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A lei nº 18.971/15 representa importante avanço para a Universidade Estadual de Goiás – UEG, uma vez que dispõe sobre a autonomia dessa Instituição. De acordo com esse dispositivo legal,
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 7 a 10.
TEXTO 2
Quarto de despejo
1 5 de julho... O Frei Luiz hoje nos visitou com o seu carro capela. Nos disse que vai ensinar o
2 catecismo as crianças para fazer a primeira comunhão. E aos sabados vem nos ensinar a conhecer os
3 trechos biblicos.
4 6 de julho Despertei as 4 horas e meia com a tosse da Neide. Percebi que aquela tosse não ia
5 deixar-me dormir. Levantei e dei-lhe um pouco de xarope porque fiquei com dó. Ela é orfã de pai. Quando
6 o pai estava doente a mãe deixou-as. São treis filhas. (...) A mãe da Neide é uma desalmada. Não prestou
7 para tratar do esposo enfermo e nem para criar as filhas que ficaram aos cuidados dos avós.
8 ... Esquentei o arroz e os peixes e dei para os filhos. Depois fui catar lenha. Parece que eu vim ao
9 mundo predestinada a catar. Só não cato a felicidade.
10 ... Estendi as roupas para quarar. Ao meu lado estava a mulher do nortista que dormia com a mulher
11 do Chó. Estava nervosa e falava tanto. Parece que tem a lingua eletrica. Parecia o Carlos Lacerda quando
12 falava do Getulio. Dizia que era ela quem lavava as roupas da mulher do Chó. E o seu esposo é quem lhe
13 dava dinheiro para ela lhe pagar.
14 ... É 5 e meia. O frei Luiz está chegando para passar o cinema aqui na favela. Já puzeram a tela e os
15 favelados estão presentes.
16 As pessoas de alvenaria que residem perto da favela diz que não sabe como é que as pessoas de
17 cultura dá atenção ao povo da favela.
18 As crianças da favela bradaram quando iniciaram o cinema, representando trechos da Biblia. O
19 nascimento de Cristo. Chegou o carro capela com o Frei Luiz. Um vigário que é util aos favelados. (...)
20 Quando passava uma tela o Frei explicava. Quando passou os Reis Magos o Frei explicou que a
21 denominação Magos é porque êles liam a sorte das pessoas nas estrelas. E se alguem sabia o nome dos
22 Reis Magos. Que um é muito conhecido e chamava Baltazar.
23 – E o outro Pelé* — respondeu um moleque.
24 Todos riram. Chegou o caminhão com os jogadores na hora que o padre estava rezando. Resolvi
25 tomar parte no coro. Os meus filhos chegaram do cinema e eu fui dar o jantar para eles. A Vera estava
26 contente e contava as travessuras de José Carlos. O João perdeu os 11 cruzeiros que eu dei-lhe para ir
27 no Rialto. Ele levava o dinheiro na carteira e foi com os meninos da favela. E alguns deles ja sabem bater
28 carteira.
30
31 * A brincadeira se justifica: Baltazar era o apelido do centroavante do Corinthians, e Pelé, ainda em
32 início de carreira no Santos, já se destacava como um grande jogador. (N. E.)
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014. p. 81-82. (Adaptado).
Nas frases “Só não cato a felicidade” (linha 9) e “Parece que tem a lingua eletrica” (linha 11) ocorre a manifestação de qual figura de linguagem?
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TEXTO 2
Quarto de despejo
1 5 de julho... O Frei Luiz hoje nos visitou com o seu carro capela. Nos disse que vai ensinar o
2 catecismo as crianças para fazer a primeira comunhão. E aos sabados vem nos ensinar a conhecer os
3 trechos biblicos.
4 6 de julho Despertei as 4 horas e meia com a tosse da Neide. Percebi que aquela tosse não ia
5 deixar-me dormir. Levantei e dei-lhe um pouco de xarope porque fiquei com dó. Ela é orfã de pai. Quando
6 o pai estava doente a mãe deixou-as. São treis filhas. (...) A mãe da Neide é uma desalmada. Não prestou
7 para tratar do esposo enfermo e nem para criar as filhas que ficaram aos cuidados dos avós.
8 ... Esquentei o arroz e os peixes e dei para os filhos. Depois fui catar lenha. Parece que eu vim ao
9 mundo predestinada a catar. Só não cato a felicidade.
10 ... Estendi as roupas para quarar. Ao meu lado estava a mulher do nortista que dormia com a mulher
11 do Chó. Estava nervosa e falava tanto. Parece que tem a lingua eletrica. Parecia o Carlos Lacerda quando
12 falava do Getulio. Dizia que era ela quem lavava as roupas da mulher do Chó. E o seu esposo é quem lhe
13 dava dinheiro para ela lhe pagar.
14 ... É 5 e meia. O frei Luiz está chegando para passar o cinema aqui na favela. Já puzeram a tela e os
15 favelados estão presentes.
16 As pessoas de alvenaria que residem perto da favela diz que não sabe como é que as pessoas de
17 cultura dá atenção ao povo da favela.
18 As crianças da favela bradaram quando iniciaram o cinema, representando trechos da Biblia. O
19 nascimento de Cristo. Chegou o carro capela com o Frei Luiz. Um vigário que é util aos favelados. (...)
20 Quando passava uma tela o Frei explicava. Quando passou os Reis Magos o Frei explicou que a
21 denominação Magos é porque êles liam a sorte das pessoas nas estrelas. E se alguem sabia o nome dos
22 Reis Magos. Que um é muito conhecido e chamava Baltazar.
23 – E o outro Pelé* — respondeu um moleque.
24 Todos riram. Chegou o caminhão com os jogadores na hora que o padre estava rezando. Resolvi
25 tomar parte no coro. Os meus filhos chegaram do cinema e eu fui dar o jantar para eles. A Vera estava
26 contente e contava as travessuras de José Carlos. O João perdeu os 11 cruzeiros que eu dei-lhe para ir
27 no Rialto. Ele levava o dinheiro na carteira e foi com os meninos da favela. E alguns deles ja sabem bater
28 carteira.
30
31 * A brincadeira se justifica: Baltazar era o apelido do centroavante do Corinthians, e Pelé, ainda em
32 início de carreira no Santos, já se destacava como um grande jogador. (N. E.)
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014. p. 81-82. (Adaptado).
A escrita de “as 4 horas” (linha 4), “sabados” (linha 2), “biblicos” (linha 3), “lingua eletrica” (linha 11) sem o sinal de acento constitui
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TEXTO 2
Quarto de despejo
1 5 de julho... O Frei Luiz hoje nos visitou com o seu carro capela. Nos disse que vai ensinar o
2 catecismo as crianças para fazer a primeira comunhão. E aos sabados vem nos ensinar a conhecer os
3 trechos biblicos.
4 6 de julho Despertei as 4 horas e meia com a tosse da Neide. Percebi que aquela tosse não ia
5 deixar-me dormir. Levantei e dei-lhe um pouco de xarope porque fiquei com dó. Ela é orfã de pai. Quando
6 o pai estava doente a mãe deixou-as. São treis filhas. (...) A mãe da Neide é uma desalmada. Não prestou
7 para tratar do esposo enfermo e nem para criar as filhas que ficaram aos cuidados dos avós.
8 ... Esquentei o arroz e os peixes e dei para os filhos. Depois fui catar lenha. Parece que eu vim ao
9 mundo predestinada a catar. Só não cato a felicidade.
10 ... Estendi as roupas para quarar. Ao meu lado estava a mulher do nortista que dormia com a mulher
11 do Chó. Estava nervosa e falava tanto. Parece que tem a lingua eletrica. Parecia o Carlos Lacerda quando
12 falava do Getulio. Dizia que era ela quem lavava as roupas da mulher do Chó. E o seu esposo é quem lhe
13 dava dinheiro para ela lhe pagar.
14 ... É 5 e meia. O frei Luiz está chegando para passar o cinema aqui na favela. Já puzeram a tela e os
15 favelados estão presentes.
16 As pessoas de alvenaria que residem perto da favela diz que não sabe como é que as pessoas de
17 cultura dá atenção ao povo da favela.
18 As crianças da favela bradaram quando iniciaram o cinema, representando trechos da Biblia. O
19 nascimento de Cristo. Chegou o carro capela com o Frei Luiz. Um vigário que é util aos favelados. (...)
20 Quando passava uma tela o Frei explicava. Quando passou os Reis Magos o Frei explicou que a
21 denominação Magos é porque êles liam a sorte das pessoas nas estrelas. E se alguem sabia o nome dos
22 Reis Magos. Que um é muito conhecido e chamava Baltazar.
23 – E o outro Pelé* — respondeu um moleque.
24 Todos riram. Chegou o caminhão com os jogadores na hora que o padre estava rezando. Resolvi
25 tomar parte no coro. Os meus filhos chegaram do cinema e eu fui dar o jantar para eles. A Vera estava
26 contente e contava as travessuras de José Carlos. O João perdeu os 11 cruzeiros que eu dei-lhe para ir
27 no Rialto. Ele levava o dinheiro na carteira e foi com os meninos da favela. E alguns deles ja sabem bater
28 carteira.
30
31 * A brincadeira se justifica: Baltazar era o apelido do centroavante do Corinthians, e Pelé, ainda em
32 início de carreira no Santos, já se destacava como um grande jogador. (N. E.)
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014. p. 81-82. (Adaptado).
Quanto à variação linguística presente na forma gráfica “treis”, verifica-se
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.
TEXTO 01
Narciso sob medida
1 Depois da agitação política e cultural da década de 1960, que ainda poderia aparecer como
2 investimento de massa da coisa pública, há uma desafeição generalizada que ostensivamente se expande
3 no social, tendo como corolário o refluxo dos interesses para as preocupações puramente pessoais, e isso
4 independentemente de crises econômicas. A despolitização e a “dessindicalização” atingem proporções
5 jamais vistas, a esperança revolucionária e a contestação estudantil desapareceram, a contracultura se
6 esgota; raras são as causas ainda capazes de galvanizar as energias a longo prazo. A res publica se
7 desvitalizou, as grandes questões “filosóficas”, econômicas, políticas ou militares despertam uma
8 curiosidade semelhante àquela despertada por qualquer acontecimento comum, todas as “superioridades”
9 vão minguando aos poucos, arrebatadas que são pela vasta operação de neutralização e banalização
10 sociais. Apenas a esfera privada parece sair vitoriosa dessa maré de apatia; cuidar da saúde, preservar a
11 própria situação material, desembaraçar-se dos “complexos”, esperar pelas férias: tornou-se possível viver
12 sem ideais, sem finalidades transcendentais. Os filmes de Woody Allen e o sucesso que têm são o próprio
13 símbolo desse hiperinvestimento do espaço privado; ele próprio declara que “soluções políticas não
14 funcionam” (citado por C. Lasch, p. 30), e, de muitas maneiras, esta fórmula traduz o novo espírito da
15 época, o narcisismo que nasce da deserção da política. Fim do homo politicus e advento do homo
16 psychologicus, à espreita do seu ser e do seu maior bem-estar.
17 Viver no presente, nada mais do que o presente, não mais em função do passado e do futuro: é esta
18 “perda do sentido da continuidade histórica” (C.N., p. 30), esta erosão do sentimento de pertencer a uma
19 “sucessão de gerações enraizadas no passado e se prolongando para o futuro” que, segundo C. Lasch,
20 caracteriza e engendra a sociedade narcisista. Hoje em dia vivemos para nós mesmos, sem nos
21 preocuparmos com nossas tradições e com a nossa posteridade: o sentido histórico foi abandonado, da
22 mesma maneira que os valores e as instituições sociais. […] Há uma crise de confiança nos líderes
23 políticos, um clima de pessimismo e de catástrofe iminente que explicam o desenvolvimento das
24 estratégias narcisísticas de “sobrevida” que prometem a saúde física e psicológica. Quando o futuro
25 parece ameaçador e incerto, resta debruçar-se sobre o presente, que não paramos de proteger, arrumar e
26 reciclar, permanecendo em uma juventude sem fim. Ao mesmo tempo em que coloca o futuro entre
27 parênteses, o sistema procede à “desvalorização do passado”, em razão de sua avidez de se soltar das
28 tradições e das limitações arcaicas, de instituir uma sociedade sem amarras e sem opacidade; com essa
29 indiferença pelo tempo histórico se instala o “narcisismo coletivo”, sintoma social da crise generalizada
30 das sociedades burguesas, incapazes de enfrentar o futuro de outro modo, a não ser com desespero.
31 Em síntese, pode-se dizer que o narcisismo resulta da deserção generalizada dos valores e
32 finalidades sociais, ocasionada pelo processo de personalização. A anulação dos grandes sistemas de
33 sentidos e o hiperinvestimento no Eu andam de braços dados: nos sistemas com “aparência humana”,
34 que funcionam para o prazer, o bem-estar, a despadronização, tudo concorre para a promoção de um
35 individualismo puro, ou seja, psicológico, desembaraçado dos enquadramentos de massa e projetados
36 para a valorização geral do indivíduo. É a revolução das necessidades e sua ética hedonista que,
37 atomizando suavemente os indivíduos e esvaziando aos poucos as finalidades sociais de seus
38 significados profundos, permitiu que o discurso psi se enxertasse no social e se tornasse um novo éthos
39 de massa; foi o “materialismo” exacerbado das sociedades em abundância que, paradoxalmente, tornou
40 possível a eclosão de uma cultura centrada na expansão subjetiva, não por reação ou “suplemento de
41 alma”, mas, sim, por isolamento à escolha de cada um. A onda do “potencial humano” psíquico e corporal
42 não é mais do que o último momento de uma sociedade que está se libertando da ordem disciplinar e
43 completando a privatização sistemática já operada pela era do consumismo. Longe de derivar de uma
44 “tomada de consciência” desencantada, o narcisismo é o efeito do cruzamento entre a lógica social
45 individualista hedonista, impulsionada pelo universo dos objetos e sinais, e uma lógica terapêutica e
46 psicológica elaborada desde o século XIX a partir da aproximação psicopatológica.
LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. Tradução de Therezinha Monteiro Deutsch. Barueri: Manole, 2005. p. 32-35. (Adaptado).
O texto “Narciso sob medida” é desenvolvido, predominantemente, a partir da seguinte tipologia textual:
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TEXTO 01
Narciso sob medida
1 Depois da agitação política e cultural da década de 1960, que ainda poderia aparecer como
2 investimento de massa da coisa pública, há uma desafeição generalizada que ostensivamente se expande
3 no social, tendo como corolário o refluxo dos interesses para as preocupações puramente pessoais, e isso
4 independentemente de crises econômicas. A despolitização e a “dessindicalização” atingem proporções
5 jamais vistas, a esperança revolucionária e a contestação estudantil desapareceram, a contracultura se
6 esgota; raras são as causas ainda capazes de galvanizar as energias a longo prazo. A res publica se
7 desvitalizou, as grandes questões “filosóficas”, econômicas, políticas ou militares despertam uma
8 curiosidade semelhante àquela despertada por qualquer acontecimento comum, todas as “superioridades”
9 vão minguando aos poucos, arrebatadas que são pela vasta operação de neutralização e banalização
10 sociais. Apenas a esfera privada parece sair vitoriosa dessa maré de apatia; cuidar da saúde, preservar a
11 própria situação material, desembaraçar-se dos “complexos”, esperar pelas férias: tornou-se possível viver
12 sem ideais, sem finalidades transcendentais. Os filmes de Woody Allen e o sucesso que têm são o próprio
13 símbolo desse hiperinvestimento do espaço privado; ele próprio declara que “soluções políticas não
14 funcionam” (citado por C. Lasch, p. 30), e, de muitas maneiras, esta fórmula traduz o novo espírito da
15 época, o narcisismo que nasce da deserção da política. Fim do homo politicus e advento do homo
16 psychologicus, à espreita do seu ser e do seu maior bem-estar.
17 Viver no presente, nada mais do que o presente, não mais em função do passado e do futuro: é esta
18 “perda do sentido da continuidade histórica” (C.N., p. 30), esta erosão do sentimento de pertencer a uma
19 “sucessão de gerações enraizadas no passado e se prolongando para o futuro” que, segundo C. Lasch,
20 caracteriza e engendra a sociedade narcisista. Hoje em dia vivemos para nós mesmos, sem nos
21 preocuparmos com nossas tradições e com a nossa posteridade: o sentido histórico foi abandonado, da
22 mesma maneira que os valores e as instituições sociais. […] Há uma crise de confiança nos líderes
23 políticos, um clima de pessimismo e de catástrofe iminente que explicam o desenvolvimento das
24 estratégias narcisísticas de “sobrevida” que prometem a saúde física e psicológica. Quando o futuro
25 parece ameaçador e incerto, resta debruçar-se sobre o presente, que não paramos de proteger, arrumar e
26 reciclar, permanecendo em uma juventude sem fim. Ao mesmo tempo em que coloca o futuro entre
27 parênteses, o sistema procede à “desvalorização do passado”, em razão de sua avidez de se soltar das
28 tradições e das limitações arcaicas, de instituir uma sociedade sem amarras e sem opacidade; com essa
29 indiferença pelo tempo histórico se instala o “narcisismo coletivo”, sintoma social da crise generalizada
30 das sociedades burguesas, incapazes de enfrentar o futuro de outro modo, a não ser com desespero.
31 Em síntese, pode-se dizer que o narcisismo resulta da deserção generalizada dos valores e
32 finalidades sociais, ocasionada pelo processo de personalização. A anulação dos grandes sistemas de
33 sentidos e o hiperinvestimento no Eu andam de braços dados: nos sistemas com “aparência humana”,
34 que funcionam para o prazer, o bem-estar, a despadronização, tudo concorre para a promoção de um
35 individualismo puro, ou seja, psicológico, desembaraçado dos enquadramentos de massa e projetados
36 para a valorização geral do indivíduo. É a revolução das necessidades e sua ética hedonista que,
37 atomizando suavemente os indivíduos e esvaziando aos poucos as finalidades sociais de seus
38 significados profundos, permitiu que o discurso psi se enxertasse no social e se tornasse um novo éthos
39 de massa; foi o “materialismo” exacerbado das sociedades em abundância que, paradoxalmente, tornou
40 possível a eclosão de uma cultura centrada na expansão subjetiva, não por reação ou “suplemento de
41 alma”, mas, sim, por isolamento à escolha de cada um. A onda do “potencial humano” psíquico e corporal
42 não é mais do que o último momento de uma sociedade que está se libertando da ordem disciplinar e
43 completando a privatização sistemática já operada pela era do consumismo. Longe de derivar de uma
44 “tomada de consciência” desencantada, o narcisismo é o efeito do cruzamento entre a lógica social
45 individualista hedonista, impulsionada pelo universo dos objetos e sinais, e uma lógica terapêutica e
46 psicológica elaborada desde o século XIX a partir da aproximação psicopatológica.
LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. Tradução de Therezinha Monteiro Deutsch. Barueri: Manole, 2005. p. 32-35. (Adaptado).
A forma pronominal “esta”, no trecho “é esta ‘perda do sentido da continuidade histórica’” (linhas 17 e 18), remete
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TEXTO 01
Narciso sob medida
1 Depois da agitação política e cultural da década de 1960, que ainda poderia aparecer como
2 investimento de massa da coisa pública, há uma desafeição generalizada que ostensivamente se expande
3 no social, tendo como corolário o refluxo dos interesses para as preocupações puramente pessoais, e isso
4 independentemente de crises econômicas. A despolitização e a “dessindicalização” atingem proporções
5 jamais vistas, a esperança revolucionária e a contestação estudantil desapareceram, a contracultura se
6 esgota; raras são as causas ainda capazes de galvanizar as energias a longo prazo. A res publica se
7 desvitalizou, as grandes questões “filosóficas”, econômicas, políticas ou militares despertam uma
8 curiosidade semelhante àquela despertada por qualquer acontecimento comum, todas as “superioridades”
9 vão minguando aos poucos, arrebatadas que são pela vasta operação de neutralização e banalização
10 sociais. Apenas a esfera privada parece sair vitoriosa dessa maré de apatia; cuidar da saúde, preservar a
11 própria situação material, desembaraçar-se dos “complexos”, esperar pelas férias: tornou-se possível viver
12 sem ideais, sem finalidades transcendentais. Os filmes de Woody Allen e o sucesso que têm são o próprio
13 símbolo desse hiperinvestimento do espaço privado; ele próprio declara que “soluções políticas não
14 funcionam” (citado por C. Lasch, p. 30), e, de muitas maneiras, esta fórmula traduz o novo espírito da
15 época, o narcisismo que nasce da deserção da política. Fim do homo politicus e advento do homo
16 psychologicus, à espreita do seu ser e do seu maior bem-estar.
17 Viver no presente, nada mais do que o presente, não mais em função do passado e do futuro: é esta
18 “perda do sentido da continuidade histórica” (C.N., p. 30), esta erosão do sentimento de pertencer a uma
19 “sucessão de gerações enraizadas no passado e se prolongando para o futuro” que, segundo C. Lasch,
20 caracteriza e engendra a sociedade narcisista. Hoje em dia vivemos para nós mesmos, sem nos
21 preocuparmos com nossas tradições e com a nossa posteridade: o sentido histórico foi abandonado, da
22 mesma maneira que os valores e as instituições sociais. […] Há uma crise de confiança nos líderes
23 políticos, um clima de pessimismo e de catástrofe iminente que explicam o desenvolvimento das
24 estratégias narcisísticas de “sobrevida” que prometem a saúde física e psicológica. Quando o futuro
25 parece ameaçador e incerto, resta debruçar-se sobre o presente, que não paramos de proteger, arrumar e
26 reciclar, permanecendo em uma juventude sem fim. Ao mesmo tempo em que coloca o futuro entre
27 parênteses, o sistema procede à “desvalorização do passado”, em razão de sua avidez de se soltar das
28 tradições e das limitações arcaicas, de instituir uma sociedade sem amarras e sem opacidade; com essa
29 indiferença pelo tempo histórico se instala o “narcisismo coletivo”, sintoma social da crise generalizada
30 das sociedades burguesas, incapazes de enfrentar o futuro de outro modo, a não ser com desespero.
31 Em síntese, pode-se dizer que o narcisismo resulta da deserção generalizada dos valores e
32 finalidades sociais, ocasionada pelo processo de personalização. A anulação dos grandes sistemas de
33 sentidos e o hiperinvestimento no Eu andam de braços dados: nos sistemas com “aparência humana”,
34 que funcionam para o prazer, o bem-estar, a despadronização, tudo concorre para a promoção de um
35 individualismo puro, ou seja, psicológico, desembaraçado dos enquadramentos de massa e projetados
36 para a valorização geral do indivíduo. É a revolução das necessidades e sua ética hedonista que,
37 atomizando suavemente os indivíduos e esvaziando aos poucos as finalidades sociais de seus
38 significados profundos, permitiu que o discurso psi se enxertasse no social e se tornasse um novo éthos
39 de massa; foi o “materialismo” exacerbado das sociedades em abundância que, paradoxalmente, tornou
40 possível a eclosão de uma cultura centrada na expansão subjetiva, não por reação ou “suplemento de
41 alma”, mas, sim, por isolamento à escolha de cada um. A onda do “potencial humano” psíquico e corporal
42 não é mais do que o último momento de uma sociedade que está se libertando da ordem disciplinar e
43 completando a privatização sistemática já operada pela era do consumismo. Longe de derivar de uma
44 “tomada de consciência” desencantada, o narcisismo é o efeito do cruzamento entre a lógica social
45 individualista hedonista, impulsionada pelo universo dos objetos e sinais, e uma lógica terapêutica e
46 psicológica elaborada desde o século XIX a partir da aproximação psicopatológica.
LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. Tradução de Therezinha Monteiro Deutsch. Barueri: Manole, 2005. p. 32-35. (Adaptado).
No trecho “a esperança revolucionária e a contestação estudantil desapareceram, a contracultura se esgota” (linhas 5 e 6), o uso dos verbos “desaparecer” e “esgotar” aciona os seguintes pressupostos linguísticos, respectivamente:
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TEXTO 01
Narciso sob medida
1 Depois da agitação política e cultural da década de 1960, que ainda poderia aparecer como
2 investimento de massa da coisa pública, há uma desafeição generalizada que ostensivamente se expande
3 no social, tendo como corolário o refluxo dos interesses para as preocupações puramente pessoais, e isso
4 independentemente de crises econômicas. A despolitização e a “dessindicalização” atingem proporções
5 jamais vistas, a esperança revolucionária e a contestação estudantil desapareceram, a contracultura se
6 esgota; raras são as causas ainda capazes de galvanizar as energias a longo prazo. A res publica se
7 desvitalizou, as grandes questões “filosóficas”, econômicas, políticas ou militares despertam uma
8 curiosidade semelhante àquela despertada por qualquer acontecimento comum, todas as “superioridades”
9 vão minguando aos poucos, arrebatadas que são pela vasta operação de neutralização e banalização
10 sociais. Apenas a esfera privada parece sair vitoriosa dessa maré de apatia; cuidar da saúde, preservar a
11 própria situação material, desembaraçar-se dos “complexos”, esperar pelas férias: tornou-se possível viver
12 sem ideais, sem finalidades transcendentais. Os filmes de Woody Allen e o sucesso que têm são o próprio
13 símbolo desse hiperinvestimento do espaço privado; ele próprio declara que “soluções políticas não
14 funcionam” (citado por C. Lasch, p. 30), e, de muitas maneiras, esta fórmula traduz o novo espírito da
15 época, o narcisismo que nasce da deserção da política. Fim do homo politicus e advento do homo
16 psychologicus, à espreita do seu ser e do seu maior bem-estar.
17 Viver no presente, nada mais do que o presente, não mais em função do passado e do futuro: é esta
18 “perda do sentido da continuidade histórica” (C.N., p. 30), esta erosão do sentimento de pertencer a uma
19 “sucessão de gerações enraizadas no passado e se prolongando para o futuro” que, segundo C. Lasch,
20 caracteriza e engendra a sociedade narcisista. Hoje em dia vivemos para nós mesmos, sem nos
21 preocuparmos com nossas tradições e com a nossa posteridade: o sentido histórico foi abandonado, da
22 mesma maneira que os valores e as instituições sociais. […] Há uma crise de confiança nos líderes
23 políticos, um clima de pessimismo e de catástrofe iminente que explicam o desenvolvimento das
24 estratégias narcisísticas de “sobrevida” que prometem a saúde física e psicológica. Quando o futuro
25 parece ameaçador e incerto, resta debruçar-se sobre o presente, que não paramos de proteger, arrumar e
26 reciclar, permanecendo em uma juventude sem fim. Ao mesmo tempo em que coloca o futuro entre
27 parênteses, o sistema procede à “desvalorização do passado”, em razão de sua avidez de se soltar das
28 tradições e das limitações arcaicas, de instituir uma sociedade sem amarras e sem opacidade; com essa
29 indiferença pelo tempo histórico se instala o “narcisismo coletivo”, sintoma social da crise generalizada
30 das sociedades burguesas, incapazes de enfrentar o futuro de outro modo, a não ser com desespero.
31 Em síntese, pode-se dizer que o narcisismo resulta da deserção generalizada dos valores e
32 finalidades sociais, ocasionada pelo processo de personalização. A anulação dos grandes sistemas de
33 sentidos e o hiperinvestimento no Eu andam de braços dados: nos sistemas com “aparência humana”,
34 que funcionam para o prazer, o bem-estar, a despadronização, tudo concorre para a promoção de um
35 individualismo puro, ou seja, psicológico, desembaraçado dos enquadramentos de massa e projetados
36 para a valorização geral do indivíduo. É a revolução das necessidades e sua ética hedonista que,
37 atomizando suavemente os indivíduos e esvaziando aos poucos as finalidades sociais de seus
38 significados profundos, permitiu que o discurso psi se enxertasse no social e se tornasse um novo éthos
39 de massa; foi o “materialismo” exacerbado das sociedades em abundância que, paradoxalmente, tornou
40 possível a eclosão de uma cultura centrada na expansão subjetiva, não por reação ou “suplemento de
41 alma”, mas, sim, por isolamento à escolha de cada um. A onda do “potencial humano” psíquico e corporal
42 não é mais do que o último momento de uma sociedade que está se libertando da ordem disciplinar e
43 completando a privatização sistemática já operada pela era do consumismo. Longe de derivar de uma
44 “tomada de consciência” desencantada, o narcisismo é o efeito do cruzamento entre a lógica social
45 individualista hedonista, impulsionada pelo universo dos objetos e sinais, e uma lógica terapêutica e
46 psicológica elaborada desde o século XIX a partir da aproximação psicopatológica.
LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. Tradução de Therezinha Monteiro Deutsch. Barueri: Manole, 2005. p. 32-35. (Adaptado).
Dentre as contraposições de ideias presentes no texto, encontram-se aquelas representadas pelos seguintes pares:
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.
TEXTO 01
Narciso sob medida
1 Depois da agitação política e cultural da década de 1960, que ainda poderia aparecer como
2 investimento de massa da coisa pública, há uma desafeição generalizada que ostensivamente se expande
3 no social, tendo como corolário o refluxo dos interesses para as preocupações puramente pessoais, e isso
4 independentemente de crises econômicas. A despolitização e a “dessindicalização” atingem proporções
5 jamais vistas, a esperança revolucionária e a contestação estudantil desapareceram, a contracultura se
6 esgota; raras são as causas ainda capazes de galvanizar as energias a longo prazo. A res publica se
7 desvitalizou, as grandes questões “filosóficas”, econômicas, políticas ou militares despertam uma
8 curiosidade semelhante àquela despertada por qualquer acontecimento comum, todas as “superioridades”
9 vão minguando aos poucos, arrebatadas que são pela vasta operação de neutralização e banalização
10 sociais. Apenas a esfera privada parece sair vitoriosa dessa maré de apatia; cuidar da saúde, preservar a
11 própria situação material, desembaraçar-se dos “complexos”, esperar pelas férias: tornou-se possível viver
12 sem ideais, sem finalidades transcendentais. Os filmes de Woody Allen e o sucesso que têm são o próprio
13 símbolo desse hiperinvestimento do espaço privado; ele próprio declara que “soluções políticas não
14 funcionam” (citado por C. Lasch, p. 30), e, de muitas maneiras, esta fórmula traduz o novo espírito da
15 época, o narcisismo que nasce da deserção da política. Fim do homo politicus e advento do homo
16 psychologicus, à espreita do seu ser e do seu maior bem-estar.
17 Viver no presente, nada mais do que o presente, não mais em função do passado e do futuro: é esta
18 “perda do sentido da continuidade histórica” (C.N., p. 30), esta erosão do sentimento de pertencer a uma
19 “sucessão de gerações enraizadas no passado e se prolongando para o futuro” que, segundo C. Lasch,
20 caracteriza e engendra a sociedade narcisista. Hoje em dia vivemos para nós mesmos, sem nos
21 preocuparmos com nossas tradições e com a nossa posteridade: o sentido histórico foi abandonado, da
22 mesma maneira que os valores e as instituições sociais. […] Há uma crise de confiança nos líderes
23 políticos, um clima de pessimismo e de catástrofe iminente que explicam o desenvolvimento das
24 estratégias narcisísticas de “sobrevida” que prometem a saúde física e psicológica. Quando o futuro
25 parece ameaçador e incerto, resta debruçar-se sobre o presente, que não paramos de proteger, arrumar e
26 reciclar, permanecendo em uma juventude sem fim. Ao mesmo tempo em que coloca o futuro entre
27 parênteses, o sistema procede à “desvalorização do passado”, em razão de sua avidez de se soltar das
28 tradições e das limitações arcaicas, de instituir uma sociedade sem amarras e sem opacidade; com essa
29 indiferença pelo tempo histórico se instala o “narcisismo coletivo”, sintoma social da crise generalizada
30 das sociedades burguesas, incapazes de enfrentar o futuro de outro modo, a não ser com desespero.
31 Em síntese, pode-se dizer que o narcisismo resulta da deserção generalizada dos valores e
32 finalidades sociais, ocasionada pelo processo de personalização. A anulação dos grandes sistemas de
33 sentidos e o hiperinvestimento no Eu andam de braços dados: nos sistemas com “aparência humana”,
34 que funcionam para o prazer, o bem-estar, a despadronização, tudo concorre para a promoção de um
35 individualismo puro, ou seja, psicológico, desembaraçado dos enquadramentos de massa e projetados
36 para a valorização geral do indivíduo. É a revolução das necessidades e sua ética hedonista que,
37 atomizando suavemente os indivíduos e esvaziando aos poucos as finalidades sociais de seus
38 significados profundos, permitiu que o discurso psi se enxertasse no social e se tornasse um novo éthos
39 de massa; foi o “materialismo” exacerbado das sociedades em abundância que, paradoxalmente, tornou
40 possível a eclosão de uma cultura centrada na expansão subjetiva, não por reação ou “suplemento de
41 alma”, mas, sim, por isolamento à escolha de cada um. A onda do “potencial humano” psíquico e corporal
42 não é mais do que o último momento de uma sociedade que está se libertando da ordem disciplinar e
43 completando a privatização sistemática já operada pela era do consumismo. Longe de derivar de uma
44 “tomada de consciência” desencantada, o narcisismo é o efeito do cruzamento entre a lógica social
45 individualista hedonista, impulsionada pelo universo dos objetos e sinais, e uma lógica terapêutica e
46 psicológica elaborada desde o século XIX a partir da aproximação psicopatológica.
LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. Tradução de Therezinha Monteiro Deutsch. Barueri: Manole, 2005. p. 32-35. (Adaptado).
É ideia defendida no texto:
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 7 a 10.
TEXTO 2
Quarto de despejo
1 5 de julho... O Frei Luiz hoje nos visitou com o seu carro capela. Nos disse que vai ensinar o
2 catecismo as crianças para fazer a primeira comunhão. E aos sabados vem nos ensinar a conhecer os
3 trechos biblicos.
4 6 de julho Despertei as 4 horas e meia com a tosse da Neide. Percebi que aquela tosse não ia
5 deixar-me dormir. Levantei e dei-lhe um pouco de xarope porque fiquei com dó. Ela é orfã de pai. Quando
6 o pai estava doente a mãe deixou-as. São treis filhas. (...) A mãe da Neide é uma desalmada. Não prestou
7 para tratar do esposo enfermo e nem para criar as filhas que ficaram aos cuidados dos avós.
8 ... Esquentei o arroz e os peixes e dei para os filhos. Depois fui catar lenha. Parece que eu vim ao
9 mundo predestinada a catar. Só não cato a felicidade.
10 ... Estendi as roupas para quarar. Ao meu lado estava a mulher do nortista que dormia com a mulher
11 do Chó. Estava nervosa e falava tanto. Parece que tem a lingua eletrica. Parecia o Carlos Lacerda quando
12 falava do Getulio. Dizia que era ela quem lavava as roupas da mulher do Chó. E o seu esposo é quem lhe
13 dava dinheiro para ela lhe pagar.
14 ... É 5 e meia. O frei Luiz está chegando para passar o cinema aqui na favela. Já puzeram a tela e os
15 favelados estão presentes.
16 As pessoas de alvenaria que residem perto da favela diz que não sabe como é que as pessoas de
17 cultura dá atenção ao povo da favela.
18 As crianças da favela bradaram quando iniciaram o cinema, representando trechos da Biblia. O
19 nascimento de Cristo. Chegou o carro capela com o Frei Luiz. Um vigário que é util aos favelados. (...)
20 Quando passava uma tela o Frei explicava. Quando passou os Reis Magos o Frei explicou que a
21 denominação Magos é porque êles liam a sorte das pessoas nas estrelas. E se alguem sabia o nome dos
22 Reis Magos. Que um é muito conhecido e chamava Baltazar.
23 – E o outro Pelé* — respondeu um moleque.
24 Todos riram. Chegou o caminhão com os jogadores na hora que o padre estava rezando. Resolvi
25 tomar parte no coro. Os meus filhos chegaram do cinema e eu fui dar o jantar para eles. A Vera estava
26 contente e contava as travessuras de José Carlos. O João perdeu os 11 cruzeiros que eu dei-lhe para ir
27 no Rialto. Ele levava o dinheiro na carteira e foi com os meninos da favela. E alguns deles ja sabem bater
28 carteira.
30
31 * A brincadeira se justifica: Baltazar era o apelido do centroavante do Corinthians, e Pelé, ainda em
32 início de carreira no Santos, já se destacava como um grande jogador. (N. E.)
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014. p. 81-82. (Adaptado).
Nos textos 1 e 2, as citações (linhas 13-14 e 18 – texto 01) e a referência aos Reis Magos (linhas 20-22 – texto 02) são exemplos do seguinte fenômeno textual:
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