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Leia o poema a seguir, de Gregório de Matos, que descreve o que era, naquele tempo, a cidade da Bahia:
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.
[...]
Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.
Assinale a alternativa CORRETA:
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Leia o texto que segue, de Conceição Evaristo:
Meu rosário é feito de contas negras e mágicas.
Nas contas de meu rosário eu canto Mamãe Oxum e falo padres-nossos, ave-marias.
Do meu rosário eu ouço os longínquos batuques do meu povo
e encontro na memória mal adormecida
as rezas dos meses de maio de minha infância.
Sobre o texto, podemos afirmar que:
I. Há a repetição, de modos diferente, da estrutura “As contas do meu rosário”. Ela serve como coesão entre as partes do poema.
II. O poema é enunciado em terceira pessoa, e a temática gira em torno do rosário de Maria.
III. O sincretismo religioso se faz presente no segundo e no terceiro versos do poema.
IV. Nos versos 4 e 5, percebe-se o sentimento de pertencimento a uma coletividade.
V. O sincretismo religioso, quando há a assimilação de um sistema de crenças por outro, não está presente no texto.
Assinale a alternativa CORRETA:
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Leia os fragmentos de texto a seguir:
Tu não verás, Marília, cem cativos
Tirarem o cascalho e a rica terra,
Ou dos cercos dos rios caudalosos,
Ou da minada serra.
Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
No fundo da bateia.
Assinale a alternativa CORRETA:
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Leia o poema a seguir:
A MARIA DOS POVOS, SUA FUTURA ESPOSA
Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca, o Sol e o dia:
Enquanto com gentil descortesia,
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo passa a toda a ligeireza,
E imprime em cada flor sua pisada.
Oh! não aguardes que a madura idade
Te converta essa flor, essa beleza,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
(Gregório de Matos Guerra)
Sobre ele, é possível afirmar que:
I. Há a presença do carpe diem, um dos “clichês” ou lemas da escola literária Arcadismo. Um dos poetas que o utilizou foi Tomás Antônio Gonzaga: “Minha bela Marília, tudo passa;//A sorte deste mundo é mal segura;//”.
II. O carpe diem é uma retórica poética que retoma a antiguidade dos greco-latinos. No poema acima, a temática está relacionada à efemeridade da existência humana.
III. O poema faz parte da temática lírico-satírica de Gregório de Matos.
IV. No poema, o eu-lírico exalta a beleza da mulher, incitando-a a aproveitá-la, porque a beleza é passageira, assim como o tempo.
V. No primeiro terceto, há a presença do carpe-diem.
Assinale a alternativa CORRETA:
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Leia o poema a seguir:
O acendedor de lampiões
Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
A medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.
Triste ironia atroz que o senso humano irrita: –
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita
[...]
(Jorge de Lima)
Considere as seguintes afirmativas sobre o poema:
I. No primeiro quarteto, subjaz a ideia de que o acendedor de lampiões faz o seu trabalho sem cansaço, diligente; ao acender os lampiões, imita o sol, porque, à noite, traz iluminação para a rua, que se junta à claridade da lua.
II. No primeiro terceto, o eu-lírico nos apresenta a condição subalterna do acendedor de lampiões, porque ele, apesar de acender os lampiões da rua, talvez não tenha luz na própria casa/“choupana”.
III. Nos versos “Um, dois, três lampiões, acende e continua//Outros mais a acender imperturbavelmente”, está subentendido o ritmo de trabalho repetitivo do acendedor de lampiões.
Assinale a alternativa CORRETA:
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A respeito do Modernismo brasileiro e dos seus antecedentes, analise as afirmativas a seguir, preenchendo a coluna da esquerda com V, se a afirmativa for VERDADEIRA, e F, se for FALSA:
( ) A primeira fase do Modernismo brasileiro é chamada de “Heróica” (1922 – 1930); ela se traduziu numa liberdade ampla no uso do material linguístico. Nesse primeiro momento, houve a predileção da poesia sobre a prosa.
( ) Nos desdobramentos da Semana de Arte Moderna, vários manifestos surgiram propondo novos caminhos estéticos para a literatura nacional, a exemplo do Manifesto pau-brasil e do Manifesto antropófago, ambos propostos por Oswald de Andrade em 1924 e 1928, respectivamente.
( ) Os movimentos vanguardistas europeus (Futurismo, Dadaísmo, Expressionismo, Cubismo, Surrealismo) trazem conflitos entre a vida vivida e a vida pensada, cujas características serão percebidas no romance de 1930.
( ) Evento importante que antecedeu a Semana de Arte Moderna foi a polêmica exposição da pintora Anita Malfatti em 1917. A exposição rendeu a publicação do artigo de Monteiro Lobato “Paranoia ou mistificação”, em que, entre outros pontos, acusa-a de produzir arte esquisita e ilógica.
Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA de V e F de cima para baixo:
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Leia o trecho que segue da obra Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto:
Iria morrer, quem sabe se naquela noite mesmo? E que tinha ele feito de sua vida? Nada. Levara toda ela atrás da miragem de estudar a pátria, por amá-la e querê-la muito, no intuito de contribuir para a sua felicidade e prosperidade. Gastara a sua mocidade nisso, a sua virilidade também; e, agora que estava na velhice, como ela o recompensava, como ela o premiava, como ela o condecorava? Matando-o. E o que não deixara de ver, de gozar, de fruir, na sua vida? Tudo. Não brincara, não pandegara, não amara — todo esse lado da existência que parece fugir um pouco à sua tristeza necessária, ele não vira, ele não provara, ele não experimentara.
Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas coisas de tupi, do folk-lore, das suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma!
O tupi encontrou a incredulidade geral, o riso, a mofa, o escárnio; e levou-o à loucura. Uma decepção. E a agricultura? Nada. As terras não eram ferazes e ela não era fácil como diziam os livros. Outra decepção. E, quando o seu patriotismo se fizera combatente, o que achara? Decepções. Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele não a viu combater como feras? Pois não a via matar prisioneiros, inúmeros? Outra decepção. A sua vida era uma decepção, uma série, melhor, um encadeamento de decepções.
Barreto, 1991, p. 151-152.
Sobre o fragmento, pode-se afirmar que:
I. O texto traz a reflexão do que foi o personagem Policarpo Quarema durante a sua trajetória no romance: o amor à pátria e a decepção por ter dedicado tanto tempo da sua vida a estudá-la, com o propósito de vê-la próspera, grandiosa.
II. É possível perceber, no fragmento, os sonhos do personagem presentes nos capítulos do livro. A valorização da cultura nacional, pelo folclore e pelo desejo de ser o tupi a língua nacional (Primeira parte); a mudança do país pela agricultura, pois acreditava que as terras brasileiras eram férteis (Segunda parte) e a decepção com a pátria, quando descobre que vai morrer, mesmo depois de tudo o que fez por ela (Terceira parte).
III. Depois do percurso do personagem, pelo excerto, ele está desiludido, pois nada do que fizera pela pátria surtiu o efeito desejado. O desejo de ser o tupi a língua nacional, por exemplo, teve como resultado a troça e a zombaria das pessoas sobre Policarpo.
Assinale a alternativa CORRETA:
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Leia o poema a seguir:
Erro de português
Quando o português chegou
debaixo duma bruta chuva
vestiu o índio
que pena!
fosse uma manhã de sol
o índio tinha despido
o português
(Oswald de Andrade)
Sobre o poema, é INCORRETO afirmar que:
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Leia os poemas a seguir, antes de responder à questão.
Canto de regresso à pátria
Minha terra tem palmares
onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo
(Oswald de Andrade)
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
[...]
(Gonçalves Dias)
Ainda sobre o poema “Canto de regresso à pátria”, podemos afirmar que:
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Leia os poemas a seguir, antes de responder à questão.
Canto de regresso à pátria
Minha terra tem palmares
onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo
(Oswald de Andrade)
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
[...]
(Gonçalves Dias)
Sobre o poema “Canto de regresso à pátria”, é INCORRETO afirmar que:
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