Foram encontradas 349.312 questões.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Moinho de Sonhos
A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem
ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até
que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as
oliveiras vicejavam.
Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e
a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O
homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia.
A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em
terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino
que, no meio do caminho, achou um velho cabo de
vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de
Rocinante.
Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de
outra colhedeira − um garoto que se exibia com um
escudo e uma espada de pau.
Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve
junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela.
Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas
meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.
De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a
conversar, embora um e outro continuassem na sua.
Logo esse já sabia o nome daquele: o menino
recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.
Começaram a se misturar:
− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho.
−
Só se você me emprestar sua espada, respondeu
Alonso.
Iam se entendendo, apesar de assustados com a
felicidade da nova companhia.
Avançaram na entrega:
− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso.
Meu pai sozinho é que faz ele girar.
− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.
− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move
o moinho com um sopro.
Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a
contar:
− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o
dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela
toda.
− E se a gente esticasse o céu como uma lona e
cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.
− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.
− Temos de crescer primeiro.
− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num
jeito de subir até o céu! − disse Alonso.
− Vamos! − concordou Sancho.
Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo
entre os dois. Um sopro de vento passou por eles.
Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.
CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de
Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em:
https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s
onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
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Moinho de Sonhos
A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem
ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até
que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as
oliveiras vicejavam.
Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e
a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O
homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia.
A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em
terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino
que, no meio do caminho, achou um velho cabo de
vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de
Rocinante.
Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de
outra colhedeira − um garoto que se exibia com um
escudo e uma espada de pau.
Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve
junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela.
Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas
meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.
De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a
conversar, embora um e outro continuassem na sua.
Logo esse já sabia o nome daquele: o menino
recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.
Começaram a se misturar:
− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho.
−
Só se você me emprestar sua espada, respondeu
Alonso.
Iam se entendendo, apesar de assustados com a
felicidade da nova companhia.
Avançaram na entrega:
− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso.
Meu pai sozinho é que faz ele girar.
− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.
− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move
o moinho com um sopro.
Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a
contar:
− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o
dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela
toda.
− E se a gente esticasse o céu como uma lona e
cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.
− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.
− Temos de crescer primeiro.
− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num
jeito de subir até o céu! − disse Alonso.
− Vamos! − concordou Sancho.
Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo
entre os dois. Um sopro de vento passou por eles.
Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.
CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de
Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em:
https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s
onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
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Moinho de Sonhos
A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem
ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até
que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as
oliveiras vicejavam.
Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e
a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O
homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia.
A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em
terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino
que, no meio do caminho, achou um velho cabo de
vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de
Rocinante.
Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de
outra colhedeira − um garoto que se exibia com um
escudo e uma espada de pau.
Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve
junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela.
Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas
meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.
De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a
conversar, embora um e outro continuassem na sua.
Logo esse já sabia o nome daquele: o menino
recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.
Começaram a se misturar:
− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho.
−
Só se você me emprestar sua espada, respondeu
Alonso.
Iam se entendendo, apesar de assustados com a
felicidade da nova companhia.
Avançaram na entrega:
− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso.
Meu pai sozinho é que faz ele girar.
− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.
− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move
o moinho com um sopro.
Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a
contar:
− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o
dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela
toda.
− E se a gente esticasse o céu como uma lona e
cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.
− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.
− Temos de crescer primeiro.
− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num
jeito de subir até o céu! − disse Alonso.
− Vamos! − concordou Sancho.
Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo
entre os dois. Um sopro de vento passou por eles.
Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.
CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de
Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em:
https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s
onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
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Moinho de Sonhos
A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem
ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até
que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as
oliveiras vicejavam.
Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e
a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O
homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia.
A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em
terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino
que, no meio do caminho, achou um velho cabo de
vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de
Rocinante.
Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de
outra colhedeira − um garoto que se exibia com um
escudo e uma espada de pau.
Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve
junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela.
Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas
meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.
De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a
conversar, embora um e outro continuassem na sua.
Logo esse já sabia o nome daquele: o menino
recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.
Começaram a se misturar:
− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho.
−
Só se você me emprestar sua espada, respondeu
Alonso.
Iam se entendendo, apesar de assustados com a
felicidade da nova companhia.
Avançaram na entrega:
− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso.
Meu pai sozinho é que faz ele girar.
− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.
− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move
o moinho com um sopro.
Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a
contar:
− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o
dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela
toda.
− E se a gente esticasse o céu como uma lona e
cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.
− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.
− Temos de crescer primeiro.
− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num
jeito de subir até o céu! − disse Alonso.
− Vamos! − concordou Sancho.
Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo
entre os dois. Um sopro de vento passou por eles.
Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.
CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de
Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em:
https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s
onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
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Moinho de Sonhos
A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem
ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até
que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as
oliveiras vicejavam.
Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e
a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O
homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia.
A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em
terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino
que, no meio do caminho, achou um velho cabo de
vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de
Rocinante.
Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de
outra colhedeira − um garoto que se exibia com um
escudo e uma espada de pau.
Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve
junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela.
Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas
meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.
De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a
conversar, embora um e outro continuassem na sua.
Logo esse já sabia o nome daquele: o menino
recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.
Começaram a se misturar:
− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho.
−
Só se você me emprestar sua espada, respondeu
Alonso.
Iam se entendendo, apesar de assustados com a
felicidade da nova companhia.
Avançaram na entrega:
− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso.
Meu pai sozinho é que faz ele girar.
− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.
− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move
o moinho com um sopro.
Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a
contar:
− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o
dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela
toda.
− E se a gente esticasse o céu como uma lona e
cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.
− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.
− Temos de crescer primeiro.
− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num
jeito de subir até o céu! − disse Alonso.
− Vamos! − concordou Sancho.
Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo
entre os dois. Um sopro de vento passou por eles.
Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.
CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de
Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em:
https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s
onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
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"A principal meta de muitos estudantes é uma só:
alcançar uma formação de qualidade."
Os dois-pontos indicam uma pausa significativa na entonação, anunciando que a frase ainda não foi concluída.
No enunciado acima, ele foi utilizado para:
Os dois-pontos indicam uma pausa significativa na entonação, anunciando que a frase ainda não foi concluída.
No enunciado acima, ele foi utilizado para:
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O homem nu
(Fernando Sabino)
Ao acordar, disse para a mulher:
— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação
da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas
acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade,
estou a nenhum.
— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.
— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto
de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.
Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro,
não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.
Deixa ele bater até cansar —
amanhã eu pago.
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao
banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se
trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer
um café.
Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para
apanhar o pão. Como estivesse completamente nu,
olhou com cautela para um lado e para outro antes de
arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado
pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era
muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus
dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si
fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de
tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor.
Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro
interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na
certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão.
Bateu com o nó dos dedos:
— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz
baixa.
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.
Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador
fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...
Desta vez, era o homem da televisão! Não era.
Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou
que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu
apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o
embrulho de pão:
— Maria, por favor! Sou eu!
Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na
escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado
de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim
despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet
grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se
aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta
e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a
subida de mais um lanço de escada.
Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o
embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do
elevador se fecha e ele começa a descer.
— Ah, isso é que não! — fez o homem nu,
sobressaltado.
E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador
e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum
vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava
sendo levado cada vez para mais longe de seu
apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo
de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais
autêntico e desvairado Regime do Terror!
— Isso é que não — repetiu, furioso.
Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre
os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo,
fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que
sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu
andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.
Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E
agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a
parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia
em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez
esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que
outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado,
apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente
cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do
apartamento vizinho:
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. —
Imagine que eu...
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou
um grito:
— Valha-me Deus! O padeiro está nu!
E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
— Tem um homem pelado aqui na porta!
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se
passava:
— É um tarado!
— Olha, que horror!
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para
ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se
precipitadamente, sem nem se lembrar do banho.
Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora,
bateram na porta!
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo
abrir.
Não era: era o cobrador da televisão.
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
O vocábulo 'chuveiro' é grafado com 'ch'. Identifique a alternativa que apresenta todos vocábulos grafados CORRETAMENTE com essa mesma letra.
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O homem nu
(Fernando Sabino)
Ao acordar, disse para a mulher:
— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação
da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas
acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade,
estou a nenhum.
— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.
— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto
de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.
Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro,
não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.
Deixa ele bater até cansar —
amanhã eu pago.
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao
banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se
trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer
um café.
Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para
apanhar o pão. Como estivesse completamente nu,
olhou com cautela para um lado e para outro antes de
arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado
pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era
muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus
dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si
fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de
tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor.
Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro
interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na
certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão.
Bateu com o nó dos dedos:
— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz
baixa.
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.
Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador
fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...
Desta vez, era o homem da televisão! Não era.
Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou
que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu
apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o
embrulho de pão:
— Maria, por favor! Sou eu!
Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na
escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado
de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim
despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet
grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se
aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta
e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a
subida de mais um lanço de escada.
Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o
embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do
elevador se fecha e ele começa a descer.
— Ah, isso é que não! — fez o homem nu,
sobressaltado.
E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador
e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum
vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava
sendo levado cada vez para mais longe de seu
apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo
de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais
autêntico e desvairado Regime do Terror!
— Isso é que não — repetiu, furioso.
Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre
os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo,
fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que
sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu
andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.
Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E
agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a
parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia
em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez
esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que
outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado,
apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente
cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do
apartamento vizinho:
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. —
Imagine que eu...
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou
um grito:
— Valha-me Deus! O padeiro está nu!
E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
— Tem um homem pelado aqui na porta!
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se
passava:
— É um tarado!
— Olha, que horror!
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para
ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se
precipitadamente, sem nem se lembrar do banho.
Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora,
bateram na porta!
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo
abrir.
Não era: era o cobrador da televisão.
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
I.O personagem usa um embrulho de pão como 'cobertura', evidenciando seu desconforto.
II.As ações do personagem, como parar o elevador ou abrir a porta entre os andares, refletem sua desorientação.
III.As referências ao "Regime do Terror" e "pesadelo de Kafka" mostram como ele percebe a situação como extrema e surreal.
IV.O desespero do personagem era motivado pelo receio de ser surpreendido nu, pelo possível aparecimento inesperado do cobrador e pela perda de controle sobre os acontecimentos.
É correto o que se afirma em:
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O homem nu
(Fernando Sabino)
Ao acordar, disse para a mulher:
— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação
da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas
acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade,
estou a nenhum.
— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.
— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto
de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.
Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro,
não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.
Deixa ele bater até cansar —
amanhã eu pago.
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao
banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se
trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer
um café.
Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para
apanhar o pão. Como estivesse completamente nu,
olhou com cautela para um lado e para outro antes de
arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado
pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era
muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus
dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si
fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de
tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor.
Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro
interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na
certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão.
Bateu com o nó dos dedos:
— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz
baixa.
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.
Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador
fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...
Desta vez, era o homem da televisão! Não era.
Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou
que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu
apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o
embrulho de pão:
— Maria, por favor! Sou eu!
Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na
escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado
de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim
despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet
grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se
aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta
e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a
subida de mais um lanço de escada.
Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o
embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do
elevador se fecha e ele começa a descer.
— Ah, isso é que não! — fez o homem nu,
sobressaltado.
E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador
e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum
vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava
sendo levado cada vez para mais longe de seu
apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo
de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais
autêntico e desvairado Regime do Terror!
— Isso é que não — repetiu, furioso.
Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre
os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo,
fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que
sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu
andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.
Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E
agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a
parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia
em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez
esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que
outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado,
apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente
cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do
apartamento vizinho:
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. —
Imagine que eu...
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou
um grito:
— Valha-me Deus! O padeiro está nu!
E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
— Tem um homem pelado aqui na porta!
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se
passava:
— É um tarado!
— Olha, que horror!
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para
ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se
precipitadamente, sem nem se lembrar do banho.
Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora,
bateram na porta!
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo
abrir.
Não era: era o cobrador da televisão.
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Identifique a afirmativa que explica a insistência do personagem em chamar Maria e bater na porta mais de uma vez.
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O homem nu
(Fernando Sabino)
Ao acordar, disse para a mulher:
— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação
da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas
acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade,
estou a nenhum.
— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.
— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto
de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.
Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro,
não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.
Deixa ele bater até cansar —
amanhã eu pago.
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao
banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se
trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer
um café.
Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para
apanhar o pão. Como estivesse completamente nu,
olhou com cautela para um lado e para outro antes de
arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado
pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era
muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus
dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si
fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de
tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor.
Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro
interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na
certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão.
Bateu com o nó dos dedos:
— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz
baixa.
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.
Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador
fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...
Desta vez, era o homem da televisão! Não era.
Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou
que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu
apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o
embrulho de pão:
— Maria, por favor! Sou eu!
Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na
escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado
de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim
despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet
grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se
aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta
e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a
subida de mais um lanço de escada.
Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o
embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do
elevador se fecha e ele começa a descer.
— Ah, isso é que não! — fez o homem nu,
sobressaltado.
E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador
e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum
vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava
sendo levado cada vez para mais longe de seu
apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo
de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais
autêntico e desvairado Regime do Terror!
— Isso é que não — repetiu, furioso.
Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre
os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo,
fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que
sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu
andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.
Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E
agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a
parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia
em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez
esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que
outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado,
apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente
cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do
apartamento vizinho:
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. —
Imagine que eu...
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou
um grito:
— Valha-me Deus! O padeiro está nu!
E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
— Tem um homem pelado aqui na porta!
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se
passava:
— É um tarado!
— Olha, que horror!
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para
ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se
precipitadamente, sem nem se lembrar do banho.
Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora,
bateram na porta!
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo
abrir.
Não era: era o cobrador da televisão.
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
A partir desse trecho é CORRETO afirmar que:
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