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O texto a seguir é referência para a questão.
Quem é o Grande Irmão?
Li recentemente que, depois de Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, sigla em inglês), ter vazado informações sobre programas de inteligência do país, a venda de exemplares do livro 1984, de George Orwell, cresceu mais de 7.000% no site da Amazon.
Achei curioso. Não pela relação, algo óbvia, entre o best-seller escrito em 1948 e publicado pela primeira vez, coincidentemente, no dia 8 de junho, quando estourava o escândalo. Afinal, 1984 é justamente a história de uma sociedade na qual o controle total é exercido pelo Grande Irmão, o Big Brother.
Embora inspirado diretamente nos regimes totalitários das décadas de 1930 e 1940, no livro, a história se passa em uma sociedade liberal-democrática, na qual Winstom Smith, o personagem principal, representa o cidadão comum vigiado o dia inteiro pelas teletelas e pelo Partido.
No romance, Smith sabe que toda atitude suspeita é passível de denúncia à Polícia do Pensamento e que qualquer ato considerado dissidente pode originar uma denúncia. O que Snowden está mostrando é que, ao usar serviços de empresas como o Skype, o Google (“don’t be evil”), o Facebook e a Verizon (esta última, empresa de telefonia norte-americana), nossas conversas podem ser ouvidas em tempo real, nossos e-mails podem ser lidos, nossas ligações telefônicas podem ser rastreadas. A diferença é que ninguém precisa denunciar. Nós mesmos alegremente abrimos mão da nossa privacidade, continuando a usar os serviços dos gigantes da internet. Ou você viu por aí alguém protestando contra o uso do gmail? Na era da conexão total, nós nos tornamos informantes de nós mesmos.
Keila Grinberg. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/em-tempo/quem-e-o-grande-irmao>. Acesso em 15 jan. 2014. Adaptado.
Com base no texto, assinale a alternativa que fornece uma resposta à pergunta formulada no título.
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O texto a seguir é referência para a questão.
Quem é o Grande Irmão?
Li recentemente que, depois de Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, sigla em inglês), ter vazado informações sobre programas de inteligência do país, a venda de exemplares do livro 1984, de George Orwell, cresceu mais de 7.000% no site da Amazon.
Achei curioso. Não pela relação, algo óbvia, entre o best-seller escrito em 1948 e publicado pela primeira vez, coincidentemente, no dia 8 de junho, quando estourava o escândalo. Afinal, 1984 é justamente a história de uma sociedade na qual o controle total é exercido pelo Grande Irmão, o Big Brother.
Embora inspirado diretamente nos regimes totalitários das décadas de 1930 e 1940, no livro, a história se passa em uma sociedade liberal-democrática, na qual Winstom Smith, o personagem principal, representa o cidadão comum vigiado o dia inteiro pelas teletelas e pelo Partido.
No romance, Smith sabe que toda atitude suspeita é passível de denúncia à Polícia do Pensamento e que qualquer ato considerado dissidente pode originar uma denúncia. O que Snowden está mostrando é que, ao usar serviços de empresas como o Skype, o Google (“don’t be evil”), o Facebook e a Verizon (esta última, empresa de telefonia norte-americana), nossas conversas podem ser ouvidas em tempo real, nossos e-mails podem ser lidos, nossas ligações telefônicas podem ser rastreadas. A diferença é que ninguém precisa denunciar. Nós mesmos alegremente abrimos mão da nossa privacidade, continuando a usar os serviços dos gigantes da internet. Ou você viu por aí alguém protestando contra o uso do gmail? Na era da conexão total, nós nos tornamos informantes de nós mesmos.
Keila Grinberg. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/em-tempo/quem-e-o-grande-irmao>. Acesso em 15 jan. 2014. Adaptado.
É correto afirmar, a partir do texto, que:
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Leia a tira a seguir, observando tanto os elementos verbais quanto os não verbais:

Considere as seguintes afirmativas sobre a tira de Benett:
1. A tira faz uma crítica ao médico, que usa o exame oftalmológico para doutrinar o paciente.
2. A tira critica as pessoas que fazem generalizações apressadas e não percebem que sua atitude é pouco inteligente.
3. O tamanho das letras da frase “Toda generalização é estúpida” é uma forma de mostrar que o autor da tira considera essa afirmação óbvia.
4. A fala do paciente no terceiro quadro enfatiza sua deficiência visual, que o impede de ler a linha 03 e, consequentemente, de refletir sobre seu conteúdo.
Assinale a alternativa correta.
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O texto a seguir é referência para a questão.
Ói nóis aqui, mano!
Em junho do ano passado, o país foi surpreendido com a explosão de manifestações que começaram em São Paulo e rapidamente se espalharam por todo canto, tendo como pretexto a qualidade e o preço do transporte público, mas que logo ganharam outros contornos.
Passada a perplexidade, vieram as conclusões. E todas apontavam para os vilões de sempre: a qualidade dos serviços públicos e as mazelas da classe política. Saúde, educação, segurança, transporte, legitimidade da representação política, corrupção, impunidade... Ou seja, a agenda da classe média. “O Brasil acordou!”, saudou a grande mídia, após um vacilo inicial. Mas poucos se deram conta de que ali foi gestado, também, o embrião de uma outra coisa. Bem mais profunda. E difusa.
Os brasileiros talvez tenham, finalmente, acordado. Mas a elite continua dormindo em berço esplêndido. Rechaçou a primeira manifestação, pacífica, diga-se, promovida por pessoas que nunca tinham ido pra rua, e apoiou a repressão violenta, através dos seus porta-vozes midiáticos. O caldo engrossou. E entraram em cena novos atores: os excluídos.
Novo cenário, novo discurso: “manifestação pode, é democrática; baderna, não”. E logo classificaram os atores: manifestantes e vândalos, como se a questão fosse apenas de nomenclatura. No entanto, não foram os manifestantes, mas os “vândalos” que se fizeram ouvir e, em alguma medida, ameaçaram o sistema. Eles, sim, meteram medo de arrepiar. “E se a boiada estourar, ninguém segura!”, vaticinou um comerciante da Av. Paulista.
Entre os chamados “vândalos”, a grande maioria não era de bandidos, como se verificou com as prisões, mas de moradores das periferias. Excluídos, apenas.
Há 14 anos, cerca de cem moradores de uma favela do Rio alugaram um ônibus e foram passear num shopping da zona sul. Não passaram da porta. Clientes, lojistas e vendedores entraram em pânico. Veio a polícia. Logo depois, a imprensa. Câmeras ao vivo. Sem argumento para manter a proibição, o shopping cedeu. E os favelados entraram, transpondo a barreira invisível da segregação social. Subiram e desceram pelas escadas rolantes, alguns pela primeira vez. Visitaram lojas. Provaram roupas. Na praça de alimentação, comeram o pão com mortadela que haviam levado. Na mais perfeita ordem. De agressivo e violento, apenas a pobreza. Suas caras. Suas roupas. Suas existências, talvez.
Esse, o embrião dos rolezinhos de hoje, que, como as manifestações de junho, começaram pacíficos. Reprimidos, degringolaram. Viraram saques e arrastões. Na maioria, adolescentes. Pobres. Moradores das periferias. Sempre eles. Os excluídos. “Ói nóis aqui, mano!”.
No chamado “país do futebol”, eles também estarão excluídos da Copa. Assim, quando a câmera focalizar a família loira, bonita e bem vestida, comemorando o gol de Neymar (um ex-morador da periferia), Galvão Bueno dirá com sua voz empostada e pretensamente comovida: “Que coisa linda de se ver! A família brasileira de volta aos nossos estádios”.
Sei que ninguém está preocupado com isso. Vou perguntar apenas por perguntar: e se a boiada estourar, quem segura?
Joca Souza Leão. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed784_oi_nois_aqui_mano!. Adaptado.
Observe a pontuação do seguinte trecho:
Esse, o embrião dos rolezinhos de hoje, que, como as manifestações de junho, começaram pacíficos. Reprimidos, degringolaram. Viraram saques e arrastões. Na maioria, adolescentes. Pobres. Moradores das periferias. Sempre eles. Os excluídos. “Ói nóis aqui, mano!”.
Assinale a alternativa na qual as alterações na pontuação respeitam as regras da escrita e mantêm as mesmas relações de sentido do texto original.
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O texto a seguir é referência para a questão.
Ói nóis aqui, mano!
Em junho do ano passado, o país foi surpreendido com a explosão de manifestações que começaram em São Paulo e rapidamente se espalharam por todo canto, tendo como pretexto a qualidade e o preço do transporte público, mas que logo ganharam outros contornos.
Passada a perplexidade, vieram as conclusões. E todas apontavam para os vilões de sempre: a qualidade dos serviços públicos e as mazelas da classe política. Saúde, educação, segurança, transporte, legitimidade da representação política, corrupção, impunidade... Ou seja, a agenda da classe média. “O Brasil acordou!”, saudou a grande mídia, após um vacilo inicial. Mas poucos se deram conta de que ali foi gestado, também, o embrião de uma outra coisa. Bem mais profunda. E difusa.
Os brasileiros talvez tenham, finalmente, acordado. Mas a elite continua dormindo em berço esplêndido. Rechaçou a primeira manifestação, pacífica, diga-se, promovida por pessoas que nunca tinham ido pra rua, e apoiou a repressão violenta, através dos seus porta-vozes midiáticos. O caldo engrossou. E entraram em cena novos atores: os excluídos.
Novo cenário, novo discurso: “manifestação pode, é democrática; baderna, não”. E logo classificaram os atores: manifestantes e vândalos, como se a questão fosse apenas de nomenclatura. No entanto, não foram os manifestantes, mas os “vândalos” que se fizeram ouvir e, em alguma medida, ameaçaram o sistema. Eles, sim, meteram medo de arrepiar. “E se a boiada estourar, ninguém segura!”, vaticinou um comerciante da Av. Paulista.
Entre os chamados “vândalos”, a grande maioria não era de bandidos, como se verificou com as prisões, mas de moradores das periferias. Excluídos, apenas.
Há 14 anos, cerca de cem moradores de uma favela do Rio alugaram um ônibus e foram passear num shopping da zona sul. Não passaram da porta. Clientes, lojistas e vendedores entraram em pânico. Veio a polícia. Logo depois, a imprensa. Câmeras ao vivo. Sem argumento para manter a proibição, o shopping cedeu. E os favelados entraram, transpondo a barreira invisível da segregação social. Subiram e desceram pelas escadas rolantes, alguns pela primeira vez. Visitaram lojas. Provaram roupas. Na praça de alimentação, comeram o pão com mortadela que haviam levado. Na mais perfeita ordem. De agressivo e violento, apenas a pobreza. Suas caras. Suas roupas. Suas existências, talvez.
Esse, o embrião dos rolezinhos de hoje, que, como as manifestações de junho, começaram pacíficos. Reprimidos, degringolaram. Viraram saques e arrastões. Na maioria, adolescentes. Pobres. Moradores das periferias. Sempre eles. Os excluídos. “Ói nóis aqui, mano!”.
No chamado “país do futebol”, eles também estarão excluídos da Copa. Assim, quando a câmera focalizar a família loira, bonita e bem vestida, comemorando o gol de Neymar (um ex-morador da periferia), Galvão Bueno dirá com sua voz empostada e pretensamente comovida: “Que coisa linda de se ver! A família brasileira de volta aos nossos estádios”.
Sei que ninguém está preocupado com isso. Vou perguntar apenas por perguntar: e se a boiada estourar, quem segura?
Joca Souza Leão. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed784_oi_nois_aqui_mano!. Adaptado.
As palavras “vaticinou”, “segregação” e “pretensamente” poderiam ser substituídas no texto, sem prejuízo gramatical ou de sentido, respectivamente, por:
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O texto a seguir é referência para a questão.
Ói nóis aqui, mano!
Em junho do ano passado, o país foi surpreendido com a explosão de manifestações que começaram em São Paulo e rapidamente se espalharam por todo canto, tendo como pretexto a qualidade e o preço do transporte público, mas que logo ganharam outros contornos.
Passada a perplexidade, vieram as conclusões. E todas apontavam para os vilões de sempre: a qualidade dos serviços públicos e as mazelas da classe política. Saúde, educação, segurança, transporte, legitimidade da representação política, corrupção, impunidade... Ou seja, a agenda da classe média. “O Brasil acordou!”, saudou a grande mídia, após um vacilo inicial. Mas poucos se deram conta de que ali foi gestado, também, o embrião de uma outra coisa. Bem mais profunda. E difusa.
Os brasileiros talvez tenham, finalmente, acordado. Mas a elite continua dormindo em berço esplêndido. Rechaçou a primeira manifestação, pacífica, diga-se, promovida por pessoas que nunca tinham ido pra rua, e apoiou a repressão violenta, através dos seus porta-vozes midiáticos. O caldo engrossou. E entraram em cena novos atores: os excluídos.
Novo cenário, novo discurso: “manifestação pode, é democrática; baderna, não”. E logo classificaram os atores: manifestantes e vândalos, como se a questão fosse apenas de nomenclatura. No entanto, não foram os manifestantes, mas os “vândalos” que se fizeram ouvir e, em alguma medida, ameaçaram o sistema. Eles, sim, meteram medo de arrepiar. “E se a boiada estourar, ninguém segura!”, vaticinou um comerciante da Av. Paulista.
Entre os chamados “vândalos”, a grande maioria não era de bandidos, como se verificou com as prisões, mas de moradores das periferias. Excluídos, apenas.
Há 14 anos, cerca de cem moradores de uma favela do Rio alugaram um ônibus e foram passear num shopping da zona sul. Não passaram da porta. Clientes, lojistas e vendedores entraram em pânico. Veio a polícia. Logo depois, a imprensa. Câmeras ao vivo. Sem argumento para manter a proibição, o shopping cedeu. E os favelados entraram, transpondo a barreira invisível da segregação social. Subiram e desceram pelas escadas rolantes, alguns pela primeira vez. Visitaram lojas. Provaram roupas. Na praça de alimentação, comeram o pão com mortadela que haviam levado. Na mais perfeita ordem. De agressivo e violento, apenas a pobreza. Suas caras. Suas roupas. Suas existências, talvez.
Esse, o embrião dos rolezinhos de hoje, que, como as manifestações de junho, começaram pacíficos. Reprimidos, degringolaram. Viraram saques e arrastões. Na maioria, adolescentes. Pobres. Moradores das periferias. Sempre eles. Os excluídos. “Ói nóis aqui, mano!”.
No chamado “país do futebol”, eles também estarão excluídos da Copa. Assim, quando a câmera focalizar a família loira, bonita e bem vestida, comemorando o gol de Neymar (um ex-morador da periferia), Galvão Bueno dirá com sua voz empostada e pretensamente comovida: “Que coisa linda de se ver! A família brasileira de volta aos nossos estádios”.
Sei que ninguém está preocupado com isso. Vou perguntar apenas por perguntar: e se a boiada estourar, quem segura?
Joca Souza Leão. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed784_oi_nois_aqui_mano!. Adaptado.
As aspas são usadas no texto, de forma recorrente, para destacar expressões atribuídas a pessoas diferentes do autor. Identifique a quem são atribuídas as expressões da 1ª coluna, numerando-a de acordo com sua correspondência com a 2ª coluna.
1. Mídia.
2. Moradores das periferias.
3. Comerciantes.
( ) “O Brasil acordou!”.
( ) “manifestação pode, é democrática; baderna, não”.
( ) “vândalos”.
( ) “E se a boiada estourar, ninguém segura!”.
( ) “Ói nóis aqui, mano!”.
( ) “país do futebol”.
Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta da coluna da direita, de cima para baixo.
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O texto a seguir é referência para a questão.
Ói nóis aqui, mano!
Em junho do ano passado, o país foi surpreendido com a explosão de manifestações que começaram em São Paulo e rapidamente se espalharam por todo canto, tendo como pretexto a qualidade e o preço do transporte público, mas que logo ganharam outros contornos.
Passada a perplexidade, vieram as conclusões. E todas apontavam para os vilões de sempre: a qualidade dos serviços públicos e as mazelas da classe política. Saúde, educação, segurança, transporte, legitimidade da representação política, corrupção, impunidade... Ou seja, a agenda da classe média. “O Brasil acordou!”, saudou a grande mídia, após um vacilo inicial. Mas poucos se deram conta de que ali1) foi gestado, também, o embrião de uma outra coisa. Bem mais profunda. E difusa.
Os brasileiros talvez tenham, finalmente, acordado. Mas a elite continua dormindo em berço esplêndido. Rechaçou a primeira manifestação, pacífica, diga-se, promovida por pessoas que nunca tinham ido pra rua, e apoiou a repressão violenta, através dos seus porta-vozes midiáticos. O caldo engrossou. E entraram em cena novos atores: os excluídos.
Novo cenário, novo discurso: “manifestação pode, é democrática; baderna, não”. E logo classificaram os atores: manifestantes e vândalos, como se a questão fosse apenas de nomenclatura. No entanto, não foram os manifestantes, mas os “vândalos” que se fizeram ouvir e, em alguma medida, ameaçaram o sistema. Eles, sim, meteram medo de arrepiar. “E se a boiada estourar, ninguém segura!”, vaticinou um comerciante da Av. Paulista.
Entre os chamados “vândalos”, a grande maioria não era de bandidos, como se verificou com as prisões, mas de moradores das periferias. Excluídos, apenas.
Há 14 anos, cerca de cem moradores de uma favela do Rio alugaram um ônibus e foram passear num shopping da zona sul. Não passaram da porta. Clientes, lojistas e vendedores entraram em pânico. Veio a polícia. Logo depois, a imprensa. Câmeras ao vivo. Sem argumento para manter a proibição, o shopping cedeu. E os favelados entraram, transpondo a barreira invisível da segregação social. Subiram e desceram pelas escadas rolantes, alguns pela primeira vez. Visitaram lojas. Provaram roupas. Na praça de alimentação, comeram o pão com mortadela que haviam levado. Na mais perfeita ordem. De agressivo e violento, apenas a pobreza. Suas caras. Suas roupas. Suas existências, talvez.
Esse2), o embrião dos rolezinhos de hoje, que, como as manifestações de junho, começaram pacíficos. Reprimidos, degringolaram. Viraram saques e arrastões. Na maioria, adolescentes. Pobres. Moradores das periferias. Sempre eles. Os excluídos. “Ói nóis aqui, mano!”.
No chamado “país do futebol”, eles também estarão excluídos da Copa. Assim, quando a câmera focalizar a família loira, bonita e bem vestida, comemorando o gol de Neymar (um ex-morador da periferia), Galvão Bueno dirá com sua voz empostada e pretensamente comovida: “Que coisa linda de se ver! A família brasileira de volta aos nossos estádios”.
Sei que ninguém está preocupado com isso3). Vou perguntar apenas por perguntar: e se a boiada estourar, quem segura?
Joca Souza Leão. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed784_oi_nois_aqui_mano!. Adaptado.
Considere as seguintes afirmativas sobre algumas expressões empregadas no texto:
1. “Ali” refere-se às manifestações ocorridas em junho de 2013.
2. “Esse” refere-se ao episódio ocorrido 14 anos antes, quando uma centena de moradores de uma favela carioca fizeram um passeio em um shopping da zona sul.
3. “Isso” refere-se aos comentários que Galvão Bueno provavelmente fará durante os jogos da copa do mundo.
Assinale a alternativa correta.
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O texto a seguir é referência para a questão.
Ói nóis aqui, mano!
Em junho do ano passado, o país foi surpreendido com a explosão de manifestações que começaram em São Paulo e rapidamente se espalharam por todo canto, tendo como pretexto a qualidade e o preço do transporte público, mas que logo ganharam outros contornos.
Passada a perplexidade, vieram as conclusões. E todas apontavam para os vilões de sempre: a qualidade dos serviços públicos e as mazelas da classe política. Saúde, educação, segurança, transporte, legitimidade da representação política, corrupção, impunidade... Ou seja, a agenda da classe média. “O Brasil acordou!”, saudou a grande mídia, após um vacilo inicial. Mas poucos se deram conta de que ali foi gestado, também, o embrião de uma outra coisa. Bem mais profunda. E difusa.
Os brasileiros talvez tenham, finalmente, acordado. Mas a elite continua dormindo em berço esplêndido. Rechaçou a primeira manifestação, pacífica, diga-se, promovida por pessoas que nunca tinham ido pra rua, e apoiou a repressão violenta, através dos seus porta-vozes midiáticos. O caldo engrossou. E entraram em cena novos atores: os excluídos.
Novo cenário, novo discurso: “manifestação pode, é democrática; baderna, não”. E logo classificaram os atores: manifestantes e vândalos, como se a questão fosse apenas de nomenclatura. No entanto, não foram os manifestantes, mas os “vândalos” que se fizeram ouvir e, em alguma medida, ameaçaram o sistema. Eles, sim, meteram medo de arrepiar. “E se a boiada estourar, ninguém segura!”, vaticinou um comerciante da Av. Paulista.
Entre os chamados “vândalos”, a grande maioria não era de bandidos, como se verificou com as prisões, mas de moradores das periferias. Excluídos, apenas.
Há 14 anos, cerca de cem moradores de uma favela do Rio alugaram um ônibus e foram passear num shopping da zona sul. Não passaram da porta. Clientes, lojistas e vendedores entraram em pânico. Veio a polícia. Logo depois, a imprensa. Câmeras ao vivo. Sem argumento para manter a proibição, o shopping cedeu. E os favelados entraram, transpondo a barreira invisível da segregação social. Subiram e desceram pelas escadas rolantes, alguns pela primeira vez. Visitaram lojas. Provaram roupas. Na praça de alimentação, comeram o pão com mortadela que haviam levado. Na mais perfeita ordem. De agressivo e violento, apenas a pobreza. Suas caras. Suas roupas. Suas existências, talvez.
Esse, o embrião dos rolezinhos de hoje, que, como as manifestações de junho, começaram pacíficos. Reprimidos, degringolaram. Viraram saques e arrastões. Na maioria, adolescentes. Pobres. Moradores das periferias. Sempre eles. Os excluídos. “Ói nóis aqui, mano!”.
No chamado “país do futebol”, eles também estarão excluídos da Copa. Assim, quando a câmera focalizar a família loira, bonita e bem vestida, comemorando o gol de Neymar (um ex-morador da periferia), Galvão Bueno dirá com sua voz empostada e pretensamente comovida: “Que coisa linda de se ver! A família brasileira de volta aos nossos estádios”.
Sei que ninguém está preocupado com isso. Vou perguntar apenas por perguntar: e se a boiada estourar, quem segura?
Joca Souza Leão. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed784_oi_nois_aqui_mano!. Adaptado.
Com base no texto, assinale a alternativa INCORRETA sobre a elite brasileira.
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O texto a seguir é referência para a questão.
Ói nóis aqui, mano!
Em junho do ano passado, o país foi surpreendido com a explosão de manifestações que começaram em São Paulo e rapidamente se espalharam por todo canto, tendo como pretexto a qualidade e o preço do transporte público, mas que logo ganharam outros contornos.
Passada a perplexidade, vieram as conclusões. E todas apontavam para os vilões de sempre: a qualidade dos serviços públicos e as mazelas da classe política. Saúde, educação, segurança, transporte, legitimidade da representação política, corrupção, impunidade... Ou seja, a agenda da classe média. “O Brasil acordou!”, saudou a grande mídia, após um vacilo inicial. Mas poucos se deram conta de que ali foi gestado, também, o embrião de uma outra coisa. Bem mais profunda. E difusa.
Os brasileiros talvez tenham, finalmente, acordado. Mas a elite continua dormindo em berço esplêndido. Rechaçou a primeira manifestação, pacífica, diga-se, promovida por pessoas que nunca tinham ido pra rua, e apoiou a repressão violenta, através dos seus porta-vozes midiáticos. O caldo engrossou. E entraram em cena novos atores: os excluídos.
Novo cenário, novo discurso: “manifestação pode, é democrática; baderna, não”. E logo classificaram os atores: manifestantes e vândalos, como se a questão fosse apenas de nomenclatura. No entanto, não foram os manifestantes, mas os “vândalos” que se fizeram ouvir e, em alguma medida, ameaçaram o sistema. Eles, sim, meteram medo de arrepiar. “E se a boiada estourar, ninguém segura!”, vaticinou um comerciante da Av. Paulista.
Entre os chamados “vândalos”, a grande maioria não era de bandidos, como se verificou com as prisões, mas de moradores das periferias. Excluídos, apenas.
Há 14 anos, cerca de cem moradores de uma favela do Rio alugaram um ônibus e foram passear num shopping da zona sul. Não passaram da porta. Clientes, lojistas e vendedores entraram em pânico. Veio a polícia. Logo depois, a imprensa. Câmeras ao vivo. Sem argumento para manter a proibição, o shopping cedeu. E os favelados entraram, transpondo a barreira invisível da segregação social. Subiram e desceram pelas escadas rolantes, alguns pela primeira vez. Visitaram lojas. Provaram roupas. Na praça de alimentação, comeram o pão com mortadela que haviam levado. Na mais perfeita ordem. De agressivo e violento, apenas a pobreza. Suas caras. Suas roupas. Suas existências, talvez.
Esse, o embrião dos rolezinhos de hoje, que, como as manifestações de junho, começaram pacíficos. Reprimidos, degringolaram. Viraram saques e arrastões. Na maioria, adolescentes. Pobres. Moradores das periferias. Sempre eles. Os excluídos. “Ói nóis aqui, mano!”.
No chamado “país do futebol”, eles também estarão excluídos da Copa. Assim, quando a câmera focalizar a família loira, bonita e bem vestida, comemorando o gol de Neymar (um ex-morador da periferia), Galvão Bueno dirá com sua voz empostada e pretensamente comovida: “Que coisa linda de se ver! A família brasileira de volta aos nossos estádios”.
Sei que ninguém está preocupado com isso. Vou perguntar apenas por perguntar: e se a boiada estourar, quem segura?
Joca Souza Leão. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed784_oi_nois_aqui_mano!. Adaptado.
Assinale a alternativa que corresponde ao ponto de vista expresso pelo autor no texto.
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O texto a seguir é referência para a questão.
Ói nóis aqui, mano!
Em junho do ano passado, o país foi surpreendido com a explosão de manifestações que começaram em São Paulo e rapidamente se espalharam por todo canto, tendo como pretexto a qualidade e o preço do transporte público, mas que logo ganharam outros contornos.
Passada a perplexidade, vieram as conclusões. E todas apontavam para os vilões de sempre: a qualidade dos serviços públicos e as mazelas da classe política. Saúde, educação, segurança, transporte, legitimidade da representação política, corrupção, impunidade... Ou seja, a agenda da classe média. “O Brasil acordou!”, saudou a grande mídia, após um vacilo inicial. Mas poucos se deram conta de que ali foi gestado, também, o embrião de uma outra coisa. Bem mais profunda. E difusa.
Os brasileiros talvez tenham, finalmente, acordado. Mas a elite continua dormindo em berço esplêndido. Rechaçou a primeira manifestação, pacífica, diga-se, promovida por pessoas que nunca tinham ido pra rua, e apoiou a repressão violenta, através dos seus porta-vozes midiáticos. O caldo engrossou. E entraram em cena novos atores: os excluídos.
Novo cenário, novo discurso: “manifestação pode, é democrática; baderna, não”. E logo classificaram os atores: manifestantes e vândalos, como se a questão fosse apenas de nomenclatura. No entanto, não foram os manifestantes, mas os “vândalos” que se fizeram ouvir e, em alguma medida, ameaçaram o sistema. Eles, sim, meteram medo de arrepiar. “E se a boiada estourar, ninguém segura!”, vaticinou um comerciante da Av. Paulista.
Entre os chamados “vândalos”, a grande maioria não era de bandidos, como se verificou com as prisões, mas de moradores das periferias. Excluídos, apenas.
Há 14 anos, cerca de cem moradores de uma favela do Rio alugaram um ônibus e foram passear num shopping da zona sul. Não passaram da porta. Clientes, lojistas e vendedores entraram em pânico. Veio a polícia. Logo depois, a imprensa. Câmeras ao vivo. Sem argumento para manter a proibição, o shopping cedeu. E os favelados entraram, transpondo a barreira invisível da segregação social. Subiram e desceram pelas escadas rolantes, alguns pela primeira vez. Visitaram lojas. Provaram roupas. Na praça de alimentação, comeram o pão com mortadela que haviam levado. Na mais perfeita ordem. De agressivo e violento, apenas a pobreza. Suas caras. Suas roupas. Suas existências, talvez.
Esse, o embrião dos rolezinhos de hoje, que, como as manifestações de junho, começaram pacíficos. Reprimidos, degringolaram. Viraram saques e arrastões. Na maioria, adolescentes. Pobres. Moradores das periferias. Sempre eles. Os excluídos. “Ói nóis aqui, mano!”.
No chamado “país do futebol”, eles também estarão excluídos da Copa. Assim, quando a câmera focalizar a família loira, bonita e bem vestida, comemorando o gol de Neymar (um ex-morador da periferia), Galvão Bueno dirá com sua voz empostada e pretensamente comovida: “Que coisa linda de se ver! A família brasileira de volta aos nossos estádios”.
Sei que ninguém está preocupado com isso. Vou perguntar apenas por perguntar: e se a boiada estourar, quem segura?
Joca Souza Leão. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed784_oi_nois_aqui_mano!. Adaptado.
Ao representar graficamente a fala dos adolescentes, o autor acentuou as palavras “ói” e “nóis”. Sobre o uso desses acentos, identifique as seguintes afirmativas como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) A palavra “ói” recebeu um acento diferencial, por oposição a “oi”.
( ) A palavra “nóis” foi acentuada indevidamente, pois palavras análogas, como “heroico”, não são acentuadas.
( ) Ambas as palavras foram acentuadas por serem oxítonas, com a sílaba tônica formada pelo ditongo aberto ói, seguido ou não de s.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
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