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2501036 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
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Para a questão, considere o fragmento abaixo, extraído de Vidas secas, de Graciliano Ramos.

O pequeno sentou-se, acomodou-se nas pernas a cabeça da cachorra, pôs-se a contar-lhe baixinho uma história. Tinha um vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que morrera no tempo da seca. Valia-se, pois, de exclamações e de gestos, e Baleia respondia com o rabo, com a língua, com movimentos fáceis de entender.

(Graciliano Ramos. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 57.)

Uma definição possível de alteridade é “a capacidade de se colocar no lugar do outro”. No excerto, o menino mais velho, após ter recebido um cocorote de sinhá Vitória, ao lhe ter feito uma pergunta sobre a palavra “inferno”, conta uma história para Baleia. Da leitura desse trecho, podemos concluir que

 

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2501035 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
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Leia o seguinte excerto de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis:

Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.

(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p.120.)

Na passagem citada, a substituição da máxima pascalina de que o homem é um caniço pensante pelo enunciado “o homem é uma errata pensante” significa

 

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2494299 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Texto I
Em geral, quando se comenta a literatura de José de Alencar esta é marcada por seu traço indianista (...) Discute-se apenas um certo artificialismo que há nas descrições que Alencar fez dos índios, e também a excessiva idealização de personagens como Peri, Iracema e Ubirajara. No entanto, o próprio escritor havia declarado em suas páginas sobre os povos indígenas que seu ideal era despir os índios daqueles traços grotescos que lhe haviam colocado os europeus em seus diários de viagens. Portanto, seu índio era um personagem de romance, belo, idealizado, forjado para ser símbolo de uma nacionalidade que estava em construção. Assim, sua beleza, força, heroísmo faz com que os índios sejam como os cavaleiros medievais, os quais não existiram no Brasil, por falta de uma Idade Média. De forma, que dentro do ideal de a América ser a renovadora do Velho Mundo, o índio figura nas obras de Alencar como o cavaleiro nobre das florestas.
(CÂNDIDO, Weslei Roberto. Revista Iluminart, Número 5, Agosto de 2010, disponível em http://www.cefetsp.br/edu/sertaozinho/revista/volumes_anteriores/volume1numero6/volumes_
anteriores/volume1numero5/iluminart.htm Acesso em: 28 fev. 2014.
Texto II
Em nossos dias, o neo-indianismo dos modernos de 1922 (precedido por meio século de etnografia sistemática) iria acentuar aspectos autênticos da vida do índio, encarando-o não como gentil-homem embrionário, mas como primitivo, cujo interesse residia precisamente no que trouxesse de diferente, contraditório em relação à nossa cultura européia. O indianismo dos românticos, porém, preocupou-se sobremaneira em equipará-lo qualitativamente ao conquistador, realçando ou inventando aspectos do seu comportamento que pudessem fazê-lo ombrear com este no cavalheirismo, na generosidade, na poesia.
CANDIDO, Antônio. Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos.
São Paulo: Martins, 1969.
Considerando as opiniões expostas nos textos acima, conclui-se que:
 

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Texto 1
Triste Bahia
Triste Bahia, oh, quão dessemelhante…
Estás e estou do nosso antigo estado
Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado
Rico te vejo eu, já tu a mim abundante
Triste Bahia, oh, quão dessemelhante
A ti tocou-te a máquina mercante
Quem tua larga barra tem entrado
A mim vem me trocando e tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante
[...]
Triste, oh, quão dessemelhante
ê, ô, galo canta
O galo cantou, camará
ê, cocorocô, ê cocorocô, camará
ê, vamo-nos embora, ê vamo-nos embora
camará
ê, pelo mundo afora, ê pelo mundo afora
camará
ê, triste Bahia, ê, triste Bahia, camará
Bandeira branca enfiada em pau forte…
Afoxé leî, leî, leô…
Bandeira branca, bandeira branca enfiada
em pau forte…
O vapor da cachoeira não navega mais no
Texto 2
À cidade da Bahia
Triste Bahia! Oh quão dessemelhante
Estás, e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vejo eu já, tu a mi abundante.
A ti tocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado
Tanto negócio, e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus, que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
GUERRA, Gregório de Matos. Disponível em:
http://www.ufrgs.br/coperse/concurso-
vestibular/vestibular-2014/seleta-gregorio-
de-matos-guerra/view
Acesso em: 19 de março de 2014.
mar…
Triste Recôncavo, oh, quão dessemelhante
Maria pé no mato é hora…
Arriba a saia e vamo-nos embora…
Pé dentro, pé fora, quem tiver pé pequeno
vai embora…
[...]
VELOSO, Caetano. Disponível em:
http://www.caetanoveloso.com.br/discografia.php?
pagina=4 Acesso em: 21 de março de 2014.
Alfredo Bosi, em sua “História concisa da Literatura Brasileira”, afirma que a obra de Gregório de Matos Guerra “interessa não só como documento da vida social dos Seiscentos, mas também pelo nível artístico que atingiu”. O soneto transcrito anteriormente (texto 2) é exemplo da sofisticação estética sugerida pelo teórico.
Sobre tal soneto de Gregório de Matos Guerra, Bosi afirma que
 

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Texto 3
Lusofonia
Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada
no café, em frente da chávena do café, enquanto
alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este
poema sobre essa rapariga porque, no brasil, a palavra
rapariga não quer dizer o que ela diz em portugal. Então,
terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café,
a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga
que alisa os cabelos com a mão, num café de lisboa, não
fique estragada para sempre quando este poema atravessar
o atlântico para desembarcar no rio de janeiro. E isto tudo
sem pensar em áfrica, porque aí lá terei
de escrever sobre a moça do café, para
evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é
uma palavra que já me está a pôr com dores
de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria
era escrever um poema sobre a rapariga do
café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a
escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma rapariga se
pode sentar à mesa porque só servem cafés ao balcão.
rapariga: s.f., fem. de rapaz; mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.
JÚDICE, Nuno. Matéria do Poema. Lisboa: D. Quixote, 2008.
Texto 4
Procura da Poesia
[...]
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intacta.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito,
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
ANDRADE, C. Drummond de. Poesia 1930-62: de Alguma poesia a Lição das coisas. Edição crítica.
São Paulo: Cosac Naif, 2012.
É possível afirmar que o poema “Lusofonia”, do escritor português Nuno Judice, propõe uma reflexão sobre
 

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2493389 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
De acordo com CUNHA & CINTRA (2001), do ponto de vista metodológico, há uma necessidade de definir e delimitar conceitos em uma abordagem linguística. Dentro dessa perspectiva, analise as seguintes afirmativas
I. Linguagem é vista como um conjunto complexo de processos que torna possível a aquisição e o emprego de uma língua.
II. A língua é vista como um sistema gramatical pertencente a um grupo de indivíduos, parte social da linguagem.
III. O discurso é tido como a língua no ato de execução individual e concreto.
IV. Língua, texto e discurso são entendidos como partes opostas do fenômeno complexo da comunicação humana.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
 

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Texto 3
Lusofonia
Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada
no café, em frente da chávena do café, enquanto
alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este
poema sobre essa rapariga porque, no brasil, a palavra
rapariga não quer dizer o que ela diz em portugal. Então,
terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café,
a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga
que alisa os cabelos com a mão, num café de lisboa, não
fique estragada para sempre quando este poema atravessar
o atlântico para desembarcar no rio de janeiro. E isto tudo
sem pensar em áfrica, porque aí lá terei
de escrever sobre a moça do café, para
evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é
uma palavra que já me está a pôr com dores
de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria
era escrever um poema sobre a rapariga do
café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a
escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma rapariga se
pode sentar à mesa porque só servem cafés ao balcão.
rapariga: s.f., fem. de rapaz; mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.
JÚDICE, Nuno. Matéria do Poema. Lisboa: D. Quixote, 2008.
Texto 4
Procura da Poesia
[...]
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intacta.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito,
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
ANDRADE, C. Drummond de. Poesia 1930-62: de Alguma poesia a Lição das coisas. Edição crítica.
São Paulo: Cosac Naif, 2012.
Alfredo Bosi, ao comentar sobre a obra de Drummond em “História concisa da Literatura Brasileira”, cita um trecho bastante elucidativo de “Confissões de Minas”, para exemplificar o que qualifica como “um dos dois modos principais de [Drummond] compor o poema”. Diz a citação do poeta mineiro:
“À medida que envelheço, vou me desfazendo dos adjetivos. Chego a ver que tudo se pode dizer sem eles, melhor que com eles. Por que “noite gélida”, “noite solitária”, “profunda noite”? basta “a noite”. O frio, a solidão, a profundidade da noite estão latentes no leitor, prestes a envolvê-lo, à simples provocação dessa palavra “noite”.
Tal “modo de produção” encontra, em “Procura da Poesia”, adequado exemplo, sendo definido por Bosi como
 

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Segundo Regina Zilberman, em sua obra “Fim do livro, fim dos leitores?”, “dos componentes que constituem o sistema literário – sintetizado no triângulo escritor, obra, leitor –, este é seguidamente o menos levado em conta, embora tão evidente quanto os demais. Figura histórica, cuja presença constata-se em civilizações passadas que se valeram da escrita, o leitor alcançou maior visibilidade a partir do século XVIII, quando sua predileção por determinados tipos de obra provocou o aparecimento e a consolidação de certos gêneros artísticos, tanto quanto induziu à adoção de medidas pedagógicas”.
A autora, na sequência da obra citada, após analisar a figura do leitor como um ser social e perceber como “leitor e público aparecem no posto de último elo da cadeia, receptáculo das decisões do sistema”, afirma que tal figura (a do leitor) foi reabilitada pela ficção contemporânea, “recolocando-a na posição de protagonista”. Ao estabelecer estreita relação entre o texto literário, o livro como objeto e o leitor, a autora conclui que
 

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2492032 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Como é que, desvalimento de gente assim, podiam escolher ofício de salteador? Ah, mas não eram. Que o que acontecia era de serem só esses homens reperdidos sem salvação naquele recanto lontão de mundo, groteiros dum sertão, os catrumanos daquelas brenhas. O Acauã que explicou, o Acauã sabia deles. Que viviam tapados de Deus, assim nosocos. Nem não saíam dos solapos, segundo refleti, dando cria feito bichos, em socavas. Mas por ali deviam de ter suas casas e suas mulheres, seus meninos pequenos. Cafuas levantadas nas burgueias, em dobras de serra ou no chão das baixadas, beira de brejo; às vezes formando mesmo arruados.

Aí plantavam suas rocinhas, às vezes não tinham gordura nem sal. Tanteei pena deles, grande pena. Como era que podiam parecer homens de exata valentia? Eles mesmos faziam preparo da pólvora de que tinham uso, ralado salitre das lapas, manipulando em panelas. Que era uma pólvora preta, fedorenta, que estrondava com espalhafato, enchendo os lugares de fumaceira. E às vezes essa pólvora bruta fazia as armas rebentarem, queimando e matando o atirador. Como era que eles podiam brigar? Conforme podiam viver?

João Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas.
Rio de janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 544.

Tendo como referência o fragmento acima, da obra Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, julgue o item seguinte.

Não se pode considerar a obra de Guimarães Rosa regionalista, dado que seus personagens evidenciam tendência ao universal.

 

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2492031 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Como é que, desvalimento de gente assim, podiam escolher ofício de salteador? Ah, mas não eram. Que o que acontecia era de serem só esses homens reperdidos sem salvação naquele recanto lontão de mundo, groteiros dum sertão, os catrumanos daquelas brenhas. O Acauã que explicou, o Acauã sabia deles. Que viviam tapados de Deus, assim nosocos. Nem não saíam dos solapos, segundo refleti, dando cria feito bichos, em socavas. Mas por ali deviam de ter suas casas e suas mulheres, seus meninos pequenos. Cafuas levantadas nas burgueias, em dobras de serra ou no chão das baixadas, beira de brejo; às vezes formando mesmo arruados.

Aí plantavam suas rocinhas, às vezes não tinham gordura nem sal. Tanteei pena deles, grande pena. Como era que podiam parecer homens de exata valentia? Eles mesmos faziam preparo da pólvora de que tinham uso, ralado salitre das lapas, manipulando em panelas. Que era uma pólvora preta, fedorenta, que estrondava com espalhafato, enchendo os lugares de fumaceira. E às vezes essa pólvora bruta fazia as armas rebentarem, queimando e matando o atirador. Como era que eles podiam brigar? Conforme podiam viver?

João Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas.
Rio de janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 544.

Tendo como referência o fragmento acima, da obra Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, julgue o item seguinte.

A sintaxe empregada por Guimarães Rosa em seus textos é incomum, tendo em vista que ele mescla elementos da oralidade com elementos da prosa poética.

 

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