Podemos compreender o ato indisciplinado como
materialização da tirania e/ou descaso das novas gerações
com a vida pública e, consequentemente, prova cabal do
esfacelamento da escola como instituição democrática. Ou,
de modo oposto, compreendê-lo como força legítima de
contestação e/ou resistência civil ao modelo anacrônico e
discriminatório da organização escolar. Seja como for, a
escola será tomada como palco de confluência de forças
molares, que em muito ultrapassam seu escopo de atuação.
Ora vítimas (porque reproduzem tais forças), ora algozes
(porque fazem reproduzi-las), professores e alunos estariam
sempre constrangidos pela camisa de força do entorno
escolar, relativizadora da autonomia de seus protagonistas.
AQUINO. Júlio Groppa. Indisciplina: o contraponto das escolas
democráticas. São Paulo, Moderna. 2003, p. 39-40.
De acordo com o excerto, podemos afirmar:
Sabe-se claramente que a indisciplina constitui uma das
queixas reinantes quanto ao cotidiano não apenas de
professores, mas também de pais. Um tema, portanto,
emblemático da dificuldade de educar na atualidade, seja
na família, seja na escola – as duas instituições
historicamente reconhecidas como principais responsáveis
pela educação de crianças e jovens.
AQUINO. Júlio Groppa. Indisciplina: o contraponto das escolas
democráticas. São Paulo, Moderna. 2003, p. 7.
Ainda sobre a questão da indisciplina escolar, de acordo
com o autor:
Considerando as características dos conhecimentos e das
experiências próprias da Educação Física, é importante que
cada dimensão seja sempre abordada de modo integrado
com as outras, levando-se em conta sua natureza vivencial,
experiencial e subjetiva. Assim, não é possível operar como
se as dimensões pudessem ser tratadas de forma isolada ou
sobreposta. Assim, em articulação com as competências
gerais da Educação Básica e as competências específicas da
área de Linguagens, o componente curricular de Educação
Física deve garantir aos alunos o desenvolvimento de
competências específicas (BNCC, 2019).
São competências descritas pelo documento em questão:
De acordo com a proposta curricular ilustrada na obra
“Práticas Corporais: brincadeiras, danças, lutas, esportes e
ginásticas” (NEIRA, 2014), para uma pedagogia
culturalmente orientada, é preciso:
De acordo com Neira (2014) na Educação Física escolar, o
trabalho pedagógico com as práticas corporais objetiva,
principalmente, auxiliar as crianças a analisá-las, significá-las e produzi-las, pois, afinal, constituem-se em textos
elaborados pela linguagem corporal. A contribuição que isso
pode oferecer para o entendimento da sociedade atual
consiste, exatamente, na leitura dos significados e na
compreensão das representações que os diferentes grupos
sociais veiculam através da sua cultura do corpo, bem como
na ampliação das possibilidades e formas de expressão
corporal das crianças. Desse modo, na perspectiva do autor:
De acordo com o Coletivo de autores (2012), a Educação
Física é compreendida como uma disciplina do currículo,
cujo objeto de estudo é a expressão corporal como
linguagem. É através da expressão corporal enquanto
CONCURSO PROFEM 2022
linguagem que será mediado o processo de sociabilização
das crianças e jovens na busca da apreensão e atuação
autônoma e crítica na realidade, através do conhecimento
sistematizado, ampliado, aprofundado, especificamente no
âmbito da cultura corporal. Nessa concepção, evidenciam-se possibilidades de a Educação Física trazer contribuições
relevantes ao esforço coletivo de construção de um projeto
político-pedagógico que se concretiza através da dinâmica
do currículo. Nessa perspectiva crítica, é correto afirmar
sobre a avaliação:
De acordo com Coletivo de Autores (2012), no âmbito da
escola, os exercícios físicos na forma cultural de jogos,
ginástica, dança, surgem na Europa no final do século XVIII
e início do século XIX. Esse é o tempo e o espaço da
formação dos sistemas nacionais de ensino característicos
da sociedade burguesa. A Europa constituiu-se no palco da
construção e consolidação de uma nova sociedade - a
sociedade capitalista. Nessa perspectiva, a força física, a
energia física, transformava-se em força de trabalho e era
vendida como mais uma mercadoria, e era a única coisa de
que o trabalhador dispunha. Assim, a educação física
adentrou a escola e começou a ser vista como importante
instrumento de aprimoramento físico dos indivíduos que,
"fortalecidos" pelo exercício físico, estariam mais aptos para
contribuir com a grandeza da indústria nascente, dos
exércitos, assim como com a prosperidade da pátria. Ainda
em relação ao contexto histórico e a emergência do
componente no ambiente escolar, os autores destacam:
A obra “Metodologia do ensino de educação física”
(COLETIVO DE AUTORES, 2012) apresenta uma pedagogia
emergente, que busca responder a determinados interesses
de classe, denominada de crítico-superadora. Nessa
perspectiva de entendimento, a reflexão pedagógica tem
algumas características específicas: é "diagnóstica,
judicativa e teleológica", pois
Na BNCC (2019), na estruturação da unidade temática -
esportes, é utilizado um modelo de classificação baseado
em uma suposta lógica interna. Esse modelo possibilita a
distribuição das modalidades esportivas em categorias,
privilegiando as ações motoras intrínsecas, reunindo
esportes que apresentam exigências motrizes semelhantes
no desenvolvimento de suas práticas. Assim, são
apresentadas sete categorias de esportes que,
diferentemente das demais temáticas, desconsideram os
aspectos sociais e culturais da ocorrência das práticas
corporais (como acontece com as brincadeiras, jogos,
danças e lutas) e fundam-se nos critérios de desempenho
motor, relação com o adversário, objetivos e estratégias do
jogo. Assim, a proposta considera esportes:
De acordo com a BNCC (2019), em princípio, todas as
práticas corporais podem ser objeto do planejamento
pedagógico em qualquer etapa e modalidade de ensino. Ainda assim, alguns critérios de progressão do
conhecimento devem ser considerados, tais como os
elementos específicos das diferentes práticas corporais, as
características dos sujeitos e os contextos de atuação,
sinalizando tendências de organização dos conhecimentos. Nessa perspectiva, as unidades temáticas de “Brincadeiras
e jogos” estão organizadas em objetos de conhecimento
conforme