O mundo viveu, nos últimos 200 anos, um crescimento econômico incomparável. Segundo estudo feito por Hans Rosling, médico sueco, em 1810 a expectativa de vida numa ampla amostra de países era baixa (ao redor de 40 anos), mas com pouca dispersão em torno dessa média. Ao longo de dois séculos, todos melhoraram.
Entretanto, a diferença entre os países aumentou brutalmente, variando de 50 a mais de 80 anos, e só recentemente passou a convergir timidamente. Apesar de não uniforme, é de se valorizar esse desenvolvimento. O que chama a atenção aqui é a similaridade entre o fenômeno relativamente recente da inclusão de consumidores no cenário brasileiro e a inclusão de novos países no desenvolvimento mundial. China, Índia, Indonésia, Vietnã e o próprio Brasil são como a nova classe emergente entrando no jogo global.
A ampliação do consumo de massa certamente é o denominador comum da transformação que estamos vivendo. Com isso está vindo uma demanda por mais informação, por melhores condições de vida e por maior participação nas grandes discussões.
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Em breve, ainda teremos que lidar com os alertas dos estudos que indicam que, se todos os habitantes do planeta tivessem um padrão de consumo semelhante ao de um cidadão norte-americano, os recursos naturais seriam insuficientes.
Seja em termos locais, seja em termos globais, vivemos uma nova era. Essa é a era da inclusão, da participação, da disseminação da informação, da busca da igualdade de oportunidades.
A complexidade de lidar com esse mundo da inclusão é muito maior e, ao mesmo tempo, fascinante, pois reflete o fato de estarmos construindo um mundo melhor e mais digno.
BARBOSA, Fábio Colleti. Tempos de inclusão. A Tarde, Salvador, 2 jan. 2011. Economia, p. B4. Adaptado.
No fragmento “Segundo estudo feito por Hans Rosling, médico sueco, em 1810 a expectativa de vida numa ampla amostra de países era baixa”, o deslocamento da última vírgula para após o termo “1810” produz um novo sentido na frase.