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Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte
TEXTO 3
AUTISTÃO: PAÍS METAFÓRICO, APOIO CONCRETO
Autistas se reúnem no Rio de Janeiro para celebrar o Dia do Autistão e discutir de neurodiversidade a autoaceitação
1 --------------Em consonância com as comemorações do Dia Mundial da Conscientização do Autismo –
--------instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o dia 2 de abril, a Organização Diplomática
--------do Autistão, uma instituição sem fins lucrativos com diversos pontos e apoiadores no mundo, promoveu
--------o Dia do Autistão, em Copacabana, no Rio de Janeiro, neste último 31 de março.
5 1 ------------Na ocasião, autistas de diferentes estados do Brasil, presencialmente e virtualmente, discutiram
temas de escolha livre em mesas redondas variadas. Entre os debates, figuraram assuntos como
neurodiversidade, diagnóstico, preconceito, mulheres autistas e autoaceitação.
-----------------O responsável pelo evento foi o francês Eric Lucas, de 54 anos, que classificou a programação
--------como o dia mais difícil da sua vida. Foram mais de 10 horas, concentrado no gerenciamento das
10 ---chamadas e na transmissão feita, simultaneamente, no YouTube e Facebook, para que fosse vista em
--------diferentes lugares do Brasil.
Diálogos
--------------A ideia do Dia do Autistão surgiu apenas dois meses antes do evento propriamente dito. Apesar
--------da correria, Eric conseguiu reunir diferentes autistas em posições distintas no midiativismo autista –
--------como o youtuber Leonard Akira, a podcaster Erika Ribeiro e o adolescente Zeca Szymon – para falar
15 ---dos temas que os interessavam.
--------------“Eles foram muito colaborativos, muito pacientes, muito bacanas. Isso é o efeito mágico do
--------Brasil, o povo é mais humano, mais aberto, mais gentil e mais amável. O Brasil, na minha opinião como
--------francês, é um país muito avançado em termos de direitos para os autistas”, contou Eric.
--------------O evento iniciou às 11h da manhã e seguiu até 21h30min. Os horários foram divididos
20 ---em pequenas palestras, comentários, e incluíram-se, também, detalhes sobre o Autistão – um conceito
--------metafórico de um país dos autistas. Além disso, o público pôde acompanhar a transmissão no canal da
--------organização no YouTube e na página do Facebook.
--------------A proposta, segundo Lucas, foi de difícil execução. Ele destaca que “foram mais de 10
--------voluntários, mas o evento envolveu muita tecnologia, interações e foi extremamente difícil. Não estamos
25 ---acostumados a fazer coisas tão complicadas com o computador”.
--------------Originalmente, o evento brasileiro ocorreria, simultaneamente, com a Journée de l’Autistan,
--------na Bélgica. No entanto, problemas na transmissão causaram mudanças de cronograma. Apesar dos
--------impasses, o Dia do Autistão manteve a participação de todos os autistas previstos. Lucas completa: “tive
--------muito estresse e medo de ter problemas técnicos, mas é o meu jeito de fazer. Porque, quando pensamos
30 ---demais, pensamos que é impossível e não fazemos nada. Mas conseguimos fazer algo bem legal e
--------resolvemos os problemas juntos”.
Apoio
--------------É impossível dissociar a Embaixada do Autistão, local físico da Organização Diplomática do
--------Autistão, da figura de Eric Lucas. Após sua saída da França, devido ao ataque terrorista de Paris, em
--------2015, Lucas alugou, em fevereiro de 2017, um apartamento de 40 m² em Copacabana. O espaço recebe e
35 ---apoia, com recursos próprios, autistas de diferentes lugares do país.
--------------Eric, no passado, foi uma figura viajante e de muitas histórias. Chegou a figurar na edição de
--------2001 do Guinness World Records, esteve em países como Rússia, Egito e Cazaquistão, é poliglota, foi
--------DJ durante 15 anos e se adaptou à vida social na medida do possível. Há mais de dois anos, em terras
--------cariocas, se diz satisfeito com a mudança e evita aparecer em fotos.
40 --------------O francês mora com Shree Ram, um jovem nepalês que conheceu em uma de suas viagens ao
--------Nepal e que o acompanha no Autistão e na vida brasileira. “Temos uma amizade que não podíamos
--------imaginar. É como um irmão de outra mãe. Somos muito felizes aqui”, disse Eric.
--------------Uma ajuda neurodiversa na vida de Eric é Ludmila Leal, que tem um irmão autista e colaborou,
--------de forma geral, na organização do evento. “Esse é o caminho para a humanidade. O único caminho da
45 ---paz é esse, as pessoas aceitarem e se colocarem no lugar do outro”, ela afirma sobre a importância das
--------diferenças. Foi com a intenção de tentar entender outros autistas que Lucas fez o máximo de adaptações
--------possíveis para os convidados. Geuvana Nogueira, por exemplo, faz parte da Liga dos Autistas, tem
--------restrições alimentares e se deslocou de Campo Grande até o Rio. Na capital, foi auxiliada pela
--------organização e pelos demais autistas presentes.
50 --------------No Rio de Janeiro, Geuvana contou ter vivido desafios: “eu saí da minha zona de conforto, foi
--------delicado. Mas acredito que, quando conseguimos nos aceitar e nos olhar como autistas,
--------o outro autista não é difícil. É como se todo mundo já se conhecesse”.
--------Eric Lucas reiterou a missão do Autistão: “nós queremos colaborar com qualquer pessoa, sejam
--------autistas, famílias ou organizações. Somos uma organização de autistas, extranacional, ou seja, não ligada
55 ---a nenhum país, com uma visão global para apoiar os ativistas nacionais”.
Histórias
--------------Os bastidores do Dia do Autistão renderam encontros e vivências para os participantes. Erika
--------Ribeiro, podcaster do Erika’s Small Talk, reconheceu o evento como uma espécie de divisor de águas
--------em sua saga para “sair do armário”, que se arrastou por parte significativa dos seus 39 anos de idade.
--------“Fui diagnosticada no auge da minha carreira, com 22 anos. Eu cursava Direito, trabalhava, e
60 ---aquilo me dava uma confusão mental. Fui procurar uma ajuda psiquiátrica e acabei diagnosticada com
--------TDA e Asperger. Resolvi vir pra botar a cara logo e bora!”, contou.
--------------A maior parte dos participantes do evento era de adultos, exceto Zeca Szymon, um adolescente
--------de 14 anos, acompanhado da mãe, Magaly Botafogo. Já a participante Geuvana tem dois filhos adultos
--------e encara sua posição como algo diferente de grande parte das mães não autistas. Ela explica: “Um deles
65 ---não mora comigo. Quando ele chega em casa, há um incômodo muito grande. Eu detesto que me
--------abracem, pois eu fico sufocada. Eu não me identifico mais com ele, mas é meu filho, eu gosto dele e
--------estou aprendendo a lidar com isso. Eu o criei para ter sua vida. A vida dele não é minha, é dele”.
--------------O youtuber Leonard Akira enfatizou que as potencialidades autistas devem ser exploradas. “O
--------autismo, para parte dos pais, é considerado um tabu e um limitador. Eles pensam em todas as
70 ---dificuldades que o filho terá na vida e na discriminação. Se um pai tiver uma visão mais esperançosa do
--------filho, ele verá as vantagens e desvantagens desta condição”.
--------------Ludmila, que acompanhou tudo por detrás das câmeras de transmissão, aprovou o Dia do
--------Autistão. “Quanto mais eventos que mostram formas diferentes de viver, de pensar, de conviver, de
--------aceitar, melhor. Precisamos acabar com a intolerância, que está se espalhando na civilização, e neste
75 ---momento, isso é de suma importância”.
ABREU, Tiago. Autistão: país metafórico, apoio concreto. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p. 26-28, jun./jul./ago. 2019.
Disponível em: <www.revistaautismo.com.br> Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
Em vários momentos no texto, é possível encontrar a opinião de quem enuncia. Das opções seguintes, assinale a alternativa que NÃO representa a expressão de uma opinião:
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TEXTO 3
AUTISTÃO: PAÍS METAFÓRICO, APOIO CONCRETO
Autistas se reúnem no Rio de Janeiro para celebrar o Dia do Autistão e discutir de neurodiversidade a autoaceitação
1 --------------Em consonância com as comemorações do Dia Mundial da Conscientização do Autismo –
--------instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o dia 2 de abril, a Organização Diplomática
--------do Autistão, uma instituição sem fins lucrativos com diversos pontos e apoiadores no mundo, promoveu
--------o Dia do Autistão, em Copacabana, no Rio de Janeiro, neste último 31 de março.
5 1 ------------Na ocasião, autistas de diferentes estados do Brasil, presencialmente e virtualmente, discutiram
temas de escolha livre em mesas redondas variadas. Entre os debates, figuraram assuntos como
neurodiversidade, diagnóstico, preconceito, mulheres autistas e autoaceitação.
-----------------O responsável pelo evento foi o francês Eric Lucas, de 54 anos, que classificou a programação
--------como o dia mais difícil da sua vida. Foram mais de 10 horas, concentrado no gerenciamento das
10 ---chamadas e na transmissão feita, simultaneamente, no YouTube e Facebook, para que fosse vista em
--------diferentes lugares do Brasil.
Diálogos
--------------A ideia do Dia do Autistão surgiu apenas dois meses antes do evento propriamente dito. Apesar
--------da correria, Eric conseguiu reunir diferentes autistas em posições distintas no midiativismo autista –
--------como o youtuber Leonard Akira, a podcaster Erika Ribeiro e o adolescente Zeca Szymon – para falar
15 ---dos temas que os interessavam.
--------------“Eles foram muito colaborativos, muito pacientes, muito bacanas. Isso é o efeito mágico do
--------Brasil, o povo é mais humano, mais aberto, mais gentil e mais amável. O Brasil, na minha opinião como
--------francês, é um país muito avançado em termos de direitos para os autistas”, contou Eric.
--------------O evento iniciou às 11h da manhã e seguiu até 21h30min. Os horários foram divididos
20 ---em pequenas palestras, comentários, e incluíram-se, também, detalhes sobre o Autistão – um conceito
--------metafórico de um país dos autistas. Além disso, o público pôde acompanhar a transmissão no canal da
--------organização no YouTube e na página do Facebook.
--------------A proposta, segundo Lucas, foi de difícil execução. Ele destaca que “foram mais de 10
--------voluntários, mas o evento envolveu muita tecnologia, interações e foi extremamente difícil. Não estamos
25 ---acostumados a fazer coisas tão complicadas com o computador”.
--------------Originalmente, o evento brasileiro ocorreria, simultaneamente, com a Journée de l’Autistan,
--------na Bélgica. No entanto, problemas na transmissão causaram mudanças de cronograma. Apesar dos
--------impasses, o Dia do Autistão manteve a participação de todos os autistas previstos. Lucas completa: “tive
--------muito estresse e medo de ter problemas técnicos, mas é o meu jeito de fazer. Porque, quando pensamos
30 ---demais, pensamos que é impossível e não fazemos nada. Mas conseguimos fazer algo bem legal e
--------resolvemos os problemas juntos”.
Apoio
--------------É impossível dissociar a Embaixada do Autistão, local físico da Organização Diplomática do
--------Autistão, da figura de Eric Lucas. Após sua saída da França, devido ao ataque terrorista de Paris, em
--------2015, Lucas alugou, em fevereiro de 2017, um apartamento de 40 m² em Copacabana. O espaço recebe e
35 ---apoia, com recursos próprios, autistas de diferentes lugares do país.
--------------Eric, no passado, foi uma figura viajante e de muitas histórias. Chegou a figurar na edição de
--------2001 do Guinness World Records, esteve em países como Rússia, Egito e Cazaquistão, é poliglota, foi
--------DJ durante 15 anos e se adaptou à vida social na medida do possível. Há mais de dois anos, em terras
--------cariocas, se diz satisfeito com a mudança e evita aparecer em fotos.
40 --------------O francês mora com Shree Ram, um jovem nepalês que conheceu em uma de suas viagens ao
--------Nepal e que o acompanha no Autistão e na vida brasileira. “Temos uma amizade que não podíamos
--------imaginar. É como um irmão de outra mãe. Somos muito felizes aqui”, disse Eric.
--------------Uma ajuda neurodiversa na vida de Eric é Ludmila Leal, que tem um irmão autista e colaborou,
--------de forma geral, na organização do evento. “Esse é o caminho para a humanidade. O único caminho da
45 ---paz é esse, as pessoas aceitarem e se colocarem no lugar do outro”, ela afirma sobre a importância das
--------diferenças. Foi com a intenção de tentar entender outros autistas que Lucas fez o máximo de adaptações
--------possíveis para os convidados. Geuvana Nogueira, por exemplo, faz parte da Liga dos Autistas, tem
--------restrições alimentares e se deslocou de Campo Grande até o Rio. Na capital, foi auxiliada pela
--------organização e pelos demais autistas presentes.
50 --------------No Rio de Janeiro, Geuvana contou ter vivido desafios: “eu saí da minha zona de conforto, foi
--------delicado. Mas acredito que, quando conseguimos nos aceitar e nos olhar como autistas,
--------o outro autista não é difícil. É como se todo mundo já se conhecesse”.
--------Eric Lucas reiterou a missão do Autistão: “nós queremos colaborar com qualquer pessoa, sejam
--------autistas, famílias ou organizações. Somos uma organização de autistas, extranacional, ou seja, não ligada
55 ---a nenhum país, com uma visão global para apoiar os ativistas nacionais”.
Histórias
--------------Os bastidores do Dia do Autistão renderam encontros e vivências para os participantes. Erika
--------Ribeiro, podcaster do Erika’s Small Talk, reconheceu o evento como uma espécie de divisor de águas
--------em sua saga para “sair do armário”, que se arrastou por parte significativa dos seus 39 anos de idade.
--------“Fui diagnosticada no auge da minha carreira, com 22 anos. Eu cursava Direito, trabalhava, e
60 ---aquilo me dava uma confusão mental. Fui procurar uma ajuda psiquiátrica e acabei diagnosticada com
--------TDA e Asperger. Resolvi vir pra botar a cara logo e bora!”, contou.
--------------A maior parte dos participantes do evento era de adultos, exceto Zeca Szymon, um adolescente
--------de 14 anos, acompanhado da mãe, Magaly Botafogo. Já a participante Geuvana tem dois filhos adultos
--------e encara sua posição como algo diferente de grande parte das mães não autistas. Ela explica: “Um deles
65 ---não mora comigo. Quando ele chega em casa, há um incômodo muito grande. Eu detesto que me
--------abracem, pois eu fico sufocada. Eu não me identifico mais com ele, mas é meu filho, eu gosto dele e
--------estou aprendendo a lidar com isso. Eu o criei para ter sua vida. A vida dele não é minha, é dele”.
--------------O youtuber Leonard Akira enfatizou que as potencialidades autistas devem ser exploradas. “O
--------autismo, para parte dos pais, é considerado um tabu e um limitador. Eles pensam em todas as
70 ---dificuldades que o filho terá na vida e na discriminação. Se um pai tiver uma visão mais esperançosa do
--------filho, ele verá as vantagens e desvantagens desta condição”.
--------------Ludmila, que acompanhou tudo por detrás das câmeras de transmissão, aprovou o Dia do
--------Autistão. “Quanto mais eventos que mostram formas diferentes de viver, de pensar, de conviver, de
--------aceitar, melhor. Precisamos acabar com a intolerância, que está se espalhando na civilização, e neste
75 ---momento, isso é de suma importância”.
ABREU, Tiago. Autistão: país metafórico, apoio concreto. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p. 26-28, jun./jul./ago. 2019.
Disponível em: <www.revistaautismo.com.br> Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
Assinale a alternativa em que NÃO há relação entre o pronome destacado e a expressão enunciada entre parênteses:
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TEXTO 3
AUTISTÃO: PAÍS METAFÓRICO, APOIO CONCRETO
Autistas se reúnem no Rio de Janeiro para celebrar o Dia do Autistão e discutir de neurodiversidade a autoaceitação
1 --------------Em consonância com as comemorações do Dia Mundial da Conscientização do Autismo –
--------instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o dia 2 de abril, a Organização Diplomática
--------do Autistão, uma instituição sem fins lucrativos com diversos pontos e apoiadores no mundo, promoveu
--------o Dia do Autistão, em Copacabana, no Rio de Janeiro, neste último 31 de março.
5 1 ------------Na ocasião, autistas de diferentes estados do Brasil, presencialmente e virtualmente, discutiram
temas de escolha livre em mesas redondas variadas. Entre os debates, figuraram assuntos como
neurodiversidade, diagnóstico, preconceito, mulheres autistas e autoaceitação.
-----------------O responsável pelo evento foi o francês Eric Lucas, de 54 anos, que classificou a programação
--------como o dia mais difícil da sua vida. Foram mais de 10 horas, concentrado no gerenciamento das
10 ---chamadas e na transmissão feita, simultaneamente, no YouTube e Facebook, para que fosse vista em
--------diferentes lugares do Brasil.
Diálogos
--------------A ideia do Dia do Autistão surgiu apenas dois meses antes do evento propriamente dito. Apesar
--------da correria, Eric conseguiu reunir diferentes autistas em posições distintas no midiativismo autista –
--------como o youtuber Leonard Akira, a podcaster Erika Ribeiro e o adolescente Zeca Szymon – para falar
15 ---dos temas que os interessavam.
--------------“Eles foram muito colaborativos, muito pacientes, muito bacanas. Isso é o efeito mágico do
--------Brasil, o povo é mais humano, mais aberto, mais gentil e mais amável. O Brasil, na minha opinião como
--------francês, é um país muito avançado em termos de direitos para os autistas”, contou Eric.
--------------O evento iniciou às 11h da manhã e seguiu até 21h30min. Os horários foram divididos
20 ---em pequenas palestras, comentários, e incluíram-se, também, detalhes sobre o Autistão – um conceito
--------metafórico de um país dos autistas. Além disso, o público pôde acompanhar a transmissão no canal da
--------organização no YouTube e na página do Facebook.
--------------A proposta, segundo Lucas, foi de difícil execução. Ele destaca que “foram mais de 10
--------voluntários, mas o evento envolveu muita tecnologia, interações e foi extremamente difícil. Não estamos
25 ---acostumados a fazer coisas tão complicadas com o computador”.
--------------Originalmente, o evento brasileiro ocorreria, simultaneamente, com a Journée de l’Autistan,
--------na Bélgica. No entanto, problemas na transmissão causaram mudanças de cronograma. Apesar dos
--------impasses, o Dia do Autistão manteve a participação de todos os autistas previstos. Lucas completa: “tive
--------muito estresse e medo de ter problemas técnicos, mas é o meu jeito de fazer. Porque, quando pensamos
30 ---demais, pensamos que é impossível e não fazemos nada. Mas conseguimos fazer algo bem legal e
--------resolvemos os problemas juntos”.
Apoio
--------------É impossível dissociar a Embaixada do Autistão, local físico da Organização Diplomática do
--------Autistão, da figura de Eric Lucas. Após sua saída da França, devido ao ataque terrorista de Paris, em
--------2015, Lucas alugou, em fevereiro de 2017, um apartamento de 40 m² em Copacabana. O espaço recebe e
35 ---apoia, com recursos próprios, autistas de diferentes lugares do país.
--------------Eric, no passado, foi uma figura viajante e de muitas histórias. Chegou a figurar na edição de
--------2001 do Guinness World Records, esteve em países como Rússia, Egito e Cazaquistão, é poliglota, foi
--------DJ durante 15 anos e se adaptou à vida social na medida do possível. Há mais de dois anos, em terras
--------cariocas, se diz satisfeito com a mudança e evita aparecer em fotos.
40 --------------O francês mora com Shree Ram, um jovem nepalês que conheceu em uma de suas viagens ao
--------Nepal e que o acompanha no Autistão e na vida brasileira. “Temos uma amizade que não podíamos
--------imaginar. É como um irmão de outra mãe. Somos muito felizes aqui”, disse Eric.
--------------Uma ajuda neurodiversa na vida de Eric é Ludmila Leal, que tem um irmão autista e colaborou,
--------de forma geral, na organização do evento. “Esse é o caminho para a humanidade. O único caminho da
45 ---paz é esse, as pessoas aceitarem e se colocarem no lugar do outro”, ela afirma sobre a importância das
--------diferenças. Foi com a intenção de tentar entender outros autistas que Lucas fez o máximo de adaptações
--------possíveis para os convidados. Geuvana Nogueira, por exemplo, faz parte da Liga dos Autistas, tem
--------restrições alimentares e se deslocou de Campo Grande até o Rio. Na capital, foi auxiliada pela
--------organização e pelos demais autistas presentes.
50 --------------No Rio de Janeiro, Geuvana contou ter vivido desafios: “eu saí da minha zona de conforto, foi
--------delicado. Mas acredito que, quando conseguimos nos aceitar e nos olhar como autistas,
--------o outro autista não é difícil. É como se todo mundo já se conhecesse”.
--------Eric Lucas reiterou a missão do Autistão: “nós queremos colaborar com qualquer pessoa, sejam
--------autistas, famílias ou organizações. Somos uma organização de autistas, extranacional, ou seja, não ligada
55 ---a nenhum país, com uma visão global para apoiar os ativistas nacionais”.
Histórias
--------------Os bastidores do Dia do Autistão renderam encontros e vivências para os participantes. Erika
--------Ribeiro, podcaster do Erika’s Small Talk, reconheceu o evento como uma espécie de divisor de águas
--------em sua saga para “sair do armário”, que se arrastou por parte significativa dos seus 39 anos de idade.
--------“Fui diagnosticada no auge da minha carreira, com 22 anos. Eu cursava Direito, trabalhava, e
60 ---aquilo me dava uma confusão mental. Fui procurar uma ajuda psiquiátrica e acabei diagnosticada com
--------TDA e Asperger. Resolvi vir pra botar a cara logo e bora!”, contou.
--------------A maior parte dos participantes do evento era de adultos, exceto Zeca Szymon, um adolescente
--------de 14 anos, acompanhado da mãe, Magaly Botafogo. Já a participante Geuvana tem dois filhos adultos
--------e encara sua posição como algo diferente de grande parte das mães não autistas. Ela explica: “Um deles
65 ---não mora comigo. Quando ele chega em casa, há um incômodo muito grande. Eu detesto que me
--------abracem, pois eu fico sufocada. Eu não me identifico mais com ele, mas é meu filho, eu gosto dele e
--------estou aprendendo a lidar com isso. Eu o criei para ter sua vida. A vida dele não é minha, é dele”.
--------------O youtuber Leonard Akira enfatizou que as potencialidades autistas devem ser exploradas. “O
--------autismo, para parte dos pais, é considerado um tabu e um limitador. Eles pensam em todas as
70 ---dificuldades que o filho terá na vida e na discriminação. Se um pai tiver uma visão mais esperançosa do
--------filho, ele verá as vantagens e desvantagens desta condição”.
--------------Ludmila, que acompanhou tudo por detrás das câmeras de transmissão, aprovou o Dia do
--------Autistão. “Quanto mais eventos que mostram formas diferentes de viver, de pensar, de conviver, de
--------aceitar, melhor. Precisamos acabar com a intolerância, que está se espalhando na civilização, e neste
75 ---momento, isso é de suma importância”.
ABREU, Tiago. Autistão: país metafórico, apoio concreto. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p. 26-28, jun./jul./ago. 2019.
Disponível em: <www.revistaautismo.com.br> Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
Assinale a alternativa em que o sentido do termo grifado está DEVIDAMENTE explicado nos parênteses:
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TEXTO 3
AUTISTÃO: PAÍS METAFÓRICO, APOIO CONCRETO
Autistas se reúnem no Rio de Janeiro para celebrar o Dia do Autistão e discutir de neurodiversidade a autoaceitação
1 --------------Em consonância com as comemorações do Dia Mundial da Conscientização do Autismo –
--------instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o dia 2 de abril, a Organização Diplomática
--------do Autistão, uma instituição sem fins lucrativos com diversos pontos e apoiadores no mundo, promoveu
--------o Dia do Autistão, em Copacabana, no Rio de Janeiro, neste último 31 de março.
5 1 ------------Na ocasião, autistas de diferentes estados do Brasil, presencialmente e virtualmente, discutiram
temas de escolha livre em mesas redondas variadas. Entre os debates, figuraram assuntos como
neurodiversidade, diagnóstico, preconceito, mulheres autistas e autoaceitação.
-----------------O responsável pelo evento foi o francês Eric Lucas, de 54 anos, que classificou a programação
--------como o dia mais difícil da sua vida. Foram mais de 10 horas, concentrado no gerenciamento das
10 ---chamadas e na transmissão feita, simultaneamente, no YouTube e Facebook, para que fosse vista em
--------diferentes lugares do Brasil.
Diálogos
--------------A ideia do Dia do Autistão surgiu apenas dois meses antes do evento propriamente dito. Apesar
--------da correria, Eric conseguiu reunir diferentes autistas em posições distintas no midiativismo autista –
--------como o youtuber Leonard Akira, a podcaster Erika Ribeiro e o adolescente Zeca Szymon – para falar
15 ---dos temas que os interessavam.
--------------“Eles foram muito colaborativos, muito pacientes, muito bacanas. Isso é o efeito mágico do
--------Brasil, o povo é mais humano, mais aberto, mais gentil e mais amável. O Brasil, na minha opinião como
--------francês, é um país muito avançado em termos de direitos para os autistas”, contou Eric.
--------------O evento iniciou às 11h da manhã e seguiu até 21h30min. Os horários foram divididos
20 ---em pequenas palestras, comentários, e incluíram-se, também, detalhes sobre o Autistão – um conceito
--------metafórico de um país dos autistas. Além disso, o público pôde acompanhar a transmissão no canal da
--------organização no YouTube e na página do Facebook.
--------------A proposta, segundo Lucas, foi de difícil execução. Ele destaca que “foram mais de 10
--------voluntários, mas o evento envolveu muita tecnologia, interações e foi extremamente difícil. Não estamos
25 ---acostumados a fazer coisas tão complicadas com o computador”.
--------------Originalmente, o evento brasileiro ocorreria, simultaneamente, com a Journée de l’Autistan,
--------na Bélgica. No entanto, problemas na transmissão causaram mudanças de cronograma. Apesar dos
--------impasses, o Dia do Autistão manteve a participação de todos os autistas previstos. Lucas completa: “tive
--------muito estresse e medo de ter problemas técnicos, mas é o meu jeito de fazer. Porque, quando pensamos
30 ---demais, pensamos que é impossível e não fazemos nada. Mas conseguimos fazer algo bem legal e
--------resolvemos os problemas juntos”.
Apoio
--------------É impossível dissociar a Embaixada do Autistão, local físico da Organização Diplomática do
--------Autistão, da figura de Eric Lucas. Após sua saída da França, devido ao ataque terrorista de Paris, em
--------2015, Lucas alugou, em fevereiro de 2017, um apartamento de 40 m² em Copacabana. O espaço recebe e
35 ---apoia, com recursos próprios, autistas de diferentes lugares do país.
--------------Eric, no passado, foi uma figura viajante e de muitas histórias. Chegou a figurar na edição de
--------2001 do Guinness World Records, esteve em países como Rússia, Egito e Cazaquistão, é poliglota, foi
--------DJ durante 15 anos e se adaptou à vida social na medida do possível. Há mais de dois anos, em terras
--------cariocas, se diz satisfeito com a mudança e evita aparecer em fotos.
40 --------------O francês mora com Shree Ram, um jovem nepalês que conheceu em uma de suas viagens ao
--------Nepal e que o acompanha no Autistão e na vida brasileira. “Temos uma amizade que não podíamos
--------imaginar. É como um irmão de outra mãe. Somos muito felizes aqui”, disse Eric.
--------------Uma ajuda neurodiversa na vida de Eric é Ludmila Leal, que tem um irmão autista e colaborou,
--------de forma geral, na organização do evento. “Esse é o caminho para a humanidade. O único caminho da
45 ---paz é esse, as pessoas aceitarem e se colocarem no lugar do outro”, ela afirma sobre a importância das
--------diferenças. Foi com a intenção de tentar entender outros autistas que Lucas fez o máximo de adaptações
--------possíveis para os convidados. Geuvana Nogueira, por exemplo, faz parte da Liga dos Autistas, tem
--------restrições alimentares e se deslocou de Campo Grande até o Rio. Na capital, foi auxiliada pela
--------organização e pelos demais autistas presentes.
50 --------------No Rio de Janeiro, Geuvana contou ter vivido desafios: “eu saí da minha zona de conforto, foi
--------delicado. Mas acredito que, quando conseguimos nos aceitar e nos olhar como autistas,
--------o outro autista não é difícil. É como se todo mundo já se conhecesse”.
--------Eric Lucas reiterou a missão do Autistão: “nós queremos colaborar com qualquer pessoa, sejam
--------autistas, famílias ou organizações. Somos uma organização de autistas, extranacional, ou seja, não ligada
55 ---a nenhum país, com uma visão global para apoiar os ativistas nacionais”.
Histórias
--------------Os bastidores do Dia do Autistão renderam encontros e vivências para os participantes. Erika
--------Ribeiro, podcaster do Erika’s Small Talk, reconheceu o evento como uma espécie de divisor de águas
--------em sua saga para “sair do armário”, que se arrastou por parte significativa dos seus 39 anos de idade.
--------“Fui diagnosticada no auge da minha carreira, com 22 anos. Eu cursava Direito, trabalhava, e
60 ---aquilo me dava uma confusão mental. Fui procurar uma ajuda psiquiátrica e acabei diagnosticada com
--------TDA e Asperger. Resolvi vir pra botar a cara logo e bora!”, contou.
--------------A maior parte dos participantes do evento era de adultos, exceto Zeca Szymon, um adolescente
--------de 14 anos, acompanhado da mãe, Magaly Botafogo. Já a participante Geuvana tem dois filhos adultos
--------e encara sua posição como algo diferente de grande parte das mães não autistas. Ela explica: “Um deles
65 ---não mora comigo. Quando ele chega em casa, há um incômodo muito grande. Eu detesto que me
--------abracem, pois eu fico sufocada. Eu não me identifico mais com ele, mas é meu filho, eu gosto dele e
--------estou aprendendo a lidar com isso. Eu o criei para ter sua vida. A vida dele não é minha, é dele”.
--------------O youtuber Leonard Akira enfatizou que as potencialidades autistas devem ser exploradas. “O
--------autismo, para parte dos pais, é considerado um tabu e um limitador. Eles pensam em todas as
70 ---dificuldades que o filho terá na vida e na discriminação. Se um pai tiver uma visão mais esperançosa do
--------filho, ele verá as vantagens e desvantagens desta condição”.
--------------Ludmila, que acompanhou tudo por detrás das câmeras de transmissão, aprovou o Dia do
--------Autistão. “Quanto mais eventos que mostram formas diferentes de viver, de pensar, de conviver, de
--------aceitar, melhor. Precisamos acabar com a intolerância, que está se espalhando na civilização, e neste
75 ---momento, isso é de suma importância”.
ABREU, Tiago. Autistão: país metafórico, apoio concreto. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p. 26-28, jun./jul./ago. 2019.
Disponível em: <www.revistaautismo.com.br> Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
Leia o excerto a seguir, extraído do TEXTO 3:
“Um deles não mora comigo. Quando ele chega em casa, há um incômodo muito grande. Eu detesto que me abracem, pois eu fico sufocada. Eu não me identifico mais com ele, mas é meu filho, eu gosto dele e estou aprendendo a lidar com isso. Eu o criei para ter sua vida. A vida dele não é minha, é dele”. (linhas 64 a 67)
Nessa fala de Geuvana, que é autista e tem dois filhos não autistas, predomina um sentimento de:
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TEXTO 2
PAGUE PRA VER
1 ------------Sair com o Gabriel nem sempre é uma tarefa das mais fáceis do mundo. Mas acredito que isso
-------seja com qualquer criança.
-------Já li muitas entrevistas e assisti a outras em que os pais acabaram se tornando “autistas” sem que
-------tivessem percebido - eles acabaram se isolando e deixando de frequentar eventos sociais e, a cada dia
5 ----que passa, ficam mais prisioneiros dessa situação.
---------------Entendo perfeitamente. Infelizmente, não temos como prever o que vai acontecer a cada esquina
-------e a cada estímulo que meu filho vai encontrar pelo caminho. Só de começar a imaginar todas as reações
-------que porventura ele venha a ter, na maior parte das vezes, pensamos em ficar em casa. Afinal de contas, o
-------lar é um ambiente controlado e ninguém vai se desgastar, nem se frustrar, ou se aborrecer.
10 ------------Acredito que seu dia, leitor (a), não seja fácil, assim como o meu também não é.
----------------Quando recebemos um convite, pensamos mil vezes antes de sair de casa. Após esses momentos
-------de reflexão, quase sempre escolhemos a opção de sair e “pagar pra ver”. Não vou mentir, às vezes,
------- temos que ir embora 10, 15 minutos depois que chegamos ao destino do passeio. Mas, em uma próxima
-------vez, pode ser que ele fique 20 minutos e, se realmente ficar, será uma vitória que iremos comemorar
15 ---como a conquista de um título mundial.
----------------O olhar dele é algo profundo, quase que indescritível, e, quando conseguimos que o Gabriel fixe
-------seus olhos dentro dos nossos olhos, temos a sensação de que ele está agradecendo por não desistirmos.
----------------Se eu puder deixar uma mensagem hoje, é: não desistam de seu filho, de sua filha, vivam o
-------presente. Durmam na mesma cama, tomem banho juntos, abracem e se beijem. Não deixem que o autismo
20 ---seja uma “sentença” em sua vida e na de seu filho ou na de sua filha. Divirtam-se. Vocês merecem;)
YAMAMUTO, Wagner. Pague pra ver. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p.15, jun./jul./ago. 2019.
Disponível em: <www.revistaautismo.com.br>Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
Nos trechos abaixo, todas as palavras destacadas são articuladores semânticos-discursivos. A opção que estabelece, CORRETAMENTE, a relação indicada nos parênteses é:
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TEXTO 2
PAGUE PRA VER
1 ------------Sair com o Gabriel nem sempre é uma tarefa das mais fáceis do mundo. Mas acredito que isso
-------seja com qualquer criança.
-------Já li muitas entrevistas e assisti a outras em que os pais acabaram se tornando “autistas” sem que
-------tivessem percebido - eles acabaram se isolando e deixando de frequentar eventos sociais e, a cada dia
5 ----que passa, ficam mais prisioneiros dessa situação.
---------------Entendo perfeitamente. Infelizmente, não temos como prever o que vai acontecer a cada esquina
-------e a cada estímulo que meu filho vai encontrar pelo caminho. Só de começar a imaginar todas as reações
-------que porventura ele venha a ter, na maior parte das vezes, pensamos em ficar em casa. Afinal de contas, o
-------lar é um ambiente controlado e ninguém vai se desgastar, nem se frustrar, ou se aborrecer.
10 ------------Acredito que seu dia, leitor (a), não seja fácil, assim como o meu também não é.
----------------Quando recebemos um convite, pensamos mil vezes antes de sair de casa. Após esses momentos
-------de reflexão, quase sempre escolhemos a opção de sair e “pagar pra ver”. Não vou mentir, às vezes,
------- temos que ir embora 10, 15 minutos depois que chegamos ao destino do passeio. Mas, em uma próxima
-------vez, pode ser que ele fique 20 minutos e, se realmente ficar, será uma vitória que iremos comemorar
15 ---como a conquista de um título mundial.
----------------O olhar dele é algo profundo, quase que indescritível, e, quando conseguimos que o Gabriel fixe
-------seus olhos dentro dos nossos olhos, temos a sensação de que ele está agradecendo por não desistirmos.
----------------Se eu puder deixar uma mensagem hoje, é: não desistam de seu filho, de sua filha, vivam o
-------presente. Durmam na mesma cama, tomem banho juntos, abracem e se beijem. Não deixem que o autismo
20 ---seja uma “sentença” em sua vida e na de seu filho ou na de sua filha. Divirtam-se. Vocês merecem;)
YAMAMUTO, Wagner. Pague pra ver. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p.15, jun./jul./ago. 2019.
Disponível em: <www.revistaautismo.com.br>Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
Assinale a opção em que o termo sublinhado tenha a MESMA classificação morfológica do termo destacado no trecho abaixo, extraído do TEXTO 2:
“(...) será uma vitória que iremos comemorar como a conquista de um título mundial.” (linhas 14 e 15)
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TEXTO 2
PAGUE PRA VER
1 ------------Sair com o Gabriel nem sempre é uma tarefa das mais fáceis do mundo. Mas acredito que isso
-------seja com qualquer criança.
-------Já li muitas entrevistas e assisti a outras em que os pais acabaram se tornando “autistas” sem que
-------tivessem percebido - eles acabaram se isolando e deixando de frequentar eventos sociais e, a cada dia
5 ----que passa, ficam mais prisioneiros dessa situação.
---------------Entendo perfeitamente. Infelizmente, não temos como prever o que vai acontecer a cada esquina
-------e a cada estímulo que meu filho vai encontrar pelo caminho. Só de começar a imaginar todas as reações
-------que porventura ele venha a ter, na maior parte das vezes, pensamos em ficar em casa. Afinal de contas, o
-------lar é um ambiente controlado e ninguém vai se desgastar, nem se frustrar, ou se aborrecer.
10 ------------Acredito que seu dia, leitor (a), não seja fácil, assim como o meu também não é.
----------------Quando recebemos um convite, pensamos mil vezes antes de sair de casa. Após esses momentos
-------de reflexão, quase sempre escolhemos a opção de sair e “pagar pra ver”. Não vou mentir, às vezes,
------- temos que ir embora 10, 15 minutos depois que chegamos ao destino do passeio. Mas, em uma próxima
-------vez, pode ser que ele fique 20 minutos e, se realmente ficar, será uma vitória que iremos comemorar
15 ---como a conquista de um título mundial.
----------------O olhar dele é algo profundo, quase que indescritível, e, quando conseguimos que o Gabriel fixe
-------seus olhos dentro dos nossos olhos, temos a sensação de que ele está agradecendo por não desistirmos.
----------------Se eu puder deixar uma mensagem hoje, é: não desistam de seu filho, de sua filha, vivam o
-------presente. Durmam na mesma cama, tomem banho juntos, abracem e se beijem. Não deixem que o autismo
20 ---seja uma “sentença” em sua vida e na de seu filho ou na de sua filha. Divirtam-se. Vocês merecem;)
YAMAMUTO, Wagner. Pague pra ver. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p.15, jun./jul./ago. 2019.
Disponível em: <www.revistaautismo.com.br>Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
Os TEXTOS 1 e 2 abordam a mesma temática que é o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Sobre os textos, é correto afirmar:
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TEXTO 2
PAGUE PRA VER
1 ------------Sair com o Gabriel nem sempre é uma tarefa das mais fáceis do mundo. Mas acredito que isso
-------seja com qualquer criança.
-------Já li muitas entrevistas e assisti a outras em que os pais acabaram se tornando “autistas” sem que
-------tivessem percebido - eles acabaram se isolando e deixando de frequentar eventos sociais e, a cada dia
5 ----que passa, ficam mais prisioneiros dessa situação.
---------------Entendo perfeitamente. Infelizmente, não temos como prever o que vai acontecer a cada esquina
-------e a cada estímulo que meu filho vai encontrar pelo caminho. Só de começar a imaginar todas as reações
-------que porventura ele venha a ter, na maior parte das vezes, pensamos em ficar em casa. Afinal de contas, o
-------lar é um ambiente controlado e ninguém vai se desgastar, nem se frustrar, ou se aborrecer.
10 ------------Acredito que seu dia, leitor (a), não seja fácil, assim como o meu também não é.
----------------Quando recebemos um convite, pensamos mil vezes antes de sair de casa. Após esses momentos
-------de reflexão, quase sempre escolhemos a opção de sair e “pagar pra ver”. Não vou mentir, às vezes,
------- temos que ir embora 10, 15 minutos depois que chegamos ao destino do passeio. Mas, em uma próxima
-------vez, pode ser que ele fique 20 minutos e, se realmente ficar, será uma vitória que iremos comemorar
15 ---como a conquista de um título mundial.
----------------O olhar dele é algo profundo, quase que indescritível, e, quando conseguimos que o Gabriel fixe
-------seus olhos dentro dos nossos olhos, temos a sensação de que ele está agradecendo por não desistirmos.
----------------Se eu puder deixar uma mensagem hoje, é: não desistam de seu filho, de sua filha, vivam o
-------presente. Durmam na mesma cama, tomem banho juntos, abracem e se beijem. Não deixem que o autismo
20 ---seja uma “sentença” em sua vida e na de seu filho ou na de sua filha. Divirtam-se. Vocês merecem;)
YAMAMUTO, Wagner. Pague pra ver. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p.15, jun./jul./ago. 2019.
Disponível em: <www.revistaautismo.com.br>Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
Leia o trecho abaixo, retirado do TEXTO 2:
“Já li muitas entrevistas e assisti a outras em que os pais acabaram se tornando “autistas” sem que tivessem percebido (...)” (linhas 3 e 4)
Sobre o uso da palavra “autistas”, nesse excerto, só é correto afirmar:
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TEXTO 2
PAGUE PRA VER
1 ------------Sair com o Gabriel nem sempre é uma tarefa das mais fáceis do mundo. Mas acredito que isso
-------seja com qualquer criança.
-------Já li muitas entrevistas e assisti a outras em que os pais acabaram se tornando “autistas” sem que
-------tivessem percebido - eles acabaram se isolando e deixando de frequentar eventos sociais e, a cada dia
5 ----que passa, ficam mais prisioneiros dessa situação.
---------------Entendo perfeitamente. Infelizmente, não temos como prever o que vai acontecer a cada esquina
-------e a cada estímulo que meu filho vai encontrar pelo caminho. Só de começar a imaginar todas as reações
-------que porventura ele venha a ter, na maior parte das vezes, pensamos em ficar em casa. Afinal de contas, o
-------lar é um ambiente controlado e ninguém vai se desgastar, nem se frustrar, ou se aborrecer.
10 ------------Acredito que seu dia, leitor (a), não seja fácil, assim como o meu também não é.
----------------Quando recebemos um convite, pensamos mil vezes antes de sair de casa. Após esses momentos
-------de reflexão, quase sempre escolhemos a opção de sair e “pagar pra ver”. Não vou mentir, às vezes,
------- temos que ir embora 10, 15 minutos depois que chegamos ao destino do passeio. Mas, em uma próxima
-------vez, pode ser que ele fique 20 minutos e, se realmente ficar, será uma vitória que iremos comemorar
15 ---como a conquista de um título mundial.
----------------O olhar dele é algo profundo, quase que indescritível, e, quando conseguimos que o Gabriel fixe
-------seus olhos dentro dos nossos olhos, temos a sensação de que ele está agradecendo por não desistirmos.
----------------Se eu puder deixar uma mensagem hoje, é: não desistam de seu filho, de sua filha, vivam o
-------presente. Durmam na mesma cama, tomem banho juntos, abracem e se beijem. Não deixem que o autismo
20 ---seja uma “sentença” em sua vida e na de seu filho ou na de sua filha. Divirtam-se. Vocês merecem;)
YAMAMUTO, Wagner. Pague pra ver. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p.15, jun./jul./ago. 2019.
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Atente-se aos fragmentos do TEXTO 2 e assinale o que JUSTIFICA o título “Pague pra ver”:
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TEXTO 1

1 -------------O autismo — nome técnico oficial: Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) — é uma
------condição de saúde caracterizada por déficit na interação social, na comunicação e no comportamento.
------Não há só um, mas muitos subtipos do transtorno. Tão abrangente que se usa o termo “espectro”, pelos
------vários níveis de comprometimento — há desde pessoas com condições associadas (comorbidades),
5----como deficiência intelectual e epilepsia, até pessoas independentes, que levam uma vida comum.
------Algumas nem sabem que são autistas, pois jamais tiveram diagnóstico.
--------------Não é conhecida completamente a causa do autismo, por ser um transtorno multifatorial. Porém,
------estudos recentes têm demonstrado que fatores genéticos são os mais importantes na determinação de
------suas causas (estimados entre 70% e 90% — e ligados a mais de mil genes), além de fatores ambientais,
10----ainda controversos, poderem estar associados.
Tratamento e sinais
20-------------Alguns sinais de autismo podem aparecer a partir de um ano e meio de idade, e mesmo antes, em
------casos mais graves. Há uma grande importância em iniciar o tratamento o quanto antes — mesmo que
------seja apenas uma suspeita clínica, ainda sem diagnóstico fechado — pois, quanto mais cedo começarem
------as intervenções, maiores serão as possibilidades de melhorar a qualidade de vida da pessoa. O
15----tratamento psicológico com maior evidência de eficácia, segundo a Associação Americana de
------Psiquiatria, é a terapia de intervenção comportamental. O tratamento para autismo é personalizado e
------interdisciplinar: além da psicologia, pacientes podem se beneficiar com fonoaudiologia, terapia
------ocupacional, entre outros, conforme a necessidade de cada autista. Na escola, um mediador pode trazer
------grandes benefícios ao aprendizado e à interação social.
---------------Alguns sintomas, como irritabilidade, agitação, autoagressividade, hiperatividade, impulsividade,
------desatenção, insônia e outros, podem ser tratados com medicamentos, que devem ser prescritos por um
------médico. Dentre os medicamentos indicados, a risperidona, que é da classe dos antipsicóticos atípicos, é o
------mais comum deles.
---------------No final de 2007, a ONU declarou 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do
25----Autismo, quando cartões-postais do mundo todo se iluminam de azul (cor escolhida por haver, em
------média, 4 homens para cada mulher com TEA). O símbolo do autismo é o quebra-cabeça, que denota sua
------diversidade e complexidade.
Consulta médica
-------------Veja o quadro, a seguir, em que se elencam alguns sinais de autismo. Apenas três deles, numa
------criança de um ano e meio, já justificam uma consulta a um médico neuropediatra ou a um psiquiatra da
30----infância e da juventude. Testes como o M-CHAT (com versão em português) estão disponíveis
------na internet para serem aplicados por profissionais.
Sinais de autismo: - não manter contato visual por mais de 2 segundos; - não atender quando chamado pelo nome; - isolar-se ou não se interessar por outras crianças; - alinhar objetos; - ser muito preso a rotinas a ponto de entrar em crise; - não usar brinquedos de forma convencional; - fazer movimentos repetitivos sem função aparente; - não falar ou não fazer gestos para mostrar algo; - repetir frases ou palavras em momentos inadequados, sem a devida função (ecolalia); - não compartilhar interesse; - girar objetos sem uma função aparente; - apresentar interesse restrito ou hiperfoco; - não imitar; - não brincar de faz-de-conta. |
|
Considere o excerto retirado do TEXTO 1.
“Algumas nem sabem que são autistas, pois jamais tiveram diagnóstico.” (linha 6) A oração grifada é:
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