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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Detox das Redes
Sempre que viajo, estabeleço para mim mesma a regra
de desligar o celular até o fim da viagem. Esse gesto
funciona como um refúgio da rotina, permitindo-me
deixar de lado mensagens, e-mails e notificações. Gosto
das redes sociais e as uso diariamente, mas percebo
que, para realmente entrar no clima de férias, preciso me
desconectar de tudo que não esteja comigo
presencialmente.
Essa experiência me aproxima da vivida por Ana,
interpretada por Larissa Manoela, no filme Modo Avião
(2020). Assim como eu, ela vive permanentemente
conectada, até que uma mudança forçada para a casa
do avô, sem Wi-Fi, a obriga a enfrentar um detox digital.
No meu caso, são poucos dias; no dela, meses. Ainda
assim, reconheço os mesmos estágios da ruptura com o
celular.
Primeiro surge a abstinência: a inquietação de não
checar fotos, mensagens ou novidades, acompanhada
da sensação de estar perdendo o que acontece no
mundo, o famoso fear of missing out . Depois, porém,
vem a liberdade — uma leveza que nasce quando as
cobranças desaparecem e o presente ganha mais
nitidez.
No filme, Ana cria um novo vínculo com o avô; eu, por
minha vez, me conecto de forma mais profunda aos
lugares que visito. Acredito que se desconectar,
independentemente do motivo, sempre resulta em um
saldo positivo: longe das telas, o tempo parece se
alongar. E quem não deseja mais tempo para aproveitar
o que a vida oferece? Eu, certamente, desejo.
Texto Adaptado
TEIXEIRA, Adriana Maria Souza. Detox das Redes. In: MALULY,
Luciano Victor Barros et al. (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso
eletrônico]. São Paulo: ECA-USP, 2021. Disponível em:
https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/7
30/648/2404 . Acesso em: 21 nov. 2025.
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Detox das Redes
Sempre que viajo, estabeleço para mim mesma a regra
de desligar o celular até o fim da viagem. Esse gesto
funciona como um refúgio da rotina, permitindo-me
deixar de lado mensagens, e-mails e notificações. Gosto
das redes sociais e as uso diariamente, mas percebo
que, para realmente entrar no clima de férias, preciso me
desconectar de tudo que não esteja comigo
presencialmente.
Essa experiência me aproxima da vivida por Ana,
interpretada por Larissa Manoela, no filme Modo Avião
(2020). Assim como eu, ela vive permanentemente
conectada, até que uma mudança forçada para a casa
do avô, sem Wi-Fi, a obriga a enfrentar um detox digital.
No meu caso, são poucos dias; no dela, meses. Ainda
assim, reconheço os mesmos estágios da ruptura com o
celular.
Primeiro surge a abstinência: a inquietação de não
checar fotos, mensagens ou novidades, acompanhada
da sensação de estar perdendo o que acontece no
mundo, o famoso fear of missing out . Depois, porém,
vem a liberdade — uma leveza que nasce quando as
cobranças desaparecem e o presente ganha mais
nitidez.
No filme, Ana cria um novo vínculo com o avô; eu, por
minha vez, me conecto de forma mais profunda aos
lugares que visito. Acredito que se desconectar,
independentemente do motivo, sempre resulta em um
saldo positivo: longe das telas, o tempo parece se
alongar. E quem não deseja mais tempo para aproveitar
o que a vida oferece? Eu, certamente, desejo.
Texto Adaptado
TEIXEIRA, Adriana Maria Souza. Detox das Redes. In: MALULY,
Luciano Victor Barros et al. (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso
eletrônico]. São Paulo: ECA-USP, 2021. Disponível em:
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30/648/2404 . Acesso em: 21 nov. 2025.
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Sempre que viajo, estabeleço para mim mesma a regra
de desligar o celular até o fim da viagem. Esse gesto
funciona como um refúgio da rotina, permitindo-me
deixar de lado mensagens, e-mails e notificações. Gosto
das redes sociais e as uso diariamente, mas percebo
que, para realmente entrar no clima de férias, preciso me
desconectar de tudo que não esteja comigo
presencialmente.
Essa experiência me aproxima da vivida por Ana,
interpretada por Larissa Manoela, no filme Modo Avião
(2020). Assim como eu, ela vive permanentemente
conectada, até que uma mudança forçada para a casa
do avô, sem Wi-Fi, a obriga a enfrentar um detox digital.
No meu caso, são poucos dias; no dela, meses. Ainda
assim, reconheço os mesmos estágios da ruptura com o
celular.
Primeiro surge a abstinência: a inquietação de não
checar fotos, mensagens ou novidades, acompanhada
da sensação de estar perdendo o que acontece no
mundo, o famoso fear of missing out . Depois, porém,
vem a liberdade — uma leveza que nasce quando as
cobranças desaparecem e o presente ganha mais
nitidez.
No filme, Ana cria um novo vínculo com o avô; eu, por
minha vez, me conecto de forma mais profunda aos
lugares que visito. Acredito que se desconectar,
independentemente do motivo, sempre resulta em um
saldo positivo: longe das telas, o tempo parece se
alongar. E quem não deseja mais tempo para aproveitar
o que a vida oferece? Eu, certamente, desejo.
Texto Adaptado
TEIXEIRA, Adriana Maria Souza. Detox das Redes. In: MALULY,
Luciano Victor Barros et al. (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso
eletrônico]. São Paulo: ECA-USP, 2021. Disponível em:
https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/7
30/648/2404 . Acesso em: 21 nov. 2025.
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de desligar o celular até o fim da viagem. Esse gesto
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deixar de lado mensagens, e-mails e notificações. Gosto
das redes sociais e as uso diariamente, mas percebo
que, para realmente entrar no clima de férias, preciso me
desconectar de tudo que não esteja comigo
presencialmente.
Essa experiência me aproxima da vivida por Ana,
interpretada por Larissa Manoela, no filme Modo Avião
(2020). Assim como eu, ela vive permanentemente
conectada, até que uma mudança forçada para a casa
do avô, sem Wi-Fi, a obriga a enfrentar um detox digital.
No meu caso, são poucos dias; no dela, meses. Ainda
assim, reconheço os mesmos estágios da ruptura com o
celular.
Primeiro surge a abstinência: a inquietação de não
checar fotos, mensagens ou novidades, acompanhada
da sensação de estar perdendo o que acontece no
mundo, o famoso fear of missing out . Depois, porém,
vem a liberdade — uma leveza que nasce quando as
cobranças desaparecem e o presente ganha mais
nitidez.
No filme, Ana cria um novo vínculo com o avô; eu, por
minha vez, me conecto de forma mais profunda aos
lugares que visito. Acredito que se desconectar,
independentemente do motivo, sempre resulta em um
saldo positivo: longe das telas, o tempo parece se
alongar. E quem não deseja mais tempo para aproveitar
o que a vida oferece? Eu, certamente, desejo.
Texto Adaptado
TEIXEIRA, Adriana Maria Souza. Detox das Redes. In: MALULY,
Luciano Victor Barros et al. (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso
eletrônico]. São Paulo: ECA-USP, 2021. Disponível em:
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30/648/2404 . Acesso em: 21 nov. 2025.
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de desligar o celular até o fim da viagem. Esse gesto
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deixar de lado mensagens, e-mails e notificações. Gosto
das redes sociais e as uso diariamente, mas percebo
que, para realmente entrar no clima de férias, preciso me
desconectar de tudo que não esteja comigo
presencialmente.
Essa experiência me aproxima da vivida por Ana,
interpretada por Larissa Manoela, no filme Modo Avião
(2020). Assim como eu, ela vive permanentemente
conectada, até que uma mudança forçada para a casa
do avô, sem Wi-Fi, a obriga a enfrentar um detox digital.
No meu caso, são poucos dias; no dela, meses. Ainda
assim, reconheço os mesmos estágios da ruptura com o
celular.
Primeiro surge a abstinência: a inquietação de não
checar fotos, mensagens ou novidades, acompanhada
da sensação de estar perdendo o que acontece no
mundo, o famoso fear of missing out . Depois, porém,
vem a liberdade — uma leveza que nasce quando as
cobranças desaparecem e o presente ganha mais
nitidez.
No filme, Ana cria um novo vínculo com o avô; eu, por
minha vez, me conecto de forma mais profunda aos
lugares que visito. Acredito que se desconectar,
independentemente do motivo, sempre resulta em um
saldo positivo: longe das telas, o tempo parece se
alongar. E quem não deseja mais tempo para aproveitar
o que a vida oferece? Eu, certamente, desejo.
Texto Adaptado
TEIXEIRA, Adriana Maria Souza. Detox das Redes. In: MALULY,
Luciano Victor Barros et al. (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso
eletrônico]. São Paulo: ECA-USP, 2021. Disponível em:
https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/7
30/648/2404 . Acesso em: 21 nov. 2025.
"Primeiro surge a abstinência: a inquietação de não checar fotos, mensagens ou novidades, acompanhada da sensação de estar perdendo o que acontece no mundo, o famoso fear of missing out."
Assinale a alternativa que apresenta substituição sinônima mais precisa, respeitando o sentido do trecho e os efeitos semânticos pretendidos pela autora.
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Encontro de memórias
Existem dois dias em que, para mim, a terra parou. O
primeiro aconteceu quando eu tinha cerca de sete anos,
em um domingo comum. Meu pai montava seu pequeno
ritual musical: carregava uma cadeira, espalhava as
revistas de cifras na cama e deixava que os acordes
preenchessem a casa. Enquanto eu brincava no chão, a
voz de Raul Seixas criava um refúgio íntimo, um instante
que meu mundo interno decidiu guardar como lugar de
paz.
O segundo dia em que a terra parou veio doze anos
depois. Não foi um dia só, mas uma sequência de dias
em que quase todos decidiram — ou foram obrigados —
a permanecer em casa. O empregado não saiu porque o
patrão também não estava lá; o aluno não foi à escola
porque o professor não o esperava; a rotina inteira foi
suspensa por algo que parou o planeta, mesmo que não
por vontade própria.
Assim como no primeiro dia, Raul também estava
presente. As mesmas revistas antigas, gastas pelo uso,
continuavam guardadas na estante, preservando uma
memória afetiva que atravessou o tempo. E cada vez
que seus versos ecoavam, aquele recanto infantil voltava
a se mover dentro de mim.
Hoje as revistas quase não saem do lugar e acumulam
poeira, mas continuam guardando meus dois dias. Raul
anunciava o segundo, mas é ao primeiro que retorno
sempre que escuto alguém cantar sobre "o dia em que a
Terra parou". É ali que a memória repousa — entre
acordes simples e a sensação de que, por um instante,
tudo realmente ficou imóvel.
Texto Adaptado
LIMA, Natália Milena Alexandre. Encontro de memórias. In: MALULY,
Luciano Victor Barros et al. (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso
eletrônico]. São Paulo: ECA-USP, 2021. Disponível em:
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30/648/2404 . Acesso em: 21 nov. 2025.
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Encontro de memórias
Existem dois dias em que, para mim, a terra parou. O
primeiro aconteceu quando eu tinha cerca de sete anos,
em um domingo comum. Meu pai montava seu pequeno
ritual musical: carregava uma cadeira, espalhava as
revistas de cifras na cama e deixava que os acordes
preenchessem a casa. Enquanto eu brincava no chão, a
voz de Raul Seixas criava um refúgio íntimo, um instante
que meu mundo interno decidiu guardar como lugar de
paz.
O segundo dia em que a terra parou veio doze anos
depois. Não foi um dia só, mas uma sequência de dias
em que quase todos decidiram — ou foram obrigados —
a permanecer em casa. O empregado não saiu porque o
patrão também não estava lá; o aluno não foi à escola
porque o professor não o esperava; a rotina inteira foi
suspensa por algo que parou o planeta, mesmo que não
por vontade própria.
Assim como no primeiro dia, Raul também estava
presente. As mesmas revistas antigas, gastas pelo uso,
continuavam guardadas na estante, preservando uma
memória afetiva que atravessou o tempo. E cada vez
que seus versos ecoavam, aquele recanto infantil voltava
a se mover dentro de mim.
Hoje as revistas quase não saem do lugar e acumulam
poeira, mas continuam guardando meus dois dias. Raul
anunciava o segundo, mas é ao primeiro que retorno
sempre que escuto alguém cantar sobre "o dia em que a
Terra parou". É ali que a memória repousa — entre
acordes simples e a sensação de que, por um instante,
tudo realmente ficou imóvel.
Texto Adaptado
LIMA, Natália Milena Alexandre. Encontro de memórias. In: MALULY,
Luciano Victor Barros et al. (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso
eletrônico]. São Paulo: ECA-USP, 2021. Disponível em:
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Encontro de memórias
Existem dois dias em que, para mim, a terra parou. O
primeiro aconteceu quando eu tinha cerca de sete anos,
em um domingo comum. Meu pai montava seu pequeno
ritual musical: carregava uma cadeira, espalhava as
revistas de cifras na cama e deixava que os acordes
preenchessem a casa. Enquanto eu brincava no chão, a
voz de Raul Seixas criava um refúgio íntimo, um instante
que meu mundo interno decidiu guardar como lugar de
paz.
O segundo dia em que a terra parou veio doze anos
depois. Não foi um dia só, mas uma sequência de dias
em que quase todos decidiram — ou foram obrigados —
a permanecer em casa. O empregado não saiu porque o
patrão também não estava lá; o aluno não foi à escola
porque o professor não o esperava; a rotina inteira foi
suspensa por algo que parou o planeta, mesmo que não
por vontade própria.
Assim como no primeiro dia, Raul também estava
presente. As mesmas revistas antigas, gastas pelo uso,
continuavam guardadas na estante, preservando uma
memória afetiva que atravessou o tempo. E cada vez
que seus versos ecoavam, aquele recanto infantil voltava
a se mover dentro de mim.
Hoje as revistas quase não saem do lugar e acumulam
poeira, mas continuam guardando meus dois dias. Raul
anunciava o segundo, mas é ao primeiro que retorno
sempre que escuto alguém cantar sobre "o dia em que a
Terra parou". É ali que a memória repousa — entre
acordes simples e a sensação de que, por um instante,
tudo realmente ficou imóvel.
Texto Adaptado
LIMA, Natália Milena Alexandre. Encontro de memórias. In: MALULY,
Luciano Victor Barros et al. (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso
eletrônico]. São Paulo: ECA-USP, 2021. Disponível em:
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primeiro aconteceu quando eu tinha cerca de sete anos,
em um domingo comum. Meu pai montava seu pequeno
ritual musical: carregava uma cadeira, espalhava as
revistas de cifras na cama e deixava que os acordes
preenchessem a casa. Enquanto eu brincava no chão, a
voz de Raul Seixas criava um refúgio íntimo, um instante
que meu mundo interno decidiu guardar como lugar de
paz.
O segundo dia em que a terra parou veio doze anos
depois. Não foi um dia só, mas uma sequência de dias
em que quase todos decidiram — ou foram obrigados —
a permanecer em casa. O empregado não saiu porque o
patrão também não estava lá; o aluno não foi à escola
porque o professor não o esperava; a rotina inteira foi
suspensa por algo que parou o planeta, mesmo que não
por vontade própria.
Assim como no primeiro dia, Raul também estava
presente. As mesmas revistas antigas, gastas pelo uso,
continuavam guardadas na estante, preservando uma
memória afetiva que atravessou o tempo. E cada vez
que seus versos ecoavam, aquele recanto infantil voltava
a se mover dentro de mim.
Hoje as revistas quase não saem do lugar e acumulam
poeira, mas continuam guardando meus dois dias. Raul
anunciava o segundo, mas é ao primeiro que retorno
sempre que escuto alguém cantar sobre "o dia em que a
Terra parou". É ali que a memória repousa — entre
acordes simples e a sensação de que, por um instante,
tudo realmente ficou imóvel.
Texto Adaptado
LIMA, Natália Milena Alexandre. Encontro de memórias. In: MALULY,
Luciano Victor Barros et al. (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso
eletrônico]. São Paulo: ECA-USP, 2021. Disponível em:
https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/7
30/648/2404 . Acesso em: 21 nov. 2025.
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Encontro de memórias
Existem dois dias em que, para mim, a terra parou. O
primeiro aconteceu quando eu tinha cerca de sete anos,
em um domingo comum. Meu pai montava seu pequeno
ritual musical: carregava uma cadeira, espalhava as
revistas de cifras na cama e deixava que os acordes
preenchessem a casa. Enquanto eu brincava no chão, a
voz de Raul Seixas criava um refúgio íntimo, um instante
que meu mundo interno decidiu guardar como lugar de
paz.
O segundo dia em que a terra parou veio doze anos
depois. Não foi um dia só, mas uma sequência de dias
em que quase todos decidiram — ou foram obrigados —
a permanecer em casa. O empregado não saiu porque o
patrão também não estava lá; o aluno não foi à escola
porque o professor não o esperava; a rotina inteira foi
suspensa por algo que parou o planeta, mesmo que não
por vontade própria.
Assim como no primeiro dia, Raul também estava
presente. As mesmas revistas antigas, gastas pelo uso,
continuavam guardadas na estante, preservando uma
memória afetiva que atravessou o tempo. E cada vez
que seus versos ecoavam, aquele recanto infantil voltava
a se mover dentro de mim.
Hoje as revistas quase não saem do lugar e acumulam
poeira, mas continuam guardando meus dois dias. Raul
anunciava o segundo, mas é ao primeiro que retorno
sempre que escuto alguém cantar sobre "o dia em que a
Terra parou". É ali que a memória repousa — entre
acordes simples e a sensação de que, por um instante,
tudo realmente ficou imóvel.
Texto Adaptado
LIMA, Natália Milena Alexandre. Encontro de memórias. In: MALULY,
Luciano Victor Barros et al. (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso
eletrônico]. São Paulo: ECA-USP, 2021. Disponível em:
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30/648/2404 . Acesso em: 21 nov. 2025.
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