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O trecho a seguir é parte de um contrato de locação de um equipamento para purificação de água e serve de referência para a questão.
1.1. Pelo presente instrumento particular, a WH S/A, com sede na Av. , São Paulo, SP, CNPJ/MF , e, de outro lado, a pessoa física ou jurídica, ora locatária e contratante dos serviços abaixo indicados, prestados pela WH, doravante denominada simplesmente CONSUMIDOR (em conjunto com a WH, as “Partes”), ambas as partes devidamente qualificadas na ordem de serviço de instalação (OS) e/ou no banco de dados da WH, celebram entre si o presente Contrato de Locação de Bem Móvel e Condições Gerais da Locação (“Contrato”), que será regido pelos seguintes termos e condições:
[...]
6.1. O Contrato vigerá pelo prazo de 12 (doze) meses a contar da data de instalação do Produto. Encerrado este prazo sem que haja manifestação expressa de qualquer das Partes solicitando o encerramento, o Contrato passará automaticamente a viger por prazo indeterminado.
6.2. O Contrato poderá ser encerrado ou rescindido:
(i) por qualquer das Partes, a qualquer tempo, mediante aviso prévio e expresso com no mínimo 30 (trinta) dias de antecedência, e observada a previsão constante do item 6.3 abaixo; ou
(ii) pelo CONSUMIDOR, a qualquer tempo, em caso de inadimplemento pela WH de qualquer de suas obrigações previstas neste Contrato; ou
(iii) pela WH, a qualquer tempo, em caso de inadimplemento pelo CONSUMIDOR de qualquer de suas obrigações previstas neste Contrato, em especial em caso de não pagamento de quaisquer valores devidos pelo CONSUMIDOR em até 30 (trinta) dias a contar da data de seu vencimento; ou
(iv) pela WH, a qualquer tempo, em caso de mudança do Local de Instalação do Produto para área não abrangida pelo Programa (cláusula 8.3 abaixo); ou
(v) pela WH, a qualquer tempo, se o CONSUMIDOR utilizar indevidamente o Produto, por meio da adulteração ou por qualquer outra forma que venha a ocasionar a fruição do Programa de forma diferente da que efetivamente contratou com a WH.
6.2.1. Em qualquer das hipóteses de rescisão/encerramento acima previstas, o Produto será imediatamente retirado pela WH, mediante o prévio agendamento de visita e observada a previsão constante na cláusula 6.3.1 abaixo.
6.3. Fica desde já estabelecido que, caso o consumidor venha a rescindir o contrato, total ou parcialmente, antes de completado o prazo contratado de 12 (doze) meses, mencionado no item 6.1 acima, será devida pelo mesmo à WH multa equivalente a 10% sobre o valor das parcelas vincendas e necessárias a completar o prazo de 12 (doze) meses da vigência do contrato, independentemente de qualquer aviso, notificação ou interpelação judicial ou extrajudicial.
Identifique as seguintes afirmativas sobre o texto como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) A assinatura da ordem de serviço de instalação (OS) por ambas as partes é uma condição necessária para a validade do contrato.
( ) Após 12 meses de aluguel do equipamento, este passará a ser propriedade do locatário.
( ) O prazo mínimo para o contrato de locação é de um ano e sua prorrogação por tempo indeterminado independe de assinatura de um novo contrato.
( ) A mudança de endereço do consumidor não é razão suficiente para que o contrato seja rescindido, a menos que a WH não preste serviços na região do novo domicílio.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção. Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
Considere o seguinte trecho:
É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo.
Assinale a alternativa em que as mudanças na pontuação desse trecho não resultam em incorreção ou em alteração do sentido original.
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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões1) e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro1), supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua2). Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno2) é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica3)’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas3) que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso4) é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra5), sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção5). Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
Considere as seguintes afirmativas sobre expressões utilizadas no texto:
1. “O primeiro” retoma “falar (...) de coisas por meio de palavras e expressões”.
2. “Esse fenômeno” remete à afirmação de que “nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua”.
3. “Essas pessoas” refere-se a “empregada doméstica”.
4. “Isso” refere-se ao uso de eufemismos.
5. “Outra” refere-se à afirmação de que “as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção”.
Assinale a alternativa correta.
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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inversoA) sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leoninaB) entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucialC): o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestrementeD) as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuçosE), sem enganação, sem distorção. Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
As alternativas a seguir contêm palavras extraídas do texto seguidas de possíveis substituições para cada uma. Assinale a alternativa na qual a substituição proposta corresponde ao sentido da palavra no texto.
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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política1)), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são2)...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo3). Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção. Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente4), acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
Uma das características observáveis no texto é a ironia do autor em alguns segmentos. Essa ironia pode ser observada no uso das expressões:
1. ...vandalismo ou manifestação política...
2. ...praticamente (!) da família, isto é, que não são...
3. ...a liturgia do cargo...
4. ...modestamente...
Estão corretos os itens:
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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção. Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
Com base no texto, é correto afirmar:
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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção. Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
Tendo como referência o texto acima, considere as seguintes afirmativas:
1. Como adepto do movimento “politicamente correto”, o autor acredita que a substituição de expressões com conotação negativa por outras sem essa carga pode reduzir os preconceitos na sociedade.
2. Possenti considera uma hipocrisia o uso de eufemismos e propõe que chamemos as coisas pelos nomes corretos, objetivos.
3. Para o autor, as divergências sobre a adequação de determinadas palavras são um reflexo da heterogeneidade social e da disputa de poder entre os grupos.
4. Segundo o autor, o uso de eufemismos é sempre um índice de boa educação, de respeito aos interlocutores.
Assinale a alternativa correta.
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No projeto de uma câmara frigorífica, o engenheiro precisará utilizar materiais para isolamento térmico aplicado sobre as paredes da câmara. Considerando apenas a transferência de calor em regime estacionário unidirecional e uniforme em paredes planas de área A, sendo Ti e Te as temperaturas em suas faces e Ti < Te, identifique as seguintes afirmativas como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) Em analogia com um circuito elétrico, o fluxo de calor pode ser comparado à corrente elétrica; a diferença de temperatura pode ser comparada à tensão elétrica e a relação \( { \large K.A \over e} \) (onde \( e \) é a espessura, K\( K \) é a condutibilidade térmica e \( A \) é a área da parede) pode ser comparada à resistência elétrica.
( ) Se for utilizada inicialmente uma manta isolante feita com material cujo \( K = 0,05 { \large W \over m.ºC} \) e posteriormente for substituída por outra manta cujo \( K = 0,05 { \large W \over m.ºC} \) , pode-se concluir que o material da segunda manta é mais isolante que o da primeira e, portanto, reduzirá o fluxo de calor através da parede.
( ) O valor do coeficiente de condutibilidade térmica é uma propriedade do material e pode aumentar, diminuir ou não se alterar em função da temperatura.
( ) Uma manta isolante de espessura e1 e coeficiente de condutibilidade térmica K1 aplicada sobre a parede, produzirá o mesmo efeito isolante térmico de uma outra manta isolante de espessura e2 e coeficiente de condutibilidade térmica k2, aplicada sobre a mesma parede, se e2 = 4 e1 e K2 =0,25 K1.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
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O Teorema de Carnot enuncia que nenhuma máquina térmica trabalhando entre dois dados reservatórios térmicos pode ser mais eficiente do que uma máquina reversível trabalhando entre os dois reservatórios; esta, por sua vez, é chamada de máquina de Carnot e seu ciclo é chamado ciclo de Carnot. Identifique as seguintes afirmativas em relação à máquina e ao ciclo de Carnot como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) O ciclo de Carnot é formado por duas transformações isobáricas e duas transformações adiabáticas.
( ) Para que um processo seja reversível, é necessário que a energia mecânica seja transformada em energia térmica interna por meio de atrito ou outras forças viscosas.
( ) Todos os ciclos de Carnot têm o mesmo rendimento, independentemente da substância de trabalho.
( ) O rendimento do ciclo de Carnot, \( \eta _c \) , pode ser obtido pela expressão \( \eta _c = 1 - { \large T_q \over T_f} \) onde \( T_q \) é a temperatura da fonte quente e \( T_f \) é a temperatura.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto éA), o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou sejaA), nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um ladoB), se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outroB), a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. QuandoC) se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e queD) é falsa: as coisas existem enquantoE) tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção. Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
Assinale a alternativa INCORRETA sobre o uso de elementos de coesão no texto.
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