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Foram encontradas 200 questões.

1331137 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Campinas-SP
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Para a questão, leia o texto abaixo, de Contardo Calligaris.

Fundamentos da moral

Você quer uma moral laica, inspirada pela razão? Pois bem, seus fundamentos serão frágeis (e engraçados).

Num belo dia de 1760 ou por aí, Denis Diderot recebe a notícia de que Jean-Jacques Rousseau desistiu de escrever o verbete “Moral” da grande Enciclopédia, da qual Diderot é um dos editores-chefes. A impressão do décimo volume da obra está parada na espera do texto. A solução é Diderot escrevê-lo, na hora, ao longo de uma tarde durante a qual várias circunstâncias colocam à prova, justamente, a moralidade do filósofo.

Essa é a situação apresentada na peça " O Libertino", de Eric- Emmanuel Schimitt, em cartaz até 27 de novembro no teatro Cultura Artística Itaim em São Paulo. A peça foi adaptada e é dirigida por Jô Soares, com o brio alegre de uma farsa de Feydeau ou de uma comédia de Goldoni, e com um elenco particularmente feliz (a começar por Cassio Scapin, que é Diderot). Um provérbio latim diz que, rindo a comédia critica os costumes. "O Libertino" nos leva não só a criticar nossos costumes, mas a examinar os frágeis fundamentos de normas morais. Vamos com calma.

O evento apresentado na peça é uma ficção. O verbete "Moral", como quase um terço da Enciclopédia de Diderot e D' Alembert, foi escrito pelo cavalheiro Jaucourt, que redigiu sozinho mais de 17.000 verbetes, até merecer o apelido de "escravo da Enciclopédia". O cavalheiro era culto e sem brilho: o verbete "Moral" é um texto chato, com uma ou outra afirmação ousada - por exemplo, Jaucourt escreve que a moral é um investimento mais seguro do que a fé, porque um ateu virtuoso pode se salvar, enquanto não há salvação para um crente vicioso. Mas o que é virtuoso e o que é vicioso?

É fácil responder, se acreditarmos numa revelação divina. Mais complicado é fundar uma moral laica, inspirada pela razão. Jaucourt sugere apostar no número, notando que os povos civilizados concordam quanto aos pontos essenciais da moral, ao passo que podem discordar totalmente em matéria de fé religiosa. Talvez o aprimoramento mais recente do argumento de Jaucourt seja o de John Rawls. Em "Justiça como Equidade" (Martins Ed.), Rawls propõe que a gente aceite como normas sociais morais aquelas que aprovaríamos por unanimidade, caso todos nos esquecêssemos completamente de nossa etnia, de nosso status, de nosso gênero e de nossa concepção do bem. Essa amnésia fundaria nossa moral, pois, graças a ela, seriam aprovadas só as normas que servissem ao bem de todos. Laborioso, hein? Seja como for, as sugestões de Jaucourt e de Rawls valem sobretudo para a moral pública. Mas como se fundamenta a moral privada, que nos orienta na escolha do bem e do mal no dia a dia? Essa é a questão com a qual "O Libertino" nos faz rir e pensar. Na peça, Diderot está hospedado na casa do barão d' Holbach, por cuja filha ( ótima Luiza Lemmertz) ele é seriamente tentado. D' Holbach era ele mesmo um contribuidor da Enciclopédia.

No seu "Sistema da Natureza", o barão avançava a ideia de que virtude moral deveria estar ao serviço de nossa felicidade. Na peça, Diderot, escrevendo seu verbete, tenta adotar esse argumento, que d' Holbach desenvolvera até ao paradoxo: se um homem for feliz no vício ( e não na virtude), de repente, o vício seria legitimamente sua moral. Problema.

O barão d' Holbach era ateu e materialista. Questão: se o homem é uma máquina sem alma, ele não tem liberdade de escolha, e, se ele não é livre, a própria ideia de moral perde seu sentido. Mais um problema.

Enfim, se você puder, assista à peça e se divirta. Se não puder, divirta-se imaginando como você escreveria o verbete"Moral" de sua enciclopédia pessoal - e lembre-se: você não tem o conforto de acreditar numa revelação divina e nem está convencido de que saibamos resistir livremente a nossos impulsos e desejos.

Lembre-se também de escrever seu verbete numa tarde em que, como Diderot, 1) você é tentado pelo adultério, embora ame sua mulher, 2) você gostaria de seduzir a filha de uma amigo, a qual tem a idade de sua filha, 3) você professa opiniões "avançadas", mas não quer que elas valham no caso de sua filha, 4) você é seduzido pelo charme de uma criminosa, a ponto de se perguntar se, no fundo, os valores estéticos não deveriam ser mais importantes que os valores morais ( não se escandalize: há românticos e modernos para pensar exatamente isso).

Mais uma coisa: se você for mulher ou tiver preferências diferentes das de Diderot, apenas mude o gênero no parágrafo acima.

Em tempo: curioso, fui ver no Aulete a definição de moral. É tão vaga quanto a Grande Enciclopédia francesa. Talvez esteja aqui o fulcro dos desmandos morais que abalam este "Grande Portugal"ao Sul do Equador.

1. Fil. Conjunto de regras de conduta, inerente ao espírito humano, aplicáveis de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, ou a grupo ou pessoa determinada, proveniente dos estudos filósofos sobre a moral.

2. Conjunto de regras e princípios de decência que orientam a conduta dos indivíduos de um grupo social (moral burguesa, moral cristã); MORALIDADE [Antôn.: imoralidade.]

Considere as afirmações que seguem.

I. De acordo com o texto, os iluministas eram imorais.
II. O autor considera que, para o ser humano, sempre haverá uma situação em que será obrigado a repensar os valores morais.
III. A definição do dicionário, apresentada pelo autor, coloca a moral como algo atemporal.

Está correto o que se afirma somente em

 

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1331131 Ano: 2011
Disciplina: Direito Civil
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Campinas-SP
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Os riscos decorrentes da evicção:
 

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1331008 Ano: 2011
Disciplina: Legislação Municipal
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Campinas-SP
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A estrutura gestora da Fundação José Pedro de Oliveira – FJPO, que mantém a Mata de Santa Genebra, é composta por:
 

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1330887 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Campinas-SP
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Considere o período transcrito abaixo e as afirmações que seguem.

As lutas livres são emocionantes, por isso eu adoro assisti-las.

I. O pronome oblíquo não está empregado de acordo com a regência do verbo

II. A conjunção "por isso" poderia ser substituída por "pois"sem alteração do sentido.

III. No período, composto por subordinação, há duas orações.

Está correto o que se afirma em:

 

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1330798 Ano: 2011
Disciplina: Direito Penal
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Campinas-SP
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Sobre a tutela penal do meio ambiente, assinale a opção correta:
 

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1330528 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Campinas-SP
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Considere o período e as afirmações abaixo.

Podem haver recursos contra a medida aprovada pelo Congresso, cujo o texto causou bastantes discussões.

I. Há um erro de concordância verbal, pois o correto seria “pode haver”.
II. O uso do pronome relativo em “cujo o texto” está correto.
III. O plural em “bastantes” está incorreto.

Está correto o que se afirma somente em

 

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1330413 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Campinas-SP
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Considere o anúncio abaixo e as afirmações que seguem.
Vem conhecer nossas ofertas. Sua família merece nossos produtos.
Estacionamento grátis.
I. Não há uniformidade no tratamento do interlocutor.
II. A palavra “grátis” é um advérbio e está sendo usada, incorretamente, como adjetivo.
III. Os pronomes possessivos remetem, apenas, ao anunciante.
Está correto o que se afirma em
 

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1330391 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Campinas-SP
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Para a questão, leia o texto abaixo, de Contardo Calligaris.

Fundamentos da moral

Você quer uma moral laica, inspirada pela razão? Pois bem, seus fundamentos serão frágeis (e engraçados).

Num belo dia de 1760 ou por aí, Denis Diderot recebe a notícia de que Jean-Jacques Rousseau desistiu de escrever o verbete “Moral” da grande Enciclopédia, da qual Diderot é um dos editores-chefes. A impressão do décimo volume da obra está parada na espera do texto. A solução é Diderot escrevê-lo, na hora, ao longo de uma tarde durante a qual várias circunstâncias colocam à prova, justamente, a moralidade do filósofo.

Essa é a situação apresentada na peça " O Libertino", de Eric- Emmanuel Schimitt, em cartaz até 27 de novembro no teatro Cultura Artística Itaim em São Paulo. A peça foi adaptada e é dirigida por Jô Soares, com o brio alegre de uma farsa de Feydeau ou de uma comédia de Goldoni, e com um elenco particularmente feliz (a começar por Cassio Scapin, que é Diderot). Um provérbio latim diz que, rindo a comédia critica os costumes. "O Libertino" nos leva não só a criticar nossos costumes, mas a examinar os frágeis fundamentos de normas morais. Vamos com calma.

O evento apresentado na peça é uma ficção. O verbete "Moral", como quase um terço da Enciclopédia de Diderot e D' Alembert, foi escrito pelo cavalheiro Jaucourt, que redigiu sozinho mais de 17.000 verbetes, até merecer o apelido de "escravo da Enciclopédia". O cavalheiro era culto e sem brilho: o verbete "Moral" é um texto chato, com uma ou outra afirmação ousada - por exemplo, Jaucourt escreve que a moral é um investimento mais seguro do que a fé, porque um ateu virtuoso pode se salvar, enquanto não há salvação para um crente vicioso. Mas o que é virtuoso e o que é vicioso?

É fácil responder, se acreditarmos numa revelação divina. Mais complicado é fundar uma moral laica, inspirada pela razão. Jaucourt sugere apostar no número, notando que os povos civilizados concordam quanto aos pontos essenciais da moral, ao passo que podem discordar totalmente em matéria de fé religiosa. Talvez o aprimoramento mais recente do argumento de Jaucourt seja o de John Rawls. Em "Justiça como Equidade" (Martins Ed.), Rawls propõe que a gente aceite como normas sociais morais aquelas que aprovaríamos por unanimidade, caso todos nos esquecêssemos completamente de nossa etnia, de nosso status, de nosso gênero e de nossa concepção do bem. Essa amnésia fundaria nossa moral, pois, graças a ela, seriam aprovadas só as normas que servissem ao bem de todos. Laborioso, hein? Seja como for, as sugestões de Jaucourt e de Rawls valem sobretudo para a moral pública. Mas como se fundamenta a moral privada, que nos orienta na escolha do bem e do mal no dia a dia? Essa é a questão com a qual "O Libertino" nos faz rir e pensar. Na peça, Diderot está hospedado na casa do barão d' Holbach, por cuja filha ( ótima Luiza Lemmertz) ele é seriamente tentado. D' Holbach era ele mesmo um contribuidor da Enciclopédia.

No seu "Sistema da Natureza", o barão avançava a ideia de que virtude moral deveria estar ao serviço de nossa felicidade. Na peça, Diderot, escrevendo seu verbete, tenta adotar esse argumento, que d' Holbach desenvolvera até ao paradoxo: se um homem for feliz no vício ( e não na virtude, de repente, o vício seria legitimamente sua moral. Problema.

O barão d' Holbach era ateu e materialista. Questão: se o homem é uma máquina sem alma, ele não tem liberdade de escolha, e, se ele não é livre, a própria ideia de moral perde seu sentido. Mais um problema.

Enfim, se você puder, assista à peça e se divirta. Se não puder, divirta-se imaginando como você escreveria o verbete "Moral" de sua enciclopédia pessoal - e lembre-se: você não tem o conforto de acreditar numa revelação divina e nem está convencido de que saibamos resistir livremente a nossos impulsos e desejos.

Lembre-se também de escrever seu verbete numa tarde em que, como Diderot, 1) você é tentado pelo adultério, embora ame sua mulher, 2) você gostaria de seduzir a filha de uma amigo, a qual tem a idade de sua filha, 3) você professa opiniões "avançadas", mas não quer que elas valham no caso de sua filha, 4) você é seduzido pelo charme de uma criminosa, a ponto de se perguntar se, no fundo, os valores estéticos não deveriam ser mais importantes que os valores morais ( não se escandalize: há românticos e modernos para pensar exatamente isso).

Mais uma coisa: se você for mulher ou tiver preferências diferentes das de Diderot, apenas mude o gênero no parágrafo acima.

Em tempo: curioso, fui ver no Aulete a definição de moral. É tão vaga quanto a Grande Enciclopédia francesa. Talvez esteja aqui o fulcro dos desmandos morais que abalam este "Grande Portugal" ao Sul do Equador.

1. Fil. Conjunto de regras de conduta, inerente ao espírito humano, aplicáveis de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, ou a grupo ou pessoa determinada, proveniente dos estudos filósofos sobre a moral.

2. Conjunto de regras e princípios de decência que orientam a conduta dos indivíduos de um grupo social (moral burguesa, moral cristã); MORALIDADE [Antôn.: imoralidade.]

Considere as afirmações que seguem.

I. De acordo com o texto, as pessoas moralistas são falsas, pois praticam atos condenáveis pelo consenso.

II. O adjetivo “laica” significa “não atrelada à religião”.
III. A expressão “Grande Portugal” refere-se ao Brasil.

Está correto o que se afirma somente em

 

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1330204 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Campinas-SP
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Considere o título abaixo, publicado em um jornal paulistano, e as afirmações que seguem.
Cidadão que pagou a conta da Copa vai assistir à ela pela TV
I. O uso do acento indicativo da crase não está correto.
II. Há duas orações no período, composto por subordinação.
III. A falta de vírgulas torna restritiva a oração subordinada.
Está correto o que se afirma em
 

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1329944 Ano: 2011
Disciplina: Direito Ambiental
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Campinas-SP
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Dentre as atividades econômicas abaixo, não está sujeito a prévio Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) o projeto de:
 

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