Magna Concursos
2898681 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: CENTEC
Orgão: CENTEC
Provas:

Texto I

Prostituição infantil

Não sei que jornal, há algum tempo, noticiou que a polícia ia tomar sob a sua proteção as crianças que aí vivem, às dezenas, exploradas por meia dúzia de bandidos. Quando li a notícia, rejubilei. Porque, há longo tempo, desde que comecei a escrever, venho repisando este assunto, pedindo piedade para essas crianças e cadeia para esses patifes.

Mas os dias correram. As providências anunciadas não vieram. Parece que a piedade policial não se estende às crianças, e que a cadeia não foi feita para dar agasalho aos que prostituem corpos de sete a oito anos… E a cidade, à noite, continua a encher-se de bandos de meninas, que vagam de teatro em teatro e de hotel em hotel, vendendo flores e aprendendo a vender beijos.

Anteontem, por horas mortas, [***] que me encheu de mágoa e de nojo, de indignação e de angústia. Saía de um teatro. [***] rua central da cidade, deserta há essa hora avançada da noite, vi sentada uma menina, a uma soleira de porta. Dormia. Ao lado, a sua cesta de flores murchas estava atirada sobre a calçada. Despertei-a.

A pobrezinha levantou-se, com um grito. Teria oito anos, quando muito. Louros e despenteados, emolduravam os seus cabelos um rosto desfeito, amarrotado de sono e de choro. E dentro do miserável vestidinho de chita, todo o seu corpo tremia como numa convulsão, nervosamente. Quando viu que não lhe queria fazer mal, o seu ar de medo mudou-se logo num ar de súplica. Pediu-me dez tostões, chorando.

E a sua meia-língua infantil, espanholada, disseme cousas que ainda agora me doem dentro do coração.

Perdera toda a féria. Só conseguira obter, ao cabo de toda uma tarde de caminhadas e de pena, esses dez tostões — perdidos ou furtados. E pelos seus olhos molhados passava o terror das bordoadas que a esperavam em casa…

"Mas é teu pai quem te esbordoa?"

"É um homem que mora lá em casa…"

Dei-lhe os dez tostões, sem poder falar.

Ela, já alegre, com um sorriso divino que lhe iluminava a face úmida, pediu-me mais duzentos reis — para si, esses, para doces.

Guardou a nota na cesta, e meteu a mesada na meia, depressa, para a esconder…

Fiquei parado, longo tempo, a olhá-la. O seu vulto fugia já, pequenino, quase invisível na escuridão. Ainda de longe o vi fracamente alumiado por um lampião, sumir-se, dobrando uma esquina. Segui o meu caminho, com a morte na alma.

Ora — nestes tempos singulares em que a gente já se habituou a ouvir sem espanto cousas capazes de horrorizar a alma de Deiber —, é possível que alguém, encolhendo os ombros diante disto, me pergunte, o que é que eu tenho com a vida das crianças que vendem flores e são amassadas a sopapos quando não levam para casa uma certa e determinada quantia.

Tenho tudo, amigos meus! não penseis que me iluda sobre a eficácia das providências que possa a polícia tomar, a fim de salvar das pancadas o corpo e da devassidão a alma de qualquer dessas meninas. Bem sei que, enquanto o mundo for mundo e enquanto houver meninas — proteja-as ou não as proteja a polícia —, haverá pais que as esbordoem, mães que as vendam, cadelas que as industriem; cães que as deflorem!

Bem o sei: mas sei também que possuo nervos que vibram coração que se impressiona e olhos que vêem. E se a polícia não pode impedir a continuação dessa infâmia — pode pelo menos impedir que ela se ostente escandalosa, florescendo e frutificando a sombra da sua indulgência e da sua tolerância.

A polícia não pode proibir também que as meretrizes de profissão se entreguem ao seu comércio. Mas não deixa que elas apareçam nuas à janela, e muito menos consente que venham fazer no meio da rua, à luz meridiana, o que fazem no interior das casinhas de porta e janela. Com um milhão de raios! Quem tem a desgraça de possuir dentro do organismo um cancro incurável — não podendo extirpá-lo, trata ao menos de o esconder, por higiene, por decência, por pudor!

Demais, que custa abrir um inquérito para conseguir saber que grau de parentesco existe entre as crianças vendedoras de flores e os que as exploram? Eu, por mim, posso afirmar a quem de direito que, em cada grupo de dez crianças dessas, interrogadas por mim, duas apenas me têm dito que conhecem pai ou mãe…

Enfim, todos nós temos mais que fazer. E talvez a sorte melhor que se possa desejar hoje em dia a uma criança pobre — seja uma boa morte, uma dessas generosas mortes providenciais, que valem mais que todas as esmolas, todas as bênçãos, todos os augúrios felizes e… toda a comiseração dos cronistas.

Olavo Bilac, 14/08/1894

Fonte: Consciência.org

Texto II

Enunciado 3028839-1

Fonte: http://gohannippo.blogspot.com/2019/03/um-basta-ao-trabalhoinfantil. html Acesso em: 17 de maio de 2022

O texto de Olavo Bilac foi publicado em 1894, ou seja, há mais de 100 anos, porém a situação das crianças em relação à exploração do trabalho infantil continua sendo pauta de discussões sociais. No Brasil contemporâneo, a situação ainda é muito delicada, apesar da melhoria nos índices. De acordo com o infográfico, assinale o item que contém a afirmação CORRETA acerca desse dado:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Professor - Administração

50 Questões

Professor - Agrimensura

50 Questões

Professor - Agroecologia

50 Questões

Professor - Agroindústria

50 Questões

Professor - Agronegócio

50 Questões

Professor - Agropecuária

50 Questões

Professor - Aquicultura

50 Questões

Professor - Automação Industrial

50 Questões

Professor - Biotecnologia

50 Questões

Professor - Comércio

50 Questões

Professor - Computação Gráfica

50 Questões

Professor - Contabilidade

50 Questões

Professor - Desenho/Construção Civil

50 Questões

Professor - Desenvolvimento de Sistemas

50 Questões

Professor - Design de Interiores

50 Questões

Professor - Edificações

50 Questões

Professor - Eletromecânica

50 Questões

Professor - Eletrotécnica

50 Questões

Professor - Enfermagem

50 Questões

Professor - Estética

50 Questões

Professor - Eventos

50 Questões

Professor - Fabricação Mecânica

50 Questões

Professor - Finanças

50 Questões

Professor - Floricultura

50 Questões

Professor - Fruticultura

50 Questões

Professor - Hospedagem

50 Questões

Professor - Informática

50 Questões

Professor - Logística

50 Questões

Professor - Manutenção Automotiva

50 Questões

Professor - Massoterapia

50 Questões

Professor - Mecânica

50 Questões

Professor - Meio Ambiente

50 Questões

Professor - Moda/Produção

50 Questões

Professor - Modelagem do Vestuário

50 Questões

Professor - Móveis

50 Questões

Professor - Multimídia Design

50 Questões

Professor - Nutrição e Dietética

50 Questões

Professor - Portos

50 Questões

Professor - Produção de Áudio e Vídeo

50 Questões

Professor - Química

50 Questões

Professor - Redes de Computadores

50 Questões

Professor - Regência

50 Questões

Professor - Saúde Bucal

50 Questões

Professor - Secretaria Escolar

50 Questões

Professor - Secretariado

50 Questões

Professor - Segurança do Trabalho

50 Questões

Professor - Têxtil

50 Questões

Professor - Transações Imobiliárias

50 Questões

Professor - Turismo/Guia

50 Questões

Professor - Vestuário

50 Questões