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A minha salamandra

Certa vez, escrevendo uma novela, precisei saber se uma salamandra tinha quatro ou seis pernas. Já não me lembro em que episódio novelesco pretendia envolver as pernas da minha salamandra, mas a verdade é que precisava saber — e não fiquei sabendo.

Que sei eu a respeito de minhas próprias pernas? Pensava então, deixando que elas me levassem para outros caminhos, fora da ficção.

Um ficcionista às vezes precisa saber coisas muito esquisitas. A experiência própria nem sempre ajuda. Passei, por exemplo, a minha infância nos galhos de uma mangueira, chupando manga o dia todo, e não soube responder a um meu amigo, excelente romancista, quanto tempo levava para germinar um caroço de manga.

Contou-me ele, na época, que andou precisando saber este pormenor, em razão de uma história que estava escrevendo. Depois de perguntar a um e outro, e não obtendo senão respostas vagas, telefonou para a repartição do Ministério da Agricultura que lhe pareceu mais apta a fornecer-lhe a informação. O funcionário que o atendeu ficou simplesmente perplexo:

– Caroço de manga? Que brincadeira é essa?

Como insistisse, informaram-lhe que, realmente, havia quem talvez soubesse — um especialista no assunto, lotado num departamento ao qual estava afeto o setor de fruticultura. Discou para lá — mas só conseguiu colher vagos palpites:

– Um caroço de manga? Bem, deve levar um ou dois meses, o senhor não acha?

– Não acho nada: preciso saber com exatidão.

– Por quê?

– Bem, porque...

Outros telefonemas, que somente despertavam reminiscências infantis:

– Na minha casa tinha uma mangueira. A manga-espada, por exemplo, se bem me lembro...

– Boa é a manga carlota, aquela pequenina, sem fibra nenhuma... Lá no Norte chamam de itamaracá.

– O caroço? Bem, o caroço, para lhe dizer com franqueza...

Resolveu telefonar para o Gabinete do Ministro:

– Queria uma informaçãozinha de Vossa Excelência.

O ministro não sabia. Que futuro tem um país de economia essencialmente agrícola se ninguém, nem o próprio Ministro da Agricultura, sabe informar quanto tempo leva para germinar um caroço de manga?

Volto à minha salamandra. Vejo-a esquiva e silenciosa a deslizar por entre as pedras, quantas pernas? Que futuro tenho eu como escritor, se não sei dizer com quantas pernas se faz uma salamandra? O mundo anda cheio de pernas, e o coração do poeta já perguntou para que tanta perna, meu Deus. As da salamandra — quatro, ou seis — nada acrescentam ao meu mundo interior, senão a ligeira desconfiança de que acabo tendo quatro. No entanto, as de uma jovem galgando comigo as pedras do Arpoador, por exemplo, apenas duas, podem sustentar o universo – vertiginoso universo onde as sensações germinam bem mais depressa que um caroço de manga. Onde se acendem estrelas inexistentes e os astros desandam nas suas órbitas. Onde se abrem abismos de uma profundeza que nem a imaginação do romancista ousa devassar. Onde vicejam plantas bem mais exóticas que uma mangueira de quintal, em cujas sombras se arrastam seres vorazes e bem mais misteriosos que a salamandra, salamandras...

(Fernando Sabino. As melhores crônicas – 14ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)

Assinale a alternativa em que o termo relacionado ao vocábulo destacado encontra-se, de acordo com o contexto empregado, correto.

 

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A minha salamandra

Certa vez, escrevendo uma novela, precisei saber se uma salamandra tinha quatro ou seis pernas. Já não me lembro em que episódio novelesco pretendia envolver as pernas da minha salamandra, mas a verdade é que precisava saber — e não fiquei sabendo.

Que sei eu a respeito de minhas próprias pernas? Pensava então, deixando que elas me levassem para outros caminhos, fora da ficção.

Um ficcionista às vezes precisa saber coisas muito esquisitas. A experiência própria nem sempre ajuda. Passei, por exemplo, a minha infância nos galhos de uma mangueira, chupando manga o dia todo, e não soube responder a um meu amigo, excelente romancista, quanto tempo levava para germinar um caroço de manga.

Contou-me ele, na época, que andou precisando saber este pormenor, em razão de uma história que estava escrevendo. Depois de perguntar a um e outro, e não obtendo senão respostas vagas, telefonou para a repartição do Ministério da Agricultura que lhe pareceu mais apta a fornecer-lhe a informação. O funcionário que o atendeu ficou simplesmente perplexo:

– Caroço de manga? Que brincadeira é essa?

Como insistisse, informaram-lhe que, realmente, havia quem talvez soubesse — um especialista no assunto, lotado num departamento ao qual estava afeto o setor de fruticultura. Discou para lá — mas só conseguiu colher vagos palpites:

– Um caroço de manga? Bem, deve levar um ou dois meses, o senhor não acha?

– Não acho nada: preciso saber com exatidão.

– Por quê?

– Bem, porque...

Outros telefonemas, que somente despertavam reminiscências infantis:

– Na minha casa tinha uma mangueira. A manga-espada, por exemplo, se bem me lembro...

– Boa é a manga carlota, aquela pequenina, sem fibra nenhuma... Lá no Norte chamam de itamaracá.

– O caroço? Bem, o caroço, para lhe dizer com franqueza...

Resolveu telefonar para o Gabinete do Ministro:

– Queria uma informaçãozinha de Vossa Excelência.

O ministro não sabia. Que futuro tem um país de economia essencialmente agrícola se ninguém, nem o próprio Ministro da Agricultura, sabe informar quanto tempo leva para germinar um caroço de manga?

Volto à minha salamandra. Vejo-a esquiva e silenciosa a deslizar por entre as pedras, quantas pernas? Que futuro tenho eu como escritor, se não sei dizer com quantas pernas se faz uma salamandra? O mundo anda cheio de pernas, e o coração do poeta já perguntou para que tanta perna, meu Deus. As da salamandra — quatro, ou seis — nada acrescentam ao meu mundo interior, senão a ligeira desconfiança de que acabo tendo quatro. No entanto, as de uma jovem galgando comigo as pedras do Arpoador, por exemplo, apenas duas, podem sustentar o universo – vertiginoso universo onde as sensações germinam bem mais depressa que um caroço de manga. Onde se acendem estrelas inexistentes e os astros desandam nas suas órbitas. Onde se abrem abismos de uma profundeza que nem a imaginação do romancista ousa devassar. Onde vicejam plantas bem mais exóticas que uma mangueira de quintal, em cujas sombras se arrastam seres vorazes e bem mais misteriosos que a salamandra, salamandras...

(Fernando Sabino. As melhores crônicas – 14ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)

Em “Outros telefonemas, que somente despertavam reminiscências infantis: [...]” (11º§), a palavra destacada pode ser substituída, evitando-se a perda semântica, por:

 

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A minha salamandra

Certa vez, escrevendo uma novela, precisei saber se uma salamandra tinha quatro ou seis pernas. Já não me lembro em que episódio novelesco pretendia envolver as pernas da minha salamandra, mas a verdade é que precisava saber — e não fiquei sabendo.

Que sei eu a respeito de minhas próprias pernas? Pensava então, deixando que elas me levassem para outros caminhos, fora da ficção.

Um ficcionista às vezes precisa saber coisas muito esquisitas. A experiência própria nem sempre ajuda. Passei, por exemplo, a minha infância nos galhos de uma mangueira, chupando manga o dia todo, e não soube responder a um meu amigo, excelente romancista, quanto tempo levava para germinar um caroço de manga.

Contou-me ele, na época, que andou precisando saber este pormenor, em razão de uma história que estava escrevendo. Depois de perguntar a um e outro, e não obtendo senão respostas vagas, telefonou para a repartição do Ministério da Agricultura que lhe pareceu mais apta a fornecer-lhe a informação. O funcionário que o atendeu ficou simplesmente perplexo:

– Caroço de manga? Que brincadeira é essa?

Como insistisse, informaram-lhe que, realmente, havia quem talvez soubesse — um especialista no assunto, lotado num departamento ao qual estava afeto o setor de fruticultura. Discou para lá — mas só conseguiu colher vagos palpites:

– Um caroço de manga? Bem, deve levar um ou dois meses, o senhor não acha?

– Não acho nada: preciso saber com exatidão.

– Por quê?

– Bem, porque...

Outros telefonemas, que somente despertavam reminiscências infantis:

– Na minha casa tinha uma mangueira. A manga-espada, por exemplo, se bem me lembro...

– Boa é a manga carlota, aquela pequenina, sem fibra nenhuma... Lá no Norte chamam de itamaracá.

– O caroço? Bem, o caroço, para lhe dizer com franqueza...

Resolveu telefonar para o Gabinete do Ministro:

– Queria uma informaçãozinha de Vossa Excelência.

O ministro não sabia. Que futuro tem um país de economia essencialmente agrícola se ninguém, nem o próprio Ministro da Agricultura, sabe informar quanto tempo leva para germinar um caroço de manga?

Volto à minha salamandra. Vejo-a esquiva e silenciosa a deslizar por entre as pedras, quantas pernas? Que futuro tenho eu como escritor, se não sei dizer com quantas pernas se faz uma salamandra? O mundo anda cheio de pernas, e o coração do poeta já perguntou para que tanta perna, meu Deus. As da salamandra — quatro, ou seis — nada acrescentam ao meu mundo interior, senão a ligeira desconfiança de que acabo tendo quatro. No entanto, as de uma jovem galgando comigo as pedras do Arpoador, por exemplo, apenas duas, podem sustentar o universo – vertiginoso universo onde as sensações germinam bem mais depressa que um caroço de manga. Onde se acendem estrelas inexistentes e os astros desandam nas suas órbitas. Onde se abrem abismos de uma profundeza que nem a imaginação do romancista ousa devassar. Onde vicejam plantas bem mais exóticas que uma mangueira de quintal, em cujas sombras se arrastam seres vorazes e bem mais misteriosos que a salamandra, salamandras...

(Fernando Sabino. As melhores crônicas – 14ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)

Ignoramos em que situação de seu romance a articulista pretendia aproveitar as pernas da salamandra, mas, como ele não conseguiu descobrir (pois não havia salamandras no Brasil), o pequeno animalzinho deixou de se incorporar à literatura brasileira. Tal fato pode ser claramente comprovado em:

 

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A minha salamandra

Certa vez, escrevendo uma novela, precisei saber se uma salamandra tinha quatro ou seis pernas. Já não me lembro em que episódio novelesco pretendia envolver as pernas da minha salamandra, mas a verdade é que precisava saber — e não fiquei sabendo.

Que sei eu a respeito de minhas próprias pernas? Pensava então, deixando que elas me levassem para outros caminhos, fora da ficção.

Um ficcionista às vezes precisa saber coisas muito esquisitas. A experiência própria nem sempre ajuda. Passei, por exemplo, a minha infância nos galhos de uma mangueira, chupando manga o dia todo, e não soube responder a um meu amigo, excelente romancista, quanto tempo levava para germinar um caroço de manga.

Contou-me ele, na época, que andou precisando saber este pormenor, em razão de uma história que estava escrevendo. Depois de perguntar a um e outro, e não obtendo senão respostas vagas, telefonou para a repartição do Ministério da Agricultura que lhe pareceu mais apta a fornecer-lhe a informação. O funcionário que o atendeu ficou simplesmente perplexo:

– Caroço de manga? Que brincadeira é essa?

Como insistisse, informaram-lhe que, realmente, havia quem talvez soubesse — um especialista no assunto, lotado num departamento ao qual estava afeto o setor de fruticultura. Discou para lá — mas só conseguiu colher vagos palpites:

– Um caroço de manga? Bem, deve levar um ou dois meses, o senhor não acha?

– Não acho nada: preciso saber com exatidão.

– Por quê?

– Bem, porque...

Outros telefonemas, que somente despertavam reminiscências infantis:

– Na minha casa tinha uma mangueira. A manga-espada, por exemplo, se bem me lembro...

– Boa é a manga carlota, aquela pequenina, sem fibra nenhuma... Lá no Norte chamam de itamaracá.

– O caroço? Bem, o caroço, para lhe dizer com franqueza...

Resolveu telefonar para o Gabinete do Ministro:

– Queria uma informaçãozinha de Vossa Excelência.

O ministro não sabia. Que futuro tem um país de economia essencialmente agrícola se ninguém, nem o próprio Ministro da Agricultura, sabe informar quanto tempo leva para germinar um caroço de manga?

Volto à minha salamandra. Vejo-a esquiva e silenciosa a deslizar por entre as pedras, quantas pernas? Que futuro tenho eu como escritor, se não sei dizer com quantas pernas se faz uma salamandra? O mundo anda cheio de pernas, e o coração do poeta já perguntou para que tanta perna, meu Deus. As da salamandra — quatro, ou seis — nada acrescentam ao meu mundo interior, senão a ligeira desconfiança de que acabo tendo quatro. No entanto, as de uma jovem galgando comigo as pedras do Arpoador, por exemplo, apenas duas, podem sustentar o universo – vertiginoso universo onde as sensações germinam bem mais depressa que um caroço de manga. Onde se acendem estrelas inexistentes e os astros desandam nas suas órbitas. Onde se abrem abismos de uma profundeza que nem a imaginação do romancista ousa devassar. Onde vicejam plantas bem mais exóticas que uma mangueira de quintal, em cujas sombras se arrastam seres vorazes e bem mais misteriosos que a salamandra, salamandras...

(Fernando Sabino. As melhores crônicas – 14ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)

Em “As da salamandra – quatro, ou seis – nada acrescentam ao meu mundo interior, senão a ligeira desconfiança de que acabo tendo quatro.” (18º§), o duplo travessão tem como finalidade:

 

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A minha salamandra

Certa vez, escrevendo uma novela, precisei saber se uma salamandra tinha quatro ou seis pernas. Já não me lembro em que episódio novelesco pretendia envolver as pernas da minha salamandra, mas a verdade é que precisava saber — e não fiquei sabendo.

Que sei eu a respeito de minhas próprias pernas? Pensava então, deixando que elas me levassem para outros caminhos, fora da ficção.

Um ficcionista às vezes precisa saber coisas muito esquisitas. A experiência própria nem sempre ajuda. Passei, por exemplo, a minha infância nos galhos de uma mangueira, chupando manga o dia todo, e não soube responder a um meu amigo, excelente romancista, quanto tempo levava para germinar um caroço de manga.

Contou-me ele, na época, que andou precisando saber este pormenor, em razão de uma história que estava escrevendo. Depois de perguntar a um e outro, e não obtendo senão respostas vagas, telefonou para a repartição do Ministério da Agricultura que lhe pareceu mais apta a fornecer-lhe a informação. O funcionário que o atendeu ficou simplesmente perplexo:

– Caroço de manga? Que brincadeira é essa?

Como insistisse, informaram-lhe que, realmente, havia quem talvez soubesse — um especialista no assunto, lotado num departamento ao qual estava afeto o setor de fruticultura. Discou para lá — mas só conseguiu colher vagos palpites:

– Um caroço de manga? Bem, deve levar um ou dois meses, o senhor não acha?

– Não acho nada: preciso saber com exatidão.

– Por quê?

– Bem, porque...

Outros telefonemas, que somente despertavam reminiscências infantis:

– Na minha casa tinha uma mangueira. A manga-espada, por exemplo, se bem me lembro...

– Boa é a manga carlota, aquela pequenina, sem fibra nenhuma... Lá no Norte chamam de itamaracá.

– O caroço? Bem, o caroço, para lhe dizer com franqueza...

Resolveu telefonar para o Gabinete do Ministro:

– Queria uma informaçãozinha de Vossa Excelência.

O ministro não sabia. Que futuro tem um país de economia essencialmente agrícola se ninguém, nem o próprio Ministro da Agricultura, sabe informar quanto tempo leva para germinar um caroço de manga?

Volto à minha salamandra. Vejo-a esquiva e silenciosa a deslizar por entre as pedras, quantas pernas? Que futuro tenho eu como escritor, se não sei dizer com quantas pernas se faz uma salamandra? O mundo anda cheio de pernas, e o coração do poeta já perguntou para que tanta perna, meu Deus. As da salamandra — quatro, ou seis — nada acrescentam ao meu mundo interior, senão a ligeira desconfiança de que acabo tendo quatro. No entanto, as de uma jovem galgando comigo as pedras do Arpoador, por exemplo, apenas duas, podem sustentar o universo – vertiginoso universo onde as sensações germinam bem mais depressa que um caroço de manga. Onde se acendem estrelas inexistentes e os astros desandam nas suas órbitas. Onde se abrem abismos de uma profundeza que nem a imaginação do romancista ousa devassar. Onde vicejam plantas bem mais exóticas que uma mangueira de quintal, em cujas sombras se arrastam seres vorazes e bem mais misteriosos que a salamandra, salamandras...

(Fernando Sabino. As melhores crônicas – 14ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)

Dentre os trechos destacados a seguir, indique aquele em que o ponto de vista do autor é demonstrado de forma evidente e nítida.

 

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Certa vez, escrevendo uma novela, precisei saber se uma salamandra tinha quatro ou seis pernas. Já não me lembro em que episódio novelesco pretendia envolver as pernas da minha salamandra, mas a verdade é que precisava saber — e não fiquei sabendo.

Que sei eu a respeito de minhas próprias pernas? Pensava então, deixando que elas me levassem para outros caminhos, fora da ficção.

Um ficcionista às vezes precisa saber coisas muito esquisitas. A experiência própria nem sempre ajuda. Passei, por exemplo, a minha infância nos galhos de uma mangueira, chupando manga o dia todo, e não soube responder a um meu amigo, excelente romancista, quanto tempo levava para germinar um caroço de manga.

Contou-me ele, na época, que andou precisando saber este pormenor, em razão de uma história que estava escrevendo. Depois de perguntar a um e outro, e não obtendo senão respostas vagas, telefonou para a repartição do Ministério da Agricultura que lhe pareceu mais apta a fornecer-lhe a informação. O funcionário que o atendeu ficou simplesmente perplexo:

– Caroço de manga? Que brincadeira é essa?

Como insistisse, informaram-lhe que, realmente, havia quem talvez soubesse — um especialista no assunto, lotado num departamento ao qual estava afeto o setor de fruticultura. Discou para lá — mas só conseguiu colher vagos palpites:

– Um caroço de manga? Bem, deve levar um ou dois meses, o senhor não acha?

– Não acho nada: preciso saber com exatidão.

– Por quê?

– Bem, porque...

Outros telefonemas, que somente despertavam reminiscências infantis:

– Na minha casa tinha uma mangueira. A manga-espada, por exemplo, se bem me lembro...

– Boa é a manga carlota, aquela pequenina, sem fibra nenhuma... Lá no Norte chamam de itamaracá.

– O caroço? Bem, o caroço, para lhe dizer com franqueza...

Resolveu telefonar para o Gabinete do Ministro:

– Queria uma informaçãozinha de Vossa Excelência.

O ministro não sabia. Que futuro tem um país de economia essencialmente agrícola se ninguém, nem o próprio Ministro da Agricultura, sabe informar quanto tempo leva para germinar um caroço de manga?

Volto à minha salamandra. Vejo-a esquiva e silenciosa a deslizar por entre as pedras, quantas pernas? Que futuro tenho eu como escritor, se não sei dizer com quantas pernas se faz uma salamandra? O mundo anda cheio de pernas, e o coração do poeta já perguntou para que tanta perna, meu Deus. As da salamandra — quatro, ou seis — nada acrescentam ao meu mundo interior, senão a ligeira desconfiança de que acabo tendo quatro. No entanto, as de uma jovem galgando comigo as pedras do Arpoador, por exemplo, apenas duas, podem sustentar o universo – vertiginoso universo onde as sensações germinam bem mais depressa que um caroço de manga. Onde se acendem estrelas inexistentes e os astros desandam nas suas órbitas. Onde se abrem abismos de uma profundeza que nem a imaginação do romancista ousa devassar. Onde vicejam plantas bem mais exóticas que uma mangueira de quintal, em cujas sombras se arrastam seres vorazes e bem mais misteriosos que a salamandra, salamandras...

(Fernando Sabino. As melhores crônicas – 14ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)

Através do excerto “O ministro não sabia. Que futuro tem um país de economia essencialmente agrícola se ninguém, nem o próprio Ministro da Agricultura, sabe informar quanto tempo leva para germinar um caroço de manga?” (17º§), o autor:

 

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A minha salamandra

Certa vez, escrevendo uma novela, precisei saber se uma salamandra tinha quatro ou seis pernas. Já não me lembro em que episódio novelesco pretendia envolver as pernas da minha salamandra, mas a verdade é que precisava saber — e não fiquei sabendo.

Que sei eu a respeito de minhas próprias pernas? Pensava então, deixando que elas me levassem para outros caminhos, fora da ficção.

Um ficcionista às vezes precisa saber coisas muito esquisitas. A experiência própria nem sempre ajuda. Passei, por exemplo, a minha infância nos galhos de uma mangueira, chupando manga o dia todo, e não soube responder a um meu amigo, excelente romancista, quanto tempo levava para germinar um caroço de manga.

Contou-me ele, na época, que andou precisando saber este pormenor, em razão de uma história que estava escrevendo. Depois de perguntar a um e outro, e não obtendo senão respostas vagas, telefonou para a repartição do Ministério da Agricultura que lhe pareceu mais apta a fornecer-lhe a informação. O funcionário que o atendeu ficou simplesmente perplexo:

– Caroço de manga? Que brincadeira é essa?

Como insistisse, informaram-lhe que, realmente, havia quem talvez soubesse — um especialista no assunto, lotado num departamento ao qual estava afeto o setor de fruticultura. Discou para lá — mas só conseguiu colher vagos palpites:

– Um caroço de manga? Bem, deve levar um ou dois meses, o senhor não acha?

– Não acho nada: preciso saber com exatidão.

– Por quê?

– Bem, porque...

Outros telefonemas, que somente despertavam reminiscências infantis:

– Na minha casa tinha uma mangueira. A manga-espada, por exemplo, se bem me lembro...

– Boa é a manga carlota, aquela pequenina, sem fibra nenhuma... Lá no Norte chamam de itamaracá.

– O caroço? Bem, o caroço, para lhe dizer com franqueza...

Resolveu telefonar para o Gabinete do Ministro:

– Queria uma informaçãozinha de Vossa Excelência.

O ministro não sabia. Que futuro tem um país de economia essencialmente agrícola se ninguém, nem o próprio Ministro da Agricultura, sabe informar quanto tempo leva para germinar um caroço de manga?

Volto à minha salamandra. Vejo-a esquiva e silenciosa a deslizar por entre as pedras, quantas pernas? Que futuro tenho eu como escritor, se não sei dizer com quantas pernas se faz uma salamandra? O mundo anda cheio de pernas, e o coração do poeta já perguntou para que tanta perna, meu Deus. As da salamandra — quatro, ou seis — nada acrescentam ao meu mundo interior, senão a ligeira desconfiança de que acabo tendo quatro. No entanto, as de uma jovem galgando comigo as pedras do Arpoador, por exemplo, apenas duas, podem sustentar o universo – vertiginoso universo onde as sensações germinam bem mais depressa que um caroço de manga. Onde se acendem estrelas inexistentes e os astros desandam nas suas órbitas. Onde se abrem abismos de uma profundeza que nem a imaginação do romancista ousa devassar. Onde vicejam plantas bem mais exóticas que uma mangueira de quintal, em cujas sombras se arrastam seres vorazes e bem mais misteriosos que a salamandra, salamandras...

(Fernando Sabino. As melhores crônicas – 14ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)

Quando falamos sobre o texto narrativo, sabemos que se trata de uma história já acontecida, podendo ser verdadeira ou fruto da imaginação de um determinado autor, chamada de ficção. Considerando as ideias textuais, a ficção:

 

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2761581 Ano: 2023
Disciplina: Saúde Pública
Banca: Consulplan
Orgão: ISGH

Considerando que o Pacto pela Saúde se trata de um conjunto de mudanças articuladas sendo elas em três dimensões, associe- as adequadamente.

1. Pacto pela Vida.

2. Pacto em Defesa do SUS.

3. Pacto de Gestão.

( ) Estabelece responsabilidades sanitárias e diretrizes para a gestão do SUS expressas em Termos de Compromisso de Gestão (TCG), tendo como prioridades: descentralização; regionalização; financiamento; planejamento; programação; regulação; participação e controle social; gestão do trabalho; e, educação na saúde.

( ) Compromisso dos gestores em torno de prioridades que apresentam impacto sobre a situação de saúde da população brasileira. Estabelece uma agenda de compromissos sanitários, objetivos, indicadores e metas a serem pactuados pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, respeitando as suas especificidades sanitárias.

( ) Expressa compromissos entre os gestores com a consolidação da reforma sanitária e articula ações que visam qualificar o SUS como política pública, tendo como prioridades: mobilização social; direitos dos usuários do SUS; e, ampliação do diálogo com a sociedade.

A sequência está correta em

Questão Anulada

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2761395 Ano: 2023
Disciplina: Engenharia Elétrica
Banca: Consulplan
Orgão: ISGH
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Sobre dispositivos Diferenciais Residuais (DR), marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) As correntes de fuga de uma instalação elétrica são sempre superiores à corrente nominal do DR.

( ) Antes de instalar um dispositivo DR na proteção de uma instalação elétrica é necessário efetuar uma medição preventiva para verificar correntes de fuga.

( ) Pequenas corretes de fuga aumentam a eficácia do dispositivo DR.

( ) Para esquemas TT, a NBR-5410 recomenda que, se a instalação for protegida por um único dispositivo DR, este deverá ser colocado na origem da instalação.

( ) Um dispositivo DR é recomendado em uma instalação, na qual existe um chuveiro elétrico metálico com resistência nua.

A sequência está correta em

Questão Anulada

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2761321 Ano: 2023
Disciplina: Serviços Gerais
Banca: Consulplan
Orgão: ISGH
Provas:

Constava no prontuário de determinado paciente internado com Covid-19 a seguinte informação “desenvolvimento de acidose respiratória”. Esse quadro clínico pode ser entendido por:

Questão Anulada

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