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Aprovar quem não aprendeu?
(Claudio de Moura Castro – VEJA 17 dez. 2008)
Para chamar atenção sobre pesquisas irrelevantes, um bando de gaiatos de Harvard criou o prêmio Ignobel. De fato, esse é um problema clássico da academia. Como às vezes aparecem descobertas de valor na enxurrada de idéias que parecem bobas, todos se acham no direito de defender as suas. Diante disso, é reconfortante encontrar pesquisas colimando assuntos palpitantes e com resultados precisos e definitivos. Esse é o caso da tese de Luciana Luz que examinou um problema fundamental: no fim do ano, o que fazer com um aluno que não aprendeu o suficiente? Dar bomba, para que repita o ano? Ou deixá-lo passar? O uso de dados longitudinais permitiu grande precisão na análise. A autora tratou os números com cuidado e sofisticação estatística. O cuidado aumenta a confiança nos resultados. Mas a sofisticação impossibilita que se faça aqui uma explicação acessível da análise estatística.
Contudo, a interpretação das conclusões é clara. A tese permite comparar um aluno que repetiu o ano por não saber a matéria com outro que foi aprovado em condições similares. Os números mostram com meridiana precisão: um ano depois, os repetentes aprenderam menos do que alunos aprovados sem saber o bastante. Tudo o que se diga sobre o assunto não pode ignorar o significado desses dados, que, aliás, corroboram o que foi encontrado pelo professor Naércio Menezes e por pesquisadores de outros países.
Ao que parece, para os repetentes, é a mesma chatice do ano anterior, somada à frustração e à auto-estima chamuscada. Andemos mais além da tese. Não reprovando, a nação economiza recursos, pois, com a repetência, o estado paga a conta duas vezes. E,como sabemos por meio de muitos estudos, os repetentes correm muito mais risco de uma evasão futura. Logo, ganha-se de três lados. Como a “pedagogia da reprovação” não funciona, a “promoção automática” é um mal menor.
A história não acaba aqui. A angústia de decidir se devemos aprovar quem não sabe torna-se assunto secundário, diante da constatação de que o aluno não aprendeu. Esse é o drama mais brutal do ensino brasileiro. Por isso, a discussão está fora de foco. Precisamos fazer com que os alunos aprendam. De resto, não faltam idéias nos países onde a educação dá certo. [...] Por que se digladiam todos contra a “promoção automática”, quando a verdadeira chaga é o fraco aprendizado? De fato, há uma razão. Grosso modo, três quartos da população brasileira é definida como de “classe baixa”. Dada essa enorme participação, o que é verdade para seus membros é verdade para o Brasil como um todo. Mas há os 20% de classe média e alta. Para esses pimpolhos, a situação é diferente. Famílias de classe baixa são fatalistas, assistem passivamente à reprovação dos seus filhos. Se não aprenderam a lição, é porque “sua cabeça não dá”. Já na classe média a regra é outra. Levou bomba? Antes zunia a vara de marmelo, depois veio o confisco da bola, da bicicleta ou do iPhone. Santo remédio!
Reina a “pedagogia do medo da repetência”. Essa é a arma dos pais para que o filho se mantenha por longo tempo colado à cadeira e com os olhos no livro. Cá entre nós, eu estudava por medo da bomba. É também a ameaça da bomba que permite aos professores forçar os alunos a estudar. Sem ela, sentem-se impotentes. Portanto, estamos diante de um dilema. O medo da repetência leva a minoria de classe média a estudar, para evitar os castigos. Pode não ser a pedagogia ideal, mas ruim não é. Já nas famílias mais modestas não há medo nem pressão para que os filhos estudem. O que há são as bombas caindo do céu e criando repetência abundante e disfuncional. Pouquíssimos países no mundo têm níveis tão altos de repetência como o nosso. Ao contrário de outros dilemas, esse tem solução clara, ainda que difícil. Basta melhorar a qualidade da educação para todos.
Atente para as seguintes afirmações:
I. Pesquisas infundadas mostram que a repetência contribui para a desistência e a desmotivação do aluno.
II. Referindo-se à repetência, o texto explicita que o problema é mais visível na “classe baixa” pela falta de inteligência dos alunos.
III. Quanto à pedagogia das famílias, o autor concorda com a da classe média, embora reconheça não ser a mais adequada.
IV. Para solucionar o problema em foco, é necessário não se ater em promover ou não o aluno, mas em investir na educação, para que todas as classes sejam favorecidas.
Em relação ao texto, está CORRETO o que se afirma em:
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O protocolo que funciona fazendo broadcast de um pacote na forma “Alguém conhece o endereço de hardware do 128.138.116.4?” está na alternativa:
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Somos um país de analfabetos
Lya Luft (Revista Veja, 1º de outubro de 2008)
Segundo pesquisa do confiável IBGE, estamos num vergonhoso lugar entre os países da América Latina, no que diz respeito à alfabetização. O que nos faltou e tanto nos falta ainda? Posso dizer que tem sobrado ufanismo. Não somos os melhores, não somos invulneráveis, somos um país emergente, com riquezas ainda nem descobertas, outras mal administradas. Somos um povo resistente e forte, capaz de uma alegria e fraternidade que as quadrilhas, o narcotráfico e a assustadora violência atuais não diminuem. Um povo com uma rara capacidade de improvisação positiva, esperança e honradez.
O sonho de morar fora daqui para escapar não vale. Na velha e sisuda Europa não há um sol como este. Lá não se ri, não se abraça como aqui. Eles trabalham mais e ganham mais, é verdade. A pobreza por lá é menos pobre. O salário-desemprego é tão bom que, infelizmente, muitos decidem viver só com ele: o mercado de trabalho lá também é cruel, e com os estrangeiros, nem se fala. Em muitas coisas somos muito melhores.
Mas somos um país analfabeto. Alfabetizado não é, já disse e escrevo frequentemente, aquele que assina seu nome, mas quem assina um documento que leu e compreendeu. A verdadeira democracia tem de oferecer a todos esse direito, pois ler e escrever, como pensar, questionar e escolher, é um direito. É questão de dignidade. Quando eu era professora universitária, na década de 70, já recebíamos nas faculdades vários alunos que mal conseguiam escrever uma frase e expor um pensamento claro. “Eu sei, mas não sei como dizer nem escrever isso” é uma desculpa pobre. Não preciso ser intelectual, mas devo poder redigir ao menos um breve texto decente e claro. Preciso ser bem alfabetizado, isto é, usar meu instrumento de expressão completo, falado e escrito, dentro do meu nível de vida e do nível de vida do meu grupo.
Para isso, é essencial uma boa escola desde os primeiros anos, dever inenarrável do estado. Não me digam que todas as comunidades têm escolas e que estas têm o necessário para um ensino razoável, para que até o mais pobre e esquecido no mais esquecido e pobre recanto possa se tornar um cidadão inteiro e digno, com acesso à leitura e à escrita, isto é, à informação. Um sujeito capaz de fazer boas escolhas de vida, pronto para se sustentar e que, na grave hora de votar, sabe o que está fazendo. Enquanto alardeamos façanhas, descobertas, ganhos e crescimento econômico, a situação nesse campo está cada vez pior. Muito menos pessoas se alfabetizam de verdade; dos poucos que chegam ao 2º grau e dos pouquíssimos que vão à universidade, muitos não saem de lá realmente formados. Entram na profissão incapazes de produzir um breve texto claro. São desinteressados da leitura, mal falam direito. Não conseguem se informar nem questionar o mundo. Pouco lhes foi dado, pouquíssimo lhes foi exigido.
A única saída para tamanha calamidade está no maior interesse pelo que há de mais importante num país: a educação. E isso só vai começar quando lhe derem os maiores orçamentos. Assim se mudará o Brasil, o resto é conversa fiada. Investir nisso significa criar mais oportunidades de trabalho: muito mais gente capacitada a obter salário decente. Significa saúde: gente mais bem informada não adoece por ignorância, isolamento e falta de higiene. Se ao estado cabe nos ajudar a ser capazes de saber, entender, questionar e escolher nossa vida, é nas famílias, quando podem comprar livros, que tudo começa. Família tem a ver com moralidade, atenção e afeto, mas também com a necessária instrumentação para o filho assumir um lugar decente no mundo. Nascemos nela, nela vivemos. Mas com ela também fazemos parte de um país que nos deve, a todos, uma educação ótima. Ela trará consigo muito de tudo aquilo que nos falta.
Com base nas ideias do texto, julgue os itens abaixo como falsos (F) ou verdadeiros (V). Assinale, em seguida, a alternativa que corresponde à análise.
I. Investir em educação é, em tese, formar cidadãos aptos a escolher conscientemente os representantes públicos bem como questioná-los quanto ao cumprimento de seus deveres para com o povo.
II. Investir em educação é a ação priorizada pelo Estado brasileiro comprovadamente verificada nos resultados obtidos nas avaliações realizadas nos níveis nacional e internacional.
III. Se a educação nacional não está bem avaliada nos níveis nacional e internacional é porque o ufanismo, a esperança e a honradez do povo brasileiro não estão incluídos nos critérios de classificação dos países na área em apreço.
IV. A autora compara o Brasil com a Europa, concluindo que não há diferença significativa entre eles uma vez que aquele é superior a esta em aspectos como beleza, afetividade e educação.
V. O termo alfabetizado não se restringe às crianças que iniciam as atividades escolares, mas ao cidadão que se insere harmonicamente em grupos sociais amplos ou restritos porque possui as ferramentas necessárias para tal, ou seja, as habilidades de falar, ler e escrever e, consequentemente, de pensar e escolher, dentre outras.
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O custo da refeição pode ser alterado por diversos fatores. Nesse contexto, indique a alternativa INCORRETA.
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Entre os produtos cárneos abaixo relacionados, são classificados como embutidos:
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O perfil das práticas alimentares da população brasileira, com base na tendência temporal dos últimos estudos, identificou tendências inadequadas na dieta da família brasileira, com consequências nutricionais importantes. Encontre, dentre as assertivas, a que NÃO traduz este perfil de inadequação alimentar.
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Analise as afirmações abaixo sobre deadlocks e assinale a alternativa CORRETA.
I. Uma situação de deadlock pode ocorrer se as quatro condições seguintes: exclusão mútua; posse e espera; não-preempção e espera circular ocorrerem ao mesmo tempo.
II. Existem três métodos para tratar do problema dos deadlocks: 1. Evitar que eles nunca ocorram; 2. Permitir o deadlock e, posteriormente, recuperar o sistema e; 3. Ignorar a possibilidade de ocorrerem deadlocks em um sistema.
III. Se houver necessidade de preempção, três questões precisam ser analisadas: 1. Seleção de uma vítima; 2. Rollback e 3. Starvation.
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Segundo, Waldomiro Vergueiro, em seu livro Seleção de materiais de informação, os critérios que abordam o conteúdo dos documentos utilizados na seleção de materiais em bibliotecas são:
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São documentos acessíveis, por cópia, através do serviço de comutação bibliográfica (COMUT), do IBICT:
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Ao se conceber como finalidades da educação a valorização do aprender a ser humano e a conviver com o outro, reportamo-nos às dimensões antropológicas, axiológicas e políticas, o que torna o ato educativo:
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