo de encontro e o de recuo, uma coisa da própria natureza humana: somos mamíferos, gregários, animais de rebanho, e todo mamífero necessita de uma certa modulação do território, escolhendo as horas de maior ou menor proximidade”, avalia.
A atração exercida pela cidade põe para a sociedade o desafio de encontrar soluções para problemas que crescem junto com a mancha urbana. “O desafio de uma cidade do futuro não é tanto uma reflexão científica, pelo menos não é uma questão de volume de informação ou de conhecimento sobre a cidade”, opina Vitral. Para ele, a cidade que conseguirmos pensar “tem a ver com o tipo de futuro que estamos esperando”. E comenta: “Estamos tão pobres ao pensar o tema cidade, que deixamos a discussão se reduzir ao dilema murar ou não murar favela”. Em sua opinião, a pergunta deveria ser: nós, brasileiros, queremos ter favelas daqui a 50 anos?
Segundo Vitral Amaro, cada povo define para si um futuro, a exemplo do que fez o Brasil na década de 1960, ao construir Brasília. “Naquele momento, enviamos uma mensagem para o futuro.
Hoje é como se o país tivesse se recolhido, e a própria incapacidade de vislumbrar a cidade do futuro reflete essa falta de perspectiva de pensar o próprio futuro como nação”, diz.
Ao refletir sobre os limites da cidade e a construção de muros em favelas no Rio de Janeiro, o professor Cássio Eduardo Viana Hissa, do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da UFMG, afirma que não há e não poderá haver, sobretudo no capitalismo, uma cidade inteira. Segundo ele, a ideia de inteireza não é recortada apenas pelas topografias, edificações e circulação, mas pelas práticas sociais e pelas relações de identidade e de conflito. “Isso significa que há limites nos interiores da cidade. Há cidades na cidade. Para o
cidadão, também, não há uma cidade inteira: há a cidade para ele, que é feita nas relações que estabelece com o mundo urbano, com as pessoas, e através de um experimentar a cidade que ele próprio desenha.”
Hissa afirma que os habitantes interpretam a cidade a partir de paradigmas que lhes interessam porque se referem à história com a qual se identificam. “A interpretação que fazemos da cidade é a de nós mesmos, feita por nós e para o outro. Mas a ciência moderna ainda confia na fidelidade cartesiana das cartografias”, reflete. E diz que a edificação de uma muralha, por exemplo, poderá fazer as pessoas descobrirem que tal recorte existe nelas sem que se deem conta disso. “Desde as cidades medievais até as modernas, as muralhas, os sinais de grafite nos muros, as tintas no asfalto podem mostrar onde começa, termina e para onde segue a nossa cidade e a dos outros. Talvez ainda mais, tal desenho poderá nos dizer algo acerca de nós mesmos no mundo”, sugere.
O fragmento destacado a seguir serve de base para responder a questão.
A atração exercida pela cidade põe para a sociedade o desafio de encontrar soluções para problemas que crescem junto com a mancha urbana.
Coerente com o teor do texto, o segmento para a sociedade poderia ser reescrito como para seus moradores e gestores públicos. Semanticamente, a reescrita apresenta o referente como mais específico, mais delimitado; sintaticamente, a reescrita leva à modificação da expressão verbal
I → põe para pôs, caso se queira projetar a ação como de realização próxima, no futuro.
II → encontrar para encontrarem, caso se queira realçar a ação atribuída ao sujeito do infinitivo.
III → crescem para cresceram, caso se queira estender a ação também ao tempo passado.
Está(ão) correta(s)
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Sabe-se que os Princípios Constitucionais da Administração Pública devem reger a atuação dos Poderes Executivo, além dos Poderes Legislativo e Judiciário, quando os mesmos exercem a função administrativa.
Dessa forma, assinale a alternativa INCORRETA.
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