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Leia o texto, para responder às questões de números 12 a 14.
ENCONTRO
Meu pai perdi no tempo e ganho em sonho.
Se a noite me atribui poder de fuga,
sinto logo meu pai e nele ponho
o olhar, lendo-lhe a face, ruga a ruga.
Está morto, que importa? Inda madruga
e seu rosto, nem triste nem risonho,
é o rosto, antigo, o mesmo. E não enxuga
suor algum, na calma de meu sonho.
Oh meu pai arquiteto e fazendeiro!
Faz casas de silêncio, e suas roças
de cinza estão maduras, orvalhadas
por um rio que corre o tempo inteiro,
e corre além do tempo, enquanto as nossas
murcham num sopro fontes represadas.
(Carlos Drummond de Andrade. Claro enigma. Poesia e prosa.)
Assinale a alternativa em que o emprego da vírgula segue o mesmo princípio que se identifica em “O pai foi arquiteto e engenheiro, e o filho faz referência a isso”.
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Leia o texto, para responder às questões de números 12 a 14.
ENCONTRO
Meu pai perdi no tempo e ganho em sonho.
Se a noite me atribui poder de fuga,
sinto logo meu pai e nele ponho
o olhar, lendo-lhe a face, ruga a ruga.
Está morto, que importa? Inda madruga
e seu rosto, nem triste nem risonho,
é o rosto, antigo, o mesmo. E não enxuga
suor algum, na calma de meu sonho.
Oh meu pai arquiteto e fazendeiro!
Faz casas de silêncio, e suas roças
de cinza estão maduras, orvalhadas
por um rio que corre o tempo inteiro,
e corre além do tempo, enquanto as nossas
murcham num sopro fontes represadas.
(Carlos Drummond de Andrade. Claro enigma. Poesia e prosa.)
Na passagem “lendo-lhe a face”, o pronome destacado está empregado como
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Leia o texto, para responder às questões de números 12 a 14.
ENCONTRO
Meu pai perdi no tempo e ganho em sonho.
Se a noite me atribui poder de fuga,
sinto logo meu pai e nele ponho
o olhar, lendo-lhe a face, ruga a ruga.
Está morto, que importa? Inda madruga
e seu rosto, nem triste nem risonho,
é o rosto, antigo, o mesmo. E não enxuga
suor algum, na calma de meu sonho.
Oh meu pai arquiteto e fazendeiro!
Faz casas de silêncio, e suas roças
de cinza estão maduras, orvalhadas
por um rio que corre o tempo inteiro,
e corre além do tempo, enquanto as nossas
murcham num sopro fontes represadas.
(Carlos Drummond de Andrade. Claro enigma. Poesia e prosa.)
É correto afirmar que, no soneto, o eu lírico se refere
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Leia a tira.

(Alexandre Beck. Armandinho. Disponível em:< google.com.br>. Acesso em 24.01.2021)
É correto afirmar que o efeito de sentido crítico da tira está fundamentado na ideia
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Memórias soltas
Terra de origem da minha família, Portugal convoca reminiscências que estão presentes nos meus afetos. Talvez seja por isso que, certa vez, me chamou atenção uma modesta papelaria, escondida na freguesia de Santo António, em Lisboa, que se destaca da vizinhança pelo nome incomum e instigante, que caberia no título de um romance que Eça de Queiroz não escreveu: “Memórias soltas”.
Memórias soltas são o acervo precioso da nossa experiência. “A memória é um diário que todos carregamos conosco”, escreveu Oscar Wilde. Só posso concordar com o dramaturgo irlandês. Ele quer dizer que o que está escrito no coração dispensa anotações, pois isso a gente não esquece. As recordações são inseparáveis de quem viveu situações que merecem ser guardadas no álbum da vida. Não se trata de nostalgia por um passado que não volta. Trata-se, isso sim, de um acúmulo de aprendizados que, no devido tempo, se transformam em bússola pessoal e podem ser compartilhados com as novas gerações. Quantas vezes, diante de um problema qualquer, pessoal ou profissional, não puxamos pela memória em busca de um parâmetro, resultado de anos de janela, que pode ser útil na solução?
Nesse sentido, memórias são verdadeiras âncoras, que nos ajudam a não nos afastarmos do nosso porto seguro. Isso é bom, por um lado, na medida em que apazigua nossas ansiedades. Mas é ruim, por outro, se permitirmos que as boas lembranças nos prendam ao que ficou para trás e se transformem numa limitação do espírito, no receio de querer ir além do horizonte conhecido. “Memória é a imaginação do que morreu”, anotou o poeta Fernando Pessoa, referindo-se ao perigo de viver permanentemente na tentativa de reeditar o passado.
Com frequência esse impulso determina nossas escolhas. Num restaurante, por exemplo, às vezes somos tentados a pedir o prato de sempre, em vez de explorarmos as possibilidades do cardápio. Nas viagens, da mesma maneira, não é incomum optarmos por roteiros com que temos familiaridade, quando há tantos desconhecidos pedindo para ser visitados. Nada disso, no entanto, evita decepções. A comida e o destino podem não corresponder à lembrança que temos deles – sim, porque memórias são seletivas, retêm o que nos agrada, o que é apenas parte da experiência real.
É por isso que, além de âncoras, as memórias devem ter algo da vela que, estufada no vento da curiosidade, nos impele para longe dos mares conhecidos, contribuindo para a formação de novas memórias, num círculo virtuoso.
Da próxima vez em Lisboa vou procurar outra papelaria.
(Lucilia Diniz. Veja, 27.07.2022. Adaptado).
A alternativa que reescreve passagem do texto de acordo com a norma-padrão de concordância é:
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Memórias soltas
Terra de origem da minha família, Portugal convoca reminiscências que estão presentes nos meus afetos. Talvez seja por isso que, certa vez, me chamou atenção uma modesta papelaria, escondida na freguesia de Santo António, em Lisboa, que se destaca da vizinhança pelo nome incomum e instigante, que caberia no título de um romance que Eça de Queiroz não escreveu: “Memórias soltas”.
Memórias soltas são o acervo precioso da nossa experiência. “A memória é um diário que todos carregamos conosco”, escreveu Oscar Wilde. Só posso concordar com o dramaturgo irlandês. Ele quer dizer que o que está escrito no coração dispensa anotações, pois isso a gente não esquece. As recordações são inseparáveis de quem viveu situações que merecem ser guardadas no álbum da vida. Não se trata de nostalgia por um passado que não volta. Trata-se, isso sim, de um acúmulo de aprendizados que, no devido tempo, se transformam em bússola pessoal e podem ser compartilhados com as novas gerações. Quantas vezes, diante de um problema qualquer, pessoal ou profissional, não puxamos pela memória em busca de um parâmetro, resultado de anos de janela, que pode ser útil na solução?
Nesse sentido, memórias são verdadeiras âncoras, que nos ajudam a não nos afastarmos do nosso porto seguro. Isso é bom, por um lado, na medida em que apazigua nossas ansiedades. Mas é ruim, por outro, se permitirmos que as boas lembranças nos prendam ao que ficou para trás e se transformem numa limitação do espírito, no receio de querer ir além do horizonte conhecido. “Memória é a imaginação do que morreu”, anotou o poeta Fernando Pessoa, referindo-se ao perigo de viver permanentemente na tentativa de reeditar o passado.
Com frequência esse impulso determina nossas escolhas. Num restaurante, por exemplo, às vezes somos tentados a pedir o prato de sempre, em vez de explorarmos as possibilidades do cardápio. Nas viagens, da mesma maneira, não é incomum optarmos por roteiros com que temos familiaridade, quando há tantos desconhecidos pedindo para ser visitados. Nada disso, no entanto, evita decepções. A comida e o destino podem não corresponder à lembrança que temos deles – sim, porque memórias são seletivas, retêm o que nos agrada, o que é apenas parte da experiência real.
É por isso que, além de âncoras, as memórias devem ter algo da vela que, estufada no vento da curiosidade, nos impele para longe dos mares conhecidos, contribuindo para a formação de novas memórias, num círculo virtuoso.
Da próxima vez em Lisboa vou procurar outra papelaria.
(Lucilia Diniz. Veja, 27.07.2022. Adaptado).
Assinale a alternativa que substitui as expressões destacadas, preservando as relações de sentido na passagem “Isso é bom, por um lado, na medida em que apazigua nossas ansiedades. Mas é ruim, por outro, se permitirmos que as boas lembranças nos prendam ao que ficou para trás ...”
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Memórias soltas
Terra de origem da minha família, Portugal convoca reminiscências que estão presentes nos meus afetos. Talvez seja por isso que, certa vez, me chamou atenção uma modesta papelaria, escondida na freguesia de Santo António, em Lisboa, que se destaca da vizinhança pelo nome incomum e instigante, que caberia no título de um romance que Eça de Queiroz não escreveu: “Memórias soltas”.
Memórias soltas são o acervo precioso da nossa experiência. “A memória é um diário que todos carregamos conosco”, escreveu Oscar Wilde. Só posso concordar com o dramaturgo irlandês. Ele quer dizer que o que está escrito no coração dispensa anotações, pois isso a gente não esquece. As recordações são inseparáveis de quem viveu situações que merecem ser guardadas no álbum da vida. Não se trata de nostalgia por um passado que não volta. Trata-se, isso sim, de um acúmulo de aprendizados que, no devido tempo, se transformam em bússola pessoal e podem ser compartilhados com as novas gerações. Quantas vezes, diante de um problema qualquer, pessoal ou profissional, não puxamos pela memória em busca de um parâmetro, resultado de anos de janela, que pode ser útil na solução?
Nesse sentido, memórias são verdadeiras âncoras, que nos ajudam a não nos afastarmos do nosso porto seguro. Isso é bom, por um lado, na medida em que apazigua nossas ansiedades. Mas é ruim, por outro, se permitirmos que as boas lembranças nos prendam ao que ficou para trás e se transformem numa limitação do espírito, no receio de querer ir além do horizonte conhecido. “Memória é a imaginação do que morreu”, anotou o poeta Fernando Pessoa, referindo-se ao perigo de viver permanentemente na tentativa de reeditar o passado.
Com frequência esse impulso determina nossas escolhas. Num restaurante, por exemplo, às vezes somos tentados a pedir o prato de sempre, em vez de explorarmos as possibilidades do cardápio. Nas viagens, da mesma maneira, não é incomum optarmos por roteiros com que temos familiaridade, quando há tantos desconhecidos pedindo para ser visitados. Nada disso, no entanto, evita decepções. A comida e o destino podem não corresponder à lembrança que temos deles – sim, porque memórias são seletivas, retêm o que nos agrada, o que é apenas parte da experiência real.
É por isso que, além de âncoras, as memórias devem ter algo da vela que, estufada no vento da curiosidade, nos impele para longe dos mares conhecidos, contribuindo para a formação de novas memórias, num círculo virtuoso.
Da próxima vez em Lisboa vou procurar outra papelaria.
(Lucilia Diniz. Veja, 27.07.2022. Adaptado).
Observe as expressões destacadas na passagem a seguir.
Talvez seja por isso que, certa vez, me chamou atenção uma modesta papelaria, escondida na freguesia de Santo António, em Lisboa, que se destaca da vizinhança pelo nome incomum e instigante...
Essas expressões exprimem, no contexto da passagem, as noções, respectivamente, de
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Memórias soltas
Terra de origem da minha família, Portugal convoca reminiscências que estão presentes nos meus afetos. Talvez seja por isso que, certa vez, me chamou atenção uma modesta papelaria, escondida na freguesia de Santo António, em Lisboa, que se destaca da vizinhança pelo nome incomum e instigante, que caberia no título de um romance que Eça de Queiroz não escreveu: “Memórias soltas”.
Memórias soltas são o acervo precioso da nossa experiência. “A memória é um diário que todos carregamos conosco”, escreveu Oscar Wilde. Só posso concordar com o dramaturgo irlandês. Ele quer dizer que o que está escrito no coração dispensa anotações, pois isso a gente não esquece. As recordações são inseparáveis de quem viveu situações que merecem ser guardadas no álbum da vida. Não se trata de nostalgia por um passado que não volta. Trata-se, isso sim, de um acúmulo de aprendizados que, no devido tempo, se transformam em bússola pessoal e podem ser compartilhados com as novas gerações. Quantas vezes, diante de um problema qualquer, pessoal ou profissional, não puxamos pela memória em busca de um parâmetro, resultado de anos de janela, que pode ser útil na solução?
Nesse sentido, memórias são verdadeiras âncoras, que nos ajudam a não nos afastarmos do nosso porto seguro. Isso é bom, por um lado, na medida em que apazigua nossas ansiedades. Mas é ruim, por outro, se permitirmos que as boas lembranças nos prendam ao que ficou para trás e se transformem numa limitação do espírito, no receio de querer ir além do horizonte conhecido. “Memória é a imaginação do que morreu”, anotou o poeta Fernando Pessoa, referindo-se ao perigo de viver permanentemente na tentativa de reeditar o passado.
Com frequência esse impulso determina nossas escolhas. Num restaurante, por exemplo, às vezes somos tentados a pedir o prato de sempre, em vez de explorarmos as possibilidades do cardápio. Nas viagens, da mesma maneira, não é incomum optarmos por roteiros com que temos familiaridade, quando há tantos desconhecidos pedindo para ser visitados. Nada disso, no entanto, evita decepções. A comida e o destino podem não corresponder à lembrança que temos deles – sim, porque memórias são seletivas, retêm o que nos agrada, o que é apenas parte da experiência real.
É por isso que, além de âncoras, as memórias devem ter algo da vela que, estufada no vento da curiosidade, nos impele para longe dos mares conhecidos, contribuindo para a formação de novas memórias, num círculo virtuoso.
Da próxima vez em Lisboa vou procurar outra papelaria.
(Lucilia Diniz. Veja, 27.07.2022. Adaptado).
O enunciado em que, de acordo com a norma-padrão, o pronome destacado pode ser colocado antes ou depois do verbo a que se vincula é:
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Memórias soltas
Terra de origem da minha família, Portugal convoca reminiscências que estão presentes nos meus afetos. Talvez seja por isso que, certa vez, me chamou atenção uma modesta papelaria, escondida na freguesia de Santo António, em Lisboa, que se destaca da vizinhança pelo nome incomum e instigante, que caberia no título de um romance que Eça de Queiroz não escreveu: “Memórias soltas”.
Memórias soltas são o acervo precioso da nossa experiência. “A memória é um diário que todos carregamos conosco”, escreveu Oscar Wilde. Só posso concordar com o dramaturgo irlandês. Ele quer dizer que o que está escrito no coração dispensa anotações, pois isso a gente não esquece. As recordações são inseparáveis de quem viveu situações que merecem ser guardadas no álbum da vida. Não se trata de nostalgia por um passado que não volta. Trata-se, isso sim, de um acúmulo de aprendizados que, no devido tempo, se transformam em bússola pessoal e podem ser compartilhados com as novas gerações. Quantas vezes, diante de um problema qualquer, pessoal ou profissional, não puxamos pela memória em busca de um parâmetro, resultado de anos de janela, que pode ser útil na solução?
Nesse sentido, memórias são verdadeiras âncoras, que nos ajudam a não nos afastarmos do nosso porto seguro. Isso é bom, por um lado, na medida em que apazigua nossas ansiedades. Mas é ruim, por outro, se permitirmos que as boas lembranças nos prendam ao que ficou para trás e se transformem numa limitação do espírito, no receio de querer ir além do horizonte conhecido. “Memória é a imaginação do que morreu”, anotou o poeta Fernando Pessoa, referindo-se ao perigo de viver permanentemente na tentativa de reeditar o passado.
Com frequência esse impulso determina nossas escolhas. Num restaurante, por exemplo, às vezes somos tentados a pedir o prato de sempre, em vez de explorarmos as possibilidades do cardápio. Nas viagens, da mesma maneira, não é incomum optarmos por roteiros com que temos familiaridade, quando há tantos desconhecidos pedindo para ser visitados. Nada disso, no entanto, evita decepções. A comida e o destino podem não corresponder à lembrança que temos deles – sim, porque memórias são seletivas, retêm o que nos agrada, o que é apenas parte da experiência real.
É por isso que, além de âncoras, as memórias devem ter algo da vela que, estufada no vento da curiosidade, nos impele para longe dos mares conhecidos, contribuindo para a formação de novas memórias, num círculo virtuoso.
Da próxima vez em Lisboa vou procurar outra papelaria.
(Lucilia Diniz. Veja, 27.07.2022. Adaptado).
A passagem do texto em que se empregam apenas palavras em sentido próprio é:
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Memórias soltas
Terra de origem da minha família, Portugal convoca reminiscências que estão presentes nos meus afetos. Talvez seja por isso que, certa vez, me chamou atenção uma modesta papelaria, escondida na freguesia de Santo António, em Lisboa, que se destaca da vizinhança pelo nome incomum e instigante, que caberia no título de um romance que Eça de Queiroz não escreveu: “Memórias soltas”.
Memórias soltas são o acervo precioso da nossa experiência. “A memória é um diário que todos carregamos conosco”, escreveu Oscar Wilde. Só posso concordar com o dramaturgo irlandês. Ele quer dizer que o que está escrito no coração dispensa anotações, pois isso a gente não esquece. As recordações são inseparáveis de quem viveu situações que merecem ser guardadas no álbum da vida. Não se trata de nostalgia por um passado que não volta. Trata-se, isso sim, de um acúmulo de aprendizados que, no devido tempo, se transformam em bússola pessoal e podem ser compartilhados com as novas gerações. Quantas vezes, diante de um problema qualquer, pessoal ou profissional, não puxamos pela memória em busca de um parâmetro, resultado de anos de janela, que pode ser útil na solução?
Nesse sentido, memórias são verdadeiras âncoras, que nos ajudam a não nos afastarmos do nosso porto seguro. Isso é bom, por um lado, na medida em que apazigua nossas ansiedades. Mas é ruim, por outro, se permitirmos que as boas lembranças nos prendam ao que ficou para trás e se transformem numa limitação do espírito, no receio de querer ir além do horizonte conhecido. “Memória é a imaginação do que morreu”, anotou o poeta Fernando Pessoa, referindo-se ao perigo de viver permanentemente na tentativa de reeditar o passado.
Com frequência esse impulso determina nossas escolhas. Num restaurante, por exemplo, às vezes somos tentados a pedir o prato de sempre, em vez de explorarmos as possibilidades do cardápio. Nas viagens, da mesma maneira, não é incomum optarmos por roteiros com que temos familiaridade, quando há tantos desconhecidos pedindo para ser visitados. Nada disso, no entanto, evita decepções. A comida e o destino podem não corresponder à lembrança que temos deles – sim, porque memórias são seletivas, retêm o que nos agrada, o que é apenas parte da experiência real.
É por isso que, além de âncoras, as memórias devem ter algo da vela que, estufada no vento da curiosidade, nos impele para longe dos mares conhecidos, contribuindo para a formação de novas memórias, num círculo virtuoso.
Da próxima vez em Lisboa vou procurar outra papelaria.
(Lucilia Diniz. Veja, 27.07.2022. Adaptado).
Na passagem “Nas viagens, da mesma maneira, não é incomum optarmos por roteiros com que temos familiaridade, quando há tantos desconhecidos pedindo para ser visitados.”, o trecho destacado está substituído de acordo com a norma-padrão de regência e emprego do sinal indicativo de crase, em:
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