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INFLUENCIADORES DIGITAIS: UMA MERA ENCENAÇÃO SOCIAL?
Na obra Testemunha ocular, o historiador Peter Burke defende a ideia do uso das imagens como evidência histórica. Logo na introdução, ele pondera: “nos próximos anos, será interessante observar como os historiadores de uma geração exposta a computadores e televisão praticamente desde o nascimento, que sempre viveu num mundo saturado de imagens, vão enfocar a evidência visual em relação ao passado”.
Em 2001, quando o livro foi publicado, o ambiente virtual ainda não contava com ferramentas como o Instagram, que levaram a proliferação de imagens a patamares jamais imaginados. Se, nos termos de Burke, a saturação da nossa experiência de mundo por uma quantidade crescente de imagens é uma questão que se impôs na Era Moderna – com a invenção da imprensa e, mais tarde, com a popularização da fotografia –, origina-se também desse quadro um debate mais atual sobre o uso que estamos fazendo das imagens.
Um documentário recém-lançado pela HBO, Fake famous [“Famoso falso”], escrito e dirigido por Nick Bilton, traz reflexões instigantes nesse sentido. A produção gira em torno do universo dos influenciadores digitais e tem como argumento um experimento inusitado. Três anônimos são selecionados para conquistar fama instantânea nas redes sociais. São jovens na faixa dos vinte anos, que vislumbram na experiência a oportunidade de concretizar suas ambições. Enquanto ajuda-os na construção de uma imagem mais atraente para os padrões das redes, a produção do filme vai revelando os meios espúrios aos quais muitos usuários recorrem na busca incessante por engajamento.
Talvez não seja uma grande novidade, mas o documentário escancara a realidade da compra de seguidores (no caso, bots [“robôs”]), um dos meios mais comuns para simular um maior alcance das contas e impressionar marcas que buscam impulsionar a venda de seus produtos com a divulgação feita pelos influencers. Peter Burke bem nos lembra que “as tentações do realismo, mais exatamente a de tomar uma representação pela realidade, são particularmente sedutoras no que se refere a fotografias e retratos”. Em tempos remotos, já eram usuais representações artísticas que favoreciam as figuras retratadas. “Os modelos geralmente vestiam suas melhores roupas para serem pintados, de tal forma que os historiadores seriam desaconselhados a tratar retratos pintados como evidência do vestuário cotidiano”, acrescenta Burke. Ora, se artifícios como esses definem as imagens há tanto tempo, o que haveria de novo no comportamento visto hoje nas redes sociais?
Ao falar dos sistemas de convenções que sempre acompanharam a produção de retratos, o historiador sentencia: “as posturas e gestos dos modelos e os acessórios e objetos representados à sua volta seguem um padrão e estão frequentemente carregados de um sentido simbólico”. Se tomarmos como exemplo os antigos retratos da aristocracia, podemos entender, segundo essa lógica, que o reparo da aparência e o acréscimo de acessórios eram uma forma, portanto, de reafirmação simbólica de uma realidade já dada. Burke lembra como os governantes apareciam em armaduras e em vestes de coroação, no que lhes conferia maior dignidade.
Certamente, a imaginação humana permitiu que pessoas fossem retratadas de formas não totalmente equivalentes a suas existências concretas. No entanto, o que havia era mais um idealismo nas representações individuais do que aquilo que notamos hoje – a frequente falta de qualquer lastro com a realidade. Por um lado, é interessante reconhecer a democratização existente agora quanto à produção e à circulação de imagens. Por outro, é justamente a proliferação e o amplo alcance de distorções como as mostradas no documentário Fake famous que levam a um questionamento sobre o quanto não estamos presos a uma teia de artificialidade, regida ainda por relações mercadológicas nem sempre explícitas.
JÚLIA CORRÊA
Adaptado de fronteiras.com, abril/2021.
No texto, o ponto de vista do historiador Peter Burke aponta para um problema que pode decorrer do uso da imagem como evidência histórica.
Esse dilema está exposto no seguinte trecho:
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INFLUENCIADORES DIGITAIS: UMA MERA ENCENAÇÃO SOCIAL?
Na obra Testemunha ocular, o historiador Peter Burke defende a ideia do uso das imagens como evidência histórica. Logo na introdução, ele pondera: “nos próximos anos, será interessante observar como os historiadores de uma geração exposta a computadores e televisão praticamente desde o nascimento, que sempre viveu num mundo saturado de imagens, vão enfocar a evidência visual em relação ao passado”.
Em 2001, quando o livro foi publicado, o ambiente virtual ainda não contava com ferramentas como o Instagram, que levaram a proliferação de imagens a patamares jamais imaginados. Se, nos termos de Burke, a saturação da nossa experiência de mundo por uma quantidade crescente de imagens é uma questão que se impôs na Era Moderna – com a invenção da imprensa e, mais tarde, com a popularização da fotografia –, origina-se também desse quadro um debate mais atual sobre o uso que estamos fazendo das imagens.
Um documentário recém-lançado pela HBO, Fake famous [“Famoso falso”], escrito e dirigido por Nick Bilton, traz reflexões instigantes nesse sentido. A produção gira em torno do universo dos influenciadores digitais e tem como argumento um experimento inusitado. Três anônimos são selecionados para conquistar fama instantânea nas redes sociais. São jovens na faixa dos vinte anos, que vislumbram na experiência a oportunidade de concretizar suas ambições. Enquanto ajuda-os na construção de uma imagem mais atraente para os padrões das redes, a produção do filme vai revelando os meios espúrios aos quais muitos usuários recorrem na busca incessante por engajamento.
Talvez não seja uma grande novidade, mas o documentário escancara a realidade da compra de seguidores (no caso, bots [“robôs”]), um dos meios mais comuns para simular um maior alcance das contas e impressionar marcas que buscam impulsionar a venda de seus produtos com a divulgação feita pelos influencers. Peter Burke bem nos lembra que “as tentações do realismo, mais exatamente a de tomar uma representação pela realidade, são particularmente sedutoras no que se refere a fotografias e retratos”. Em tempos remotos, já eram usuais representações artísticas que favoreciam as figuras retratadas. “Os modelos geralmente vestiam suas melhores roupas para serem pintados, de tal forma que os historiadores seriam desaconselhados a tratar retratos pintados como evidência do vestuário cotidiano”, acrescenta Burke. Ora, se artifícios como esses definem as imagens há tanto tempo, o que haveria de novo no comportamento visto hoje nas redes sociais?
Ao falar dos sistemas de convenções que sempre acompanharam a produção de retratos, o historiador sentencia: “as posturas e gestos dos modelos e os acessórios e objetos representados à sua volta seguem um padrão e estão frequentemente carregados de um sentido simbólico”. Se tomarmos como exemplo os antigos retratos da aristocracia, podemos entender, segundo essa lógica, que o reparo da aparência e o acréscimo de acessórios eram uma forma, portanto, de reafirmação simbólica de uma realidade já dada. Burke lembra como os governantes apareciam em armaduras e em vestes de coroação, no que lhes conferia maior dignidade.
Certamente, a imaginação humana permitiu que pessoas fossem retratadas de formas não totalmente equivalentes a suas existências concretas. No entanto, o que havia era mais um idealismo nas representações individuais do que aquilo que notamos hoje – a frequente falta de qualquer lastro com a realidade. Por um lado, é interessante reconhecer a democratização existente agora quanto à produção e à circulação de imagens. Por outro, é justamente a proliferação e o amplo alcance de distorções como as mostradas no documentário Fake famous que levam a um questionamento sobre o quanto não estamos presos a uma teia de artificialidade, regida ainda por relações mercadológicas nem sempre explícitas.
JÚLIA CORRÊA
Adaptado de fronteiras.com, abril/2021.
Para defender sua tese acerca dos usos da imagem, a autora emprega o seguinte recurso central de organização do argumento:
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Texto – REDE
O diário corresponde, na fala, à conversa com os próprios botões. Mas não se pode conversar apenas com botões. Inclusive, aprende-se a falar pela observação dos outros, pelo interesse nos outros. A conversa consigo mesmo, da qual as crianças são mestras, indica claramente a presença da falta.
Um tanto paradoxal esta expressão: “presença da falta”. Porém, precisa. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo, tanto dos outros quanto daquele que ele podia ser mas ainda não é, se faz uma presença viva, perceptível no papo das crianças com seus amigos imaginários, no sonho dos adultos com seus desejos frustrados, na insônia dos apaixonados em suas camas de solteiro. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo é aquela que explica e dá sentido a boa parte dos seus atos e lapsos.
Eis a palavra, testemunhando a ausência e a falta. A falta depositada nos diários testemunha a falta do autoconhecimento e, é claro, a necessidade da autoafirmação. Mas não nos falta apenas conhecer-nos. Falta-nos conhecer tudo e todos. Logo, não se escrevem única e exclusivamente diários. Escrevem-se bilhetes, cartas, artigos de jornal, livros e discursos públicos, a cada texto se marcando a presença de determinada falta.
Quando então o ato muda.
O diário afirma o indivíduo para si mesmo. Uma carta já o afirma para outro sujeito, e daí se tem de pensar neste outro no momento da escrita, uma vez que ele passou a fazer parte do ato. O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no visual, no estilo, na sequência, nas informações.
Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam bem mais de um outro só, buscam muitos outros leitores (quanto mais melhor). Todos estes outros, desejados e possíveis, invadem e transformam/transtornam a mensagem, e não poderia ser de outro modo. Tudo o que existe cobra a sua existência. Se existe um leitor, pelo simples fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta – cobrando que a coisa se escreva de modo que ele entenda (ele, e talvez mais ninguém, pois por enquanto tratamos de uma carta), que ele sinta e possa responder. Da mesma maneira, se existem mil leitores, pelo simples e inusitado (no Brasil) fato de existirem, eles estarão cobrando seu espaço no artigo, no livro teórico, no romance – cobrando que a coisa se escreva de modo a que se entenda, e se sinta, e mexa por dentro, e cobrando que se diga algo que ainda não tenha sido dito, para valer a pena.
BERNARDO, Gustavo. Redação inquieta. Rio de Janeiro: Globo, 1988 (trecho).
A falta depositada nos diários testemunha a falta do autoconhecimento e, é claro, a necessidade da autoafirmação. (3º parágrafo)
Se se colocar na terceira pessoa do plural o verbo sublinhado acima, a alternativa que contém a versão correta no que se refere à concordância verbal e nominal é:
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Texto – REDE
O diário corresponde, na fala, à conversa com os próprios botões. Mas não se pode conversar apenas com botões. Inclusive, aprende-se a falar pela observação dos outros, pelo interesse nos outros. A conversa consigo mesmo, da qual as crianças são mestras, indica claramente a presença da falta.
Um tanto paradoxal esta expressão: “presença da falta”. Porém, precisa. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo, tanto dos outros quanto daquele que ele podia ser mas ainda não é, se faz uma presença viva, perceptível no papo das crianças com seus amigos imaginários, no sonho dos adultos com seus desejos frustrados, na insônia dos apaixonados em suas camas de solteiro. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo é aquela que explica e dá sentido a boa parte dos seus atos e lapsos.
Eis a palavra, testemunhando a ausência e a falta. A falta depositada nos diários testemunha a falta do autoconhecimento e, é claro, a necessidade da autoafirmação. Mas não nos falta apenas conhecer-nos. Falta-nos conhecer tudo e todos. Logo, não se escrevem única e exclusivamente diários. Escrevem-se bilhetes, cartas, artigos de jornal, livros e discursos públicos, a cada texto se marcando a presença de determinada falta.
Quando então o ato muda.
O diário afirma o indivíduo para si mesmo. Uma carta já o afirma para outro sujeito, e daí se tem de pensar neste outro no momento da escrita, uma vez que ele passou a fazer parte do ato. O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no visual, no estilo, na sequência, nas informações.
Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam bem mais de um outro só, buscam muitos outros leitores (quanto mais melhor). Todos estes outros, desejados e possíveis, invadem e transformam/transtornam a mensagem, e não poderia ser de outro modo. Tudo o que existe cobra a sua existência. Se existe um leitor, pelo simples fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta – cobrando que a coisa se escreva de modo que ele entenda (ele, e talvez mais ninguém, pois por enquanto tratamos de uma carta), que ele sinta e possa responder. Da mesma maneira, se existem mil leitores, pelo simples e inusitado (no Brasil) fato de existirem, eles estarão cobrando seu espaço no artigo, no livro teórico, no romance – cobrando que a coisa se escreva de modo a que se entenda, e se sinta, e mexa por dentro, e cobrando que se diga algo que ainda não tenha sido dito, para valer a pena.
BERNARDO, Gustavo. Redação inquieta. Rio de Janeiro: Globo, 1988 (trecho).
O tempo verbal predominante no texto é o presente do indicativo. A escolha desse tempo verbal tem relação com o tipo textual do texto em questão, já que:
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Texto – REDE
O diário corresponde, na fala, à conversa com os próprios botões. Mas não se pode conversar apenas com botões. Inclusive, aprende-se a falar pela observação dos outros, pelo interesse nos outros. A conversa consigo mesmo, da qual as crianças são mestras, indica claramente a presença da falta.
Um tanto paradoxal esta expressão: “presença da falta”. Porém, precisa. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo, tanto dos outros quanto daquele que ele podia ser mas ainda não é, se faz uma presença viva, perceptível no papo das crianças com seus amigos imaginários, no sonho dos adultos com seus desejos frustrados, na insônia dos apaixonados em suas camas de solteiro. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo é aquela que explica e dá sentido a boa parte dos seus atos e lapsos.
Eis a palavra, testemunhando a ausência e a falta. A falta depositada nos diários testemunha a falta do autoconhecimento e, é claro, a necessidade da autoafirmação. Mas não nos falta apenas conhecer-nos. Falta-nos conhecer tudo e todos. Logo, não se escrevem única e exclusivamente diários. Escrevem-se bilhetes, cartas, artigos de jornal, livros e discursos públicos, a cada texto se marcando a presença de determinada falta.
Quando então o ato muda.
O diário afirma o indivíduo para si mesmo. Uma carta já o afirma para outro sujeito, e daí se tem de pensar neste outro no momento da escrita, uma vez que ele passou a fazer parte do ato. O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no visual, no estilo, na sequência, nas informações.
Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam bem mais de um outro só, buscam muitos outros leitores (quanto mais melhor). Todos estes outros, desejados e possíveis, invadem e transformam/transtornam a mensagem, e não poderia ser de outro modo. Tudo o que existe cobra a sua existência. Se existe um leitor, pelo simples fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta – cobrando que a coisa se escreva de modo que ele entenda (ele, e talvez mais ninguém, pois por enquanto tratamos de uma carta), que ele sinta e possa responder. Da mesma maneira, se existem mil leitores, pelo simples e inusitado (no Brasil) fato de existirem, eles estarão cobrando seu espaço no artigo, no livro teórico, no romance – cobrando que a coisa se escreva de modo a que se entenda, e se sinta, e mexa por dentro, e cobrando que se diga algo que ainda não tenha sido dito, para valer a pena.
BERNARDO, Gustavo. Redação inquieta. Rio de Janeiro: Globo, 1988 (trecho).
O diário corresponde, na fala, à conversa com os próprios botões. (1º parágrafo)
Se se substituísse a palavra “conversa” pela palavra “diálogo”, a expressão sublinhada seria alterada para:
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Texto – REDE
O diário corresponde, na fala, à conversa com os próprios botões. Mas não se pode conversar apenas com botões. Inclusive, aprende-se a falar pela observação dos outros, pelo interesse nos outros. A conversa consigo mesmo, da qual as crianças são mestras, indica claramente a presença da falta.
Um tanto paradoxal esta expressão: “presença da falta”. Porém, precisa. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo, tanto dos outros quanto daquele que ele podia ser mas ainda não é, se faz uma presença viva, perceptível no papo das crianças com seus amigos imaginários, no sonho dos adultos com seus desejos frustrados, na insônia dos apaixonados em suas camas de solteiro. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo é aquela que explica e dá sentido a boa parte dos seus atos e lapsos.
Eis a palavra, testemunhando a ausência e a falta. A falta depositada nos diários testemunha a falta do autoconhecimento e, é claro, a necessidade da autoafirmação. Mas não nos falta apenas conhecer-nos. Falta-nos conhecer tudo e todos. Logo, não se escrevem única e exclusivamente diários. Escrevem-se bilhetes, cartas, artigos de jornal, livros e discursos públicos, a cada texto se marcando a presença de determinada falta.
Quando então o ato muda.
O diário afirma o indivíduo para si mesmo. Uma carta já o afirma para outro sujeito, e daí se tem de pensar neste outro no momento da escrita, uma vez que ele passou a fazer parte do ato. O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no visual, no estilo, na sequência, nas informações.
Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam bem mais de um outro só, buscam muitos outros leitores (quanto mais melhor). Todos estes outros, desejados e possíveis, invadem e transformam/transtornam a mensagem, e não poderia ser de outro modo. Tudo o que existe cobra a sua existência. Se existe um leitor, pelo simples fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta – cobrando que a coisa se escreva de modo que ele entenda (ele, e talvez mais ninguém, pois por enquanto tratamos de uma carta), que ele sinta e possa responder. Da mesma maneira, se existem mil leitores, pelo simples e inusitado (no Brasil) fato de existirem, eles estarão cobrando seu espaço no artigo, no livro teórico, no romance – cobrando que a coisa se escreva de modo a que se entenda, e se sinta, e mexa por dentro, e cobrando que se diga algo que ainda não tenha sido dito, para valer a pena.
BERNARDO, Gustavo. Redação inquieta. Rio de Janeiro: Globo, 1988 (trecho).
Um tanto paradoxal esta expressão: “presença da falta”. Porém, precisa. (2º parágrafo)
A palavra sublinhada no trecho acima pode ser substituída, sem prejuízo do sentido global da frase, por:
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Texto – REDE
O diário corresponde, na fala, à conversa com os próprios botões. Mas não se pode conversar apenas com botões. Inclusive, aprende-se a falar pela observação dos outros, pelo interesse nos outros. A conversa consigo mesmo, da qual as crianças são mestras, indica claramente a presença da falta.
Um tanto paradoxal esta expressão: “presença da falta”. Porém, precisa. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo, tanto dos outros quanto daquele que ele podia ser mas ainda não é, se faz uma presença viva, perceptível no papo das crianças com seus amigos imaginários, no sonho dos adultos com seus desejos frustrados, na insônia dos apaixonados em suas camas de solteiro. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo é aquela que explica e dá sentido a boa parte dos seus atos e lapsos.
Eis a palavra, testemunhando a ausência e a falta. A falta depositada nos diários testemunha a falta do autoconhecimento e, é claro, a necessidade da autoafirmação. Mas não nos falta apenas conhecer-nos. Falta-nos conhecer tudo e todos. Logo, não se escrevem única e exclusivamente diários. Escrevem-se bilhetes, cartas, artigos de jornal, livros e discursos públicos, a cada texto se marcando a presença de determinada falta.
Quando então o ato muda.
O diário afirma o indivíduo para si mesmo. Uma carta já o afirma para outro sujeito, e daí se tem de pensar neste outro no momento da escrita, uma vez que ele passou a fazer parte do ato. O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no visual, no estilo, na sequência, nas informações.
Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam bem mais de um outro só, buscam muitos outros leitores (quanto mais melhor). Todos estes outros, desejados e possíveis, invadem e transformam/transtornam a mensagem, e não poderia ser de outro modo. Tudo o que existe cobra a sua existência. Se existe um leitor, pelo simples fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta – cobrando que a coisa se escreva de modo que ele entenda (ele, e talvez mais ninguém, pois por enquanto tratamos de uma carta), que ele sinta e possa responder. Da mesma maneira, se existem mil leitores, pelo simples e inusitado (no Brasil) fato de existirem, eles estarão cobrando seu espaço no artigo, no livro teórico, no romance – cobrando que a coisa se escreva de modo a que se entenda, e se sinta, e mexa por dentro, e cobrando que se diga algo que ainda não tenha sido dito, para valer a pena.
BERNARDO, Gustavo. Redação inquieta. Rio de Janeiro: Globo, 1988 (trecho).
Quando então o ato muda. (4º parágrafo)
A frase acima divide o texto em duas partes, pois:
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Protege uma exuberante floresta localizada na zona oeste do Município do Rio. Está distribuído em partes de 17 bairros, entre eles: Jacarepaguá, Vargem Grande, Vargem Pequena, Recreio dos Bandeirantes, Barra de Guaratiba, Bangu e Realengo. Com 12.393,84 hectares, trata-se de uma das maiores florestas urbanas do mundo.
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A imagem e a descrição acima se referem ao Parque Estadual denominado:
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A política de polos econômicos centrados em atividades distintas tem contribuído para o fortalecimento da regionalização do Estado do Rio de Janeiro. Com base nesta afirmativa, a região que se caracteriza como polo turístico é a seguinte:
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Atualmente, o Estado do Rio de Janeiro é subdividido em 92 municípios e oito regiões de Governo, sendo estas últimas a Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ), a Região Noroeste, a Região Norte, a Região dos Lagos ou Baixadas Litorâneas, a Região Serrana, a Região Centro-Sul, a Região do Médio Paraíba e a Região da Costa Verde.
São cidades da Região Serrana do Estado:
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