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2419513 Ano: 2011
Disciplina: Filosofia
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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O espelho

Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições. Tomou-me tempo. Surpreendo-me, porém, um tanto à parte de todos, penetrando conhecimento que os outros ainda ignoram. O senhor, por exemplo, que sabe e estuda, suponho nem tenha ideia do que seja, na verdade — um espelho? Decerto, das noções de física, com que se familiarizou, as leis da ótica. Reporto-me ao transcendente, todavia...

O espelho, são muitos, captando-lhe as feições; todos refletem-lhe o rosto, e o senhor crê-se com aspecto próprio e praticamente inalterado, do qual lhe dão imagem fiel. Mas — que espelho? Há-os bons e maus, os que favorecem e os que detraem; e os que são apenas honestos, pois não. E onde situar o nível e ponto dessa honestidade ou fidedignidade?

Como é que o senhor, eu, os restantes próximos, somos, no visível? O senhor dirá: as fotografias o comprovam. Respondo: que, além de prevalecerem para as lentes das máquinas objeções análogas, seus resultados apoiam antes que desmentem a minha tese, tanto revelam superporem-se aos dados iconográficos os índices do misterioso. Ainda que tirados de imediato, um após outro, os retratos sempre serão entre si muito diferentes. E as máscaras, moldadas nos rostos? Valem, grosso modo, para o falquejo das formas, não para o explodir da expressão, o dinamismo fisionômico. Não se esqueça, é de fenômenos sutis que estamos tratando.

Resta-lhe argumento: qualquer pessoa pode, a um tempo, ver o rosto de outra e sua reflexão no espelho. O experimento, por sinal ainda não realizado com rigor, careceria de valor científico, em vista das irredutíveis deformações, de ordem psicológica. Além de que a simultaneidade torna-se impossível, no fluir de valores instantâneos. Ah, o tempo é o mágico de todas as traições... E os próprios olhos, de cada um de nós, padecem viciação de origem, defeitos com que cresceram e a que se afizeram, mais e mais. Os olhos, por enquanto, são a porta do engano; duvide deles, dos seus, não de mim. Ah, meu amigo, a espécie humana peleja para impor ao latejante mundo um pouco de rotina e lógica, mas algo ou alguém de tudo faz brecha para rir-se da gente...

Vejo que começa a descontar um pouco de sua inicial desconfiança quanto ao meu são juízo. Fiquemos, porém, no terra a terra. Rimo-nos, nas barracas de diversões, daqueles caricatos espelhos, que nos reduzem a mostrengos, esticados ou globosos. Mas, se só usamos os planos, deve-se a que primeiro a humanidade mirou-se nas superfícies de água quieta, lagoas, fontes, delas aprendendo a fazer tais utensílios de metal ou cristal. Tirésias, contudo, já havia predito ao belo Narciso que ele viveria apenas enquanto a si mesmo não se visse...

Sim, são para se ter medo, os espelhos...

João Guimarães Rosa. O espelho. In: Primeiras estórias.

Ficção completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. 2, p. 437-55 (com adaptações).

Com referência ao texto O espelho, e a questões por ele suscitadas,julgue o item.

Segundo a mitologia, Narciso era um belo jovem encantado por uma imagem. Ele julgava que a imagem refletida fosse a de outro ser humano e só percebeu que estava enamorado de seu próprio reflexo nas águas pouco antes de morrer. Um tema filosófico pode ser desenvolvido a partir desse mito: a descoberta do indivíduo que toma consciência de si, em si e por si.

 

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2419511 Ano: 2011
Disciplina: Filosofia
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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O espelho

Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições. Tomou-me tempo. Surpreendo-me, porém, um tanto à parte de todos, penetrando conhecimento que os outros ainda ignoram. O senhor, por exemplo, que sabe e estuda, suponho nem tenha ideia do que seja, na verdade — um espelho? Decerto, das noções de física, com que se familiarizou, as leis da ótica. Reporto-me ao transcendente, todavia...

O espelho, são muitos, captando-lhe as feições; todos refletem-lhe o rosto, e o senhor crê-se com aspecto próprio e praticamente inalterado, do qual lhe dão imagem fiel. Mas — que espelho? Há-os bons e maus, os que favorecem e os que detraem; e os que são apenas honestos, pois não. E onde situar o nível e ponto dessa honestidade ou fidedignidade?

Como é que o senhor, eu, os restantes próximos, somos, no visível? O senhor dirá: as fotografias o comprovam. Respondo: que, além de prevalecerem para as lentes das máquinas objeções análogas, seus resultados apoiam antes que desmentem a minha tese, tanto revelam superporem-se aos dados iconográficos os índices do misterioso. Ainda que tirados de imediato, um após outro, os retratos sempre serão entre si muito diferentes. E as máscaras, moldadas nos rostos? Valem, grosso modo, para o falquejo das formas, não para o explodir da expressão, o dinamismo fisionômico. Não se esqueça, é de fenômenos sutis que estamos tratando.

Resta-lhe argumento: qualquer pessoa pode, a um tempo, ver o rosto de outra e sua reflexão no espelho. O experimento, por sinal ainda não realizado com rigor, careceria de valor científico, em vista das irredutíveis deformações, de ordem psicológica. Além de que a simultaneidade torna-se impossível, no fluir de valores instantâneos. Ah, o tempo é o mágico de todas as traições... E os próprios olhos, de cada um de nós, padecem viciação de origem, defeitos com que cresceram e a que se afizeram, mais e mais. Os olhos, por enquanto, são a porta do engano; duvide deles, dos seus, não de mim. Ah, meu amigo, a espécie humana peleja para impor ao latejante mundo um pouco de rotina e lógica, mas algo ou alguém de tudo faz brecha para rir-se da gente...

Vejo que começa a descontar um pouco de sua inicial desconfiança quanto ao meu são juízo. Fiquemos, porém, no terra a terra. Rimo-nos, nas barracas de diversões, daqueles caricatos espelhos, que nos reduzem a mostrengos, esticados ou globosos. Mas, se só usamos os planos, deve-se a que primeiro a humanidade mirou-se nas superfícies de água quieta, lagoas, fontes, delas aprendendo a fazer tais utensílios de metal ou cristal. Tirésias, contudo, já havia predito ao belo Narciso que ele viveria apenas enquanto a si mesmo não se visse...

Sim, são para se ter medo, os espelhos...

João Guimarães Rosa. O espelho. In: Primeiras estórias.

Ficção completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. 2, p. 437-55 (com adaptações).

Com referência ao texto O espelho, e a questões por ele suscitadas,julgue o item.

O filósofo Paul Ricoeur considera ser possível desdobrar os níveis de significação literal de um texto, instaurando múltiplos sentidos. Assim, o objeto que é referido no título do conto de Guimarães Rosa pode ser analisado filosoficamente como experiência do outro e de si mesmo e estudado à luz do conceito de polissemia da imagem e da máxima délfica “conhece-te a ti mesmo”.

 

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2419510 Ano: 2011
Disciplina: Filosofia
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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O espelho

Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições. Tomou-me tempo. Surpreendo-me, porém, um tanto à parte de todos, penetrando conhecimento que os outros ainda ignoram. O senhor, por exemplo, que sabe e estuda, suponho nem tenha ideia do que seja, na verdade — um espelho? Decerto, das noções de física, com que se familiarizou, as leis da ótica. Reporto-me ao transcendente, todavia...

O espelho, são muitos, captando-lhe as feições; todos refletem-lhe o rosto, e o senhor crê-se com aspecto próprio e praticamente inalterado, do qual lhe dão imagem fiel. Mas — que espelho? Há-os bons e maus, os que favorecem e os que detraem; e os que são apenas honestos, pois não. E onde situar o nível e ponto dessa honestidade ou fidedignidade?

Como é que o senhor, eu, os restantes próximos, somos, no visível? O senhor dirá: as fotografias o comprovam. Respondo: que, além de prevalecerem para as lentes das máquinas objeções análogas, seus resultados apoiam antes que desmentem a minha tese, tanto revelam superporem-se aos dados iconográficos os índices do misterioso. Ainda que tirados de imediato, um após outro, os retratos sempre serão entre si muito diferentes. E as máscaras, moldadas nos rostos? Valem, grosso modo, para o falquejo das formas, não para o explodir da expressão, o dinamismo fisionômico. Não se esqueça, é de fenômenos sutis que estamos tratando.

Resta-lhe argumento: qualquer pessoa pode, a um tempo, ver o rosto de outra e sua reflexão no espelho. O experimento, por sinal ainda não realizado com rigor, careceria de valor científico, em vista das irredutíveis deformações, de ordem psicológica. Além de que a simultaneidade torna-se impossível, no fluir de valores instantâneos. Ah, o tempo é o mágico de todas as traições... E os próprios olhos, de cada um de nós, padecem viciação de origem, defeitos com que cresceram e a que se afizeram, mais e mais. Os olhos, por enquanto, são a porta do engano; duvide deles, dos seus, não de mim. Ah, meu amigo, a espécie humana peleja para impor ao latejante mundo um pouco de rotina e lógica, mas algo ou alguém de tudo faz brecha para rir-se da gente...

Vejo que começa a descontar um pouco de sua inicial desconfiança quanto ao meu são juízo. Fiquemos, porém, no terra a terra. Rimo-nos, nas barracas de diversões, daqueles caricatos espelhos, que nos reduzem a mostrengos, esticados ou globosos. Mas, se só usamos os planos, deve-se a que primeiro a humanidade mirou-se nas superfícies de água quieta, lagoas, fontes, delas aprendendo a fazer tais utensílios de metal ou cristal. Tirésias, contudo, já havia predito ao belo Narciso que ele viveria apenas enquanto a si mesmo não se visse...

Sim, são para se ter medo, os espelhos...

João Guimarães Rosa. O espelho. In: Primeiras estórias.

Ficção completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. 2, p. 437-55 (com adaptações).

Com referência ao texto O espelho, e a questões por ele suscitadas,julgue o item.

A aproximação entre o discurso filosófico e o literário, proposta pelo narrador ao seu interlocutor, produz como efeito estético a composição de fechamento do texto em si mesmo, o que impede o leitor de mirar-se no espelho da narrativa.

 

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2419444 Ano: 2011
Disciplina: Filosofia
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Quando ficou claro que a designação de Homo sapiens não era tão adequada à nossa espécie como se havia acreditado — porque, afinal, não somos tão razoáveis como se acreditava no século XVIII, em seu otimismo ingênuo —, acrescentaram-lhe a de Homo faber (homem que fabrica). Entretanto, a expressão Homo ludens (homem que joga) evoca uma função tão essencial quanto a de fabricar e merece, portanto, ocupar seu lugar junto à de Homo faber.

Johan Huizinga. Homo ludens. Madri: Alianza, 2001, p. 7 (com adaptações).

Tendo como referência essas informações e aspectos a elas relacionados, julgue o item.

Em Atenas, na época de Péricles (séc. V a.C.), jogos e teatro perderam importância social, porque a população, imbuída de espírito democrático, preferia dedicar-se às atividades políticas e econômicas, visto que estas fortaleciam a cidadania.

 

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2419438 Ano: 2011
Disciplina: Filosofia
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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No início do século XX, estudiosos esforçaram-se em mostrar a continuidade, na Grécia Antiga, entre mito e filosofia, opondo-se a teses anteriores, que advogavam a descontinuidade entre ambos.

A continuidade entre mito e filosofia, no entanto, não foi entendida univocamente. Alguns estudiosos, como Cornford e Jaeger, consideraram que as perguntas acerca da origem do mundo e das coisas haviam sido respondidas pelos mitos e pela filosofia nascente, dado que os primeiros filósofos haviam suprimido os aspectos antropomórficos e fantásticos dos mitos.

Ainda no século XX, Vernant, mesmo aceitando certa continuidade entre mito e filosofia, criticou seus predecessores, ao rejeitar a ideia de que a filosofia apenas afirmava, de outra maneira, o mesmo que o mito. Assim, a discussão sobre a especificidade da filosofia em relação ao mito foi retomada.

Considerando o breve histórico acima, concernente à relação entre o mito e a filosofia nascente, assinale a opção que expressa, de forma mais adequada, essa relação na Grécia Antiga.

 

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Leia o texto.

Para Aristóteles, a virtude é um hábito adquirido ou uma disposição permanente, um estado ou qualidade da alma [...]. A tarefa da ética é orientar-nos para a aquisição desse hábito. Que hábito é este? O exercício da vontade sob a orientação da razão para deliberar [...] e escolher [...] ações que permitam satisfazer o apetite e o desejo sem cair num dos extremos. Por isso a curiosa afirmação de Aristóteles de que nos tornamos bons praticando atos bons. A deliberação refere-se aos meios da ação; a escolha, aos seus fins.

(Chauí, M. Introdução à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Aristóteles. Vol. 1. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 313).

Com base no texto acima, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) A deliberação racional e a escolha fazem parte da ação virtuosa.
( ) A virtude é inata e compõe uma das qualidades de nossa alma.
( ) Na impossibilidade da escolha não há virtude.
( ) As virtudes do caráter são adquiridas pelo hábito.

Assinale a sequência correta.

 

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2414521 Ano: 2011
Disciplina: Filosofia
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Qual é a frase que melhor define o conceito de demitologização de Bultmann?
 

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2413933 Ano: 2011
Disciplina: Filosofia
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Segundo Clovis Pinto de Castro, “A fé cidadã manifesta-se sempre num determinado contexto histórico”. Com isso, Clovis quer dizer que:
 

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2191166 Ano: 2011
Disciplina: Filosofia
Banca: FCC
Orgão: SEE-MG
Um dos argumentos a favor da solução dualista é o da irredutibilidade dos processos subjetivos e interiores aos processos físicos e corporais. Esse argumento baseia-se na evidência de que uma terceira pessoa não pode jamais sentir exatamente aquilo que se passa no interior de uma outra pessoa. Um cientista, por exemplo, que analisa a configuração cerebral de uma pessoa no momento em que ela saboreia uma barra de chocolate não pode jamais sentir o sabor experimentado por ela. A hipótese dualista para esse problema sugere que a nossa consciência, que acontece como uma experiência em primeira pessoa, é essencialmente distinta dos nossos estados cerebrais, que por serem processos físicos, são acessíveis a uma terceira pessoa. A nossa consciência tem assim uma natureza essencialmente mental enquanto o nosso cérebro uma natureza fundamentalmente física.
(LEITE, P. Orientação pedagógica: a posição monista)
O que caracteriza a posição dualista em geral é a tese de que a mente
 

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2191165 Ano: 2011
Disciplina: Filosofia
Banca: FCC
Orgão: SEE-MG
[...] é preciso reconhecer que o conceito de legitimidade se reporta a uma dimensão anterior à formalização da lei (o domínio da legalidade). A legitimidade diz respeito aos princípios que animam a lei (isto é, a razão pela qual fazemos a lei) e assim uma ação contrária à lei pode estar justificada na medida em que essa lei é considerada contrária aos interesses que a originaram. Por exemplo, imaginemos um país cujo governo obrigue, por meio de lei, os pais a retirar seus filhos da escola. Ora, tal lei contraria o interesse dos cidadãos, assim como fere um direito fundamental. Nesse caso, o não respeito à lei seria certamente ilegal e, ao mesmo tempo, legítimo. É importante ainda destacar que a legitimidade pode ser também associada à ideia de justiça, uma vez que a justiça é um elemento necessário para que uma lei tenha sua validade reconhecida. Em outros termos, uma lei injusta não pode ser legítima.
(ADVERSE, Helton. Orientação pedagógica: Lei e justiça)
Tendo o texto acima como base, para uma lei ser legítima, ela deve
 

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