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Leia o Texto 6 para responder a questão.
Texto 6
Auto da Compadecida
Ariano Suassuna
JOÃO GRILO: E quem foi que disse que nós já fomos julgados
pela justiça?
PADRE: Você mesmo ouviu Nosso Senhor dizer que a situação
era difícil.
JOÃO GRILO: E difícil quer dizer sem jeito? Sem jeito!
Sem jeito por quê? Vocês são uns pamonhas, qualquer
coisa estão arriando. Não vê que tiveram tudo na terra? Se
tivessem tido que aguentar o rojão de João Grilo, passando
fome e comendo macambira na seca, garanto que tinham
mais coragem. Quer ver eu dar um jeito nisso, Padre
João?
PADRE: Quero, Joca.
JOÃO GRILO: Agora é Joca, hem? E você, Senhor Bispo?
BISPO: Eu também, João.
JOÃO GRILO: Padeiro?
PADEIRO: Veja o que pode fazer, João.
JOÃO GRILO: Severino? Mulher e cabra?
MULHER: Nós também. Nossa esperança é você
[...]
JOÃO GRILO: Um momento, Senhor. Posso dar uma palavra?
MANUEL: Você o que é que acha, minha mãe?
A COMPADECIDA: Deixe João falar.
MANUEL: Fale, João.
JOÃO GRILO: Os cinco últimos lugares do purgatório estão
desocupados?
MANUEL: Estão.
JOÃO GRILO: Pegue esses cinco camaradas e bote lá.
AUTO DA COMPADECIDA. 34. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2004. p. 167;
168; 181.
A peça Auto da Compadecida apresenta, estruturalmente, quinze personagens, e entre estas o Palhaço, usado como
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Leia o Texto 6 para responder a questão.
Texto 6
Auto da Compadecida
Ariano Suassuna
JOÃO GRILO: E quem foi que disse que nós já fomos julgados
pela justiça?
PADRE: Você mesmo ouviu Nosso Senhor dizer que a situação
era difícil.
JOÃO GRILO: E difícil quer dizer sem jeito? Sem jeito!
Sem jeito por quê? Vocês são uns pamonhas, qualquer
coisa estão arriando. Não vê que tiveram tudo na terra? Se
tivessem tido que aguentar o rojão de João Grilo, passando
fome e comendo macambira na seca, garanto que tinham
mais coragem. Quer ver eu dar um jeito nisso, Padre
João?
PADRE: Quero, Joca.
JOÃO GRILO: Agora é Joca, hem? E você, Senhor Bispo?
BISPO: Eu também, João.
JOÃO GRILO: Padeiro?
PADEIRO: Veja o que pode fazer, João.
JOÃO GRILO: Severino? Mulher e cabra?
MULHER: Nós também. Nossa esperança é você
[...]
JOÃO GRILO: Um momento, Senhor. Posso dar uma palavra?
MANUEL: Você o que é que acha, minha mãe?
A COMPADECIDA: Deixe João falar.
MANUEL: Fale, João.
JOÃO GRILO: Os cinco últimos lugares do purgatório estão
desocupados?
MANUEL: Estão.
JOÃO GRILO: Pegue esses cinco camaradas e bote lá.
AUTO DA COMPADECIDA. 34. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2004. p. 167;
168; 181.
Um auto é uma peça teatral – gênero dramático – marcado pela presença da alegoria. Frequentemente, é de inspiração religiosa e moralizante. No trecho citado, e em toda a peça, personagens como Manuel e Compadecida são construídos para
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Texto 6
Auto da Compadecida
Ariano Suassuna
JOÃO GRILO: E quem foi que disse que nós já fomos julgados
pela justiça?
PADRE: Você mesmo ouviu Nosso Senhor dizer que a situação
era difícil.
JOÃO GRILO: E difícil quer dizer sem jeito? Sem jeito!
Sem jeito por quê? Vocês são uns pamonhas, qualquer
coisa estão arriando. Não vê que tiveram tudo na terra? Se
tivessem tido que aguentar o rojão de João Grilo, passando
fome e comendo macambira na seca, garanto que tinham
mais coragem. Quer ver eu dar um jeito nisso, Padre
João?
PADRE: Quero, Joca.
JOÃO GRILO: Agora é Joca, hem? E você, Senhor Bispo?
BISPO: Eu também, João.
JOÃO GRILO: Padeiro?
PADEIRO: Veja o que pode fazer, João.
JOÃO GRILO: Severino? Mulher e cabra?
MULHER: Nós também. Nossa esperança é você
[...]
JOÃO GRILO: Um momento, Senhor. Posso dar uma palavra?
MANUEL: Você o que é que acha, minha mãe?
A COMPADECIDA: Deixe João falar.
MANUEL: Fale, João.
JOÃO GRILO: Os cinco últimos lugares do purgatório estão
desocupados?
MANUEL: Estão.
JOÃO GRILO: Pegue esses cinco camaradas e bote lá.
AUTO DA COMPADECIDA. 34. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2004. p. 167;
168; 181.
As ações descritas na cena teatral caracterizam bem o protagonista da peça que
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Texto 4
Pais e Filhos
Renato Russo
Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo! Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há
Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há
Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer
Disponível em: <http://letras.mus.br/renato-russo/75858/>. Acesso em: 14 mar. 2014.
Levando em conta os traços de estilo apresentados, considera- se que o texto é
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Em uma situação discursiva, uma criança tenta perguntar a idade de uma pessoa:
Cr: - Que chama Tio Roberto ano.
Ad: - Ah! Não entendi.
Cr: - Como chama ano tio Roberto dele?
Ad: - Ah! Quantos anos o Tio Roberto tem?
MUSSALIN, apud Bentes, 2001. [Adaptado].
Essa situação favorece o entendimento de que a aquisição da linguagem
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
Muito me pesa, leitor amigo, se outra coisa esperavas das minhas Viagens, se te falto, sem o querer, a promessas que julgaste ver nesse título, mas que eu não fiz decerto. Querias talvez que te contasse, marco a marco, as léguas das estradas?
(Almeida Garrett, Viagens na minha terra. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012, p. 218.)
No trecho acima, o narrador garrettiano admite que traiu as expectativas do leitor. Tal fato deveu-se
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
Para a questão, considere os versos abaixo dos poemas “Sentimento do mundo” e “Noturno à janela do apartamento”, de Carlos Drummond de Andrade, ambos publicados no livro Sentimento do mundo.
esse amanhecer
mais noite que a noite.
(Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p.12.)
Silencioso cubo de treva:
um salto, e seria a morte.
Mas é apenas, sob o vento,
a integração na noite.
Nenhum pensamento de infância,
nem saudade nem vão propósito.
Somente a contemplação
de um mundo enorme e parado.
A soma da vida é nula.
Mas a vida tem tal poder:
na escuridão absoluta,
como líquido, circula.
Suicídio, riqueza, ciência...
A alma severa se interroga
e logo se cala. E não sabe
se é noite, mar ou distância.
Triste farol da Ilha Rasa.
(Idem, p. 71.)
A visão de mundo do eu lírico em Drummond é marcada pela ironia e pela dúvida constante, cujo saldo final é negativo e melancólico (“Triste farol da Ilha Rasa”). Tal perspectiva assemelha-se à do
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
Para a questão, considere os versos abaixo dos poemas “Sentimento do mundo” e “Noturno à janela do apartamento”, de Carlos Drummond de Andrade, ambos publicados no livro Sentimento do mundo.
esse amanhecer
mais noite que a noite.
(Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p.12.)
Silencioso cubo de treva:
um salto, e seria a morte.
Mas é apenas, sob o vento,
a integração na noite.
Nenhum pensamento de infância,
nem saudade nem vão propósito.
Somente a contemplação
de um mundo enorme e parado.
A soma da vida é nula.
Mas a vida tem tal poder:
na escuridão absoluta,
como líquido, circula.
Suicídio, riqueza, ciência...
A alma severa se interroga
e logo se cala. E não sabe
se é noite, mar ou distância.
Triste farol da Ilha Rasa.
(Idem, p. 71.)
Considerando a obra Sentimento do mundo em seu conjunto e tendo em vista que os primeiros versos transcritos pertencem ao poema que abre e dá título ao livro de Drummond, e que o segundo poema, citado integralmente, corresponde ao fechamento do volume, é correto afirmar que
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
Sobre A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, é correto afirmar:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
Para a questão, considere o fragmento abaixo, extraído de Vidas secas, de Graciliano Ramos.
O pequeno sentou-se, acomodou-se nas pernas a cabeça da cachorra, pôs-se a contar-lhe baixinho uma história. Tinha um vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que morrera no tempo da seca. Valia-se, pois, de exclamações e de gestos, e Baleia respondia com o rabo, com a língua, com movimentos fáceis de entender.
(Graciliano Ramos. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 57.)
No romance Vidas secas, a alteridade é construída ficcionalmente. Isso porque o narrador
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