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3232254 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FDQ
Orgão: UFERSA
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Leia o texto abaixo para responder às questões.


Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino



Por Luiza Lunardi

Publicada em 29 de janeiro de 2021


A história da linguagem acompanha a história humana no planeta. Desde que descobriu a comunicação por meio da voz e de símbolos, o ser humano passou a inventar, reinventar e renovar línguas a todo o momento, em uma atualização constante e ininterrupta. Apesar de ser um processo gradual e orgânico, uma inovação na língua portuguesa tem gerado controvérsias no mundo acadêmico e em debates na internet: o “gênero neutro”, proposta que prega a adição de sentido não-binário a palavras que sejam marcadas pela dicotomia masculino/feminino, substituindo os artigos A e O, que definem gênero na nossa língua. A mudança é defendida por grupos identitários, principalmente em prol da visibilidade de pessoas trans não-binárias, com o objetivo de garantir maior inclusão.

Apesar de a polêmica existir na língua portuguesa, a discussão não é exclusiva de terras tupiniquins. Estudos realizados pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, com 3,9 mil falantes suecos indicam que a linguagem neutra de fato diminui preconceitos. Enquanto isso, na Espanha, a Real Academia do país se envolveu em polêmica em outubro de 2020, ao incluir o pronome neutro elle em seu observatório de palavras online e retirá-lo do ar três dias depois, após “confusão” entre internautas. A companhia aérea Japan Airlines (JAL) anunciou que irá abolir o termo “senhoras e senhores” do chamamento de seus voos. Outras empresas do setor aéreo como Air Canada e EasyJet também mudaram para saudações de gênero neutro desde 2019.

Aqui no Brasil, o início do debate trazia elementos como X e o @ à tona, que seriam usados para substituir o A e O definidores de gênero das palavras. Entretanto, segundo aponta a ativista Rafaela “Rafuska” Queiroz, do Movimento Estamos Todes em Ação (META Brasil), os próprios grupos defensores da linguagem neutra colocaram em questão a utilização desses termos gráficos, por provocarem a exclusão de pessoas com deficiência. “O problema foi principalmente apontado por pessoas cegas ou com baixa visão, que fazem uso de leitores de tela em aparelhos eletrônicos. Aplicativos com essa finalidade dão erro ou leem a palavra de forma errada quando marcamos o gênero neutro a partir do @ ou do X”, descreve Rafuska.

Para contornar as características excludentes, novas formas de uso de gênero neutro para o português foram criadas. O “Manual para o Uso da Linguagem Neutra em Língua Portuguesa”, elaborado por Gioni Caê, estudante de Letras Português-Inglês da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), identifica quatro sistemas usados na linguagem neutra: Elu, Ile, Ilu e El. “Decidi juntar tudo o que tinha encontrado em um único local, para poder estudar e me adaptar. Daí surgiu o manual”, narra Gioni, que se identifica como pessoa não-binária e atende por pronomes masculinos.

O uso do gênero neutro vem se tornando uma realidade entre pessoas não-binárias. É o caso de Mar Facciolla, de 21 anos, estudante de Psicologia de São Caetano do Sul, São Paulo, que se reconhece enquanto transgênero não-binárie, e pede que seja referide a partir do sistema Elu. Para Mar, a consequência mais importante da adoção de linguagem neutra na língua portuguesa é a humanização de pessoas transvestigêneras (termo que une as palavras “travesti, transexual e transgênero”) não-binárias e pessoas intersexo na sociedade. “No dia a dia, nossa existência não está incluída na sociedade. Essa dicotomia que atravessa nossos corpos faz com que sejamos excluídes”, afirma.

Para e estudante de Psicologia, o pronome é uma demarcação social. Mar explica que, ao chamar alguém por pronomes femininos ou masculinos, coloca-se o indivíduo em um espectro de feminilidade ou masculinidade. “Tudo na sociedade que está relacionado a ‘ela’ está intimamente associado ao feminino. Igualmente, tudo o que é ‘ele’ está relacionado à masculinidade. O pronome é uma expressão de gênero, então quando utilizam pronomes femininos ou masculinos para se referirem a mim, estão me colocando em um lugar que não é meu”, explica Mar.

Apesar de iniciativas como o Manual, a linguagem neutra segue sem reconhecimento acadêmico na língua portuguesa. Para o professor André Conforte, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a dificuldade de inserção do “gênero” está na quebra do fluxo contínuo da língua. “Não conheço um processo de mudança linguística que não tenha se dado de baixo para cima. Mudanças linguísticas impostas geralmente não acontecem e, quando acontecem, sofrem as resistências normais da língua. Por exemplo, quando o império romano impôs a sua língua (o latim) sobre a Península Ibérica, não foi a língua imposta que se estabeleceu por lá com o tempo”, exemplifica.

A discussão sobre o assunto deve seguir na agenda dos brasileiros nos próximos anos. Para Gioni Caê, só o tempo dirá se a linguagem neutra vai ganhar visibilidade acadêmica e a popularização dos termos na sociedade em geral. “Não dá para colocar nada à força na vida de ninguém. É sempre importante termos respeito com todas as pessoas, e eu vejo a linguagem neutra assim. Como uma maneira de respeitar ês próximes”, afirma.



LUNARDI, Luiza. Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino. 29 jan. 2021. Portal Colabora. Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods5/para-todes-a-reinvencao-da-linguaportuguesa-sem-masculino-ou-feminino/. Acesso em: 24 ago. 2021. Adaptado para fins didáticos.

Considere o trecho: “É o caso de Mar Facciolla, de 21 anos, estudante de Psicologia de São Caetano do Sul, São Paulo, que se reconhece enquanto transgênero não-binárie, e pede que seja referide a partir do sistema Elu”. Sobre o item linguístico em destaque, é CORRETO afirmar que ele tem:

 

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3232253 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FDQ
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Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino



Por Luiza Lunardi

Publicada em 29 de janeiro de 2021


A história da linguagem acompanha a história humana no planeta. Desde que descobriu a comunicação por meio da voz e de símbolos, o ser humano passou a inventar, reinventar e renovar línguas a todo o momento, em uma atualização constante e ininterrupta. Apesar de ser um processo gradual e orgânico, uma inovação na língua portuguesa tem gerado controvérsias no mundo acadêmico e em debates na internet: o “gênero neutro”, proposta que prega a adição de sentido não-binário a palavras que sejam marcadas pela dicotomia masculino/feminino, substituindo os artigos A e O, que definem gênero na nossa língua. A mudança é defendida por grupos identitários, principalmente em prol da visibilidade de pessoas trans não-binárias, com o objetivo de garantir maior inclusão.

Apesar de a polêmica existir na língua portuguesa, a discussão não é exclusiva de terras tupiniquins. Estudos realizados pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, com 3,9 mil falantes suecos indicam que a linguagem neutra de fato diminui preconceitos. Enquanto isso, na Espanha, a Real Academia do país se envolveu em polêmica em outubro de 2020, ao incluir o pronome neutro elle em seu observatório de palavras online e retirá-lo do ar três dias depois, após “confusão” entre internautas. A companhia aérea Japan Airlines (JAL) anunciou que irá abolir o termo “senhoras e senhores” do chamamento de seus voos. Outras empresas do setor aéreo como Air Canada e EasyJet também mudaram para saudações de gênero neutro desde 2019.

Aqui no Brasil, o início do debate trazia elementos como X e o @ à tona, que seriam usados para substituir o A e O definidores de gênero das palavras. Entretanto, segundo aponta a ativista Rafaela “Rafuska” Queiroz, do Movimento Estamos Todes em Ação (META Brasil), os próprios grupos defensores da linguagem neutra colocaram em questão a utilização desses termos gráficos, por provocarem a exclusão de pessoas com deficiência. “O problema foi principalmente apontado por pessoas cegas ou com baixa visão, que fazem uso de leitores de tela em aparelhos eletrônicos. Aplicativos com essa finalidade dão erro ou leem a palavra de forma errada quando marcamos o gênero neutro a partir do @ ou do X”, descreve Rafuska.

Para contornar as características excludentes, novas formas de uso de gênero neutro para o português foram criadas. O “Manual para o Uso da Linguagem Neutra em Língua Portuguesa”, elaborado por Gioni Caê, estudante de Letras Português-Inglês da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), identifica quatro sistemas usados na linguagem neutra: Elu, Ile, Ilu e El. “Decidi juntar tudo o que tinha encontrado em um único local, para poder estudar e me adaptar. Daí surgiu o manual”, narra Gioni, que se identifica como pessoa não-binária e atende por pronomes masculinos.

O uso do gênero neutro vem se tornando uma realidade entre pessoas não-binárias. É o caso de Mar Facciolla, de 21 anos, estudante de Psicologia de São Caetano do Sul, São Paulo, que se reconhece enquanto transgênero não-binárie, e pede que seja referide a partir do sistema Elu. Para Mar, a consequência mais importante da adoção de linguagem neutra na língua portuguesa é a humanização de pessoas transvestigêneras (termo que une as palavras “travesti, transexual e transgênero”) não-binárias e pessoas intersexo na sociedade. “No dia a dia, nossa existência não está incluída na sociedade. Essa dicotomia que atravessa nossos corpos faz com que sejamos excluídes”, afirma.

Para e estudante de Psicologia, o pronome é uma demarcação social. Mar explica que, ao chamar alguém por pronomes femininos ou masculinos, coloca-se o indivíduo em um espectro de feminilidade ou masculinidade. “Tudo na sociedade que está relacionado a ‘ela’ está intimamente associado ao feminino. Igualmente, tudo o que é ‘ele’ está relacionado à masculinidade. O pronome é uma expressão de gênero, então quando utilizam pronomes femininos ou masculinos para se referirem a mim, estão me colocando em um lugar que não é meu”, explica Mar.

Apesar de iniciativas como o Manual, a linguagem neutra segue sem reconhecimento acadêmico na língua portuguesa. Para o professor André Conforte, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a dificuldade de inserção do “gênero” está na quebra do fluxo contínuo da língua. “Não conheço um processo de mudança linguística que não tenha se dado de baixo para cima. Mudanças linguísticas impostas geralmente não acontecem e, quando acontecem, sofrem as resistências normais da língua. Por exemplo, quando o império romano impôs a sua língua (o latim) sobre a Península Ibérica, não foi a língua imposta que se estabeleceu por lá com o tempo”, exemplifica.

A discussão sobre o assunto deve seguir na agenda dos brasileiros nos próximos anos. Para Gioni Caê, só o tempo dirá se a linguagem neutra vai ganhar visibilidade acadêmica e a popularização dos termos na sociedade em geral. “Não dá para colocar nada à força na vida de ninguém. É sempre importante termos respeito com todas as pessoas, e eu vejo a linguagem neutra assim. Como uma maneira de respeitar ês próximes”, afirma.



LUNARDI, Luiza. Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino. 29 jan. 2021. Portal Colabora. Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods5/para-todes-a-reinvencao-da-linguaportuguesa-sem-masculino-ou-feminino/. Acesso em: 24 ago. 2021. Adaptado para fins didáticos.

No trecho: “Não conheço um processo de mudança linguística que não tenha se dado de baixo para cima. Mudanças linguísticas impostas geralmente não acontecem e, quando acontecem, sofrem as resistências normais da língua [...]”, o termo em destaque tem função:

 

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Disciplina: Português
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Publicada em 29 de janeiro de 2021


A história da linguagem acompanha a história humana no planeta. Desde que descobriu a comunicação por meio da voz e de símbolos, o ser humano passou a inventar, reinventar e renovar línguas a todo o momento, em uma atualização constante e ininterrupta. Apesar de ser um processo gradual e orgânico, uma inovação na língua portuguesa tem gerado controvérsias no mundo acadêmico e em debates na internet: o “gênero neutro”, proposta que prega a adição de sentido não-binário a palavras que sejam marcadas pela dicotomia masculino/feminino, substituindo os artigos A e O, que definem gênero na nossa língua. A mudança é defendida por grupos identitários, principalmente em prol da visibilidade de pessoas trans não-binárias, com o objetivo de garantir maior inclusão.

Apesar de a polêmica existir na língua portuguesa, a discussão não é exclusiva de terras tupiniquins. Estudos realizados pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, com 3,9 mil falantes suecos indicam que a linguagem neutra de fato diminui preconceitos. Enquanto isso, na Espanha, a Real Academia do país se envolveu em polêmica em outubro de 2020, ao incluir o pronome neutro elle em seu observatório de palavras online e retirá-lo do ar três dias depois, após “confusão” entre internautas. A companhia aérea Japan Airlines (JAL) anunciou que irá abolir o termo “senhoras e senhores” do chamamento de seus voos. Outras empresas do setor aéreo como Air Canada e EasyJet também mudaram para saudações de gênero neutro desde 2019.

Aqui no Brasil, o início do debate trazia elementos como X e o @ à tona, que seriam usados para substituir o A e O definidores de gênero das palavras. Entretanto, segundo aponta a ativista Rafaela “Rafuska” Queiroz, do Movimento Estamos Todes em Ação (META Brasil), os próprios grupos defensores da linguagem neutra colocaram em questão a utilização desses termos gráficos, por provocarem a exclusão de pessoas com deficiência. “O problema foi principalmente apontado por pessoas cegas ou com baixa visão, que fazem uso de leitores de tela em aparelhos eletrônicos. Aplicativos com essa finalidade dão erro ou leem a palavra de forma errada quando marcamos o gênero neutro a partir do @ ou do X”, descreve Rafuska.

Para contornar as características excludentes, novas formas de uso de gênero neutro para o português foram criadas. O “Manual para o Uso da Linguagem Neutra em Língua Portuguesa”, elaborado por Gioni Caê, estudante de Letras Português-Inglês da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), identifica quatro sistemas usados na linguagem neutra: Elu, Ile, Ilu e El. “Decidi juntar tudo o que tinha encontrado em um único local, para poder estudar e me adaptar. Daí surgiu o manual”, narra Gioni, que se identifica como pessoa não-binária e atende por pronomes masculinos.

O uso do gênero neutro vem se tornando uma realidade entre pessoas não-binárias. É o caso de Mar Facciolla, de 21 anos, estudante de Psicologia de São Caetano do Sul, São Paulo, que se reconhece enquanto transgênero não-binárie, e pede que seja referide a partir do sistema Elu. Para Mar, a consequência mais importante da adoção de linguagem neutra na língua portuguesa é a humanização de pessoas transvestigêneras (termo que une as palavras “travesti, transexual e transgênero”) não-binárias e pessoas intersexo na sociedade. “No dia a dia, nossa existência não está incluída na sociedade. Essa dicotomia que atravessa nossos corpos faz com que sejamos excluídes”, afirma.

Para e estudante de Psicologia, o pronome é uma demarcação social. Mar explica que, ao chamar alguém por pronomes femininos ou masculinos, coloca-se o indivíduo em um espectro de feminilidade ou masculinidade. “Tudo na sociedade que está relacionado a ‘ela’ está intimamente associado ao feminino. Igualmente, tudo o que é ‘ele’ está relacionado à masculinidade. O pronome é uma expressão de gênero, então quando utilizam pronomes femininos ou masculinos para se referirem a mim, estão me colocando em um lugar que não é meu”, explica Mar.

Apesar de iniciativas como o Manual, a linguagem neutra segue sem reconhecimento acadêmico na língua portuguesa. Para o professor André Conforte, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a dificuldade de inserção do “gênero” está na quebra do fluxo contínuo da língua. “Não conheço um processo de mudança linguística que não tenha se dado de baixo para cima. Mudanças linguísticas impostas geralmente não acontecem e, quando acontecem, sofrem as resistências normais da língua. Por exemplo, quando o império romano impôs a sua língua (o latim) sobre a Península Ibérica, não foi a língua imposta que se estabeleceu por lá com o tempo”, exemplifica.

A discussão sobre o assunto deve seguir na agenda dos brasileiros nos próximos anos. Para Gioni Caê, só o tempo dirá se a linguagem neutra vai ganhar visibilidade acadêmica e a popularização dos termos na sociedade em geral. “Não dá para colocar nada à força na vida de ninguém. É sempre importante termos respeito com todas as pessoas, e eu vejo a linguagem neutra assim. Como uma maneira de respeitar ês próximes”, afirma.



LUNARDI, Luiza. Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino. 29 jan. 2021. Portal Colabora. Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods5/para-todes-a-reinvencao-da-linguaportuguesa-sem-masculino-ou-feminino/. Acesso em: 24 ago. 2021. Adaptado para fins didáticos.

No excerto: “Entretanto, segundo aponta a ativista Rafaela “Rafuska” Queiroz, do Movimento Estamos Todes em Ação (META Brasil), os próprios grupos defensores da linguagem neutra colocaram em questão a utilização desses termos gráficos”, sobre o elemento linguístico em destaque e a relação semântica estabelecida por ele no texto, é correto afirmar que apresenta valor semântico de:

 

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Disciplina: Português
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Publicada em 29 de janeiro de 2021


A história da linguagem acompanha a história humana no planeta. Desde que descobriu a comunicação por meio da voz e de símbolos, o ser humano passou a inventar, reinventar e renovar línguas a todo o momento, em uma atualização constante e ininterrupta. Apesar de ser um processo gradual e orgânico, uma inovação na língua portuguesa tem gerado controvérsias no mundo acadêmico e em debates na internet: o “gênero neutro”, proposta que prega a adição de sentido não-binário a palavras que sejam marcadas pela dicotomia masculino/feminino, substituindo os artigos A e O, que definem gênero na nossa língua. A mudança é defendida por grupos identitários, principalmente em prol da visibilidade de pessoas trans não-binárias, com o objetivo de garantir maior inclusão.

Apesar de a polêmica existir na língua portuguesa, a discussão não é exclusiva de terras tupiniquins. Estudos realizados pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, com 3,9 mil falantes suecos indicam que a linguagem neutra de fato diminui preconceitos. Enquanto isso, na Espanha, a Real Academia do país se envolveu em polêmica em outubro de 2020, ao incluir o pronome neutro elle em seu observatório de palavras online e retirá-lo do ar três dias depois, após “confusão” entre internautas. A companhia aérea Japan Airlines (JAL) anunciou que irá abolir o termo “senhoras e senhores” do chamamento de seus voos. Outras empresas do setor aéreo como Air Canada e EasyJet também mudaram para saudações de gênero neutro desde 2019.

Aqui no Brasil, o início do debate trazia elementos como X e o @ à tona, que seriam usados para substituir o A e O definidores de gênero das palavras. Entretanto, segundo aponta a ativista Rafaela “Rafuska” Queiroz, do Movimento Estamos Todes em Ação (META Brasil), os próprios grupos defensores da linguagem neutra colocaram em questão a utilização desses termos gráficos, por provocarem a exclusão de pessoas com deficiência. “O problema foi principalmente apontado por pessoas cegas ou com baixa visão, que fazem uso de leitores de tela em aparelhos eletrônicos. Aplicativos com essa finalidade dão erro ou leem a palavra de forma errada quando marcamos o gênero neutro a partir do @ ou do X”, descreve Rafuska.

Para contornar as características excludentes, novas formas de uso de gênero neutro para o português foram criadas. O “Manual para o Uso da Linguagem Neutra em Língua Portuguesa”, elaborado por Gioni Caê, estudante de Letras Português-Inglês da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), identifica quatro sistemas usados na linguagem neutra: Elu, Ile, Ilu e El. “Decidi juntar tudo o que tinha encontrado em um único local, para poder estudar e me adaptar. Daí surgiu o manual”, narra Gioni, que se identifica como pessoa não-binária e atende por pronomes masculinos.

O uso do gênero neutro vem se tornando uma realidade entre pessoas não-binárias. É o caso de Mar Facciolla, de 21 anos, estudante de Psicologia de São Caetano do Sul, São Paulo, que se reconhece enquanto transgênero não-binárie, e pede que seja referide a partir do sistema Elu. Para Mar, a consequência mais importante da adoção de linguagem neutra na língua portuguesa é a humanização de pessoas transvestigêneras (termo que une as palavras “travesti, transexual e transgênero”) não-binárias e pessoas intersexo na sociedade. “No dia a dia, nossa existência não está incluída na sociedade. Essa dicotomia que atravessa nossos corpos faz com que sejamos excluídes”, afirma.

Para e estudante de Psicologia, o pronome é uma demarcação social. Mar explica que, ao chamar alguém por pronomes femininos ou masculinos, coloca-se o indivíduo em um espectro de feminilidade ou masculinidade. “Tudo na sociedade que está relacionado a ‘ela’ está intimamente associado ao feminino. Igualmente, tudo o que é ‘ele’ está relacionado à masculinidade. O pronome é uma expressão de gênero, então quando utilizam pronomes femininos ou masculinos para se referirem a mim, estão me colocando em um lugar que não é meu”, explica Mar.

Apesar de iniciativas como o Manual, a linguagem neutra segue sem reconhecimento acadêmico na língua portuguesa. Para o professor André Conforte, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a dificuldade de inserção do “gênero” está na quebra do fluxo contínuo da língua. “Não conheço um processo de mudança linguística que não tenha se dado de baixo para cima. Mudanças linguísticas impostas geralmente não acontecem e, quando acontecem, sofrem as resistências normais da língua. Por exemplo, quando o império romano impôs a sua língua (o latim) sobre a Península Ibérica, não foi a língua imposta que se estabeleceu por lá com o tempo”, exemplifica.

A discussão sobre o assunto deve seguir na agenda dos brasileiros nos próximos anos. Para Gioni Caê, só o tempo dirá se a linguagem neutra vai ganhar visibilidade acadêmica e a popularização dos termos na sociedade em geral. “Não dá para colocar nada à força na vida de ninguém. É sempre importante termos respeito com todas as pessoas, e eu vejo a linguagem neutra assim. Como uma maneira de respeitar ês próximes”, afirma.



LUNARDI, Luiza. Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino. 29 jan. 2021. Portal Colabora. Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods5/para-todes-a-reinvencao-da-linguaportuguesa-sem-masculino-ou-feminino/. Acesso em: 24 ago. 2021. Adaptado para fins didáticos.

No trecho: “Apesar de iniciativas como o Manual, a linguagem neutra segue sem reconhecimento acadêmico na língua portuguesa”, a expressão destacada pode ser substituída, fazendo-se as adequações necessárias e sem prejuízos semânticos, por:

 

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Por Luiza Lunardi

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A história da linguagem acompanha a história humana no planeta. Desde que descobriu a comunicação por meio da voz e de símbolos, o ser humano passou a inventar, reinventar e renovar línguas a todo o momento, em uma atualização constante e ininterrupta. Apesar de ser um processo gradual e orgânico, uma inovação na língua portuguesa tem gerado controvérsias no mundo acadêmico e em debates na internet: o “gênero neutro”, proposta que prega a adição de sentido não-binário a palavras que sejam marcadas pela dicotomia masculino/feminino, substituindo os artigos A e O, que definem gênero na nossa língua. A mudança é defendida por grupos identitários, principalmente em prol da visibilidade de pessoas trans não-binárias, com o objetivo de garantir maior inclusão.

Apesar de a polêmica existir na língua portuguesa, a discussão não é exclusiva de terras tupiniquins. Estudos realizados pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, com 3,9 mil falantes suecos indicam que a linguagem neutra de fato diminui preconceitos. Enquanto isso, na Espanha, a Real Academia do país se envolveu em polêmica em outubro de 2020, ao incluir o pronome neutro elle em seu observatório de palavras online e retirá-lo do ar três dias depois, após “confusão” entre internautas. A companhia aérea Japan Airlines (JAL) anunciou que irá abolir o termo “senhoras e senhores” do chamamento de seus voos. Outras empresas do setor aéreo como Air Canada e EasyJet também mudaram para saudações de gênero neutro desde 2019.

Aqui no Brasil, o início do debate trazia elementos como X e o @ à tona, que seriam usados para substituir o A e O definidores de gênero das palavras. Entretanto, segundo aponta a ativista Rafaela “Rafuska” Queiroz, do Movimento Estamos Todes em Ação (META Brasil), os próprios grupos defensores da linguagem neutra colocaram em questão a utilização desses termos gráficos, por provocarem a exclusão de pessoas com deficiência. “O problema foi principalmente apontado por pessoas cegas ou com baixa visão, que fazem uso de leitores de tela em aparelhos eletrônicos. Aplicativos com essa finalidade dão erro ou leem a palavra de forma errada quando marcamos o gênero neutro a partir do @ ou do X”, descreve Rafuska.

Para contornar as características excludentes, novas formas de uso de gênero neutro para o português foram criadas. O “Manual para o Uso da Linguagem Neutra em Língua Portuguesa”, elaborado por Gioni Caê, estudante de Letras Português-Inglês da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), identifica quatro sistemas usados na linguagem neutra: Elu, Ile, Ilu e El. “Decidi juntar tudo o que tinha encontrado em um único local, para poder estudar e me adaptar. Daí surgiu o manual”, narra Gioni, que se identifica como pessoa não-binária e atende por pronomes masculinos.

O uso do gênero neutro vem se tornando uma realidade entre pessoas não-binárias. É o caso de Mar Facciolla, de 21 anos, estudante de Psicologia de São Caetano do Sul, São Paulo, que se reconhece enquanto transgênero não-binárie, e pede que seja referide a partir do sistema Elu. Para Mar, a consequência mais importante da adoção de linguagem neutra na língua portuguesa é a humanização de pessoas transvestigêneras (termo que une as palavras “travesti, transexual e transgênero”) não-binárias e pessoas intersexo na sociedade. “No dia a dia, nossa existência não está incluída na sociedade. Essa dicotomia que atravessa nossos corpos faz com que sejamos excluídes”, afirma.

Para e estudante de Psicologia, o pronome é uma demarcação social. Mar explica que, ao chamar alguém por pronomes femininos ou masculinos, coloca-se o indivíduo em um espectro de feminilidade ou masculinidade. “Tudo na sociedade que está relacionado a ‘ela’ está intimamente associado ao feminino. Igualmente, tudo o que é ‘ele’ está relacionado à masculinidade. O pronome é uma expressão de gênero, então quando utilizam pronomes femininos ou masculinos para se referirem a mim, estão me colocando em um lugar que não é meu”, explica Mar.

Apesar de iniciativas como o Manual, a linguagem neutra segue sem reconhecimento acadêmico na língua portuguesa. Para o professor André Conforte, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a dificuldade de inserção do “gênero” está na quebra do fluxo contínuo da língua. “Não conheço um processo de mudança linguística que não tenha se dado de baixo para cima. Mudanças linguísticas impostas geralmente não acontecem e, quando acontecem, sofrem as resistências normais da língua. Por exemplo, quando o império romano impôs a sua língua (o latim) sobre a Península Ibérica, não foi a língua imposta que se estabeleceu por lá com o tempo”, exemplifica.

A discussão sobre o assunto deve seguir na agenda dos brasileiros nos próximos anos. Para Gioni Caê, só o tempo dirá se a linguagem neutra vai ganhar visibilidade acadêmica e a popularização dos termos na sociedade em geral. “Não dá para colocar nada à força na vida de ninguém. É sempre importante termos respeito com todas as pessoas, e eu vejo a linguagem neutra assim. Como uma maneira de respeitar ês próximes”, afirma.



LUNARDI, Luiza. Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino. 29 jan. 2021. Portal Colabora. Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods5/para-todes-a-reinvencao-da-linguaportuguesa-sem-masculino-ou-feminino/. Acesso em: 24 ago. 2021. Adaptado para fins didáticos.

Considerando o uso da expressão terras tupiniquins no texto, pode-se afirmar que:

 

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Por Luiza Lunardi

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A história da linguagem acompanha a história humana no planeta. Desde que descobriu a comunicação por meio da voz e de símbolos, o ser humano passou a inventar, reinventar e renovar línguas a todo o momento, em uma atualização constante e ininterrupta. Apesar de ser um processo gradual e orgânico, uma inovação na língua portuguesa tem gerado controvérsias no mundo acadêmico e em debates na internet: o “gênero neutro”, proposta que prega a adição de sentido não-binário a palavras que sejam marcadas pela dicotomia masculino/feminino, substituindo os artigos A e O, que definem gênero na nossa língua. A mudança é defendida por grupos identitários, principalmente em prol da visibilidade de pessoas trans não-binárias, com o objetivo de garantir maior inclusão.

Apesar de a polêmica existir na língua portuguesa, a discussão não é exclusiva de terras tupiniquins. Estudos realizados pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, com 3,9 mil falantes suecos indicam que a linguagem neutra de fato diminui preconceitos. Enquanto isso, na Espanha, a Real Academia do país se envolveu em polêmica em outubro de 2020, ao incluir o pronome neutro elle em seu observatório de palavras online e retirá-lo do ar três dias depois, após “confusão” entre internautas. A companhia aérea Japan Airlines (JAL) anunciou que irá abolir o termo “senhoras e senhores” do chamamento de seus voos. Outras empresas do setor aéreo como Air Canada e EasyJet também mudaram para saudações de gênero neutro desde 2019.

Aqui no Brasil, o início do debate trazia elementos como X e o @ à tona, que seriam usados para substituir o A e O definidores de gênero das palavras. Entretanto, segundo aponta a ativista Rafaela “Rafuska” Queiroz, do Movimento Estamos Todes em Ação (META Brasil), os próprios grupos defensores da linguagem neutra colocaram em questão a utilização desses termos gráficos, por provocarem a exclusão de pessoas com deficiência. “O problema foi principalmente apontado por pessoas cegas ou com baixa visão, que fazem uso de leitores de tela em aparelhos eletrônicos. Aplicativos com essa finalidade dão erro ou leem a palavra de forma errada quando marcamos o gênero neutro a partir do @ ou do X”, descreve Rafuska.

Para contornar as características excludentes, novas formas de uso de gênero neutro para o português foram criadas. O “Manual para o Uso da Linguagem Neutra em Língua Portuguesa”, elaborado por Gioni Caê, estudante de Letras Português-Inglês da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), identifica quatro sistemas usados na linguagem neutra: Elu, Ile, Ilu e El. “Decidi juntar tudo o que tinha encontrado em um único local, para poder estudar e me adaptar. Daí surgiu o manual”, narra Gioni, que se identifica como pessoa não-binária e atende por pronomes masculinos.

O uso do gênero neutro vem se tornando uma realidade entre pessoas não-binárias. É o caso de Mar Facciolla, de 21 anos, estudante de Psicologia de São Caetano do Sul, São Paulo, que se reconhece enquanto transgênero não-binárie, e pede que seja referide a partir do sistema Elu. Para Mar, a consequência mais importante da adoção de linguagem neutra na língua portuguesa é a humanização de pessoas transvestigêneras (termo que une as palavras “travesti, transexual e transgênero”) não-binárias e pessoas intersexo na sociedade. “No dia a dia, nossa existência não está incluída na sociedade. Essa dicotomia que atravessa nossos corpos faz com que sejamos excluídes”, afirma.

Para e estudante de Psicologia, o pronome é uma demarcação social. Mar explica que, ao chamar alguém por pronomes femininos ou masculinos, coloca-se o indivíduo em um espectro de feminilidade ou masculinidade. “Tudo na sociedade que está relacionado a ‘ela’ está intimamente associado ao feminino. Igualmente, tudo o que é ‘ele’ está relacionado à masculinidade. O pronome é uma expressão de gênero, então quando utilizam pronomes femininos ou masculinos para se referirem a mim, estão me colocando em um lugar que não é meu”, explica Mar.

Apesar de iniciativas como o Manual, a linguagem neutra segue sem reconhecimento acadêmico na língua portuguesa. Para o professor André Conforte, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a dificuldade de inserção do “gênero” está na quebra do fluxo contínuo da língua. “Não conheço um processo de mudança linguística que não tenha se dado de baixo para cima. Mudanças linguísticas impostas geralmente não acontecem e, quando acontecem, sofrem as resistências normais da língua. Por exemplo, quando o império romano impôs a sua língua (o latim) sobre a Península Ibérica, não foi a língua imposta que se estabeleceu por lá com o tempo”, exemplifica.

A discussão sobre o assunto deve seguir na agenda dos brasileiros nos próximos anos. Para Gioni Caê, só o tempo dirá se a linguagem neutra vai ganhar visibilidade acadêmica e a popularização dos termos na sociedade em geral. “Não dá para colocar nada à força na vida de ninguém. É sempre importante termos respeito com todas as pessoas, e eu vejo a linguagem neutra assim. Como uma maneira de respeitar ês próximes”, afirma.



LUNARDI, Luiza. Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino. 29 jan. 2021. Portal Colabora. Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods5/para-todes-a-reinvencao-da-linguaportuguesa-sem-masculino-ou-feminino/. Acesso em: 24 ago. 2021. Adaptado para fins didáticos.

Quanto ao registro de linguagem empregado no texto, podemos observar que:

 

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3232248 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FDQ
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Leia o texto abaixo para responder às questões.


Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino



Por Luiza Lunardi

Publicada em 29 de janeiro de 2021


A história da linguagem acompanha a história humana no planeta. Desde que descobriu a comunicação por meio da voz e de símbolos, o ser humano passou a inventar, reinventar e renovar línguas a todo o momento, em uma atualização constante e ininterrupta. Apesar de ser um processo gradual e orgânico, uma inovação na língua portuguesa tem gerado controvérsias no mundo acadêmico e em debates na internet: o “gênero neutro”, proposta que prega a adição de sentido não-binário a palavras que sejam marcadas pela dicotomia masculino/feminino, substituindo os artigos A e O, que definem gênero na nossa língua. A mudança é defendida por grupos identitários, principalmente em prol da visibilidade de pessoas trans não-binárias, com o objetivo de garantir maior inclusão.

Apesar de a polêmica existir na língua portuguesa, a discussão não é exclusiva de terras tupiniquins. Estudos realizados pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, com 3,9 mil falantes suecos indicam que a linguagem neutra de fato diminui preconceitos. Enquanto isso, na Espanha, a Real Academia do país se envolveu em polêmica em outubro de 2020, ao incluir o pronome neutro elle em seu observatório de palavras online e retirá-lo do ar três dias depois, após “confusão” entre internautas. A companhia aérea Japan Airlines (JAL) anunciou que irá abolir o termo “senhoras e senhores” do chamamento de seus voos. Outras empresas do setor aéreo como Air Canada e EasyJet também mudaram para saudações de gênero neutro desde 2019.

Aqui no Brasil, o início do debate trazia elementos como X e o @ à tona, que seriam usados para substituir o A e O definidores de gênero das palavras. Entretanto, segundo aponta a ativista Rafaela “Rafuska” Queiroz, do Movimento Estamos Todes em Ação (META Brasil), os próprios grupos defensores da linguagem neutra colocaram em questão a utilização desses termos gráficos, por provocarem a exclusão de pessoas com deficiência. “O problema foi principalmente apontado por pessoas cegas ou com baixa visão, que fazem uso de leitores de tela em aparelhos eletrônicos. Aplicativos com essa finalidade dão erro ou leem a palavra de forma errada quando marcamos o gênero neutro a partir do @ ou do X”, descreve Rafuska.

Para contornar as características excludentes, novas formas de uso de gênero neutro para o português foram criadas. O “Manual para o Uso da Linguagem Neutra em Língua Portuguesa”, elaborado por Gioni Caê, estudante de Letras Português-Inglês da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), identifica quatro sistemas usados na linguagem neutra: Elu, Ile, Ilu e El. “Decidi juntar tudo o que tinha encontrado em um único local, para poder estudar e me adaptar. Daí surgiu o manual”, narra Gioni, que se identifica como pessoa não-binária e atende por pronomes masculinos.

O uso do gênero neutro vem se tornando uma realidade entre pessoas não-binárias. É o caso de Mar Facciolla, de 21 anos, estudante de Psicologia de São Caetano do Sul, São Paulo, que se reconhece enquanto transgênero não-binárie, e pede que seja referide a partir do sistema Elu. Para Mar, a consequência mais importante da adoção de linguagem neutra na língua portuguesa é a humanização de pessoas transvestigêneras (termo que une as palavras “travesti, transexual e transgênero”) não-binárias e pessoas intersexo na sociedade. “No dia a dia, nossa existência não está incluída na sociedade. Essa dicotomia que atravessa nossos corpos faz com que sejamos excluídes”, afirma.

Para e estudante de Psicologia, o pronome é uma demarcação social. Mar explica que, ao chamar alguém por pronomes femininos ou masculinos, coloca-se o indivíduo em um espectro de feminilidade ou masculinidade. “Tudo na sociedade que está relacionado a ‘ela’ está intimamente associado ao feminino. Igualmente, tudo o que é ‘ele’ está relacionado à masculinidade. O pronome é uma expressão de gênero, então quando utilizam pronomes femininos ou masculinos para se referirem a mim, estão me colocando em um lugar que não é meu”, explica Mar.

Apesar de iniciativas como o Manual, a linguagem neutra segue sem reconhecimento acadêmico na língua portuguesa. Para o professor André Conforte, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a dificuldade de inserção do “gênero” está na quebra do fluxo contínuo da língua. “Não conheço um processo de mudança linguística que não tenha se dado de baixo para cima. Mudanças linguísticas impostas geralmente não acontecem e, quando acontecem, sofrem as resistências normais da língua. Por exemplo, quando o império romano impôs a sua língua (o latim) sobre a Península Ibérica, não foi a língua imposta que se estabeleceu por lá com o tempo”, exemplifica.

A discussão sobre o assunto deve seguir na agenda dos brasileiros nos próximos anos. Para Gioni Caê, só o tempo dirá se a linguagem neutra vai ganhar visibilidade acadêmica e a popularização dos termos na sociedade em geral. “Não dá para colocar nada à força na vida de ninguém. É sempre importante termos respeito com todas as pessoas, e eu vejo a linguagem neutra assim. Como uma maneira de respeitar ês próximes”, afirma.



LUNARDI, Luiza. Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino. 29 jan. 2021. Portal Colabora. Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods5/para-todes-a-reinvencao-da-linguaportuguesa-sem-masculino-ou-feminino/. Acesso em: 24 ago. 2021. Adaptado para fins didáticos.

Quanto à função do primeiro parágrafo no texto, é CORRETO afirmar que:

 

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Disciplina: Português
Banca: FDQ
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Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino



Por Luiza Lunardi

Publicada em 29 de janeiro de 2021


A história da linguagem acompanha a história humana no planeta. Desde que descobriu a comunicação por meio da voz e de símbolos, o ser humano passou a inventar, reinventar e renovar línguas a todo o momento, em uma atualização constante e ininterrupta. Apesar de ser um processo gradual e orgânico, uma inovação na língua portuguesa tem gerado controvérsias no mundo acadêmico e em debates na internet: o “gênero neutro”, proposta que prega a adição de sentido não-binário a palavras que sejam marcadas pela dicotomia masculino/feminino, substituindo os artigos A e O, que definem gênero na nossa língua. A mudança é defendida por grupos identitários, principalmente em prol da visibilidade de pessoas trans não-binárias, com o objetivo de garantir maior inclusão.

Apesar de a polêmica existir na língua portuguesa, a discussão não é exclusiva de terras tupiniquins. Estudos realizados pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, com 3,9 mil falantes suecos indicam que a linguagem neutra de fato diminui preconceitos. Enquanto isso, na Espanha, a Real Academia do país se envolveu em polêmica em outubro de 2020, ao incluir o pronome neutro elle em seu observatório de palavras online e retirá-lo do ar três dias depois, após “confusão” entre internautas. A companhia aérea Japan Airlines (JAL) anunciou que irá abolir o termo “senhoras e senhores” do chamamento de seus voos. Outras empresas do setor aéreo como Air Canada e EasyJet também mudaram para saudações de gênero neutro desde 2019.

Aqui no Brasil, o início do debate trazia elementos como X e o @ à tona, que seriam usados para substituir o A e O definidores de gênero das palavras. Entretanto, segundo aponta a ativista Rafaela “Rafuska” Queiroz, do Movimento Estamos Todes em Ação (META Brasil), os próprios grupos defensores da linguagem neutra colocaram em questão a utilização desses termos gráficos, por provocarem a exclusão de pessoas com deficiência. “O problema foi principalmente apontado por pessoas cegas ou com baixa visão, que fazem uso de leitores de tela em aparelhos eletrônicos. Aplicativos com essa finalidade dão erro ou leem a palavra de forma errada quando marcamos o gênero neutro a partir do @ ou do X”, descreve Rafuska.

Para contornar as características excludentes, novas formas de uso de gênero neutro para o português foram criadas. O “Manual para o Uso da Linguagem Neutra em Língua Portuguesa”, elaborado por Gioni Caê, estudante de Letras Português-Inglês da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), identifica quatro sistemas usados na linguagem neutra: Elu, Ile, Ilu e El. “Decidi juntar tudo o que tinha encontrado em um único local, para poder estudar e me adaptar. Daí surgiu o manual”, narra Gioni, que se identifica como pessoa não-binária e atende por pronomes masculinos.

O uso do gênero neutro vem se tornando uma realidade entre pessoas não-binárias. É o caso de Mar Facciolla, de 21 anos, estudante de Psicologia de São Caetano do Sul, São Paulo, que se reconhece enquanto transgênero não-binárie, e pede que seja referide a partir do sistema Elu. Para Mar, a consequência mais importante da adoção de linguagem neutra na língua portuguesa é a humanização de pessoas transvestigêneras (termo que une as palavras “travesti, transexual e transgênero”) não-binárias e pessoas intersexo na sociedade. “No dia a dia, nossa existência não está incluída na sociedade. Essa dicotomia que atravessa nossos corpos faz com que sejamos excluídes”, afirma.

Para e estudante de Psicologia, o pronome é uma demarcação social. Mar explica que, ao chamar alguém por pronomes femininos ou masculinos, coloca-se o indivíduo em um espectro de feminilidade ou masculinidade. “Tudo na sociedade que está relacionado a ‘ela’ está intimamente associado ao feminino. Igualmente, tudo o que é ‘ele’ está relacionado à masculinidade. O pronome é uma expressão de gênero, então quando utilizam pronomes femininos ou masculinos para se referirem a mim, estão me colocando em um lugar que não é meu”, explica Mar.

Apesar de iniciativas como o Manual, a linguagem neutra segue sem reconhecimento acadêmico na língua portuguesa. Para o professor André Conforte, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a dificuldade de inserção do “gênero” está na quebra do fluxo contínuo da língua. “Não conheço um processo de mudança linguística que não tenha se dado de baixo para cima. Mudanças linguísticas impostas geralmente não acontecem e, quando acontecem, sofrem as resistências normais da língua. Por exemplo, quando o império romano impôs a sua língua (o latim) sobre a Península Ibérica, não foi a língua imposta que se estabeleceu por lá com o tempo”, exemplifica.

A discussão sobre o assunto deve seguir na agenda dos brasileiros nos próximos anos. Para Gioni Caê, só o tempo dirá se a linguagem neutra vai ganhar visibilidade acadêmica e a popularização dos termos na sociedade em geral. “Não dá para colocar nada à força na vida de ninguém. É sempre importante termos respeito com todas as pessoas, e eu vejo a linguagem neutra assim. Como uma maneira de respeitar ês próximes”, afirma.



LUNARDI, Luiza. Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino. 29 jan. 2021. Portal Colabora. Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods5/para-todes-a-reinvencao-da-linguaportuguesa-sem-masculino-ou-feminino/. Acesso em: 24 ago. 2021. Adaptado para fins didáticos.

Com base na leitura do texto, pode-se afirmar que o propósito comunicativo predominante é:

 

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3232246 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FDQ
Orgão: UFERSA

Leia o texto abaixo para responder às questões.

VACINAÇÃO: HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA

A vacinação é uma das estratégias mais eficazes para a prevenção de infecções. Simplificando, a ação da vacina pode ser explicada como forma de antecipar o contato do corpo com o microrganismo infectante ou parte dele de maneira segura, visando a estimular e preparar o sistema imunológico para quando de fato for desafiado no contato com o agente causador da doença.

Em 1796, o médico inglês Edward Jenner (1749-1823) criou a primeira vacina do mundo a partir da observação de que pessoas que contraíram a varíola bovina (cowpox) estariam protegidas da infecção pela varíola humana, uma doença viral frequentemente mortal. Jenner deu a esse processo o nome de vacinação.

Após quase dois séculos do desenvolvimento da primeira vacina, em 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente: “O mundo e todos os seus povos estão livres da varíola”. A afirmação marcou o fim de uma doença que atormentou a humanidade por pelo menos três mil anos, matando 300 milhões de pessoas somente no século 20. Ainda hoje, a erradicação da varíola é considerada a maior vitória da medicina moderna, sendo lembrada com esperança na luta para eliminar doenças infecciosas.

Cabe insistir que vacina não é um gasto, é um investimento em saúde. Segundo a OMS, existem vacinas para prevenir mais de 20 doenças fatais. A imunização atualmente previne de 2 a 3 milhões de mortes todos os anos por doenças como pneumonia, meningite, hepatite e sarampo.

Mundialmente reconhecido, o Programa Nacional de Imunização (PNI) brasileiro, criado em 1973, é considerado referência pela Organização Pan-americana da Saúde (Opas). Parte do Sistema Único de Saúde (SUS), o PNI oferece gratuitamente todas as vacinas recomendadas pela OMS. Além de distribuir 25 tipos de vacinas, o país ainda produz e exporta várias delas para mais de 70 países. Atualmente, são disponibilizados gratuitamente pela rede pública de saúde cerca de 300 milhões de doses de imunobiológicos, para combater mais de 19 doenças, em diversas faixas etárias.

Ampliar e consolidar a produção nacional de vacinas é um dos grandes desafios do Brasil, uma vez que se trata de um processo complexo e com muitas variáveis. As flutuações relacionadas a uma produção de imunobiológicos devem ter seus riscos mapeados e minimizados a fim de garantir o abastecimento do mercado.

No Brasil, um cenário bastante animador é a perspectiva da construção do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde em Santa Cruz (RJ), o qual produzirá anualmente até 120 milhões de frascos, passando a ser a maior fábrica de vacinas da América Latina. Além de novas plantas fabris, deve-se investir em adequar as fábricas já existentes dos laboratórios públicos para assim contemplar as crescentes demandas regulatórias nacionais e internacionais, mantendo o abastecimento atual.

A incorporação tecnológica e o desenvolvimento de novas vacinas também devem ser priorizados a fim de oferecer à população o que há de melhor. No entanto, esses dois caminhos são considerados longos e complexos, nos quais se tem um alto investimento e retorno em longo prazo, o que faz com que nem sempre sejam privilegiados. Porém, são esses os alicerces – junto com as produções já consolidadas – necessários para evitar ou minimizar o risco de desabastecimento de vacinas em momentos de demanda mundial.

Outro fator importante diz respeito à formação, retenção e valorização da mão de obra qualificada e especializada. Normalmente, esses recursos humanos têm sua formação refinada dentro do próprio complexo industrial, já que receberam conhecimento específico – e muitas vezes sigiloso – na própria instituição. Entretanto, nos laboratórios públicos, a realidade é outra: enfrentam-se dificuldades para contratar, formar e reter talentos, gerando uma lacuna nesses ambientes.

Com a atuação nas frentes descritas acima, teremos ainda que equacionar a decrescente adesão ao PNI. Falta de conhecimento sobre doenças consideradas erradicadas, falsas notícias (fake news) e horários limitados das salas de vacinação são fatores que estão contribuindo com as baixas coberturas vacinais.

Infelizmente, movimentos antivacinas ganham espaço. Diversos estudos demonstram a eficácia e o papel relevante da introdução do uso de vacinas na história, mas aqueles que se recusam a vacinar fazem escolhas individuais que podem repercutir em toda a sociedade – doenças tidas como erradicadas podem retornar, como o caso do sarampo.

A onda do antivacinismo pode estar relacionada ao questionamento da segurança das vacinas, ao receio de seus efeitos colaterais, ou mesmo à crença de que as pessoas não são vulneráveis a essas doenças. Assim como qualquer medicamento, as vacinas podem gerar efeitos adversos. Mas, ao aprovar seu uso, entende-se que seus benefícios superam o risco da ocorrência de tal evento, uma vez que a doença traria consequências muito mais graves. Acredita-se que a comunicação de qualidade e transparência sobre as vacinas seria o melhor instrumento para lidar com tais movimentos.

Com a globalização e a situação que atualmente vivemos com a pandemia do covid-19, realmente lidar com esses gargalos citados e impulsionar as iniciativas de consolidação da produção nacional de vacinas e cobertura vacinal é o caminho para o sucesso e a esperança de dias melhores.

Carla França Wolanski de Almeida

Vice-Diretoria de Produção da Fiocruz

Caroline Moura Ramirez

Gestão integrada do Projeto de Transferência de Tecnologia e Produção da Vacina Covid-19 da Fiocruz

Wania Renata dos Santos

Departamento de Vacinas Virais da Fiocruz

ALMEIDA, Carla França Wolanski de; RAMIREZ, Caroline Moura; SANTOS, Wania Renata dos. Vacinação: histórico e importância. Revista Ciência Hoje. 21 dez. 2020.

Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/vacinacao-historico-e-importancia/. Acesso em: 23 ago. 2021. Adaptado

Considerando a organização sintática do período: “Diversos estudos demonstram a eficácia e o papel relevante da introdução do uso de vacinas na história, mas aqueles que se recusam a vacinar fazem escolhas individuais que podem repercutir em toda a sociedade”, é CORRETO afirmar que:

 

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3232245 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FDQ
Orgão: UFERSA

Leia o texto abaixo para responder às questões.


VACINAÇÃO: HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA


A vacinação é uma das estratégias mais eficazes para a prevenção de infecções. Simplificando, a ação da vacina pode ser explicada como forma de antecipar o contato do corpo com o microrganismo infectante ou parte dele de maneira segura, visando a estimular e preparar o sistema imunológico para quando de fato for desafiado no contato com o agente causador da doença.

Em 1796, o médico inglês Edward Jenner (1749-1823) criou a primeira vacina do mundo a partir da observação de que pessoas que contraíram a varíola bovina (cowpox) estariam protegidas da infecção pela varíola humana, uma doença viral frequentemente mortal. Jenner deu a esse processo o nome de vacinação.

Após quase dois séculos do desenvolvimento da primeira vacina, em 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente: “O mundo e todos os seus povos estão livres da varíola”. A afirmação marcou o fim de uma doença que atormentou a humanidade por pelo menos três mil anos, matando 300 milhões de pessoas somente no século 20. Ainda hoje, a erradicação da varíola é considerada a maior vitória da medicina moderna, sendo lembrada com esperança na luta para eliminar doenças infecciosas.

Cabe insistir que vacina não é um gasto, é um investimento em saúde. Segundo a OMS, existem vacinas para prevenir mais de 20 doenças fatais. A imunização atualmente previne de 2 a 3 milhões de mortes todos os anos por doenças como pneumonia, meningite, hepatite e sarampo.

Mundialmente reconhecido, o Programa Nacional de Imunização (PNI) brasileiro, criado em 1973, é considerado referência pela Organização Pan-americana da Saúde (Opas). Parte do Sistema Único de Saúde (SUS), o PNI oferece gratuitamente todas as vacinas recomendadas pela OMS. Além de distribuir 25 tipos de vacinas, o país ainda produz e exporta várias delas para mais de 70 países. Atualmente, são disponibilizados gratuitamente pela rede pública de saúde cerca de 300 milhões de doses de imunobiológicos, para combater mais de 19 doenças, em diversas faixas etárias.

Ampliar e consolidar a produção nacional de vacinas é um dos grandes desafios do Brasil, uma vez que se trata de um processo complexo e com muitas variáveis. As flutuações relacionadas a uma produção de imunobiológicos devem ter seus riscos mapeados e minimizados a fim de garantir o abastecimento do mercado.

No Brasil, um cenário bastante animador é a perspectiva da construção do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde em Santa Cruz (RJ), o qual produzirá anualmente até 120 milhões de frascos, passando a ser a maior fábrica de vacinas da América Latina. Além de novas plantas fabris, deve-se investir em adequar as fábricas já existentes dos laboratórios públicos para assim contemplar as crescentes demandas regulatórias nacionais e internacionais, mantendo o abastecimento atual.

A incorporação tecnológica e o desenvolvimento de novas vacinas também devem ser priorizados a fim de oferecer à população o que há de melhor. No entanto, esses dois caminhos são considerados longos e complexos, nos quais se tem um alto investimento e retorno em longo prazo, o que faz com que nem sempre sejam privilegiados. Porém, são esses os alicerces – junto com as produções já consolidadas – necessários para evitar ou minimizar o risco de desabastecimento de vacinas em momentos de demanda mundial.

Outro fator importante diz respeito à formação, retenção e valorização da mão de obra qualificada e especializada. Normalmente, esses recursos humanos têm sua formação refinada dentro do próprio complexo industrial, já que receberam conhecimento específico – e muitas vezes sigiloso – na própria instituição. Entretanto, nos laboratórios públicos, a realidade é outra: enfrentam-se dificuldades para contratar, formar e reter talentos, gerando uma lacuna nesses ambientes.

Com a atuação nas frentes descritas acima, teremos ainda que equacionar a decrescente adesão ao PNI. Falta de conhecimento sobre doenças consideradas erradicadas, falsas notícias (fake news) e horários limitados das salas de vacinação são fatores que estão contribuindo com as baixas coberturas vacinais.

Infelizmente, movimentos antivacinas ganham espaço. Diversos estudos demonstram a eficácia e o papel relevante da introdução do uso de vacinas na história, mas aqueles que se recusam a vacinar fazem escolhas individuais que podem repercutir em toda a sociedade – doenças tidas como erradicadas podem retornar, como o caso do sarampo.

A onda do antivacinismo pode estar relacionada ao questionamento da segurança das vacinas, ao receio de seus efeitos colaterais, ou mesmo à crença de que as pessoas não são vulneráveis a essas doenças. Assim como qualquer medicamento, as vacinas podem gerar efeitos adversos. Mas, ao aprovar seu uso, entende-se que seus benefícios superam o risco da ocorrência de tal evento, uma vez que a doença traria consequências muito mais graves. Acredita-se que a comunicação de qualidade e transparência sobre as vacinas seria o melhor instrumento para lidar com tais movimentos.

Com a globalização e a situação que atualmente vivemos com a pandemia do covid-19, realmente lidar com esses gargalos citados e impulsionar as iniciativas de consolidação da produção nacional de vacinas e cobertura vacinal é o caminho para o sucesso e a esperança de dias melhores.

Carla França Wolanski de Almeida

Vice-Diretoria de Produção da Fiocruz

Caroline Moura Ramirez

Gestão integrada do Projeto de Transferência de Tecnologia e Produção da Vacina Covid-19 da Fiocruz

Wania Renata dos Santos

Departamento de Vacinas Virais da Fiocruz

ALMEIDA, Carla França Wolanski de; RAMIREZ, Caroline Moura; SANTOS, Wania Renata dos. Vacinação: histórico e importância. Revista Ciência Hoje. 21 dez. 2020.

Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/vacinacao-historico-e-importancia/. Acesso em: 23 ago. 2021. Adaptado

Observe os empregos da vírgula enumerados no excerto a seguir: “A onda do antivacinismo pode estar relacionada ao questionamento da segurança das vacinas, (1) ao receio de seus efeitos colaterais, (2) ou mesmo à crença de que as pessoas não são vulneráveis a essas doenças. Assim como qualquer medicamento, (3) as vacinas podem gerar efeitos adversos”. O uso da vírgula, nesses casos, justifica-se por:

 

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