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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões1) e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro1), supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua2). Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno2) é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica3)’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas3) que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso4) é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra5), sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção5). Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
Considere as seguintes afirmativas sobre expressões utilizadas no texto:
1. “O primeiro” retoma “falar (...) de coisas por meio de palavras e expressões”.
2. “Esse fenômeno” remete à afirmação de que “nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua”.
3. “Essas pessoas” refere-se a “empregada doméstica”.
4. “Isso” refere-se ao uso de eufemismos.
5. “Outra” refere-se à afirmação de que “as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção”.
Assinale a alternativa correta.
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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inversoA) sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leoninaB) entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucialC): o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestrementeD) as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuçosE), sem enganação, sem distorção. Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
As alternativas a seguir contêm palavras extraídas do texto seguidas de possíveis substituições para cada uma. Assinale a alternativa na qual a substituição proposta corresponde ao sentido da palavra no texto.
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Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política1)), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são2)...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo3). Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção. Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente4), acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
Uma das características observáveis no texto é a ironia do autor em alguns segmentos. Essa ironia pode ser observada no uso das expressões:
1. ...vandalismo ou manifestação política...
2. ...praticamente (!) da família, isto é, que não são...
3. ...a liturgia do cargo...
4. ...modestamente...
Estão corretos os itens:
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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção. Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
Com base no texto, é correto afirmar:
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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto é, o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou seja, nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um lado, se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outro, a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. Quando se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e que é falsa: as coisas existem enquanto tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção. Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
Tendo como referência o texto acima, considere as seguintes afirmativas:
1. Como adepto do movimento “politicamente correto”, o autor acredita que a substituição de expressões com conotação negativa por outras sem essa carga pode reduzir os preconceitos na sociedade.
2. Possenti considera uma hipocrisia o uso de eufemismos e propõe que chamemos as coisas pelos nomes corretos, objetivos.
3. Para o autor, as divergências sobre a adequação de determinadas palavras são um reflexo da heterogeneidade social e da disputa de poder entre os grupos.
4. Segundo o autor, o uso de eufemismos é sempre um índice de boa educação, de respeito aos interlocutores.
Assinale a alternativa correta.
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Sobre a Resolução CFC 1.255/09, que trata dos princípios básicos de contabilidade e entidade, identifique as afirmativas a seguir como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) Determina que as demonstrações deverão ser elaboradas (exceto o fluxo de caixa) pelo regime de competência.
( ) À luz do princípio do regime de competência, os itens Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, Receitas ou Despesas são contabilmente reconhecidos a qualquer tempo.
( ) À luz do princípio da continuidade, ressalta a importância da administração avaliar a capacidade da entidade continuar em operação em futuro previsível.
( ) Determina que quando as demonstrações financeiras não forem elaboradas à luz do princípio da continuidade, deve-se divulgar a base com que foram elaboradas e a razão pela qual não se pressupõe a continuidade.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
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Uma companhia realizou no mês de outubro de 2013, venda a prazo de mercadoria no valor de R$ 100.000,00 para recebimento em 13 meses, considerando uma taxa de juros de 10% para esse período. O valor da nota fiscal foi de R$ 110.000,00. O registro contábil correto no ato dessa transação é:
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Na Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), elaborada pelo Método Direto, serão evidenciados como Atividades Operacionais, Atividades de Investimento e Atividades de Financiamento, respectivamente:
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O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
Eufemismos
Sírio Possenti
Quase todos os estudiosos que tratam das funções da linguagem destacam a função referencial, isto éA), o fato de que falar é, em alguma medida, falar do mundo: de coisas por meio de palavras ou expressões e de fatos por meio de proposições. Assim, uma palavra como ‘árvore’ refere-se a uma coleção de indivíduos com determinadas características. ‘A neve é branca’ ou ‘o presidente viajou’ referem-se a fatos. O primeiro, supostamente, é um fato em qualquer lugar e tempo, enquanto que o segundo só o é para uma região e durante um período de tempo.
Claro que nem tudo é tão pacífico. Se, em vez de ‘a neve’, dizemos ‘os vândalos’, a relação entre palavra e coisa (pessoas) pode ser considerada segura em uma língua e em certa época, mas também pode ser contestada (eles não são vândalos, são manifestantes). Ou sejaA), nem sempre a referência é aceita por todos os falantes de uma língua. Estudos de discursos particulares mostram que esse fenômeno é de extrema relevância.
Consideremos, agora, um fenômeno particular. É fato que, eventualmente, além das divisões sociais que uma língua indica (é privatização ou concessão, vandalismo ou manifestação política), certas palavras têm grande peso histórico, e negativo. O movimento chamado de ‘politicamente correto’ fornece muitos exemplos de palavras que estariam carregadas de conotações negativas. Por isso, prega que elas devem ser evitadas, e substituídas por palavras sem aquela carga. Melhor ainda se forem substituídas por palavras de carga positiva. Uma nota lateral: muitos defensores dessa tese acreditam que palavras negativas fortalecem cognitivamente atitudes negativas (o inverso sendo também verdadeiro), de forma que a língua pode ser uma fonte de preconceitos ou de seu fim.
Se, em vez de ‘empregada doméstica’, dissermos ‘auxiliar’ ou ‘secretária’ (essas pessoas que são praticamente (!) da família, isto é, que não são...), estaremos lutando pelo fim de uma atitude negativa em relação a tais profissionais (mesmo que achemos que é o fim do mundo que agora elas tenham direito ao FGTS). Se, em vez de ‘cliente desde...’, constar no talão de cheques que Fulano é ‘amigo desde...’, a relação leonina entre banco e cliente se torna menos pesada, menos injusta, menos assimétrica. São os famosos eufemismos, que, por um ladoB), se destinam a evitar empregos de termos tabus (em vez de ‘morrer’, diz-se ‘falecer’ / ‘faltar’) e, por outroB), a evitar termos marcados negativamente.
A fronteira entre o que parece uma questão de boas maneiras (‘minha esposa’ em vez de ‘minha mulher’ – as mulheres não dizem 'este é meu homem') e uma questão ideológica que divide grupos sociais nem sempre é muito clara, ou só o é nos casos extremos. [...]
Pode-se dizer que isso é hipocrisia, que deveríamos (é uma questão de honestidade etc.) chamar as coisas por seu nome (ditadura / repressão / vandalismo). Mas, adotando uma perspectiva de analista, que nem sempre é fácil, percebe-se que é muito interessante dar-se conta de que é assim que as línguas funcionam. As sociedades são heterogêneas e grupos disputam poder, espaço, prestígio etc. A língua é um dos lugares nos quais tais disputas são visíveis. QuandoC) se diz que empregar uma palavra ou outra é mera ‘questão semântica’ (privatização ou concessão), porque supostamente o fato é um só, deixa-se de observar uma questão crucial: o papel da linguagem na materialização de uma ideologia, de uma visão de mundo, de uma filosofia.
Pode parecer que não, mas uma disputa sobre a legitimidade de uma palavra de cunho político é do mesmo tipo que outras disputas que envolvem linguagem. Se, por exemplo, um presidente emprega um palavrão, diz-se que viola a liturgia do cargo. Se um cientista emprega um termo técnico e defende seu uso contra traduções que eventualmente se fazem (na divulgação?), diz-se que é elitista. Se um lacaniano se recusa a traduzir pedestremente as teses do psicanalista, diz-se que a obscuridade pretende fazer com que só iniciados compreendam.
Por trás dessas teses está sempre outra, sempre a mesma, e queD) é falsa: as coisas existem enquantoE) tais e há uma boa linguagem que fala delas sem rebuços, sem enganação, sem distorção. Esta linguagem ‘objetiva’, cada um, modestamente, acha que é a sua.
Ciência Hoje, 28/02/2014. <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/eufemismos>. Acesso em 03 mar. 2014. Adaptado.
Assinale a alternativa INCORRETA sobre o uso de elementos de coesão no texto.
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Sobre demonstrações financeiras, numere a 2ª coluna com base na informação da 1ª coluna.
1. Patrimônio líquido.
2. Ativo permanente.
3. Resultados de exercícios futuros.
4. Passivo circulante.
5. Passivo exigível a longo prazo.
( ) Corresponde às receitas de exercícios futuros, diminuídas dos custos e despesas a elas correspondentes.
( ) Corresponde às obrigações da entidade, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo permanente.
( ) Corresponde aos investimentos, ao ativo imobilizado e ativo diferido.
( ) Corresponde às obrigações da entidade vencíveis até o final do exercício seguinte.
( ) Correspondente ao capital social, às reservas de capital, às reservas de reavaliação, às reservas de lucros e lucros ou prejuízos acumulados.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta na coluna, de cima para baixo.
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