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Duas vezes que parti sem dizer adeus

Por Jeferson Tenório

Sempre achei que alguém deveria escrever a história dos pais separados que vão visitar seus filhos. Dos pais que convivem diariamente com a falta. Uma história dos pais fracos que enjoam nos ônibus e que tem medo de avião. Tenho um filho. O nome dele é João. Não mora comigo. Vive em Santa Catarina. Uma vez por mês viajo para vê-lo. Ele ainda não completou três anos. Nas primeiras viagens, cada vez que o ônibus fazia uma curva, eu quase vomitava. Passados três anos e dezenas de idas e vindas na BR 101, construí uma fortaleza no estomago. Dostoiéviski tinha razão: a maior qualidade de homem é a de se habituar a tudo. Eu, no entanto, ainda não domei os aviões.

Antes de mais nada, quero adiantar que não sou escritor. Um escritor escreve. Eu escrevo, mas não me sinto um profissional nisso. Por outro lado, creio que não preciso da chancela de um editor para continuar escrevendo. Não tenho ideia se o que escrevo é bom. Embora eu devesse saber disso, pois ensino literatura. Sou formado em Letras e isso parece me autorizar a criticar o texto dos outros. Já imitei muita gente antes de desistir de ser escritor. Agora eu tenho um diário e isso me basta. Este texto é um fragmento dele. Não vivo de escrever. Faço rascunhos e observo as coisas. Estou bem assim. Com o tempo, a gente aceita a possibilidade de não ser mais um vencedor e de querer dizer as verdades.

Como não sei se escrevo bem, criei uma espécie de máquina dentro de mim que chamo de “autocrítica”. Eu a treinei para captar as besteiras que ponho no papel. Mas, por vezes, a máquina falha e passo a ter menosprezo por algumas palavras que saem da minha cabeça e é isso que me dói. Antes me doía não ser bom como o Dostoiéviski, agora só me dói não ter o que dizer quando preciso dizer.

Meu filho está crescendo longe de mim. Não quero drama nem lamentações, por isso tenho este diário. É o meu modo de preencher a falta. Sei que o que escrevo não é nada perto de tudo que já se fez. O que não faz dessas palavras algo menos importante, pois este texto será lido por algumas pessoas, alguns amigos e talvez meu filho. Para mim, o João lendo, é o suficiente. Sinceramente, não sei se o que acontece na nossa vida é uma história que merece ser contada. Nem sei se tenho uma história para contar. Não sei se este diário vale a pena. O que sei é já tive de voltar a Porto Alegre em silêncio com um pranto amarrado nos olhos ao sair escondido, porque não queria ver o João chorar na despedida.

Eu nunca pensei em ser pai. Sempre achei que ter um filho era uma coisa para os outros. Eu tive um colega na escola, o André. Ele teve um filho quando estava no ensino médio. O André parou de estudar e eu fui ao hospital ver a criança. Foi assustador. O André só tinha 16 anos. A mãe tinha 15. Todos diziam que eles tinham estragado o futuro deles. Ainda acompanhei o André por algum tempo. Ele trabalhou em um posto de gasolina da BR. Um ano depois eles se separam e o André começou a pagar uma pensão, mas nunca mais quis ver o filho. Agora ele tem outra família, tem mais dois filhos. E assim é.

Uma coisa é certa: os pais sempre serão os culpados pela má formação dos filhos. Pais sempre erram. Com os filhos a gente nunca ensina nada direito. A gente só aprende. Quando se põe um filho no mundo a gente pensa que pode defendê-lo de tudo, chegamos a achar que somos eternos, que os filhos serão sempre pequenos e vão nos amar todo o tempo. Às vezes os filhos, na vida adulta, nos perdoam pelas burradas que fizemos e então seguimos. Noutras, não há tempo para nada, nem para o perdão nem para o amor. Aí a vida vai passando, envelhecemos e depois temos de morrer para que os filhos sigam e conheçam a vida sozinhos.

(Disponível em: https://palavraria.wordpress.com/2013/01/19/a-cronica-de-jeferson-tenorio-das-vezes-que-parti-sem-dizer-adeus/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa na qual a reescrita do trecho “O João lendo, é o suficiente”, com a inserção de uma conjunção, manteve a mesma relação de sentido do trecho original.

 

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Por Jeferson Tenório

Sempre achei que alguém deveria escrever a história dos pais separados que vão visitar seus filhos. Dos pais que convivem diariamente com a falta. Uma história dos pais fracos que enjoam nos ônibus e que tem medo de avião. Tenho um filho. O nome dele é João. Não mora comigo. Vive em Santa Catarina. Uma vez por mês viajo para vê-lo. Ele ainda não completou três anos. Nas primeiras viagens, cada vez que o ônibus fazia uma curva, eu quase vomitava. Passados três anos e dezenas de idas e vindas na BR 101, construí uma fortaleza no estomago. Dostoiéviski tinha razão: a maior qualidade de homem é a de se habituar a tudo. Eu, no entanto, ainda não domei os aviões.

Antes de mais nada, quero adiantar que não sou escritor. Um escritor escreve. Eu escrevo, mas não me sinto um profissional nisso. Por outro lado, creio que não preciso da chancela de um editor para continuar escrevendo. Não tenho ideia se o que escrevo é bom. Embora eu devesse saber disso, pois ensino literatura. Sou formado em Letras e isso parece me autorizar a criticar o texto dos outros. Já imitei muita gente antes de desistir de ser escritor. Agora eu tenho um diário e isso me basta. Este texto é um fragmento dele. Não vivo de escrever. Faço rascunhos e observo as coisas. Estou bem assim. Com o tempo, a gente aceita a possibilidade de não ser mais um vencedor e de querer dizer as verdades.

Como não sei se escrevo bem, criei uma espécie de máquina dentro de mim que chamo de “autocrítica”. Eu a treinei para captar as besteiras que ponho no papel. Mas, por vezes, a máquina falha e passo a ter menosprezo por algumas palavras que saem da minha cabeça e é isso que me dói. Antes me doía não ser bom como o Dostoiéviski, agora só me dói não ter o que dizer quando preciso dizer.

Meu filho está crescendo longe de mim. Não quero drama nem lamentações, por isso tenho este diário. É o meu modo de preencher a falta. Sei que o que escrevo não é nada perto de tudo que já se fez. O que não faz dessas palavras algo menos importante, pois este texto será lido por algumas pessoas, alguns amigos e talvez meu filho. Para mim, o João lendo, é o suficiente. Sinceramente, não sei se o que acontece na nossa vida é uma história que merece ser contada. Nem sei se tenho uma história para contar. Não sei se este diário vale a pena. O que sei é já tive de voltar a Porto Alegre em silêncio com um pranto amarrado nos olhos ao sair escondido, porque não queria ver o João chorar na despedida.

Eu nunca pensei em ser pai. Sempre achei que ter um filho era uma coisa para os outros. Eu tive um colega na escola, o André. Ele teve um filho quando estava no ensino médio. O André parou de estudar e eu fui ao hospital ver a criança. Foi assustador. O André só tinha 16 anos. A mãe tinha 15. Todos diziam que eles tinham estragado o futuro deles. Ainda acompanhei o André por algum tempo. Ele trabalhou em um posto de gasolina da BR. Um ano depois eles se separam e o André começou a pagar uma pensão, mas nunca mais quis ver o filho. Agora ele tem outra família, tem mais dois filhos. E assim é.

Uma coisa é certa: os pais sempre serão os culpados pela má formação dos filhos. Pais sempre erram. Com os filhos a gente nunca ensina nada direito. A gente só aprende. Quando se põe um filho no mundo a gente pensa que pode defendê-lo de tudo, chegamos a achar que somos eternos, que os filhos serão sempre pequenos e vão nos amar todo o tempo. Às vezes os filhos, na vida adulta, nos perdoam pelas burradas que fizemos e então seguimos. Noutras, não há tempo para nada, nem para o perdão nem para o amor. Aí a vida vai passando, envelhecemos e depois temos de morrer para que os filhos sigam e conheçam a vida sozinhos.

(Disponível em: https://palavraria.wordpress.com/2013/01/19/a-cronica-de-jeferson-tenorio-das-vezes-que-parti-sem-dizer-adeus/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa na qual NÃO haja o emprego de linguagem figurada.

 

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Sempre achei que alguém deveria escrever a história dos pais separados que vão visitar seus filhos. Dos pais que convivem diariamente com a falta. Uma história dos pais fracos que enjoam nos ônibus e que tem medo de avião. Tenho um filho. O nome dele é João. Não mora comigo. Vive em Santa Catarina. Uma vez por mês viajo para vê-lo. Ele ainda não completou três anos. Nas primeiras viagens, cada vez que o ônibus fazia uma curva, eu quase vomitava. Passados três anos e dezenas de idas e vindas na BR 101, construí uma fortaleza no estomago. Dostoiéviski tinha razão: a maior qualidade de homem é a de se habituar a tudo. Eu, no entanto, ainda não domei os aviões.

Antes de mais nada, quero adiantar que não sou escritor. Um escritor escreve. Eu escrevo, mas não me sinto um profissional nisso. Por outro lado, creio que não preciso da chancela de um editor para continuar escrevendo. Não tenho ideia se o que escrevo é bom. Embora eu devesse saber disso, pois ensino literatura. Sou formado em Letras e isso parece me autorizar a criticar o texto dos outros. Já imitei muita gente antes de desistir de ser escritor. Agora eu tenho um diário e isso me basta. Este texto é um fragmento dele. Não vivo de escrever. Faço rascunhos e observo as coisas. Estou bem assim. Com o tempo, a gente aceita a possibilidade de não ser mais um vencedor e de querer dizer as verdades.

Como não sei se escrevo bem, criei uma espécie de máquina dentro de mim que chamo de “autocrítica”. Eu a treinei para captar as besteiras que ponho no papel. Mas, por vezes, a máquina falha e passo a ter menosprezo por algumas palavras que saem da minha cabeça e é isso que me dói. Antes me doía não ser bom como o Dostoiéviski, agora só me dói não ter o que dizer quando preciso dizer.

Meu filho está crescendo longe de mim. Não quero drama nem lamentações, por isso tenho este diário. É o meu modo de preencher a falta. Sei que o que escrevo não é nada perto de tudo que já se fez. O que não faz dessas palavras algo menos importante, pois este texto será lido por algumas pessoas, alguns amigos e talvez meu filho. Para mim, o João lendo, é o suficiente. Sinceramente, não sei se o que acontece na nossa vida é uma história que merece ser contada. Nem sei se tenho uma história para contar. Não sei se este diário vale a pena. O que sei é já tive de voltar a Porto Alegre em silêncio com um pranto amarrado nos olhos ao sair escondido, porque não queria ver o João chorar na despedida.

Eu nunca pensei em ser pai. Sempre achei que ter um filho era uma coisa para os outros. Eu tive um colega na escola, o André. Ele teve um filho quando estava no ensino médio. O André parou de estudar e eu fui ao hospital ver a criança. Foi assustador. O André só tinha 16 anos. A mãe tinha 15. Todos diziam que eles tinham estragado o futuro deles. Ainda acompanhei o André por algum tempo. Ele trabalhou em um posto de gasolina da BR. Um ano depois eles se separam e o André começou a pagar uma pensão, mas nunca mais quis ver o filho. Agora ele tem outra família, tem mais dois filhos. E assim é.

Uma coisa é certa: os pais sempre serão os culpados pela má formação dos filhos. Pais sempre erram. Com os filhos a gente nunca ensina nada direito. A gente só aprende. Quando se põe um filho no mundo a gente pensa que pode defendê-lo de tudo, chegamos a achar que somos eternos, que os filhos serão sempre pequenos e vão nos amar todo o tempo. Às vezes os filhos, na vida adulta, nos perdoam pelas burradas que fizemos e então seguimos. Noutras, não há tempo para nada, nem para o perdão nem para o amor. Aí a vida vai passando, envelhecemos e depois temos de morrer para que os filhos sigam e conheçam a vida sozinhos.

(Disponível em: https://palavraria.wordpress.com/2013/01/19/a-cronica-de-jeferson-tenorio-das-vezes-que-parti-sem-dizer-adeus/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que poderia substituir corretamente a palavra “chancela” sem causar alterações significativas ao texto.

 

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Sempre achei que alguém deveria escrever a história dos pais separados que vão visitar seus filhos. Dos pais que convivem diariamente com a falta. Uma história dos pais fracos que enjoam nos ônibus e que tem medo de avião. Tenho um filho. O nome dele é João. Não mora comigo. Vive em Santa Catarina. Uma vez por mês viajo para vê-lo. Ele ainda não completou três anos. Nas primeiras viagens, cada vez que o ônibus fazia uma curva, eu quase vomitava. Passados três anos e dezenas de idas e vindas na BR 101, construí uma fortaleza no estomago. Dostoiéviski tinha razão: a maior qualidade de homem é a de se habituar a tudo. Eu, no entanto, ainda não domei os aviões.

Antes de mais nada, quero adiantar que não sou escritor. Um escritor escreve. Eu escrevo, mas não me sinto um profissional nisso. Por outro lado, creio que não preciso da chancela de um editor para continuar escrevendo. Não tenho ideia se o que escrevo é bom. Embora eu devesse saber disso, pois ensino literatura. Sou formado em Letras e isso parece me autorizar a criticar o texto dos outros. Já imitei muita gente antes de desistir de ser escritor. Agora eu tenho um diário e isso me basta. Este texto é um fragmento dele. Não vivo de escrever. Faço rascunhos e observo coisas. Estou bem assim. Com o tempo, a gente aceita a possibilidade de não ser mais um vencedor e de querer dizer as verdades.

Como não sei se escrevo bem, criei uma espécie de máquina dentro de mim que chamo de “autocrítica”. Eu a treinei para captar as besteiras que ponho no papel. Mas, por vezes, a máquina falha e passo a ter menosprezo por algumas palavras que saem da minha cabeça e é isso que me dói. Antes me doía não ser bom como o Dostoiéviski, agora só me dói não ter o que dizer quando preciso dizer.

Meu filho está crescendo longe de mim. Não quero drama nem lamentações, por isso tenho este diário. É o meu modo de preencher a falta. Sei que o que escrevo não é nada perto de tudo que já se fez. O que não faz dessas palavras algo menos importante, pois este texto será lido por algumas pessoas, alguns amigos e talvez meu filho. Para mim, o João lendo, é o suficiente. Sinceramente, não sei se o que acontece na nossa vida é uma história que merece ser contada. Nem sei se tenho uma história para contar. Não sei se este diário vale pena. O que sei é já tive de voltar a Porto Alegre em silêncio com um pranto amarrado nos olhos ao sair escondido, porque não queria ver o João chorar na despedida.

Eu nunca pensei em ser pai. Sempre achei que ter um filho era uma coisa para os outros. Eu tive um colega na escola, o André. Ele teve um filho quando estava no ensino médio. O André parou de estudar e eu fui ao hospital ver a criança. Foi assustador. O André só tinha 16 anos. A mãe tinha 15. Todos diziam que eles tinham estragado o futuro deles. Ainda acompanhei o André por algum tempo. Ele trabalhou em um posto de gasolina da BR. Um ano depois eles se separam e o André começou a pagar uma pensão, mas nunca mais quis ver o filho. Agora ele tem outra família, tem mais dois filhos. E assim é.

Uma coisa é certa: os pais sempre serão os culpados pela má formação dos filhos. Pais sempre erram. Com os filhos a gente nunca ensina nada direito. A gente só aprende. Quando se põe um filho no mundo a gente pensa que pode defendê-lo de tudo, chegamos a achar que somos eternos, que os filhos serão sempre pequenos e vão nos amar todo o tempo. vezes os filhos, na vida adulta, nos perdoam pelas burradas que fizemos e então seguimos. Noutras, não há tempo para nada, nem para o perdão nem para o amor. Aí a vida vai passando, envelhecemos e depois temos de morrer para que os filhos sigam e conheçam a vida sozinhos.

(Disponível em: https://palavraria.wordpress.com/2013/01/19/a-cronica-de-jeferson-tenorio-das-vezes-que-parti-sem-dizer-adeus/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do segundo, quarto e sexto parágrafos.

 

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Sempre achei que alguém deveria escrever a história dos pais separados que vão visitar seus filhos. Dos pais que convivem diariamente com a falta. Uma história dos pais fracos que enjoam nos ônibus e que tem medo de avião. Tenho um filho. O nome dele é João. Não mora comigo. Vive em Santa Catarina. Uma vez por mês viajo para vê-lo. Ele ainda não completou três anos. Nas primeiras viagens, cada vez que o ônibus fazia uma curva, eu quase vomitava. Passados três anos e dezenas de idas e vindas na BR 101, construí uma fortaleza no estomago. Dostoiéviski tinha razão: a maior qualidade de homem é a de se habituar a tudo. Eu, no entanto, ainda não domei os aviões.

Antes de mais nada, quero adiantar que não sou escritor. Um escritor escreve. Eu escrevo, mas não me sinto um profissional nisso. Por outro lado, creio que não preciso da chancela de um editor para continuar escrevendo. Não tenho ideia se o que escrevo é bom. Embora eu devesse saber disso, pois ensino literatura. Sou formado em Letras e isso parece me autorizar a criticar o texto dos outros. Já imitei muita gente antes de desistir de ser escritor. Agora eu tenho um diário e isso me basta. Este texto é um fragmento dele. Não vivo de escrever. Faço rascunhos e observo as coisas. Estou bem assim. Com o tempo, a gente aceita a possibilidade de não ser mais um vencedor e de querer dizer as verdades.

Como não sei se escrevo bem, criei uma espécie de máquina dentro de mim que chamo de “autocrítica”. Eu a treinei para captar as besteiras que ponho no papel. Mas, por vezes, a máquina falha e passo a ter menosprezo por algumas palavras que saem da minha cabeça e é isso que me dói. Antes me doía não ser bom como o Dostoiéviski, agora só me dói não ter o que dizer quando preciso dizer.

Meu filho está crescendo longe de mim. Não quero drama nem lamentações, por isso tenho este diário. É o meu modo de preencher a falta. Sei que o que escrevo não é nada perto de tudo que já se fez. O que não faz dessas palavras algo menos importante, pois este texto será lido por algumas pessoas, alguns amigos e talvez meu filho. Para mim, o João lendo, é o suficiente. Sinceramente, não sei se o que acontece na nossa vida é uma história que merece ser contada. Nem sei se tenho uma história para contar. Não sei se este diário vale a pena. O que sei é já tive de voltar a Porto Alegre em silêncio com um pranto amarrado nos olhos ao sair escondido, porque não queria ver o João chorar na despedida.

Eu nunca pensei em ser pai. Sempre achei que ter um filho era uma coisa para os outros. Eu tive um colega na escola, o André. Ele teve um filho quando estava no ensino médio. O André parou de estudar e eu fui ao hospital ver a criança. Foi assustador. O André só tinha 16 anos. A mãe tinha 15. Todos diziam que eles tinham estragado o futuro deles. Ainda acompanhei o André por algum tempo. Ele trabalhou em um posto de gasolina da BR. Um ano depois eles se separam e o André começou a pagar uma pensão, mas nunca mais quis ver o filho. Agora ele tem outra família, tem mais dois filhos. E assim é.

Uma coisa é certa: os pais sempre serão os culpados pela má formação dos filhos. Pais sempre erram. Com os filhos a gente nunca ensina nada direito. A gente só aprende. Quando se põe um filho no mundo a gente pensa que pode defendê-lo de tudo, chegamos a achar que somos eternos, que os filhos serão sempre pequenos e vão nos amar todo o tempo. Às vezes os filhos, na vida adulta, nos perdoam pelas burradas que fizemos e então seguimos. Noutras, não há tempo para nada, nem para o perdão nem para o amor. Aí a vida vai passando, envelhecemos e depois temos de morrer para que os filhos sigam e conheçam a vida sozinhos.

(Disponível em: https://palavraria.wordpress.com/2013/01/19/a-cronica-de-jeferson-tenorio-das-vezes-que-parti-sem-dizer-adeus/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta o correto julgamento do autor sobre o ato de escrever.

 

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Sempre achei que alguém deveria escrever a história dos pais separados que vão visitar seus filhos. Dos pais que convivem diariamente com a falta. Uma história dos pais fracos que enjoam nos ônibus e que tem medo de avião. Tenho um filho. O nome dele é João. Não mora comigo. Vive em Santa Catarina. Uma vez por mês viajo para vê-lo. Ele ainda não completou três anos. Nas primeiras viagens, cada vez que o ônibus fazia uma curva, eu quase vomitava. Passados três anos e dezenas de idas e vindas na BR 101, construí uma fortaleza no estomago. Dostoiéviski tinha razão: a maior qualidade de homem é a de se habituar a tudo. Eu, no entanto, ainda não domei os aviões.

Antes de mais nada, quero adiantar que não sou escritor. Um escritor escreve. Eu escrevo, mas não me sinto um profissional nisso. Por outro lado, creio que não preciso da chancela de um editor para continuar escrevendo. Não tenho ideia se o que escrevo é bom. Embora eu devesse saber disso, pois ensino literatura. Sou formado em Letras e isso parece me autorizar a criticar o texto dos outros. Já imitei muita gente antes de desistir de ser escritor. Agora eu tenho um diário e isso me basta. Este texto é um fragmento dele. Não vivo de escrever. Faço rascunhos e observo as coisas. Estou bem assim. Com o tempo, a gente aceita a possibilidade de não ser mais um vencedor e de querer dizer as verdades.

Como não sei se escrevo bem, criei uma espécie de máquina dentro de mim que chamo de “autocrítica”. Eu a treinei para captar as besteiras que ponho no papel. Mas, por vezes, a máquina falha e passo a ter menosprezo por algumas palavras que saem da minha cabeça e é isso que me dói. Antes me doía não ser bom como o Dostoiéviski, agora só me dói não ter o que dizer quando preciso dizer.

Meu filho está crescendo longe de mim. Não quero drama nem lamentações, por isso tenho este diário. É o meu modo de preencher a falta. Sei que o que escrevo não é nada perto de tudo que já se fez. O que não faz dessas palavras algo menos importante, pois este texto será lido por algumas pessoas, alguns amigos e talvez meu filho. Para mim, o João lendo, é o suficiente. Sinceramente, não sei se o que acontece na nossa vida é uma história que merece ser contada. Nem sei se tenho uma história para contar. Não sei se este diário vale a pena. O que sei é já tive de voltar a Porto Alegre em silêncio com um pranto amarrado nos olhos ao sair escondido, porque não queria ver o João chorar na despedida.

Eu nunca pensei em ser pai. Sempre achei que ter um filho era uma coisa para os outros. Eu tive um colega na escola, o André. Ele teve um filho quando estava no ensino médio. O André parou de estudar e eu fui ao hospital ver a criança. Foi assustador. O André só tinha 16 anos. A mãe tinha 15. Todos diziam que eles tinham estragado o futuro deles. Ainda acompanhei o André por algum tempo. Ele trabalhou em um posto de gasolina da BR. Um ano depois eles se separam e o André começou a pagar uma pensão, mas nunca mais quis ver o filho. Agora ele tem outra família, tem mais dois filhos. E assim é.

Uma coisa é certa: os pais sempre serão os culpados pela má formação dos filhos. Pais sempre erram. Com os filhos a gente nunca ensina nada direito. A gente só aprende. Quando se põe um filho no mundo a gente pensa que pode defendê-lo de tudo, chegamos a achar que somos eternos, que os filhos serão sempre pequenos e vão nos amar todo o tempo. Às vezes os filhos, na vida adulta, nos perdoam pelas burradas que fizemos e então seguimos. Noutras, não há tempo para nada, nem para o perdão nem para o amor. Aí a vida vai passando, envelhecemos e depois temos de morrer para que os filhos sigam e conheçam a vida sozinhos.

(Disponível em: https://palavraria.wordpress.com/2013/01/19/a-cronica-de-jeferson-tenorio-das-vezes-que-parti-sem-dizer-adeus/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:

I. O autor tem como assunto principal a distância do filho, mas mescla trechos de reflexão sobre sua escrita ao texto.

II. O autor decide escrever sobre o tema escolhido por considerar que todos os acontecimentos simples de nossas vidas merecem ser contados.

III. Percebe-se no texto o quanto o autor se julga inferior em sua capacidade de escrever.

Quais estão corretas?

 

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2123333 Ano: 2022
Disciplina: Administração Geral
Banca: FUNDATEC
Orgão: IF-RS

Segundo Cobra (2021), “nenhum ser humano é capaz de prever todas as consequências de seu trabalho, seja com um serviço de linha ou com uma inovação”. Assim, pode-se dizer que as competências se apresentam das seguintes formas:

I. Competência humana.

II. Competências individuais e gerenciais.

III. Competência organizacional.

Quais estão corretas?

 

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2123332 Ano: 2022
Disciplina: Administração Geral
Banca: FUNDATEC
Orgão: IF-RS

A intangibilidade é uma das principais barreiras que o fornecedor enfrenta ao buscar transmitir a seus clientes em potencial as vantagens e os benefícios a serem obtidos com o serviço. Em função dessa característica, as empresas devem buscar adicionar elementos tangíveis aos serviços, para aumentar a percepção de valor pelo cliente. Além disso, faz-se necessária a preocupação em criar uma boa imagem junto à clientela dadas as características dos serviços:

I. Perecibilidade.

II. Heterogeneidade.

III. Inseparabilidade.

Quais estão corretas?

 

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2123331 Ano: 2022
Disciplina: Administração Geral
Banca: FUNDATEC
Orgão: IF-RS

O conceito de mercado varia dependendo da natureza da decisão e do prazo em que seus efeitos serão sentidos, o que ocorre também na definição dos concorrentes no mercado de diferentes formas. Uma delas é constituída por toda a categoria de produtos, ainda que apresentem posicionamentos diversos ou atendam a segmentos distintos de consumidores. Esse tipo de concorrência é chamado de:

 

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2123330 Ano: 2022
Disciplina: Administração de Recursos Materiais
Banca: FUNDATEC
Orgão: IF-RS

Considerando-se operações que podem resultar em otimização de processos e proporcionar melhorias nos ganhos por redução dos estoques, podemos citar:

I. Previsão de demanda.

II. Redução dos tempos de reposição (lead-time).

III. Entregas just-in-time (JIT).

Quais estão corretas?

 

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