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Cotidianamente, os assistentes sociais veem-se desafiados a materializar requisições institucionais contrárias aos interesses da população usuária dos serviços públicos. Diante desse imperativo, os profissionais vivenciam um movimento ora em defesa de direitos sociais conquistados, ora em questionamento às precárias condições de seu trabalho. Responder a tais desafios no sentido de manter a hegemonia crítica no interior da profissão implica na criação de estratégias de enfrentamento e resistência nos múltiplos campos de intervenção, tanto no âmbito do conhecimento como na dimensão
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No âmbito prático profissional, o Serviço Social tem sido cobrado a responder as demandas institucionais, de forma rotineira e burocrática, em detrimento de uma realidade complexa e multifacetada. Atuando no campo das políticas públicas, os assistentes sociais deparam-se com a focalização nas situações de pobreza extrema e com a transferência para a sociedade civil de competências governamentais. De acordo com Keller (2019), muitos assistentes sociais, mesmo sofrendo os rebatimentos dessas configurações, contraditoriamente, passam a fazer a defesa de pautas como empreendedorismo, políticas de geração de emprego e renda, responsabilidade ambiental e empresarial, referendando no interior da política pública um processo de
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Diante da complexidade das demandas colocadas à profissão, o assistente social não deve restringir sua intervenção às abordagens que tratam as necessidades sociais como problemas e responsabilidades individuais e grupais. Isso porque todas as situações sociais vivenciadas pelos sujeitos que demandam seus serviços têm a mesma raiz estrutural e histórica na desigualdade de classe e suas determinações. Nessa perspectiva, a intervenção profissional não pode ter como horizonte somente a execução das atividades arroladas nos documentos institucionais, sob o risco de limitar suas ações à ótica da individualização das situações sociais e de abordar a questão social a partir de um viés
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O Congresso da Virada (1979) representa um marco no desenvolvimento do Serviço Social no Brasil, na medida em que consolida o movimento de ruptura com o tradicionalismo profissional. É inegável que a cultura profissional trazida por esse movimento e que atravessou as últimas quatro décadas se mantém viva, mas são novas e complexas as questões que desafiam a profissão em função do atual cenário político-econômico que evidencia o conservadorismo com sua agenda econômica ultraneoliberal. Conforme Mota e Rodrigues (2020), a conjuntura atual colide com o legado do referido Congresso, favorecendo a aparição no interior do Serviço Social brasileiro, de forma organizada e pública, de tendências contrárias ao projeto ético-político profissional, entre as quais: a aversão à maturação intelectual conquistada pelo Serviço Social brasileiro e a revalorização do pragmatismo e da
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A pandemia da covid-19 tem gerado uma efervescência de debates éticos, na medida em que neles estão postos temas cotidianos, tais como o direito à vida, à saúde e ao trabalho, bem como a valorização da ciência, dos direitos humanos etc. Nesse debate, tem-se colocado pontos de vista específicos, como o acesso universal às vacinas, a participação e condução de pesquisas, a quebra de patentes, entre outros. A preocupação de refletir eticamente sobre os desafios postos na assistência em saúde e na pesquisa com seres humanos pode ser desenvolvida a partir de diferentes concepções éticas, o que, aliás, tem sido a tônica dos rumos da bioética na atualidade. Assim, conforme afirma Matos (2021), a bioética é um campo que busca entrelaçar uma análise ética dos fenômenos postos na saúde e na vida, tendo como princípios a beneficência, a não maleficência, a justiça e a
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A experiência histórica tem mostrado que o compromisso dos assistentes sociais com a organização societária e da própria categoria tem colaborado para o avanço dos direitos sociais rumo a uma nova ordem social. Nessa perspectiva, há que se considerar a importância da linguagem no exercício profissional, uma vez que nela está presente o discurso de fortalecimento da democracia e o compromisso de dar visibilidade àqueles que têm voz, mas não são ouvidos. Nesse sentido, a linguagem é trabalho, uma vez que traz a marca da intervenção profissional. Nesse trabalho educativo, os usuários podem contar com os assistentes sociais para potencializar sua
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O projeto ético-político profissional mudou as feições do Serviço Social brasileiro nos últimos trinta anos. Diante da ofensiva do capital e de enfraquecimento dos movimentos organizados, esse projeto passou a ser questionado quanto à manutenção de suas bases teóricas, organizativas e ético-políticas. A sua reafirmação depende tanto das respostas políticas que as vanguardas profissionais darão aos desafios atuais quanto das ações dos profissionais nas diversas áreas de atuação, a partir de intervenções qualificadas, éticas e socialmente
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O trabalho dos assistentes sociais ultrapassa o caráter de um projeto meramente profissional, voltado apenas à autodefesa dos interesses específicos dessa categoria. Na realização de seu projeto, os assistentes sociais reconhecem a liberdade como valor ético central e optam por um projeto profissional vinculado a construção de uma sociedade sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero. Por isso, os assistentes sociais tornam-se parte de um sujeito coletivo, partilhando concepções e realizando, em comum, atos teleológicos articulados e dirigidos a uma mesma finalidade, como parte
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Evidencia-se no contexto atual uma nova morfologia do trabalho, caracterizada pela incorporação de inovações tecnológicas e científicas, mas também por processos de precarização das suas condições de trabalho, repercutindo no exercício profissional dos assistentes sociais. O trabalho remoto, o home office ou o teletrabalho, que já vinham sendo adotados de forma residual nos diferentes espaços sócio-ocupacionais, se generalizaram. Conforme afirmam Raichelis e Arregui (2021), são processos constitutivos da divisão sociotécnica do trabalho que promovem a metamorfose no mercado profissional, estimulando a individualização do trabalho, as formas de avaliação de desempenho, promovendo a competição entre trabalhadores e a
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O Serviço Social como profissão gestou-se sob uma perspectiva tradicional, que nunca esteve ausente de sua história, caracterizada por dois traços essenciais, entre outros. O primeiro traço é aquele que imprimiu à profissão um caráter subalterno às Ciências Sociais, avessa a formulações teóricas, sustentando-se no pensamento conservador. Segundo, como profissão da prática, inserida na divisão sociotécnica do trabalho, de caráter pragmático, destinada a prestar bens e serviços para assegurar a manutenção da ordem do capital e a integração da
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