Leia o texto.
Defender a língua é, de um modo geral, uma tarefa
ambígua e até certo ponto inútil. Mas também é
quase inútil e ambíguo dar conselhos aos jovens de
uma perspectiva adulta e, no entanto, todo o adulto
cumpre o que julga ser de seu dever. (…) no que se
refere à língua o choque ou oposição situam-se nor-
malmente na linha divisória do novo e do antigo. Mas
fixar no antigo a norma para o atual obrigaria esse
antigo (…) a recorrer a um mais antigo até ao limite
das origens da língua.
(…) Que se imagine um bom caturra do século XXIII
em face de uma transgressão de hoje que o uso venha
a consagrar. Naturalmente a valorizaria justamente
pela consagração de tal uso, emendando por ela as
transgressões de então. Assim a própria língua, como
ser vivo que é, decidirá o que lhe importa assimilar ou
recusar. Porque a inúmeros giros de frase e vocábu-
los a língua mastiga-os e deita-os fora. E a outros os
absorve e integra-os no seu modo de ser. (…) Hoje,
que a facilidade de comunicação é total, compreende-
mos como é inglório o combate contra a infecção. Ela
é menos, aliás, também por isso, uma fatalidade que
se sofre do que um cosmopolitismo que se procura.
(…) A língua viva, como o jovem, realiza-se no equilí-
brio ou no confronto de duas forças que o dinamizam
— a da regra e a da infração. Há casos em que o erro
é evidente e assim quem nele persiste é excluído do
convívio geral. (…) E, todavia, algo de fascinante (direi
de «útil»?) há, apesar de tudo, nessa marginalidade.
Ela faz-nos ao menos propedeuticamente relativizar
o que pressupomos como absoluto, ela apela para a
transgressão que é uma voz audível no marasmo e na
rotina, ela compõe a diversificação humana, amplian-
do-lhe o espectro da sua realidade. E só quando o
crime a limite nós a recusamos drasticamente. (…)
(Virgílio Ferreira. in Estão a Assassinar o Português. Texto adaptado)
Avalie as frases.
1. Você me faria a gentileza de indicar qual infração eu cometi?
2. Se eu tivesse quebrado as regras, ficava quieto.
3. Virgílio Ferreira morre em primeiro de março de 1996, em Portugal.
4. A língua falada deve, também merecer estudo, pois todos os falares precisam ser respeitados.
5. Nenhum previlégio, nenhuma ação beneficiente mediam essa controvérsia criada.
Assinale a alternativa correta sobre as frases.