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A Velha
A velha era felicíssima. Pois não é verdade que tinha
uma boa vida e nada lhe faltava? Só nessa manhã tinha
encontrado um lugar vago num banco de jardim, nem
demasiado à sombra nem demasiado ao sol, o elétrico1
não
vinha excessivamente cheio e também conseguiu lugar, o
padeiro disse-lhe bom dia com um ar tão simpático, quando
ela deixou em cima do balcão o dinheiro de três carcaças2
,
e o empregado da mercearia ficou a conversar depois de lhe
dar o troco e perguntou-lhe se gostava daquela nova marca
de café.
Nos meses mais quentes tirava um passe de terceira
idade e passeava. No inverno não valia a pena, estava frio
e vinha logo a chuva e preferia não sair, por causa do reumatismo.
Mas, saindo só nos meses mais bonitos, o passe ficava
ainda mais barato. Se fizesse a conta do preço a dividir por
doze (ah, sabia bem fazer contas, sempre tinha sido esperta
na escola) pois se fizesse a conta a dividir por doze ainda
era menos que pagava pelo passe.
Gostava sobretudo do elétrico da circulação, dava a volta
à cidade sem ter de sair, e ainda por cima bem instalada,
conseguia ficar quase sempre ao pé da janela. Ou, se não
conseguisse na primeira volta, era certo que conseguia na
segunda, porque, entretanto, sairia quem fosse à janela e era
só empurrar-se um pouco e ocupar o lugar do outro, e então
sim, via tudo como se estivesse no cinema.
Ao cinema propriamente ia pouco, há vários anos até que
já não ia. Não era só por ser caro, é que às vezes as cadeiras
estavam gastas e faziam-lhe doer as costas, e também nunca
sabia se ia gostar dos filmes. E se não gostasse não podia
fazer como na televisão e mudar de canal ou desligar, tinha de aguentar até ao fim, ou sair. E era um grande desconsolo sair
a meio, já lhe tinha acontecido mais do que uma vez.
Por isso não ia cinema. Televisão via bastante, claro,
mas dava-lhe mais gozo andar de elétrico. Em vez de ficar
fechada em casa, andava no meio das pessoas e das ruas,
mas sem se cansar, bem sentada. Gozando o espetáculo dos
outros — olha ali aquela montra3
iluminada, aquele homem
a correr, aquela mulher ajoujada4
com o cesto das couves.
E ela ali, recostada na cadeira, sem carregar pesos, nem
sequer o peso do seu próprio corpo — dava-lhe vontade de
rir, tamanha facilidade.
(Teolinda Gersão. Histórias de Ver e Andar, 2002. Adaptado)
1 bonde
2 pãezinhos
3 vitrine
4 sobrecarregada
• Só nessa manhã tinha encontrado um lugar vago num banco de jardim… (1º parágrafo)
• Mas, saindo só nos meses mais bonitos, o passe ficava ainda mais barato. (3º parágrafo)
• Gostava sobretudo do elétrico da circulação, dava a volta à cidade sem ter de sair… (4º parágrafo)
• Não era só por ser caro, é que às vezes as cadeiras estavam gastas… (5º parágrafo)
Sem prejuízo de sentido ao texto, as expressões destacadas podem ser substituídas, correta e respectivamente, por:
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A Velha
A velha era felicíssima. Pois não é verdade que tinha
uma boa vida e nada lhe faltava? Só nessa manhã tinha
encontrado um lugar vago num banco de jardim, nem
demasiado à sombra nem demasiado ao sol, o elétrico1
não
vinha excessivamente cheio e também conseguiu lugar, o
padeiro disse-lhe bom dia com um ar tão simpático, quando
ela deixou em cima do balcão o dinheiro de três carcaças2
,
e o empregado da mercearia ficou a conversar depois de lhe
dar o troco e perguntou-lhe se gostava daquela nova marca
de café.
Nos meses mais quentes tirava um passe de terceira
idade e passeava. No inverno não valia a pena, estava frio
e vinha logo a chuva e preferia não sair, por causa do reumatismo.
Mas, saindo só nos meses mais bonitos, o passe ficava
ainda mais barato. Se fizesse a conta do preço a dividir por
doze (ah, sabia bem fazer contas, sempre tinha sido esperta
na escola) pois se fizesse a conta a dividir por doze ainda
era menos que pagava pelo passe.
Gostava sobretudo do elétrico da circulação, dava a volta
à cidade sem ter de sair, e ainda por cima bem instalada,
conseguia ficar quase sempre ao pé da janela. Ou, se não
conseguisse na primeira volta, era certo que conseguia na
segunda, porque, entretanto, sairia quem fosse à janela e era
só empurrar-se um pouco e ocupar o lugar do outro, e então
sim, via tudo como se estivesse no cinema.
Ao cinema propriamente ia pouco, há vários anos até que
já não ia. Não era só por ser caro, é que às vezes as cadeiras
estavam gastas e faziam-lhe doer as costas, e também nunca
sabia se ia gostar dos filmes. E se não gostasse não podia
fazer como na televisão e mudar de canal ou desligar, tinha de aguentar até ao fim, ou sair. E era um grande desconsolo sair
a meio, já lhe tinha acontecido mais do que uma vez.
Por isso não ia cinema. Televisão via bastante, claro,
mas dava-lhe mais gozo andar de elétrico. Em vez de ficar
fechada em casa, andava no meio das pessoas e das ruas,
mas sem se cansar, bem sentada. Gozando o espetáculo dos
outros — olha ali aquela montra3
iluminada, aquele homem
a correr, aquela mulher ajoujada4
com o cesto das couves.
E ela ali, recostada na cadeira, sem carregar pesos, nem
sequer o peso do seu próprio corpo — dava-lhe vontade de
rir, tamanha facilidade.
(Teolinda Gersão. Histórias de Ver e Andar, 2002. Adaptado)
1 bonde
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3 vitrine
4 sobrecarregada
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A Velha
A velha era felicíssima. Pois não é verdade que tinha
uma boa vida e nada lhe faltava? Só nessa manhã tinha
encontrado um lugar vago num banco de jardim, nem
demasiado à sombra nem demasiado ao sol, o elétrico1
não
vinha excessivamente cheio e também conseguiu lugar, o
padeiro disse-lhe bom dia com um ar tão simpático, quando
ela deixou em cima do balcão o dinheiro de três carcaças2
,
e o empregado da mercearia ficou a conversar depois de lhe
dar o troco e perguntou-lhe se gostava daquela nova marca
de café.
Nos meses mais quentes tirava um passe de terceira
idade e passeava. No inverno não valia a pena, estava frio
e vinha logo a chuva e preferia não sair, por causa do reumatismo.
Mas, saindo só nos meses mais bonitos, o passe ficava
ainda mais barato. Se fizesse a conta do preço a dividir por
doze (ah, sabia bem fazer contas, sempre tinha sido esperta
na escola) pois se fizesse a conta a dividir por doze ainda
era menos que pagava pelo passe.
Gostava sobretudo do elétrico da circulação, dava a volta
à cidade sem ter de sair, e ainda por cima bem instalada,
conseguia ficar quase sempre ao pé da janela. Ou, se não
conseguisse na primeira volta, era certo que conseguia na
segunda, porque, entretanto, sairia quem fosse à janela e era
só empurrar-se um pouco e ocupar o lugar do outro, e então
sim, via tudo como se estivesse no cinema.
Ao cinema propriamente ia pouco, há vários anos até que
já não ia. Não era só por ser caro, é que às vezes as cadeiras
estavam gastas e faziam-lhe doer as costas, e também nunca
sabia se ia gostar dos filmes. E se não gostasse não podia
fazer como na televisão e mudar de canal ou desligar, tinha de aguentar até ao fim, ou sair. E era um grande desconsolo sair
a meio, já lhe tinha acontecido mais do que uma vez.
Por isso não ia cinema. Televisão via bastante, claro,
mas dava-lhe mais gozo andar de elétrico. Em vez de ficar
fechada em casa, andava no meio das pessoas e das ruas,
mas sem se cansar, bem sentada. Gozando o espetáculo dos
outros — olha ali aquela montra3
iluminada, aquele homem
a correr, aquela mulher ajoujada4
com o cesto das couves.
E ela ali, recostada na cadeira, sem carregar pesos, nem
sequer o peso do seu próprio corpo — dava-lhe vontade de
rir, tamanha facilidade.
(Teolinda Gersão. Histórias de Ver e Andar, 2002. Adaptado)
1 bonde
2 pãezinhos
3 vitrine
4 sobrecarregada
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Considere a frase a seguir:
• O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particulares.
Com base nos mecanismos de coesão e coerência, assinale a alternativa correta.
• O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particulares.
Com base nos mecanismos de coesão e coerência, assinale a alternativa correta.
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Leia o texto para responder à questão:
Cuidar de quem cuida
Responder a uma pergunta várias vezes, lidar com uma
crise de agressividade e insistir para que o ente querido se alimente ou tome banho. Esses são alguns dos desafios enfrentados por brasileiros que assumem a tarefa de cuidar de um
familiar idoso com demência. Na sua maioria, são mulheres,
mas há também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que
se dedicam àqueles que precisam de ajuda, compreensão
e afeto.
Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse
e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para
atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa
notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia
em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São
Paulo. Batizado de Estratégias para Cuidadores em Demência (Escada), o projeto-piloto é uma adaptação do protocolo
britânico Start. Ou seja, foi testado e aprovado.
O Hospital Oswaldo Cruz treina agentes comunitários que replicam o protocolo junto dos cuidadores, que
passam por oito sessões, com suporte psicológico, nas
quais aprendem técnicas de manejo do estresse. O projeto está em andamento em Vitória (ES), Manaus (AM),
Chapecó (SC), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Guarapuava (PR)
e Benevides (PA).
Os cuidadores são estimulados a refletir sobre o que é a
demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a
sua saúde; a reconhecer os padrões de comportamento do
idoso e o seu próprio comportamento para evitar gatilhos e
reações negativas ou impulsivas; a fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros
da família; a evitar a solidão; a resgatar pequenos prazeres;
e a planejar o futuro. Não menos importante, há técnicas
de relaxamento, com exercícios de respiração, meditação
e alongamento.
O autocuidado, enfim, entrou na agenda do Sistema
Único de Saúde (SUS). Já não era sem tempo, haja vista que, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência:
Epidemiologia, (Re)Conhecimento e Projeções Futuras,
divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro do ano
passado, 8,5% da população com 60 anos ou mais convive
com a demência. São nada menos do que 1,8 milhão de
brasileiros idosos nessa condição. Para piorar, projetam-se
5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade
até 2050.
Tais números mostram que o projeto Escada é mais do
que bem-vindo. Com o avanço da expectativa de vida do
brasileiro, essa é uma política pública necessária. Oxalá
seu teste seja um sucesso e, em breve, essa iniciativa seja
replicada por todo o SUS, em todo o país. Só assim serão
garantidas saúde mental e qualidade de vida àqueles que
cuidam dos seus e precisam cuidar de si mesmos.
(Editorial, Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao,
02.11.2025. Adaptado)
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Leia o texto para responder à questão:
Cuidar de quem cuida
Responder a uma pergunta várias vezes, lidar com uma
crise de agressividade e insistir para que o ente querido se alimente ou tome banho. Esses são alguns dos desafios enfrentados por brasileiros que assumem a tarefa de cuidar de um
familiar idoso com demência. Na sua maioria, são mulheres,
mas há também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que
se dedicam àqueles que precisam de ajuda, compreensão
e afeto.
Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse
e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para
atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa
notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia
em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São
Paulo. Batizado de Estratégias para Cuidadores em Demência (Escada), o projeto-piloto é uma adaptação do protocolo
britânico Start. Ou seja, foi testado e aprovado.
O Hospital Oswaldo Cruz treina agentes comunitários que replicam o protocolo junto dos cuidadores, que
passam por oito sessões, com suporte psicológico, nas
quais aprendem técnicas de manejo do estresse. O projeto está em andamento em Vitória (ES), Manaus (AM),
Chapecó (SC), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Guarapuava (PR)
e Benevides (PA).
Os cuidadores são estimulados a refletir sobre o que é a
demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a
sua saúde; a reconhecer os padrões de comportamento do
idoso e o seu próprio comportamento para evitar gatilhos e
reações negativas ou impulsivas; a fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros
da família; a evitar a solidão; a resgatar pequenos prazeres;
e a planejar o futuro. Não menos importante, há técnicas
de relaxamento, com exercícios de respiração, meditação
e alongamento.
O autocuidado, enfim, entrou na agenda do Sistema
Único de Saúde (SUS). Já não era sem tempo, haja vista que, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência:
Epidemiologia, (Re)Conhecimento e Projeções Futuras,
divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro do ano
passado, 8,5% da população com 60 anos ou mais convive
com a demência. São nada menos do que 1,8 milhão de
brasileiros idosos nessa condição. Para piorar, projetam-se
5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade
até 2050.
Tais números mostram que o projeto Escada é mais do
que bem-vindo. Com o avanço da expectativa de vida do
brasileiro, essa é uma política pública necessária. Oxalá
seu teste seja um sucesso e, em breve, essa iniciativa seja
replicada por todo o SUS, em todo o país. Só assim serão
garantidas saúde mental e qualidade de vida àqueles que
cuidam dos seus e precisam cuidar de si mesmos.
(Editorial, Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao,
02.11.2025. Adaptado)
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Leia o texto para responder à questão:
Cuidar de quem cuida
Responder a uma pergunta várias vezes, lidar com uma
crise de agressividade e insistir para que o ente querido se alimente ou tome banho. Esses são alguns dos desafios enfrentados por brasileiros que assumem a tarefa de cuidar de um
familiar idoso com demência. Na sua maioria, são mulheres,
mas há também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que
se dedicam àqueles que precisam de ajuda, compreensão
e afeto.
Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse
e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para
atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa
notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia
em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São
Paulo. Batizado de Estratégias para Cuidadores em Demência (Escada), o projeto-piloto é uma adaptação do protocolo
britânico Start. Ou seja, foi testado e aprovado.
O Hospital Oswaldo Cruz treina agentes comunitários que replicam o protocolo junto dos cuidadores, que
passam por oito sessões, com suporte psicológico, nas
quais aprendem técnicas de manejo do estresse. O projeto está em andamento em Vitória (ES), Manaus (AM),
Chapecó (SC), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Guarapuava (PR)
e Benevides (PA).
Os cuidadores são estimulados a refletir sobre o que é a
demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a
sua saúde; a reconhecer os padrões de comportamento do
idoso e o seu próprio comportamento para evitar gatilhos e
reações negativas ou impulsivas; a fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros
da família; a evitar a solidão; a resgatar pequenos prazeres;
e a planejar o futuro. Não menos importante, há técnicas
de relaxamento, com exercícios de respiração, meditação
e alongamento.
O autocuidado, enfim, entrou na agenda do Sistema
Único de Saúde (SUS). Já não era sem tempo, haja vista que, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência:
Epidemiologia, (Re)Conhecimento e Projeções Futuras,
divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro do ano
passado, 8,5% da população com 60 anos ou mais convive
com a demência. São nada menos do que 1,8 milhão de
brasileiros idosos nessa condição. Para piorar, projetam-se
5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade
até 2050.
Tais números mostram que o projeto Escada é mais do
que bem-vindo. Com o avanço da expectativa de vida do
brasileiro, essa é uma política pública necessária. Oxalá
seu teste seja um sucesso e, em breve, essa iniciativa seja
replicada por todo o SUS, em todo o país. Só assim serão
garantidas saúde mental e qualidade de vida àqueles que
cuidam dos seus e precisam cuidar de si mesmos.
(Editorial, Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao,
02.11.2025. Adaptado)
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Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder à questão:
Cuidar de quem cuida
Responder a uma pergunta várias vezes, lidar com uma crise de agressividade e insistir para que o ente querido se alimente ou tome banho. Esses são alguns dos desafios enfrentados por brasileiros que assumem a tarefa de cuidar de um familiar idoso com demência. Na sua maioria, são mulheres, mas há também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que se dedicam àqueles que precisam de ajuda, compreensão e afeto.
Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo. Batizado de Estratégias para Cuidadores em Demência (Escada), o projeto-piloto é uma adaptação do protocolo britânico Start. Ou seja, foi testado e aprovado.
O Hospital Oswaldo Cruz treina agentes comunitários que replicam o protocolo junto dos cuidadores, que passam por oito sessões, com suporte psicológico, nas quais aprendem técnicas de manejo do estresse. O projeto está em andamento em Vitória (ES), Manaus (AM), Chapecó (SC), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Guarapuava (PR) e Benevides (PA).
Os cuidadores são estimulados a refletir sobre o que é a demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a sua saúde; a reconhecer os padrões de comportamento do idoso e o seu próprio comportamento para evitar gatilhos e reações negativas ou impulsivas; a fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros da família; a evitar a solidão; a resgatar pequenos prazeres; e a planejar o futuro. Não menos importante, há técnicas de relaxamento, com exercícios de respiração, meditação e alongamento.
O autocuidado, enfim, entrou na agenda do Sistema Único de Saúde (SUS). Já não era sem tempo, haja vista que, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (Re)Conhecimento e Projeções Futuras, divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro do ano passado, 8,5% da população com 60 anos ou mais convive com a demência. São nada menos do que 1,8 milhão de brasileiros idosos nessa condição. Para piorar, projetam-se 5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade até 2050.
Tais números mostram que o projeto Escada é mais do que bem-vindo. Com o avanço da expectativa de vida do brasileiro, essa é uma política pública necessária. Oxalá seu teste seja um sucesso e, em breve, essa iniciativa seja replicada por todo o SUS, em todo o país. Só assim serão garantidas saúde mental e qualidade de vida àqueles que cuidam dos seus e precisam cuidar de si mesmos.
(Editorial, Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 02.11.2025. Adaptado)
Na sua maioria, são mulheres, mas _________ também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que se entregam ao zelo ________ que ________ de ajuda, compreensão e afeto.
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas da frase devem ser preenchidas, respectivamente, com:
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Leia o texto para responder à questão:
Cuidar de quem cuida
Responder a uma pergunta várias vezes, lidar com uma
crise de agressividade e insistir para que o ente querido se alimente ou tome banho. Esses são alguns dos desafios enfrentados por brasileiros que assumem a tarefa de cuidar de um
familiar idoso com demência. Na sua maioria, são mulheres,
mas há também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que
se dedicam àqueles que precisam de ajuda, compreensão
e afeto.
Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse
e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para
atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa
notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia
em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São
Paulo. Batizado de Estratégias para Cuidadores em Demência (Escada), o projeto-piloto é uma adaptação do protocolo
britânico Start. Ou seja, foi testado e aprovado.
O Hospital Oswaldo Cruz treina agentes comunitários que replicam o protocolo junto dos cuidadores, que
passam por oito sessões, com suporte psicológico, nas
quais aprendem técnicas de manejo do estresse. O projeto está em andamento em Vitória (ES), Manaus (AM),
Chapecó (SC), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Guarapuava (PR)
e Benevides (PA).
Os cuidadores são estimulados a refletir sobre o que é a
demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a
sua saúde; a reconhecer os padrões de comportamento do
idoso e o seu próprio comportamento para evitar gatilhos e
reações negativas ou impulsivas; a fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros
da família; a evitar a solidão; a resgatar pequenos prazeres;
e a planejar o futuro. Não menos importante, há técnicas
de relaxamento, com exercícios de respiração, meditação
e alongamento.
O autocuidado, enfim, entrou na agenda do Sistema
Único de Saúde (SUS). Já não era sem tempo, haja vista que, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência:
Epidemiologia, (Re)Conhecimento e Projeções Futuras,
divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro do ano
passado, 8,5% da população com 60 anos ou mais convive
com a demência. São nada menos do que 1,8 milhão de
brasileiros idosos nessa condição. Para piorar, projetam-se
5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade
até 2050.
Tais números mostram que o projeto Escada é mais do
que bem-vindo. Com o avanço da expectativa de vida do
brasileiro, essa é uma política pública necessária. Oxalá
seu teste seja um sucesso e, em breve, essa iniciativa seja
replicada por todo o SUS, em todo o país. Só assim serão
garantidas saúde mental e qualidade de vida àqueles que
cuidam dos seus e precisam cuidar de si mesmos.
(Editorial, Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao,
02.11.2025. Adaptado)
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Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder à questão:
Cuidar de quem cuida
Responder a uma pergunta várias vezes, lidar com uma
crise de agressividade e insistir para que o ente querido se alimente ou tome banho. Esses são alguns dos desafios enfrentados por brasileiros que assumem a tarefa de cuidar de um
familiar idoso com demência. Na sua maioria, são mulheres,
mas há também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que
se dedicam àqueles que precisam de ajuda, compreensão
e afeto.
Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse
e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para
atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa
notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia
em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São
Paulo. Batizado de Estratégias para Cuidadores em Demência (Escada), o projeto-piloto é uma adaptação do protocolo
britânico Start. Ou seja, foi testado e aprovado.
O Hospital Oswaldo Cruz treina agentes comunitários que replicam o protocolo junto dos cuidadores, que
passam por oito sessões, com suporte psicológico, nas
quais aprendem técnicas de manejo do estresse. O projeto está em andamento em Vitória (ES), Manaus (AM),
Chapecó (SC), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Guarapuava (PR)
e Benevides (PA).
Os cuidadores são estimulados a refletir sobre o que é a
demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a
sua saúde; a reconhecer os padrões de comportamento do
idoso e o seu próprio comportamento para evitar gatilhos e
reações negativas ou impulsivas; a fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros
da família; a evitar a solidão; a resgatar pequenos prazeres;
e a planejar o futuro. Não menos importante, há técnicas
de relaxamento, com exercícios de respiração, meditação
e alongamento.
O autocuidado, enfim, entrou na agenda do Sistema
Único de Saúde (SUS). Já não era sem tempo, haja vista que, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência:
Epidemiologia, (Re)Conhecimento e Projeções Futuras,
divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro do ano
passado, 8,5% da população com 60 anos ou mais convive
com a demência. São nada menos do que 1,8 milhão de
brasileiros idosos nessa condição. Para piorar, projetam-se
5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade
até 2050.
Tais números mostram que o projeto Escada é mais do
que bem-vindo. Com o avanço da expectativa de vida do
brasileiro, essa é uma política pública necessária. Oxalá
seu teste seja um sucesso e, em breve, essa iniciativa seja
replicada por todo o SUS, em todo o país. Só assim serão
garantidas saúde mental e qualidade de vida àqueles que
cuidam dos seus e precisam cuidar de si mesmos.
(Editorial, Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao,
02.11.2025. Adaptado)
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