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Texto
Sobretudo naturalista e positivista, Euclides foi rejeitado pelo Modernismo. A retórica do excesso, o registro grandíloquo, o tom altíssono só poderiam ser avessos ao espírito modernista. Acrescente-se a isso sua preocupação com o uso de uma língua portuguesa castiça e até arcaizante, ao tempo em que Mário de Andrade ameaçava todo mundo com seu projeto de escrever uma Gramatiquinha da fala brasileira.
No entanto, mal sabiam os modernistas que, em Euclides, contavam com um abridor de caminhos. As numerosas emendas a que submeteu as sucessivas edições de Os Sertões, enquanto viveu, apontam para um progressivo abrasileiramento do discurso. No longo processo de emendar seu próprio texto, a prosódia ia, aos poucos, sobrepujando a ortoepia, esta, sim, portuguesa, mostrando que o ouvido do autor ia desautorizando sua sintaxe e, principalmente, sua colocação de pronomes anterior.
Ainda mais, o Modernismo daria continuidade a algumas das preocupações de Euclides com os interiores do país e com a repulsa à macaqueação europeia nos focos populacionais litorâneos. Partilharia igualmente com ele a reflexão sobre a especificidade das condições históricas do país, na medida em que, já em Os Sertões, Euclides realizara um mapeamento de temas que se tornariam centrais na produção intelectual e artística do século XX, ao analisar o negro, o índio, os pobres, os sertanejos, a condição colonizada, a religiosidade popular, as insurreições, o subdesenvolvimento e a dependência. Aí fincaram suas raízes não só o Modernismo, mas também o romance regionalista de 1930 e o nascimento das ciências sociais no país na década de 40 do século passado. Muitas dessas preocupações não ram, evidentemente, exclusivas de Euclides, mas comuns às elites ilustradas nas quais ele se integrava e das quais se destacou ao escrever Os Sertões.
Walnice Nogueira Galvão. Polifonia e paixão (fragmento). In: Euclidiana: ensaios sobre Euclides da Cunha. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 28-9 (com adaptações).
Considerando os sentidos e os aspectos morfossintáticos do texto, assinale a opção correta.
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A Doutrina Truman constitui uma manifestação clara de que os EUA pretendiam restringir seu envolvimento com os problemas europeus à esfera da assistência material e financeira.
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Texto – para a questão
Pernambucano em Málaga
A cana doce de Málaga
dá domada, em cão ou gata:
deixam-na perto, sem medo,
quase vai dentro das casas.
É cana que nunca morde,
nem quando vê-se atacada:
não leva pulgas no pelo
nem, entre folhas, navalha.
A cana doce de Málaga
dá escorrida e cabisbaixa:
naquele porte enfezado
de crianças abandonadas.
As folhas dela já nascem
murchas de cor, como a palha:
ou a farda murcha dos órfãos,
desde novas, desbotadas.
A cana doce de Málaga
não é mar, embora em praias,
dá sempre em pequenas poças,
restos de uma onda recuada.
Em poças, não tem do mar
a pulsação dele, nata:
sim, o torpor surdo e lasso
que se vê na água estagnada.
A cana doce de Málaga
dá dócil, disciplinada:
dá em fundos de quintal
e podia dar em jarras.
Falta-lhe é a força da nossa,
criada solta em ruas, praças:
solta, à vontade do corpo,
nas praças das grandes várzeas.
João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra e outros poemas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, p. 149-50.
Com relação ao poema apresentado, julgue C ou E.
A forma “dá” é empregada no poema ora como verbo intransitivo, nos versos 19 e 27, por exemplo, ora como transitivo, nos versos 2 e 26.
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Texto – para a questão
Pernambucano em Málaga
A cana doce de Málaga
dá domada, em cão ou gata:
deixam-na perto, sem medo,
quase vai dentro das casas.
É cana que nunca morde,
nem quando vê-se atacada:
não leva pulgas no pelo
nem, entre folhas, navalha.
A cana doce de Málaga
dá escorrida e cabisbaixa:
naquele porte enfezado
de crianças abandonadas.
As folhas dela já nascem
murchas de cor, como a palha:
ou a farda murcha dos órfãos,
desde novas, desbotadas.
A cana doce de Málaga
não é mar, embora em praias,
dá sempre em pequenas poças,
restos de uma onda recuada.
Em poças, não tem do mar
a pulsação dele, nata:
sim, o torpor surdo e lasso
que se vê na água estagnada.
A cana doce de Málaga
dá dócil, disciplinada:
dá em fundos de quintal
e podia dar em jarras.
Falta-lhe é a força da nossa,
criada solta em ruas, praças:
solta, à vontade do corpo,
nas praças das grandes várzeas.
João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra e outros poemas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, p. 149-50.
Com relação ao poema apresentado, julgue C ou E.
Na última estrofe, a forma verbal “é” foi empregada como palavra de realce.
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Campanhas publicitárias bem-sucedidas, além de deslocarem, para cima e para a direita, a curva de demanda de mercado do produto anunciado, contribuem, quando promovem a fidelização do cliente, para tornar essa curva mais preço-inelástica.
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Nor is Sen easily caricatured as an egalitarian: “capabilities”, for example, do not have to be entirely equal. He is a pluralist, and recognises that even capabilities cannot always trump other values. Liberty has priority, Sen insists, but not in an absurdly purist fashion that would dictate “treating the slightest gain of liberty — no matter how small — as enough reason to make huge sacrifices in other amenities of a good life — no matter how large”.
Throughout, Sen remains true to his Indian roots. One of the joys of his recently published book entitled The Idea of Justice is the rich use of Indian classical thought — the debate between 3rd-century emperor Ashoka, a liberal optimist, and Kautilya, a downbeat institutionalist, is much more enlightening than, say, a tired contrast between Hobbes and Hume.
Despite these diverting stories, the volume cannot be said to fall into the category of a “beach read”: subtitles such as “The Plurality of Non-Rejectability” provide plenty of warning. But for those who like their summer dinner tables to be filled with intelligent, dissenting discourse, the book is worth the weight. There is plenty here to argue with. Sen wouldn’t have it any other way.
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“For heaven’s sake,” 1 my father said, seeing me off at the airport, “don’t get drunk, don’t get pregnant — and don’t get involved in politics.” He was right to be concerned. Rhodes University in the late 1970s, with its Sir Herbert Baker-designed campus and lush green lawns, looked prosperous and sedate. But the Sunday newspapers had been full of the escapades of its notorious drinking clubs and loose morals; the Eastern Cape was, after the riots of 1976, a place of turmoil and desperate poverty; and the campus was thought by most conservative parents to be a hotbed of political activity.
The Nationalist policy of forced removals meant thousands of black people had been moved from the cities into the nearby black “homelands” of Transkei and Ciskei, and dumped there with only a standpipe and a couple of huts for company; two out of three children died of malnutrition before the age of three. I arrived in 1977, the year after the Soweto riots, to study journalism. Months later, Steve Biko was murdered in custody. The campus tipped over into turmoil. There were demonstrations and hunger strikes.
For most of us, Rhodes was a revelation. We had been brought up to respect authority. Here, we could forge a whole new identity, personally and politically. Out of that class of 1979 came two women whose identities merge with the painful birth of the new South Africa: two journalism students whose journey was to take them through defiance, imprisonment and torture during the apartheid years.
One of the quietest girls in the class, Marion Sparg, joined the ANC’s military wing, Umkhonto we Sizwe (MK), and was eventually convicted of bombing two police stations. An Asian journalist, Zubeida Jaffer, was imprisoned and tortured, yet ultimately chose not to prosecute her torturers.
Today you can trace the footprints of my classmates across the opposition press in South Africa and the liberal press in the UK — The Guardian, the Observer and the Financial Times. Even the Spectator (that’s me). Because journalism was not a course offered at “black” universities, we had a scattering of black students. It was the first time many of us would ever have met anyone who was black and not a servant. I went to hear Pik Botha, the foreign minister, a Hitlerian figure with a narrow moustache, an imposing bulk and a posse of security men. His reception was suitably stormy, even mocking — students flapping their arms and saying, “Pik-pik-pik-P-I-I-I-K!’, like chattering hens.
But students who asked questions had to identify themselves first. There were spies in every class. We never worked out who they were, although some of us suspected the friendly Afrikaans guy with the shark’s tooth necklace.
The university the author attended can be described as a place where neither the teaching staff nor school officials exacted blind obedience from students.
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Texto
Sobretudo naturalista e positivista, Euclides foi rejeitado pelo Modernismo. A retórica do excesso, o registro grandíloquo, o tom altíssono só poderiam ser avessos ao espírito modernista. Acrescente-se a isso sua preocupação com o uso de uma língua portuguesa castiça e até arcaizante, ao tempo em que Mário de Andrade ameaçava todo mundo com seu projeto de escrever uma Gramatiquinha da fala brasileira.
No entanto, mal sabiam os modernistas que, em Euclides, contavam com um abridor de caminhos. As numerosas emendas a que submeteu as sucessivas edições de Os Sertões, enquanto viveu, apontam para um progressivo abrasileiramento do discurso. No longo processo de emendar seu próprio texto, a prosódia ia, aos poucos, sobrepujando a ortoepia, esta, sim, portuguesa, mostrando que o ouvido do autor ia desautorizando sua sintaxe e, principalmente, sua colocação de pronomes anterior.
Ainda mais, o Modernismo daria continuidade a algumas das preocupações de Euclides com os interiores do país e com a repulsa à macaqueação europeia nos focos populacionais litorâneos. Partilharia igualmente com ele a reflexão sobre a especificidade das condições históricas do país, na medida em que, já em Os Sertões, Euclides realizara um mapeamento de temas que se tornariam centrais na produção intelectual e artística do século XX, ao analisar o negro, o índio, os pobres, os sertanejos, a condição colonizada, a religiosidade popular, as insurreições, o subdesenvolvimento e a dependência. Aí fincaram suas raízes não só o Modernismo, mas também o romance regionalista de 1930 e o nascimento das ciências sociais no país na década de 40 do século passado. Muitas dessas preocupações não ram, evidentemente, exclusivas de Euclides, mas comuns às elites ilustradas nas quais ele se integrava e das quais se destacou ao escrever Os Sertões.
Walnice Nogueira Galvão. Polifonia e paixão (fragmento). In: Euclidiana: ensaios sobre Euclides da Cunha. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 28-9 (com adaptações).
A respeito das ideias, das estruturas linguísticas e da organização do texto, julgue C ou E.
A recorrente citação de Os Sertões, a descrição dos processos de reescritura dessa obra pelo autor e a enumeração dos temas nela abordados evidenciam que o objetivo central do texto é a reapresentação desse livro aos leitores.
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Texto– para a questão
As turmas povoadoras que para lá [Acre] seguiam deparavam com um estado social que ainda mais lhes engravecia a instabilidade e a fraqueza. Aguardava-as, e ainda as aguarda, a mais imperfeita organização do trabalho que ainda engenhou o egoísmo humano.
Repitamos: o sertanejo emigrante realiza, ali, uma anomalia sobre a qual nunca é demasiado insistir: é o homem que trabalha para escravizar-se. Ele efetua, à sua custa e de todo em todo desamparado, uma viagem difícil, em que os adiantamentos feitos pelos contratadores insaciáveis, inçados de parcelas fantásticas e de preços inauditos, o transformam as mais das vezes em devedor para sempre insolvente.
A sua atividade, desde o primeiro golpe de machadinha, constringe-se para logo num círculo vicioso inaturável: o debater-se exaustivo para saldar uma dívida que se avoluma, ameaçadoramente, acompanhando-lhe os esforços e as fadigas para saldá-la.
E vê-se completamente só na faina dolorosa. A exploração da seringa, neste ponto pior que a do caucho, impõe o isolamento. Há um laivo siberiano naquele trabalho. Dostoiévski sombrearia as suas páginas mais lúgubres com esta tortura: a do homem constrangido a calcar durante a vida inteira a mesma “estrada”, de que ele é o único transeunte, trilha obscurecida, estreitíssima e circulante, ao mesmo ponto de partida. Nesta empresa de Sísifo a rolar em vez de um bloco o seu próprio corpo — partindo, chegando e partindo — nas voltas constritoras de um círculo demoníaco, no seu eterno giro de encarcerado numa prisão sem muros, agravada por um ofício rudimentar que ele aprende em uma hora para exercê-lo toda a vida, automaticamente, por simples movimentos reflexos — se não o enrija uma sólida estrutura moral, vão-se-lhe, com a inteligência atrofiada, todas as esperanças, e as ilusões ingênuas, e a tonificante alacridade que o arrebataram àquele lance, à ventura, em busca da fortuna.
Euclides da Cunha, 1866-1909. Um clima caluniado (fragmento). In: Um paraíso perdido: reunião de ensaios amazônicos. Seleção e coordenação de Hildon Rocha. Petrópolis: Vozes, Brasília, INL (coleção Dimensões do Brasil, v.1), 1976, p. 131-2 (com adaptações).
Acerca de aspectos morfológicos e semânticos de vocábulos do texto, julgue C ou E.
Denomina-se prefixação o processo de formação dos seguintes vocábulos: “anomalia” (l.4), “alacridade” (l.17) e “arrebataram” (l.17).
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“For heaven’s sake,” 1 my father said, seeing me off at the airport, “don’t get drunk, don’t get pregnant — and don’t get involved in politics.” He was right to be concerned. Rhodes University in the late 1970s, with its Sir Herbert Baker-designed campus and lush green lawns, looked prosperous and sedate. But the Sunday newspapers had been full of the escapades of its notorious drinking clubs and loose morals; the Eastern Cape was, after the riots of 1976, a place of turmoil and desperate poverty; and the campus was thought by most conservative parents to be a hotbed of political activity.
The Nationalist policy of forced removals meant thousands of black people had been moved from the cities into the nearby black “homelands” of Transkei and Ciskei, and dumped there with only a standpipe and a couple of huts for company; two out of three children died of malnutrition before the age of three. I arrived in 1977, the year after the Soweto riots, to study journalism. Months later, Steve Biko was murdered in custody. The campus tipped over into turmoil. There were demonstrations and hunger strikes.
For most of us, Rhodes was a revelation. We had been brought up to respect authority. Here, we could forge a whole new identity, personally and politically. Out of that class of 1979 came two women whose identities merge with the painful birth of the new South Africa: two journalism students whose journey was to take them through defiance, imprisonment and torture during the apartheid years.
One of the quietest girls in the class, Marion Sparg, joined the ANC’s military wing, Umkhonto we Sizwe (MK), and was eventually convicted of bombing two police stations. An Asian journalist, Zubeida Jaffer, was imprisoned and tortured, yet ultimately chose not to prosecute her torturers.
Today you can trace the footprints of my classmates across the opposition press in South Africa and the liberal press in the UK — The Guardian, the Observer and the Financial Times. Even the Spectator (that’s me). Because journalism was not a course offered at “black” universities, we had a scattering of black students. It was the first time many of us would ever have met anyone who was black and not a servant. I went to hear Pik Botha, the foreign minister, a Hitlerian figure with a narrow moustache, an imposing bulk and a posse of security men. His reception was suitably stormy, even mocking — students flapping their arms and saying, “Pik-pik-pik-P-I-I-I-K!’, like chattering hens.
But students who asked questions had to identify themselves first. There were spies in every class. We never worked out who they were, although some of us suspected the friendly Afrikaans guy with the shark’s tooth necklace.
Of the three journalism students mentioned in the text, it can be said that the most self-effacing and reserved of them all turned out to be the one to deliver a most violent blow against the apartheid security apparatus.
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