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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Como é que, desvalimento de gente assim, podiam escolher ofício de salteador? Ah, mas não eram. Que o que acontecia era de serem só esses homens reperdidos sem salvação naquele recanto lontão de mundo, groteiros dum sertão, os catrumanos daquelas brenhas. O Acauã que explicou, o Acauã sabia deles. Que viviam tapados de Deus, assim nosocos. Nem não saíam dos solapos, segundo refleti, dando cria feito bichos, em socavas. Mas por ali deviam de ter suas casas e suas mulheres, seus meninos pequenos. Cafuas levantadas nas burgueias, em dobras de serra ou no chão das baixadas, beira de brejo; às vezes formando mesmo arruados.
Aí plantavam suas rocinhas, às vezes não tinham gordura nem sal. Tanteei pena deles, grande pena. Como era que podiam parecer homens de exata valentia? Eles mesmos faziam preparo da pólvora de que tinham uso, ralado salitre das lapas, manipulando em panelas. Que era uma pólvora preta, fedorenta, que estrondava com espalhafato, enchendo os lugares de fumaceira. E às vezes essa pólvora bruta fazia as armas rebentarem, queimando e matando o atirador. Como era que eles podiam brigar? Conforme podiam viver?
João Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas.
Rio de janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 544.
Tendo como referência o fragmento acima, da obra Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, julgue o item seguinte.
No trecho entre as linhas, Guimarães Rosa emprega palavras de realce.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Porque há o direito ao grito.
Então eu grito.
Grito puro e sem pedir esmola. Sei que há moças que vendem o corpo, única posse real, em troca de um bom jantar em vez de um sanduíche de mortadela. Mas a pessoa de quem falarei mal tem corpo para vender, ninguém a quer, ela é virgem e inócua, não faz falta a ninguém. Aliás — descubro eu agora — eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria. Um outro escritor, sim, mas teria que ser homem porque escritora mulher pode lacrimejar piegas.
Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhando até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiram como não existiriam. Poucas se queixam e ao que eu saiba nenhuma reclama por não saber a quem. Esse quem será que existe?
Estou esquentando o corpo para iniciar, esfregando as mãos uma na outra para ter coragem. Agora me lembrei de que houve um tempo em que para me esquentar o espírito eu rezava: o movimento é espírito. A reza era um meio de mudamente e escondido de todos atingir-me a mim mesmo.
Quando rezava, conseguia um oco de alma — e esse oco é o tudo que posso eu jamais ter. Mais do que isso, nada. Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é resposta a meu — a meu mistério.
Clarice Lispector. A Hora da Estrela.
Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p.13-4.
Tendo como referência o fragmento acima, da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, julgue o item a seguir.
Nos romances de Clarice Lispector, a linguagem, conforme evidenciado no fragmento acima, é predominantemente objetiva, uma vez que a autora deseja aproximar o jornalismo da literatura.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Porque há o direito ao grito.
Então eu grito.
Grito puro e sem pedir esmola. Sei que há moças que vendem o corpo, única posse real, em troca de um bom jantar em vez de um sanduíche de mortadela. Mas a pessoa de quem falarei mal tem corpo para vender, ninguém a quer, ela é virgem e inócua, não faz falta a ninguém. Aliás — descubro eu agora — eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria. Um outro escritor, sim, mas teria que ser homem porque escritora mulher pode lacrimejar piegas.
Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhando até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiram como não existiriam. Poucas se queixam e ao que eu saiba nenhuma reclama por não saber a quem. Esse quem será que existe?
Estou esquentando o corpo para iniciar, esfregando as mãos uma na outra para ter coragem. Agora me lembrei de que houve um tempo em que para me esquentar o espírito eu rezava: o movimento é espírito. A reza era um meio de mudamente e escondido de todos atingir-me a mim mesmo.
Quando rezava, conseguia um oco de alma — e esse oco é o tudo que posso eu jamais ter. Mais do que isso, nada. Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é resposta a meu — a meu mistério.
Clarice Lispector. A Hora da Estrela.
Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p.13-4.
Tendo como referência o fragmento acima, da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, julgue o item a seguir.
Conforme é possível perceber em diversos trechos do fragmento apresentado, a ironia é forte marca da escrita de Clarice Lispector.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Embora, em muitos aspectos, a literatura de Clarice contraste com a de Guimarães Rosa, ela tem em comum com a dele a experimentação da linguagem, a eliminação da fronteira entre a prosa e a poesia, uma dimensão mística e metafísica, bem como características barrocas. O barroco de um é, porém, diametralmente oposto ao do outro: em Guimarães Rosa, há criação vocabular, exuberância linguística, muitas narrativas entrelaçadas; em Clarice, há economia de palavras e ausência de narrativa, a aproximação ao barroco ocorre, sobretudo, através da repetição, que realça um significado cada vez mais fugidio à medida que se tenta explicitá-lo. [...] A poesia em Guimarães Rosa está nos ritmos, nas rimas internas, nas onomatopeias, nas aliterações, no aspecto formal do texto e também na criação de significados através da junção inusitada de palavras. A de Clarice, na vertigem de sentido e no “movimento em círculo da palavra ao silêncio e do silêncio à palavra”, enquanto seus textos vão desvendando um território em direção ao nada ou então ao reinício.
J. Almino. De Machado a Clarice: a força da literatura. In: C.G. Mota. Viagem
incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: SENAC, 2000, p. 72-3.
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.
As ideias desenvolvidas no texto permitem inferir que os neologismos, abundantes nas obras de Guimarães Rosa, estão ausentes nas obras de Clarice Lispector.
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Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Embora, em muitos aspectos, a literatura de Clarice contraste com a de Guimarães Rosa, ela tem em comum com a dele a experimentação da linguagem, a eliminação da fronteira entre a prosa e a poesia, uma dimensão mística e metafísica, bem como características barrocas. O barroco de um é, porém, diametralmente oposto ao do outro: em Guimarães Rosa, há criação vocabular, exuberância linguística, muitas narrativas entrelaçadas; em Clarice, há economia de palavras e ausência de narrativa, a aproximação ao barroco ocorre, sobretudo, através da repetição, que realça um significado cada vez mais fugidio à medida que se tenta explicitá-lo. [...] A poesia em Guimarães Rosa está nos ritmos, nas rimas internas, nas onomatopeias, nas aliterações, no aspecto formal do texto e também na criação de significados através da junção inusitada de palavras. A de Clarice, na vertigem de sentido e no “movimento em círculo da palavra ao silêncio e do silêncio à palavra”, enquanto seus textos vão desvendando um território em direção ao nada ou então ao reinício.
J. Almino. De Machado a Clarice: a força da literatura. In: C.G. Mota. Viagem
incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: SENAC, 2000, p. 72-3.
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.
Com base na análise dos recursos da linguagem poética empregados pelos dois autores mencionados no texto, conclui-se que ambos fazem parte da vanguarda que promoveu a Semana de Arte Moderna.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Embora, em muitos aspectos, a literatura de Clarice contraste com a de Guimarães Rosa, ela tem em comum com a dele a experimentação da linguagem, a eliminação da fronteira entre a prosa e a poesia, uma dimensão mística e metafísica, bem como características barrocas. O barroco de um é, porém, diametralmente oposto ao do outro: em Guimarães Rosa, há criação vocabular, exuberância linguística, muitas narrativas entrelaçadas; em Clarice, há economia de palavras e ausência de narrativa, a aproximação ao barroco ocorre, sobretudo, através da repetição, que realça um significado cada vez mais fugidio à medida que se tenta explicitá-lo. [...] A poesia em Guimarães Rosa está nos ritmos, nas rimas internas, nas onomatopeias, nas aliterações, no aspecto formal do texto e também na criação de significados através da junção inusitada de palavras. A de Clarice, na vertigem de sentido e no “movimento em círculo da palavra ao silêncio e do silêncio à palavra”, enquanto seus textos vão desvendando um território em direção ao nada ou então ao reinício.
J. Almino. De Machado a Clarice: a força da literatura. In: C.G. Mota. Viagem
incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: SENAC, 2000, p. 72-3.
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.
O autor do texto elenca características literárias das obras de Guimarães Rosa mais voltadas aos aspectos fônicos e morfológicos e as identifica também nas obras de Clarice Lispector, aproximando a produção literária desses autores.
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Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Embora, em muitos aspectos, a literatura de Clarice contraste com a de Guimarães Rosa, ela tem em comum com a dele a experimentação da linguagem, a eliminação da fronteira entre a prosa e a poesia, uma dimensão mística e metafísica, bem como características barrocas. O barroco de um é, porém, diametralmente oposto ao do outro: em Guimarães Rosa, há criação vocabular, exuberância linguística, muitas narrativas entrelaçadas; em Clarice, há economia de palavras e ausência de narrativa, a aproximação ao barroco ocorre, sobretudo, através da repetição, que realça um significado cada vez mais fugidio à medida que se tenta explicitá-lo. [...] A poesia em Guimarães Rosa está nos ritmos, nas rimas internas, nas onomatopeias, nas aliterações, no aspecto formal do texto e também na criação de significados através da junção inusitada de palavras. A de Clarice, na vertigem de sentido e no “movimento em círculo da palavra ao silêncio e do silêncio à palavra”, enquanto seus textos vão desvendando um território em direção ao nada ou então ao reinício.
J. Almino. De Machado a Clarice: a força da literatura. In: C.G. Mota. Viagem
incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: SENAC, 2000, p. 72-3.
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.
O desenvolvimento das ideias do texto permite concluir que o autor enquadra Clarice Lispector e Guimarães Rosa como autores do período da literatura brasileira entre os séculos XVII e XVIII, no qual o expoente maior foi o padre Antonio Vieira.
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Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Embora, em muitos aspectos, a literatura de Clarice contraste com a de Guimarães Rosa, ela tem em comum com a dele a experimentação da linguagem, a eliminação da fronteira entre a prosa e a poesia, uma dimensão mística e metafísica, bem como características barrocas. O barroco de um é, porém, diametralmente oposto ao do outro: em Guimarães Rosa, há criação vocabular, exuberância linguística, muitas narrativas entrelaçadas; em Clarice, há economia de palavras e ausência de narrativa, a aproximação ao barroco ocorre, sobretudo, através da repetição, que realça um significado cada vez mais fugidio à medida que se tenta explicitá-lo. [...] A poesia em Guimarães Rosa está nos ritmos, nas rimas internas, nas onomatopeias, nas aliterações, no aspecto formal do texto e também na criação de significados através da junção inusitada de palavras. A de Clarice, na vertigem de sentido e no “movimento em círculo da palavra ao silêncio e do silêncio à palavra”, enquanto seus textos vão desvendando um território em direção ao nada ou então ao reinício.
J. Almino. De Machado a Clarice: a força da literatura. In: C.G. Mota. Viagem
incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: SENAC, 2000, p. 72-3.
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.
Segundo o autor do texto, tanto a obra de Clarice Lispector quanto a de Guimarães Rosa apresentam características pré-modernistas, sobretudo no que se refere à utilização da linguagem literária.
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Nos versos de Adélia Prado, o eu poético revela-se
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