Magna Concursos

Foram encontradas 525 questões.

Leia o texto e responda a questão.

Estudo sobre formigas

Enunciado 3116124-1

O francês Jean de La Fontaine, através de suas fábulas, usava "animais para instruir os homens". A fábula que abre sua primeira coletânea é a famosa história da cigarra e da formiga, inspirada no escritor grego Esopo. Se Esopo mostra, em seu texto, as formigas atarefadas, colocando folhas para secar, seu longínquo sucessor francês não se dá ao mesmo trabalho e já presume como certa a imagem da formiga trabalhadora.

Essa imagem ganhou tanta força que, nas definições do dicionário, uma formiga pode ser sinônimo de uma pessoa trabalhadora e um formigueiro um lugar onde trabalha um grande número de humanos.

No entanto, tudo isso pode ter sido construído em cima de um simples mito, pois formigas e trabalho não seriam tão sinônimos assim, de acordo com vários estudos, o mais recente deles publicado na revista "Behavioral Ecology and Sociobiology".

Dois autores desse estudo, biólogos da Universidade do Arizona, partiram da constatação, por diversos trabalhos anteriores, que nos formigueiros estudados cerca de metade dos indivíduos pareciam inativos. Então eles quiseram verificar se esse era de fato o caso e testar diversas hipóteses que pudessem explicar essa "ociosidade" como, por exemplo, uma necessidade de repouso imposta pelo relógio interno ou por excesso de trabalho.

Para isso, esses pesquisadores foram a campo, coletaram cinco pequenas colônias de formigas e as instalaram em ninhos artificiais que imitavam as fissuras de rochedos que elas apreciam como habitat. Mas, em vez de serem completamente cercados por rochas, os insetos viviam sob uma placa de vidro, para que pudessem ser observados. As formigas tinham à sua disposição água, alimento.

Como era preciso identificar cada inseto para analisar seu comportamento, os pesquisadores pacientemente colocaram em todas as formigas uma combinação de quatro pontos de pintura. A experiência consistiu em filmar as cinco colônias ao longo de um período de três semanas.

Registrar as imagens evidentemente era a parte mais fácil da história. O quebra-cabeça começou depois, quando foi preciso analisar, para cada indivíduo, todos esses vídeos.

Os observadores tinham como missão anotar todas as atividades que as formigas realizavam, desde a manutenção do ninho até os cuidados ministrados aos ovos e larvas, passando pelo abastecimento fora do formigueiro, a higiene pessoal e, é claro, todos os períodos de inatividade.

Das 225 formigas acompanhadas, surgiram quatro grandes categorias: a das puericultoras (34 formigas), a das operárias, que trabalham fora do ninho (26), a das generalistas, que fazem um pouco de tudo (62) e, por fim, a das ociosas (103), que não fazem nada ou quase nada, independentemente do período do dia ou da noite em que foram observadas.

Para os autores desse estudo, nada, nem a necessidade de repouso, nem o ritmo do dia parece justificar essa inatividade quase permanente. As formigas que trabalham fazem aquilo que precisam fazer, independentemente do tempo que isso levará, e não são substituídas pelas outras, não há turnos de trabalho entre elas.

Os autores reconhecem que três semanas de observação talvez não sejam suficientes para identificar a função misteriosa das formigas ociosas.

Tomer Czaczkes, da Universidade de Ratisbona, sugeriu a ideia de que essas formigas possam ser uma espécie de exército de reservistas, à espera de serem convocadas para defender a colônia ...

Mas os autores desse estudo parecem pender para outras hipóteses. Como as formigas ociosas têm menos interações com as outras, elas poderiam simplesmente não estar cientes de que há trabalho à espera, ou, ainda mais sutilmente ... tentariam evitá-lo.

A ociosidade poderia, no fim das contas, ser uma atividade como outra qualquer ... Seja como for, esses dois pesquisadores, ao demolirem o mito da formiga trabalhadora, ressaltam que esse resultado implica que todos os estudos de insetos que se interessam pelas tarefas "ativas" são tendenciosos, uma vez que esquecem que quase metade da população se dedica a uma especialidade importante: o fazer-nada.

www.uol.com.br, 02/10/2015 (adaptado)

Assinale a alternativa que melhor resume a ideia central do texto.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Leia o texto e responda a questão.

Estudo sobre formigas

Enunciado 3116123-1

O francês Jean de La Fontaine, através de suas fábulas, usava "animais para instruir os homens". A fábula que abre sua primeira coletânea é a famosa história da cigarra e da formiga, inspirada no escritor grego Esopo. Se Esopo mostra, em seu texto, as formigas atarefadas, colocando folhas para secar, seu longínquo sucessor francês não se dá ao mesmo trabalho e já presume como certa a imagem da formiga trabalhadora.

Essa imagem ganhou tanta força que, nas definições do dicionário, uma formiga pode ser sinônimo de uma pessoa trabalhadora e um formigueiro um lugar onde trabalha um grande número de humanos.

No entanto, tudo isso pode ter sido construído em cima de um simples mito, pois formigas e trabalho não seriam tão sinônimos assim, de acordo com vários estudos, o mais recente deles publicado na revista "Behavioral Ecology and Sociobiology".

Dois autores desse estudo, biólogos da Universidade do Arizona, partiram da constatação, por diversos trabalhos anteriores, que nos formigueiros estudados cerca de metade dos indivíduos pareciam inativos. Então eles quiseram verificar se esse era de fato o caso e testar diversas hipóteses que pudessem explicar essa "ociosidade" como, por exemplo, uma necessidade de repouso imposta pelo relógio interno ou por excesso de trabalho.

Para isso, esses pesquisadores foram a campo, coletaram cinco pequenas colônias de formigas e as instalaram em ninhos artificiais que imitavam as fissuras de rochedos que elas apreciam como habitat. Mas, em vez de serem completamente cercados por rochas, os insetos viviam sob uma placa de vidro, para que pudessem ser observados. As formigas tinham à sua disposição água, alimento.

Como era preciso identificar cada inseto para analisar seu comportamento, os pesquisadores pacientemente colocaram em todas as formigas uma combinação de quatro pontos de pintura. A experiência consistiu em filmar as cinco colônias ao longo de um período de três semanas.

Registrar as imagens evidentemente era a parte mais fácil da história. O quebra-cabeça começou depois, quando foi preciso analisar, para cada indivíduo, todos esses vídeos.

Os observadores tinham como missão anotar todas as atividades que as formigas realizavam, desde a manutenção do ninho até os cuidados ministrados aos ovos e larvas, passando pelo abastecimento fora do formigueiro, a higiene pessoal e, é claro, todos os períodos de inatividade.

Das 225 formigas acompanhadas, surgiram quatro grandes categorias: a das puericultoras (34 formigas), a das operárias, que trabalham fora do ninho (26), a das generalistas, que fazem um pouco de tudo (62) e, por fim, a das ociosas (103), que não fazem nada ou quase nada, independentemente do período do dia ou da noite em que foram observadas.

Para os autores desse estudo, nada, nem a necessidade de repouso, nem o ritmo do dia parece justificar essa inatividade quase permanente. As formigas que trabalham fazem aquilo que precisam fazer, independentemente do tempo que isso levará, e não são substituídas pelas outras, não há turnos de trabalho entre elas.

Os autores reconhecem que três semanas de observação talvez não sejam suficientes para identificar a função misteriosa das formigas ociosas.

Tomer Czaczkes, da Universidade de Ratisbona, sugeriu a ideia de que essas formigas possam ser uma espécie de exército de reservistas, à espera de serem convocadas para defender a colônia ...

Mas os autores desse estudo parecem pender para outras hipóteses. Como as formigas ociosas têm menos interações com as outras, elas poderiam simplesmente não estar cientes de que há trabalho à espera, ou, ainda mais sutilmente ... tentariam evitá-lo.

A ociosidade poderia, no fim das contas, ser uma atividade como outra qualquer ... Seja como for, esses dois pesquisadores, ao demolirem o mito da formiga trabalhadora, ressaltam que esse resultado implica que todos os estudos de insetos que se interessam pelas tarefas "ativas" são tendenciosos, uma vez que esquecem que quase metade da população se dedica a uma especialidade importante: o fazer-nada.

www.uol.com.br, 02/10/2015 (adaptado)

Certamente você notou que o autor do texto usou inúmeras vezes a palavra "que", como em: "A fábula que abre sua primeira coletânea é a famosa história da Cigarra e da Formiga." No período citado, "que" é um pronome relativo, pois se refere a um termo anterior (fábula) e corresponde ao pronome relativo a qual. A palavra sublinhada também é um pronome relativo em todas as alternativas a seguir, EXCETO em:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Leia o texto e responda a questão.

Estudo sobre formigas

Enunciado 3116122-1

O francês Jean de La Fontaine, através de suas fábulas, usava "animais para instruir os homens". A fábula que abre sua primeira coletânea é a famosa história da cigarra e da formiga, inspirada no escritor grego Esopo. Se Esopo mostra, em seu texto, as formigas atarefadas, colocando folhas para secar, seu longínquo sucessor francês não se dá ao mesmo trabalho e já presume como certa a imagem da formiga trabalhadora.

Essa imagem ganhou tanta força que, nas definições do dicionário, uma formiga pode ser sinônimo de uma pessoa trabalhadora e um formigueiro um lugar onde trabalha um grande número de humanos.

No entanto, tudo isso pode ter sido construído em cima de um simples mito, pois formigas e trabalho não seriam tão sinônimos assim, de acordo com vários estudos, o mais recente deles publicado na revista "Behavioral Ecology and Sociobiology".

Dois autores desse estudo, biólogos da Universidade do Arizona, partiram da constatação, por diversos trabalhos anteriores, que nos formigueiros estudados cerca de metade dos indivíduos pareciam inativos. Então eles quiseram verificar se esse era de fato o caso e testar diversas hipóteses que pudessem explicar essa "ociosidade" como, por exemplo, uma necessidade de repouso imposta pelo relógio interno ou por excesso de trabalho.

Para isso, esses pesquisadores foram a campo, coletaram cinco pequenas colônias de formigas e as instalaram em ninhos artificiais que imitavam as fissuras de rochedos que elas apreciam como habitat. Mas, em vez de serem completamente cercados por rochas, os insetos viviam sob uma placa de vidro, para que pudessem ser observados. As formigas tinham à sua disposição água, alimento.

Como era preciso identificar cada inseto para analisar seu comportamento, os pesquisadores pacientemente colocaram em todas as formigas uma combinação de quatro pontos de pintura. A experiência consistiu em filmar as cinco colônias ao longo de um período de três semanas.

Registrar as imagens evidentemente era a parte mais fácil da história. O quebra-cabeça começou depois, quando foi preciso analisar, para cada indivíduo, todos esses vídeos.

Os observadores tinham como missão anotar todas as atividades que as formigas realizavam, desde a manutenção do ninho até os cuidados ministrados aos ovos e larvas, passando pelo abastecimento fora do formigueiro, a higiene pessoal e, é claro, todos os períodos de inatividade.

Das 225 formigas acompanhadas, surgiram quatro grandes categorias: a das puericultoras (34 formigas), a das operárias, que trabalham fora do ninho (26), a das generalistas, que fazem um pouco de tudo (62) e, por fim, a das ociosas (103), que não fazem nada ou quase nada, independentemente do período do dia ou da noite em que foram observadas.

Para os autores desse estudo, nada, nem a necessidade de repouso, nem o ritmo do dia parece justificar essa inatividade quase permanente. As formigas que trabalham fazem aquilo que precisam fazer, independentemente do tempo que isso levará, e não são substituídas pelas outras, não há turnos de trabalho entre elas.

Os autores reconhecem que três semanas de observação talvez não sejam suficientes para identificar a função misteriosa das formigas ociosas.

Tomer Czaczkes, da Universidade de Ratisbona, sugeriu a ideia de que essas formigas possam ser uma espécie de exército de reservistas, à espera de serem convocadas para defender a colônia ...

Mas os autores desse estudo parecem pender para outras hipóteses. Como as formigas ociosas têm menos interações com as outras, elas poderiam simplesmente não estar cientes de que há trabalho à espera, ou, ainda mais sutilmente ... tentariam evitá-lo.

A ociosidade poderia, no fim das contas, ser uma atividade como outra qualquer ... Seja como for, esses dois pesquisadores, ao demolirem o mito da formiga trabalhadora, ressaltam que esse resultado implica que todos os estudos de insetos que se interessam pelas tarefas "ativas" são tendenciosos, uma vez que esquecem que quase metade da população se dedica a uma especialidade importante: o fazer-nada.

www.uol.com.br, 02/10/2015 (adaptado)

Analise as afirmativas abaixo, com base no texto, e assinale a alternativa INCORRETA.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2675294 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: INSTITUTO BRASIL
Orgão: IF-MS

Quando nos comunicamos, podemos usar a linguagem literal, quando as palavras têm o seu verdadeiro significado, isto é, referem-se às coisas tais como elas são (denotação) . Às vezes podemos atribuir às palavras um significado diferente do seu sentido real, apelando a uma semelhança real ou imaginária (conotação). Neste caso, usamos a linguagem figurada, isto é, figuras de linguagem. Vejamos estes exemplos: "A criança brinca com seu cachorro". "Pedro é uma pessoa de mau caráter, ele é um cachorro". No primeiro caso usamos a linguagem literal, no segundo, a linguagem figurada. Analise os períodos a seguir:

I- A criança caiu da escada e machucou o braço.

II- De madrugada, minha rua vira um deserto.

III- O tigre é uma fera selvagem.

IV- O casal vivia brigando, sua vida era um inferno.

V- Pedro era uma fera no serviço.

VI- Maria derramou rios de lágrimas quando seu namorado foi embora.

VII- Você demorou para vir, meu amor. Estou um século à sua espera.

Em todos os períodos acima ocorrem figuras de linguagem, EXCETO em dois, que são:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2675293 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: INSTITUTO BRASIL
Orgão: IF-MS

Assinale a alternativa cujo segmento sublinhado está INCORRETO quanto à concordância verbal.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2675292 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: INSTITUTO BRASIL
Orgão: IF-MS

Assinale a alternativa cuja palavra sublinhada está INCORRETA quanto à concordância nominal.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2675291 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: INSTITUTO BRASIL
Orgão: IF-MS

Em cada alternativa abaixo há períodos onde aparecem duas palavras sublinhadas que são homônimas (têm a mesma pronúncia, mas significados diferentes) ou parônimas (têm significados diferentes, mas são parecidas na grafia ou na pronúncia). Analise-as e assinale a alternativa INCORRETA.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2675290 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: INSTITUTO BRASIL
Orgão: IF-MS

A regência verbal estuda a relação de dependência que se estabelece entre os verbos e seus complementos. Na realidade, estuda-se na regência se o verbo é intransitivo, transitivo direto, transitivo indireto e, neste caso, qual a preposição relacionada com ele. Apresentamos, a seguir, alguns verbos usuais no dia a dia. Complete corretamente as lacunas, observando a necessidade ou não de usar preposição adequada, e assinale a alternativa correspondente.

I- Há muitos alunos que não obedecem mais professores.

II- As provas fiz referência já foram corrigidas.

III- O candidato aspirava cargo vago no Instituto Federal.

IV- Após pedir desculpas, o jogador perdoou colega.

V- Michel Teló é o cantor sertanejo mais gosto.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2675289 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: INSTITUTO BRASIL
Orgão: IF-MS

Leia o texto e responda a questão.

Crônica da loucura

O melhor da terapia é ficar observando os meus colegas loucos.

Existem dois tipos de loucos: o louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.

Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.

O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura.

E eu, escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal, é um prato cheio para um louco escritor, como eu. Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos: eu(1), um crioulinho(2) muito bem vestido, um senhor(3l de uns cinquenta anos e uma velha gorda(4).

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio de que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.

O pretinho(2), por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca. Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.

E o senhor(3) de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques, já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda(4) e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.

Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha 'viagem' na sala de espera. Ele ri, ri muito o meu psicanalista e diz: "O Ditinho(2) é o nosso office-boy. O de terno preto(3) é representante de um laboratório multinacional de remédios e passa aqui uma vez por mês com as novidades. E a gordinha(4) é a Dona Dirce, minha mãe. E você(1), não vai ter alta tão cedo ... "

Mário Prata - www.uol.com.br, 13/0512013

Analise as palavras sublinhadas nos seguintes fragmentos do texto e assinale a alternativa INCORRETA quanto às regras de acentuação.

"Claro é que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído para levá-lo até aquela poltrona de vime. Podia ter também uma arma dentro. Afastei-me no sofá. Roía as unhas. Eu esperava as lágrimas quando ele assoou o nariz. Devia ter dívidas astronômicas".

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2675288 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: INSTITUTO BRASIL
Orgão: IF-MS

Leia o texto e responda a questão.

Crônica da loucura

O melhor da terapia é ficar observando os meus colegas loucos.

Existem dois tipos de loucos: o louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.

Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.

O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura.

E eu, escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal, é um prato cheio para um louco escritor, como eu. Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos: eu(1), um crioulinho(2) muito bem vestido, um senhor(3l de uns cinquenta anos e uma velha gorda(4).

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio de que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.

O pretinho(2), por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca. Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.

E o senhor(3) de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques, já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda(4) e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.

Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha 'viagem' na sala de espera. Ele ri, ri muito o meu psicanalista e diz: "O Ditinho(2) é o nosso office-boy. O de terno preto(3) é representante de um laboratório multinacional de remédios e passa aqui uma vez por mês com as novidades. E a gordinha(4) é a Dona Dirce, minha mãe. E você(1), não vai ter alta tão cedo ... "

Mário Prata - www.uol.com.br, 13/0512013

Analise as afirmativas abaixo, com base no texto, e assinale a alternativa correspondente.

I- Em "adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm", o autor colocou acento em têm por ter sujeito da terceira pessoa do plural (eles).

II- Ao dizer "na última quarta-feira, estávamos: eu, um crioulinho muito bem vestido, um senhor de uns cinquenta anos e uma velha gorda", o autor dá a entender que esses quatro personagens estavam na sala de espera, cada um aguardando atendimento terapêutico, conforme se comprova no final do texto.

III- "Problema de ascensão social, com certeza". Ascensão é escrita com 's' porque é derivada de ascender, assim como também se escrevem com 's': compreensão, suspensão, pretensão. Mas há palavras grafadas com 'ç' como: assunção, exceção, retenção, abstenção.

IV- Ao observar os outros personagens que aguardavam na sala de espera, o autor fez uma análise precisa e acertada de cada um.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas