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Por não estarem distraídos
(Clarice Lispector)
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como
quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por
admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de
antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria
água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e
riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a
alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles
se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma
beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a
boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles
admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma
alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das
palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele
não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais
erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só
porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante
distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter
o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque
quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para
que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto
da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais
distraídos.
I. O segundo verbo, no passado, marca uma anterioridade em relação ao primeiro, também no passado.
II. Há uma concomitância temporal entre os dois verbos, já que ambos estão no passado.
III. Trata-se do verbo ver conjugado no pretérito imperfeito e pretérito mais-que-perfeito, respectivamente.
IV. O passado contínuo, inscrito pelo primeiro verbo, intensifica a oposição do trecho, em contraste ao segundo verbo, no futuro.
Está correto o que se afirma em
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Por não estarem distraídos
(Clarice Lispector)
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como
quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por
admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de
antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria
água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e
riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a
alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles
se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma
beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a
boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles
admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma
alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das
palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele
não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais
erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só
porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante
distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter
o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque
quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para
que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto
da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais
distraídos.
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Por não estarem distraídos
(Clarice Lispector)
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como
quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por
admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de
antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria
água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e
riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a
alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles
se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma
beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a
boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles
admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma
alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das
palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele
não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais
erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só
porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante
distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter
o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque
quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para
que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto
da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais
distraídos.
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(Clarice Lispector)
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como
quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por
admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de
antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria
água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e
riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a
alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles
se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma
beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a
boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles
admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma
alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das
palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele
não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais
erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só
porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante
distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter
o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque
quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para
que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto
da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais
distraídos.
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Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como
quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por
admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de
antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria
água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e
riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a
alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles
se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma
beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a
boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles
admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma
alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das
palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele
não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais
erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só
porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante
distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter
o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque
quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para
que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto
da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais
distraídos.
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Por não estarem distraídos
(Clarice Lispector)
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como
quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por
admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de
antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria
água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e
riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a
alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles
se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma
beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a
boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles
admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma
alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das
palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele
não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais
erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só
porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante
distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter
o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque
quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para
que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto
da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais
distraídos.
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A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao texto
a seguir:
Insônia infeliz e feliz (Clarice Lispector)
Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais.
Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem
sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará
acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da
noite, pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula
para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me
perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o
quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente despertar no
meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído.
Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto,
toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um
nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele
toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens
se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de
fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a
espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha.
E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo,
a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
No entanto, há usos que indicam outros sentidos, como
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A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao texto
a seguir:
Insônia infeliz e feliz (Clarice Lispector)
Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais.
Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem
sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará
acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da
noite, pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula
para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me
perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o
quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente despertar no
meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído.
Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto,
toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um
nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele
toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens
se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de
fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a
espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha.
E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo,
a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
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A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao texto
a seguir:
Insônia infeliz e feliz (Clarice Lispector)
Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais.
Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem
sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará
acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da
noite, pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula
para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me
perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o
quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente despertar no
meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído.
Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto,
toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um
nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele
toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens
se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de
fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a
espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha.
E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo,
a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
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A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao texto
a seguir:
Insônia infeliz e feliz (Clarice Lispector)
Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais.
Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem
sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará
acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da
noite, pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula
para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me
perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o
quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente despertar no
meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído.
Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto,
toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um
nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele
toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens
se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de
fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a
espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha.
E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo,
a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Assinale a opção em que não se observa este uso.
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