Fazer exercício ajuda a envelhecer melhor e viver mais
Alguns de nós, corredores, acabamos parecendo evangelistas, apóstolos de determinadas ideias. Saímos por aí tentando convencer os outros de que a razão é nossa: correr descalço é a solução, fazer a dieta paleolítica é o ó do borogodó, virar vegano é o caminho para a salvação e outras afirmações absolutas a que faltam corroboração científica e o saudável benefício da dúvida.
Cá comigo, eu prefiro não advogar para nada. Por experiência própria, sei o quanto fazer exercício ajuda a melhorar a qualidade de vida. Sei também o quanto pode piorar a qualidade de vida (meu rosário de lesões fala por si só ).
Quando nós falamos de exercício de necessariamente estamos nos referindo à mesma coisa __ médicos e cientistas falam quando mencionam os benefícios da atividade física ou da vida ativa. Para mim, exercício é correr percursos encabritados durante umas duas horas, quatro a seis vezes por semana. É como me sinto bem, o corpo sua e a mente voa.
Não é um critério médico, como se pode perceber por um dos mais recentes e amplos estudos sobre o impacto da atividade física na saúde e na longevidade das pessoas. Trata-se de um trabalho publicado no "British Journal of Sports Medicine", revista especializada em medicina esportiva, em que os artigos só são aceitos depois de revisados por uma junta de revisores qualificados.
A pesquisa usou informações de uma gigantesca base de dados médicos da Grã-Bretanha, o English Longitudinal Study of Ageing, que estuda o envelhecimento de dezenas de milhares de pessoas ao longo de décadas. Para avaliar o efeito da atividade física no envelhecimento, os pesquisadores selecionaram 3.454 homens e mulheres de 55 a 73 anos, que se declararam saudáveis no ano-base da pesquisa.
Eles foram separados em dois grupos, o de sedentários e o dos que tinham atividade física. Estes não eram necessariamente ultramaratonistas nem jogadores de futebol de fim de semana, tenistas amadores ou caminhantes dedicados.
Nada disso. Para se enquadrar na lista de não sedentário, bastava uma hora por semana de exercício moderado ou vigoroso. O exercício não precisava ser algo formal (corrida, aulas de ginástica, caminhada, natação); atividades como jardinagem, lavação de carro ou dança de salão já são suficientes para o sujeito ser considerado fisicamente ativo.
Feito isso, os pesquisadores voltaram a analisar as informações do mesmo grupo oito anos depois - ou seja, quando tinham de 63 a 81 anos. Quantos morreram, quantos ficaram vivos e, dos vivos, quantos passaram a fazer , . atividade física ou deixaram de praticar exercício (considerada aquela generosa definição de exercício).
Também fizeram o recenseamento do estado de saúde do grupo ao longo dos anos, baseados em diagnósticos de diabetes, doenças cardíacas, demências e outras condições graves. Para completar, os cientistas entraram em contato com os indivíduos e fizeram testes específicos de memória e capacidade de raciocínio; alguns poucos usaram por uma semana um monitor de atividades físicas, para confirmar se o registrado batia com o informado nas entrevistas.
Resumo da ópera: os que faziam atividade viveram mais (ou, colocado de outra forma, houve mais mortes entre os sedentários) e apresentaram melhores condições de saúde em geral.
Usando a linguagem do estudo: os que tinham algum tipo de atividade física conseguiram um envelhecimento mais saudável, com menor incidência de doenças crônicas, perda de memória e incapacitação física de algum tipo.
O mais legal é que os que não eram fisicamente ativos no início do estudo, mas passaram a ter alguma atividade física no período, também se beneficiaram muito. Seu risco de doenças crônicas e problemas físicos é de 1/7 dos que continuaram sedentários ou abandonaram a atividade física.
Sobre o risco de mortalidade, outros estudos já apontavam o mesmo caminho, indicando que vale a pena começar a fazer exercício mesmo em idade considerada "avançada". Um estudo que acompanhou 2.000 homens de meia idade mostrou que aqueles que iniciaram a prática de atividade física depois dos 50 anos tinham menor risco de morte nos 35 anos seguintes do que os sedentários.
A pesquisa britânica agora demonstra que os que se exercitam não apenas vivem mais, mas vivem melhor. Portanto, bora correr!
(http://rodolfolucena.blogfolha.uol.com.br/
Releia o seguinte parágrafo do texto:
"Eles foram separados em dois grupos, o de sedentários e o
dos que tinham atividade física. Estes não eram
necessariamente ultramaratonistas nem jogadores de
futebol de fim de semana, tenistas amadores ou
caminhantes dedicados."
A palavra "estes", acima em destaque, exerce a função de retomar algo que apareceu anteriormente no texto. A retomada, nesse caso, se faz por um processo de coesão referencial anafórica. O que "estes" retoma?